Kimi Antonelli chega ao GP do Bahrein de Fórmula 1 com 66 pontos de vantagem sobre George Russell, seu companheiro de Mercedes. A corrida, porém, não acontece no Bahrein. A 16ª etapa da temporada será disputada neste domingo (4), às 4h de Brasília, no Circuito Internacional de Sepang, na Malásia, a cerca de 6 mil quilômetros de Sakhir.
É a primeira corrida da categoria em Sepang desde 2017, e ela chega no pior momento possível para o líder. Na semana passada, em Baku, Russell fez o fim de semana perfeito, enquanto Antonelli largou em 16º e terminou em quinto. A diferença, que era de 81 pontos, encolheu 15 numa tarde.
Por que o GP do Bahrein é disputado na Malásia
A etapa estava marcada para 12 de abril, em Sakhir, e foi cancelada, junto com o GP da Arábia Saudita, por causa da guerra envolvendo o Irã e da instabilidade no Oriente Médio. Em 26 de julho, a Fórmula 1 e a FIA anunciaram a solução: o GP do Bahrein seria mantido no calendário, mas transferido para Sepang, de 2 a 4 de outubro, entre as provas do Azerbaijão e de Singapura.
O nome oficial do evento deixa a situação clara: “Formula 1 Gulf Air Bahrain Grand Prix in Malaysia”. A Gulf Air é a companhia aérea nacional do Bahrein. “Temos a honra de apoiar o Reino do Bahrein, a Fórmula 1 e a FIA”, disse o primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, no anúncio.
Sepang recebeu o GP da Malásia de 1999 a 2017, e o governo malaio desistiu da prova por causa do custo de sediar a Fórmula 1. Agora, volta ao calendário emprestado. Com a mudança, a temporada tem 23 corridas, e não as 24 previstas no início do ano.
Há ainda um detalhe que dá peso extra à etapa para a equipe que lidera o campeonato. A Petronas, estatal de petróleo da Malásia, é a patrocinadora principal da Mercedes e dá nome à equipe. Na prática, os dois pilotos que disputam o título correm em casa do patrocinador.

Antonelli x Russell: a conta do título depois de Baku
Antonelli soma 302 pontos, contra 236 de Russell. Lewis Hamilton, da Ferrari, é o terceiro, com 199, já 103 atrás do líder. O italiano de 20 anos venceu oito dos 15 Grandes Prêmios do ano. Russell ganhou três: na Austrália, na Áustria e em Baku.
Restam oito corridas e uma sprint, a de Singapura, com 208 pontos em disputa. O número que mais pesa para Russell é outro: mesmo que ele vença todas as provas que faltam, incluindo a sprint, e Antonelli termine sempre em segundo, o italiano ainda seria campeão por 9 pontos. Russell precisa vencer e, além disso, ver o companheiro fora do pódio algumas vezes.
Do lado do líder, o título não pode sair em Sepang nem em Singapura. A primeira chance matemática passa a ser o GP dos Estados Unidos, em Austin, em 25 de outubro. Para isso, Antonelli teria de vencer na Malásia, a sprint e a corrida de Singapura e a prova de Austin, com Russell sem marcar nenhum ponto. Chegaria a 149 pontos de vantagem, com apenas 125 ainda em jogo.
Se for campeão, Antonelli será o primeiro italiano a conquistar o Mundial de Pilotos desde Alberto Ascari, em 1953.
O que Baku mudou na briga interna da Mercedes
A vitória de Russell no Azerbaijão foi o primeiro grand chelem da carreira dele: pole position, vitória, volta mais rápida e liderança em todas as voltas. Terminou 0s196 à frente de Max Verstappen, como mostrou a cobertura do Atleta Pro da corrida em Baku.
O inglês saiu do Azerbaijão com o discurso mais leve do grid. “Tem muito menos pressão em mim do que nele”, disse, segundo a agência Reuters. Também avisou que a Mercedes leva novidades para a Malásia. “A partir da semana que vem, esperamos dar um passo maior em relação ao resto do grid”, afirmou, segundo o PlanetF1.

Antonelli, por sua vez, foi duro consigo mesmo. “Eu estava pilotando mais como a minha avó, então não era o Kimi de sempre”, disse, segundo a Sky Sports. “Na corrida, eu não tinha confiança e pilotei a 80% o tempo todo. Não estava lá mentalmente para conseguir forçar a 100%.” E prometeu reação: “Ele sempre foi meu rival. Mas vou garantir que, na semana que vem, eu restabeleça a ordem.” A leitura mental desse fim de semana está na análise o que o pior fim de semana revela sobre Antonelli.
Wolff: igualdade entre os dois, mas a equipe em primeiro
Num evento da equipe nas Torres Petronas, em Kuala Lumpur, o chefe da Mercedes repetiu a regra da casa. “Queremos dar aos dois pilotos oportunidades iguais de brigar pelo campeonato”, afirmou, segundo o Grande Prêmio. “Mas a equipe vem em primeiro lugar.”
Wolff admitiu que a reação de Russell deixa as decisões de estratégia mais delicadas. E há um complicador técnico: Russell já sabe que vai perder posições no grid por usar uma quinta unidade de potência, acima do limite da temporada, e a Mercedes ainda não anunciou em qual etapa a troca vai acontecer.
A Mercedes conhece bem o roteiro de dois pilotos da casa disputando o título, e Sepang já foi palco de uma virada. Em 2016, Hamilton liderava o GP da Malásia quando o motor quebrou na volta 41 de 56. Nico Rosberg, que terminou em terceiro, abriu 23 pontos no campeonato e foi campeão no fim do ano.
Sepang: a pista que nenhum dos dois conhece
O circuito tem 5,543 km e 15 curvas, e a corrida terá 56 voltas, cerca de 310 km. O traçado mistura curvas de alta velocidade com duas longas retas, e o asfalto abrasivo castiga os pneus. A Pirelli levou os compostos C2, C3 e C4, um pouco mais macios do que o padrão para esse tipo de pista, para aproximar as estratégias de uma e de duas paradas.
Nenhum dos dois pilotos da Mercedes correu de Fórmula 1 em Sepang. Segundo o site Motorsport.com, apenas dez pilotos do grid atual já disputaram corridas da categoria no circuito, entre eles Hamilton, Fernando Alonso e Verstappen.

O clima é a variável que mais assusta. A previsão para o fim de semana indica calor, umidade alta e risco de tempestades à tarde, horário das sessões decisivas. Sepang já teve corrida encerrada pela chuva: em 2009, a prova foi interrompida com bandeira vermelha depois de 31 voltas e não recomeçou.
Bortoleto estreia em Sepang e torce por chuva
Para Gabriel Bortoleto, Sepang também é território novo. O piloto da Audi, de 21 anos, nunca correu no circuito e chega à Malásia em 14º no campeonato, com 10 pontos. Em Baku, terminou em 13º na pista, mas uma punição de 10 segundos por ultrapassagem sob bandeira amarela o derrubou para 15º. São cinco corridas seguidas sem pontuar.
O brasileiro não esconde que um pouco de chuva seria bem-vindo. “Para correr, provavelmente a chuva vai deixar tudo um pouco mais fresco para a gente”, disse nesta quarta-feira (30), num evento em Putrajaya, segundo a agência malaia Bernama. Mas pediu estabilidade: “Se chover, que chova, se estiver seco, que esteja seco, e não algo misturado que deixe tudo um caos.”
A Audi tenta transformar em resultado o pacote de 14 peças novas que estreou em Baku, testado por Bortoleto nos treinos do Azerbaijão. Em Sepang, o grid também terá Franco Colapinto, da Alpine, punido com a perda de cinco posições pela batida que tirou ele, Gasly e Lando Norris da corrida em Baku.
Horários do GP do Bahrein em Sepang e onde assistir
A Malásia está 11 horas à frente de Brasília. Por isso, todo o fim de semana acontece de madrugada ou no começo da manhã no Brasil:
- Treino livre 1: sexta-feira (2), à 1h30
- Treino livre 2: sexta-feira (2), às 5h
- Treino livre 3: sábado (3), à 1h30
- Classificação: sábado (3), às 5h
- Corrida: domingo (4), às 4h, com 56 voltas
A etapa não passa na TV aberta. A Globo, dona dos direitos da Fórmula 1 no Brasil até 2028, deixou o GP do Bahrein fora da grade. Todas as sessões têm transmissão ao vivo no SporTV 3, no Globoplay e no F1 TV, o serviço de streaming da própria categoria. O calendário das corridas que faltam, com os canais de cada uma, está no guia de onde assistir à F1 2026.
O que a semana de Antonelli ensina sobre alta performance
A frase mais reveladora da semana não foi a promessa de “restabelecer a ordem”. Foi a admissão anterior: Antonelli disse que pilotou a 80% porque não tinha confiança. Em Baku, a cautela preservou a liderança. Repetida, ela vira o tipo de hábito que transforma 66 pontos em 30.
O desafio do líder em Sepang não é provar nada a Russell. É reconstruir a confiança pelo único caminho que funciona: voltas limpas, um treino de cada vez. Confiança é consequência de processo bem executado, e não de discurso.
Russell vive o cenário oposto. Sem nada a perder, pilota solto. A história da própria Mercedes mostra que esse tipo de embalo pode mudar um campeonato. Mostra também que, em 2016, quem levou o título foi o piloto que somou pontos com regularidade enquanto o rival vencia. Para Antonelli, a lição de Sepang cabe numa linha: um fim de semana ruim é evento, não tendência, desde que o próximo seja bem feito.
Quer recuperar a confiança depois de um resultado ruim?
Conheça a Atleta Pro Academy e leve a mentalidade e os métodos da alta performance para a sua carreira de atleta.







