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Antonelli pode ser campeão em Austin e bater recorde de Vettel

Kimi Antonelli, da Mercedes, com o boné do número 12 entre torcedores na temporada de 2026 da Fórmula 1

Kimi Antonelli chega ao GP dos Estados Unidos, em Austin, com a primeira chance real de fechar o Mundial de Fórmula 1. O italiano da Mercedes soma 340 pontos, 102 a mais que o companheiro de equipe George Russell, e restam seis corridas e 150 pontos em disputa na temporada.

A conta para domingo (25) é estreita: ele precisa vencer e torcer para Russell terminar em nono ou pior e Lewis Hamilton, em quinto ou pior. Se tudo isso acontecer, Antonelli vira o campeão mais jovem da história da F1, aos 20 anos, e o primeiro italiano campeão desde 1953.

O que Antonelli precisa para ser campeão em Austin

Depois de Austin restarão cinco etapas: México, Brasil, Las Vegas, Catar e Abu Dhabi. Com 25 pontos por vitória e nenhuma corrida sprint no restante do calendário, serão 125 pontos em jogo a partir do México. Para ser campeão no domingo, Antonelli precisa sair do Texas com uma vantagem que nenhum rival consiga tirar nessas cinco corridas.

Por isso a vitória é obrigatória. Mesmo que Russell não marque ponto, um segundo lugar levaria Antonelli a 358 pontos, e Russell ainda poderia chegar a 363 vencendo tudo até Abu Dhabi. Com a vitória, o italiano vai a 365, e a situação de cada rival fica assim:

PilotoPontosPara Antonelli ser campeão (vencendo)
George Russell (Mercedes)238Russell em 9º ou pior
Lewis Hamilton (Ferrari)229Hamilton em 5º ou pior
Max Verstappen (Red Bull)221Eliminado com a vitória de Antonelli
Charles Leclerc (Ferrari)215Eliminado com a vitória de Antonelli
Lando Norris (McLaren)201Eliminado com a vitória de Antonelli

O nono lugar de Russell basta por causa do desempate. Com os 2 pontos do nono lugar, o inglês chegaria no máximo a 365, empatado com Antonelli, e só se vencesse as cinco corridas seguintes. Em caso de empate, decide o número de vitórias, e o italiano teria nove contra oito. Com Hamilton a margem é outra: o quarto lugar daria 12 pontos e deixaria o heptacampeão com chance matemática de passar.

Um detalhe joga contra a festa no domingo. A Mercedes planejava trocar a unidade de potência de Russell justamente em Austin, o que o faria largar do fim do grid. A quebra do motor em Sepang antecipou a troca, e Russell largou em 19º em Singapura. Depois daquela corrida, ele disse à Sky Sports que a próxima punição deve ficar “provavelmente para mais tarde na temporada, talvez Vegas”. Em Austin, portanto, Russell larga na posição que conquistar na classificação.

Como Antonelli chegou a Austin com 102 pontos

Antonelli lidera o campeonato desde a terceira etapa, o GP do Japão. Em 17 corridas, venceu oito e subiu ao pódio 14 vezes. A Mercedes, que estreou o novo regulamento de 2026 com o carro mais rápido do grid, ganhou 11 dos 17 GPs: além das oito vitórias de Antonelli, Russell venceu três.

A vantagem já foi bem menor. Depois de Baku, onde Russell venceu e Antonelli viveu o pior fim de semana do ano, a diferença caiu para 66 pontos. Subiu para 84 em Sepang e chegou aos 102 em Singapura, onde o terceiro lugar do italiano e o nono de Russell deixaram a conta aberta para o Texas. Max Verstappen venceu as duas últimas corridas, mas já está 119 pontos atrás.

Austin não guarda boas lembranças para Antonelli. Em 2025, como estreante, ele rodou depois de um toque de Carlos Sainz nas primeiras voltas da prova e terminou em 13º. Os comissários culparam o espanhol, punido com a perda de cinco posições no grid do México. A corrida daquele ano foi vencida por Verstappen.

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O recorde de Vettel e os outros marcos em jogo

O campeão mais jovem da história da Fórmula 1 é Sebastian Vettel, que conquistou o primeiro de seus quatro títulos no GP de Abu Dhabi de 2010, em 14 de novembro, com 23 anos e 134 dias. Antonelli nasceu em Bolonha, em 25 de agosto de 2006. No domingo da corrida em Austin, terá 20 anos e 61 dias, mais de três anos a menos que Vettel naquela tarde em Yas Marina.

Sebastian Vettel pilota a Red Bull RB6 em Yas Marina, no GP de Abu Dhabi de 2010, corrida do primeiro título
Vettel com a Red Bull RB6 em Yas Marina, no fim de semana do título de 2010. Foto: Jitesh Jagadish (CC BY 2.0)

Seria também o primeiro título de um italiano desde 1953, quando Alberto Ascari foi bicampeão pela Ferrari, e o primeiro título de pilotos da Mercedes desde 2020, com Lewis Hamilton. E fechar a conta em Austin, com cinco etapas por disputar, deixaria Antonelli a uma corrida do recorde de antecedência de Michael Schumacher, campeão em 2002 com seis provas de sobra.

Se não fechar em Austin: México e São Paulo

Para a Autosport, o cenário mais provável é a decisão uma semana depois, no GP da Cidade do México, em 1º de novembro. Toto Wolff, chefe da Mercedes, lembrou depois de Singapura que fechar em Austin dependeria de um tropeço grande de Russell e de Hamilton, e resumiu: “Vai chegar até ele, seja no México, no Brasil ou mais adiante”.

No México, restarão quatro corridas e 100 pontos. Antonelli será campeão se sair do autódromo Hermanos Rodríguez com mais de 100 pontos de vantagem sobre todos os rivais. Na soma de Austin e México, isso significa perder no máximo 1 ponto para Russell, 10 para Hamilton e 18 para Verstappen.

Há também um atalho que não depende de ninguém. Russell pode chegar no máximo a 388 pontos até o fim do ano, e Hamilton, a 379. Se Antonelli vencer em Austin e no México, vai a 390 e é campeão no México, qualquer que seja o resultado dos adversários. Se a decisão passar do México, a próxima chance é o GP de São Paulo, em Interlagos, no dia 8 de novembro, quando a vantagem necessária cai para mais de 75 pontos.

A conta ainda tem um asterisco. As duas últimas etapas, no Catar e em Abu Dhabi, seguem dependendo do conflito no Oriente Médio, segundo a Autosport e a Reuters. Se alguma for cancelada, haverá menos pontos em disputa, e a vantagem necessária para fechar o título diminui.

Mercedes pode fechar o título de construtores no México?

Entre as equipes, a Mercedes soma 578 pontos, 134 a mais que a Ferrari (444). McLaren (339) e Red Bull (332) vêm atrás. Como uma equipe soma no máximo 43 pontos por corrida (vitória e segundo lugar), restam 258 em disputa, e o título de construtores não pode ser decidido em Austin.

O México é a primeira chance, mas difícil. Para fechar lá, a Mercedes precisa entrar nas quatro últimas etapas com mais de 172 pontos sobre a Ferrari, ou seja, tirar quase 40 pontos da rival em duas corridas. Pelas contas da Autosport, a vantagem média da Mercedes sobre a Ferrari em 2026 é de 7,6 pontos por GP, e a equipe ainda não fez uma dobradinha numa corrida em que a Ferrari ficou sem pontos. O Brasil aparece como o palco mais provável.

Será o nono título de construtores da Mercedes, o primeiro desde 2021. Com ele, a equipe alemã iguala a Williams e fica atrás apenas de Ferrari (16) e McLaren (10).

Horários do GP dos Estados Unidos e onde assistir

O GP dos Estados Unidos é a 18ª etapa da temporada e tem formato tradicional, sem corrida sprint. São 56 voltas no Circuit of the Americas. Os horários, já convertidos para Brasília:

DiaSessãoHorário (Brasília)
Sexta (23/10)Treino livre 114h30
Sexta (23/10)Treino livre 218h
Sábado (24/10)Treino livre 314h30
Sábado (24/10)Classificação18h
Domingo (25/10)Corrida17h
Vista do alto da torre do Circuit of the Americas, em Austin, com as curvas do primeiro setor e as arquibancadas
O Circuit of the Americas visto da torre, em Austin. Foto: pedrik (CC BY 2.0)

Pela grade da Globo para 2026, Austin está entre as corridas fora da TV aberta. A transmissão ao vivo fica com o SporTV e o Globoplay, além do F1 TV, serviço da própria categoria. O guia do fim de semana está em onde assistir ao GP dos EUA 2026, e as corridas que restam estão no guia de onde assistir à F1 2026.

O que a reta final ensina sobre alta performance

Antonelli tem a chance de entrar para a história no domingo e, mesmo assim, o que ele destacou depois de Singapura foi o que não fez bem. Admitiu que não pilotou particularmente bem naquele fim de semana e completou: “Se eu não fizer bem o meu trabalho, o resultado não vem”.

É a postura de quem sabe que vantagem não é título. Os 102 pontos foram construídos corrida a corrida, inclusive nos dias ruins, como Baku, e só valem alguma coisa se as próximas sessões forem bem feitas. Quanto mais perto do objetivo, mais o foco precisa voltar para o processo, e não para o troféu. Para conhecer melhor o piloto que pode quebrar o recorde de Vettel, vale ler as 10 curiosidades sobre Antonelli.

Vantagem não é título. Processo é.

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Foto de Diogo Moraes
Diogo Moraes

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