Max Verstappen precisou de dez tentativas para vencer em Singapura. Quando finalmente conseguiu, não deixou nada para os adversários. O holandês da Red Bull fez a pole, liderou as 62 voltas e venceu o GP de Singapura de Fórmula 1 no domingo (11), 7s335 à frente de Charles Leclerc, da Ferrari. Kimi Antonelli, da Mercedes, completou o pódio.
Um dia antes, Verstappen já tinha vencido a primeira corrida sprint da história de Marina Bay. Foi um fim de semana perfeito e a segunda vitória seguida do tetracampeão. Na briga pelo título, porém, quem mais ganhou foi Antonelli: com o terceiro lugar dele e o nono de George Russell, a vantagem do italiano subiu para 102 pontos, e ele já pode ser campeão na próxima etapa, em Austin.
O tabu que durou nove edições
Verstappen correu em Singapura pela primeira vez em 2015, ainda pela Toro Rosso. Em nove participações, subiu ao pódio quatro vezes, incluindo os segundos lugares de 2024 e 2025, mas nunca tinha vencido. Antes do fim de semana, ele explicou o motivo: nos últimos anos, o carro da Red Bull sofria justamente no que o circuito de rua mais exige, que são curvas de baixa velocidade, zebras e asfalto irregular.
“Demorou, mas acho que a corrida foi muito boa”, disse Verstappen depois da bandeirada. “Deu certo, então é claro que estou muito feliz por vencer aqui.”
A vitória foi a 73ª da carreira e veio justamente no 250º GP do holandês. Com ela, sobrou só uma pista no calendário de 2026 onde Verstappen nunca venceu: o Madring, o circuito de Madri que estreou na Fórmula 1 neste ano. Uma semana antes, ele tinha encerrado o jejum da temporada com a vitória no GP do Bahrein, disputado em Sepang, a primeira do motor próprio da Red Bull com a Ford.

A sprint: chuva, batida de Russell e a primeira vitória
A primeira sprint de Singapura começou atrasada. Um temporal pouco antes do horário marcado adiou a largada em 30 minutos, e os carros fizeram as voltas de apresentação atrás do safety car, com pneus intermediários.
Verstappen largou da pole, mas saiu mal, e Russell, que vinha da primeira fila, assumiu a ponta. A liderança durou menos de uma volta. Na última curva, o inglês da Mercedes perdeu o controle ao tocar uma linha branca da pista molhada e bateu no muro dos boxes. “Foi um erro de cálculo”, admitiu Russell.
Verstappen herdou a liderança, acertou a relargada e venceu com cerca de 2,5 segundos de vantagem sobre Lewis Hamilton. Leclerc foi o terceiro. Mesmo com a vitória, o holandês reclamou da própria largada, que classificou como horrível. Na última volta, Lando Norris e Oscar Piastri se tocaram na briga entre os carros da McLaren, e Antonelli herdou o quarto lugar. Norris terminou em oitavo, e Piastri, em 14º.
A corrida: porta fechada na curva 1
No domingo, Leclerc largou bem do segundo lugar e ameaçou o ataque, mas Verstappen fechou a porta na freada da curva 1 e manteve a ponta. A partir daí, o holandês administrou a corrida com pneus macios e uma única parada, para os médios, na volta 33. Voltou à pista ainda na liderança.
Leclerc fez duas paradas, a segunda delas durante o safety car virtual da volta 39, acionado para retirar a Aston Martin de Lance Stroll, que parou com problema na embreagem. Com pneus mais novos, o monegasco tirou mais da metade da diferença no fim: estava 15 segundos atrás na volta 46 e cruzou a linha a 7s335.

A decisão que tirou Hamilton do pódio
Hamilton largou em terceiro, com pneus médios, e trocou para os macios na volta 19. A Ferrari chamou o heptacampeão para uma segunda parada durante o safety car virtual, mas ele não entrou nos boxes. Com os pneus desgastando no fim, acabou superado por Leclerc, Antonelli e pelas duas McLaren, e terminou em sexto.
“Durante o safety car virtual, a equipe me chamou, mas eu perdi a entrada dos boxes”, explicou Hamilton. “Uma lição dolorosa hoje, mas assumo total responsabilidade pelas decisões que tomei.”
Antonelli foi quem mais aproveitou. O italiano tinha perdido uma posição para Norris na sequência de paradas, mas, na volta 54, passou o inglês da McLaren e Hamilton para garantir o terceiro lugar.
Antonelli pode ser campeão em Austin
Quando soube, depois da corrida, que já pode conquistar o título na próxima etapa, Antonelli reagiu com surpresa. “Posso? Sério?”, perguntou. “Bom, não vamos nos preocupar com isso. Vamos tentar fazer o melhor fim de semana possível e terminar o trabalho.”
A conta é simples. Restam seis corridas e nenhuma sprint, ou seja, 150 pontos em disputa. Depois de Austin, sobrarão 125. Para fechar o campeonato já nos Estados Unidos, Antonelli precisa sair do Texas com mais do que isso de vantagem sobre os dois perseguidores. O caminho mais direto é vencer a corrida com Russell no máximo em décimo e Hamilton fora dos quatro primeiros.

Veja como ficou o campeonato de pilotos depois de Singapura:
| Posição | Piloto | Equipe | Pontos |
|---|---|---|---|
| 1º | Kimi Antonelli | Mercedes | 340 |
| 2º | George Russell | Mercedes | 238 |
| 3º | Lewis Hamilton | Ferrari | 229 |
| 4º | Max Verstappen | Red Bull | 221 |
| 5º | Charles Leclerc | Ferrari | 215 |
| 6º | Lando Norris | McLaren | 201 |
Com os 33 pontos do fim de semana, Verstappen saltou do sexto para o quarto lugar. Entre os construtores, a Mercedes soma 578 pontos, 134 a mais que a Ferrari.
Russell sai do 19º lugar e termina em nono
Russell chegou a Singapura já punido. A falha no motor em Sepang, a seis voltas do fim, obrigou a Mercedes a trocar componentes da unidade de potência, e a punição jogou o inglês para o fim do grid, como o Atleta Pro antecipou na prévia do fim de semana. Sexto na classificação, ele largou em 19º, atrás apenas dos três carros que saíram dos boxes.
A recuperação teve um contratempo. O safety car virtual apareceu quando ele entrava no top 10 e ia fazer a parada, mas terminou justamente quando Russell entrou nos boxes, e o ganho foi menor do que o esperado. Ele passou Pierre Gasly na volta 48 e terminou em nono, sem conseguir superar Nico Hülkenberg.
“Sempre ia ser muito difícil vindo do fim”, disse Russell. “Um pouco a história da temporada, nada tem saído de um jeito fantástico.” Isack Hadjar, companheiro de Verstappen, também fez corrida de recuperação: largou dos boxes e terminou em décimo.
Bortoleto abandona com problema no câmbio
Gabriel Bortoleto foi 15º na classificação e largou em 14º, beneficiado pela punição de Russell. Perdeu três posições na largada e, na oitava volta, avisou a Audi de um problema na caixa de câmbio. O brasileiro parou o carro perto dos boxes, e a direção de prova acionou o safety car virtual. No sábado, ele também não tinha terminado a sprint, depois de levar um toque.
O fim de semana teve um agravante: Nico Hülkenberg terminou em sétimo na sprint e em oitavo no domingo e passou o companheiro no campeonato, com 13 pontos contra 10. Bortoleto não pontua desde o GP da Bélgica, em 19 de julho.
“Infelizmente a gente sofre com alguns problemas de consistência do nosso carro”, disse o brasileiro. “Eu vou continuar forte, não vou desistir.”
Próxima etapa: GP dos Estados Unidos, em Austin
Depois de duas semanas seguidas na Ásia, a Fórmula 1 tem um fim de semana de folga. A próxima corrida é o GP dos Estados Unidos, no Circuito das Américas, no domingo, 25 de outubro, às 17h de Brasília. A etapa não passa na TV aberta: a transmissão fica com SporTV, Globoplay e F1 TV. Os detalhes estão no guia de onde assistir ao GP dos EUA, e o calendário completo, no guia de onde assistir à Fórmula 1 em 2026.
Depois de Austin, a temporada segue com México, Brasil, Las Vegas, Catar e Abu Dhabi. O GP de São Paulo, em Interlagos, é no dia 8 de novembro.
O que Singapura ensina sobre alta performance
O tabu de Verstappen não caiu por acaso. Durante anos, ele sabia exatamente onde o carro perdia em Marina Bay e seguiu voltando, ano após ano, até que o equipamento e o piloto chegassem juntos ao nível da pista. Processo somado a tempo é o que transforma um segundo lugar repetido em vitória.
Hamilton mostrou o outro lado da mesma moeda. Perdeu o pódio por uma decisão dele e disse isso em voz alta, sem procurar culpado no muro da Ferrari. Responsabilidade acima de justificativa é o que permite corrigir o erro antes da próxima corrida.
E Antonelli, a uma corrida de poder confirmar o título, respondeu com o processo, não com o troféu: fazer o melhor fim de semana possível e terminar o trabalho. É assim que se fecha uma temporada.
Quer construir a consistência que transforma tentativa em vitória?
Conheça a Atleta Pro Academy e leve a mentalidade e os métodos da alta performance para a sua carreira de atleta.







