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Diogo Moreira chega a Phillip Island promovido à Honda de fábrica

Diogo Moreira, piloto brasileiro da MotoGP, sorri de boné de pódio e óculos escuros sobre a aba, com o macacão da Honda

Diogo Moreira desembarca em Phillip Island com o futuro resolvido. Nesta terça-feira (20), a Honda anunciou que o brasileiro de 22 anos deixa a LCR no fim da temporada e sobe para a equipe de fábrica, a Honda HRC Castrol, em 2027, ao lado do campeão mundial de 2021 Fabio Quartararo. O anúncio chega na semana do GP da Austrália de MotoGP, a 18ª das 22 etapas do ano.

O fim de semana, de 23 a 25 de outubro, é também uma despedida. A Austrália recebe a MotoGP em Phillip Island desde 1997, e a etapa muda para um circuito de rua em Adelaide a partir de 2027. Na pista à beira-mar, Jorge Martín e Marc Márquez chegam separados por dois pontos, e Moreira volta ao lugar onde fez a pole da Moto2 no ano passado. Por causa do fuso, a corrida principal larga à 0h de domingo (25), no horário de Brasília.

Diogo Moreira sorri e faz sinal de número 1 ao lado da moto 10 da Italtrans depois da pole position da Moto2 no GP da Austrália de 2025, em Phillip Island
Moreira comemora a pole da Moto2 em Phillip Island, em outubro de 2025. Foto: MotoGP/Dorna

Horários de Brasília e onde assistir

Em outubro, Phillip Island está no horário de verão australiano, 11 horas à frente de Greenwich e 14 horas à frente de Brasília. Por isso, as sessões da MotoGP caem na noite e na madrugada brasileiras. A programação oficial, convertida:

  • Treino livre 1: quinta-feira (22), às 20h45
  • Treino classificatório para o Q2 (Practice): sexta-feira (23), à 1h
  • Treino livre 2: sexta-feira (23), às 20h10
  • Classificação Q1: sexta-feira (23), às 20h50
  • Classificação Q2: sexta-feira (23), às 21h15
  • Corrida sprint: sábado (24), à 1h, com 13 voltas
  • Warm-up: sábado (24), às 19h40
  • Corrida da Moto2: sábado (24), às 22h15
  • Corrida da MotoGP: domingo (25), à 0h, com 27 voltas

Na prática, quem quiser ver a corrida ao vivo fica acordado na virada de sábado para domingo. A ESPN tem os direitos do Mundial de Motovelocidade no Brasil em 2026, com transmissão na ESPN 4 e no Disney+, narração de Hamilton Rodrigues e comentários de Fausto Macieira e Juliana Tesser. A alternativa oficial é o MotoGP VideoPass, serviço pago da própria categoria. Os detalhes estão no guia de onde assistir à MotoGP em 2026.

Moreira na Honda de fábrica em 2027

O contrato com a HRC é de várias temporadas, segundo o anúncio oficial publicado pela MotoGP, e começa junto com o novo regulamento técnico da categoria, com motores de 850 cc. A vaga de Moreira na LCR fica com o colombiano David Alonso, que estreia na classe principal em 2027 ao lado de Johann Zarco.

“É uma sensação fantástica chegar à equipe de fábrica da Honda HRC na MotoGP, é algo com que todo piloto sonha quando é jovem”, disse Moreira no comunicado. “Até aqui, em 2026, fizemos um ótimo trabalho para nos adaptar à moto, e as sensações para o futuro já são muito positivas pelo que vimos.” O brasileiro agradeceu à LCR, que chamou de crucial na adaptação à MotoGP.

Yuzura Ishikawa, gerente-geral da divisão de corridas de moto da HRC, justificou a escolha pela capacidade de adaptação. “Moreira sempre conseguiu se adaptar rápido a motos novas, do motocross à Moto3, à Moto2 e agora à MotoGP. Esse é o sinal de um piloto talentoso”, afirmou.

Moreira não será o primeiro brasileiro na equipe oficial da Honda na classe principal. Alex Barros correu pela fábrica japonesa em 2004 e somou quatro pódios naquela temporada, de acordo com a MotoGP.

Como chega Diogo Moreira

Em campo, o brasileiro vem de duas corridas de domingo sem pontos. No GP do Japão, ele foi segundo na sprint, o primeiro pódio de um brasileiro na classe principal desde Barros, em 2007, como contou a reportagem do Atleta Pro sobre o fim do jejum, mas caiu na corrida. Na Indonésia, largou em 20º e terminou em 16º, como mostrou o resultado do GP de Mandalika.

No retrato da temporada, Moreira é o 15º do campeonato, com 74 pontos, empatado com Quartararo, que leva vantagem no critério de desempate. Pontuou em 14 das 17 etapas disputadas e só passou em branco na Espanha, em San Marino e na Indonésia. O melhor resultado num domingo segue sendo o sexto lugar no GP da Hungria, em junho. Na disputa de estreante do ano, tem 56 pontos de vantagem sobre Toprak Razgatlioglu, da Pramac Yamaha.

Phillip Island é uma pista que ele conhece bem. Na Moto3, foi sétimo em 2022 e não terminou a corrida de 2023. Na Moto2, foi quinto em 2024 e, no ano passado, fez a pole com 0s011 de vantagem sobre o australiano Senna Agius e terminou em terceiro, numa corrida vencida por Agius. O pódio ajudou o brasileiro a descontar sete pontos de Manuel González na reta final do campeonato que ele acabaria vencendo.

Martín x Márquez: o título não se decide na Austrália

A Aprilia ocupou os quatro primeiros lugares na Indonésia, com vitória de Marco Bezzecchi, e mesmo assim a diferença no topo voltou ao ponto de partida. Martín lidera com 355 pontos, dois a mais que Márquez. Bezzecchi, terceiro, está a 46.

Pos.PilotoEquipePontos
1ºJorge MartínAprilia Racing355
2ºMarc MárquezDucati Lenovo353
3ºMarco BezzecchiAprilia Racing309
4ºAi OguraTrackhouse259
5ºPedro AcostaRed Bull KTM258
15ºDiogo MoreiraLCR Honda74

Restam cinco fins de semana, Austrália, Malásia, Catar, Portugal e Valência, e cada um distribui até 37 pontos: 12 para o vencedor da sprint e 25 para o da corrida. São 185 pontos em jogo. Com Márquez a dois pontos do líder, o título não tem como ser decidido em Phillip Island. A própria MotoGP trata a briga como uma disputa a três, com Bezzecchi ainda na conta.

Os dois líderes chegam com perfis opostos. Martín tem uma só vitória em corridas de domingo em 2026, mas subiu ao pódio nos três últimos GPs. Márquez tem seis vitórias, e esse número pesa: em caso de empate no fim do ano, o critério é o número de vitórias em corridas de domingo.

Phillip Island também tem história com os dois. Em 2024, Martín venceu a sprint e Márquez, então na Gresini, ganhou a corrida de domingo, com o rival em segundo. Em 2025, Márquez não correu na Austrália, afastado pela lesão no ombro sofrida em Mandalika. A vitória ficou com Raúl Fernández, da Trackhouse, a primeira dele na MotoGP, e a sprint, com Bezzecchi.

A Gresini terá um desfalque: Fermín Aldeguer, machucado na mão na Indonésia, está fora do GP e será substituído por Iker Lecuona.

Phillip Island, a última volta

O circuito de 4,4 km fica numa ilha do estado de Victoria, no sul da Austrália, e tem o mar como pano de fundo. São 12 curvas, sete para a esquerda e cinco para a direita, e uma reta de 900 metros. O traçado permanente foi construído em 1956. O Mundial correu ali em 1989 e 1990 e voltou em 1997 para ficar, com exceção de 2020 e 2021, quando a pandemia cancelou a etapa.

Pelotão de motos em fila no circuito de Phillip Island, com o mar ao fundo, no GP da Austrália de motovelocidade de 2025
O pelotão em Phillip Island, com o mar ao fundo, no GP da Austrália de 2025. Foto: MotoGP/Dorna

A lista de vencedores da classe principal conta boa parte da história do motociclismo. Valentino Rossi ganhou seis vezes, cinco delas seguidas, de 2001 a 2005. Casey Stoner, australiano, venceu seis edições consecutivas, de 2007 a 2012, e conquistou ali o segundo título mundial, em 2011, no dia do seu aniversário de 26 anos. Márquez venceu quatro vezes na MotoGP, em 2015, 2017, 2019 e 2024.

Dois capítulos tocam a equipe de Moreira. Em 2016, Cal Crutchlow venceu a corrida com a LCR Honda. Em 2023, Johann Zarco, hoje companheiro do brasileiro, conquistou em Phillip Island a primeira vitória da carreira na MotoGP, ainda pela Pramac Ducati. A última vitória de uma Honda no circuito é de Márquez, em 2019.

No domingo, antes da corrida, Stoner, Mick Doohan, Wayne Gardner e Kevin Schwantz voltam à pista numa volta de homenagem, sem disputa. Gardner venceu o primeiro GP da Austrália disputado em Phillip Island, em 1989.

O que Phillip Island ensina sobre alta performance

A promoção de Moreira não veio de uma corrida. Veio de uma temporada inteira de estreante pontuando em 14 de 17 etapas, numa moto que ainda persegue Aprilia e Ducati, e de um pódio que, no Japão, mostrou que o ritmo estava ali. A Honda olhou para a curva de aprendizado, não para o resultado isolado.

O contrato novo, porém, não muda nada em Phillip Island. A moto é a mesma, a equipe é a mesma e o cronômetro não sabe quem assinou com a fábrica. Para um piloto que vem de duas corridas de domingo sem pontos, a próxima régua é a mesma de sempre: o primeiro treino, na noite de quinta-feira.

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Foto de Diogo Moraes
Diogo Moraes

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