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Bortoleto testa o pacote novo da Audi em Baku e cai de 10º para 14º

Gabriel Bortoleto pilota a Audi R26 número 5 no treino livre do GP do Azerbaijão de Fórmula 1 de 2026, em Baku

Gabriel Bortoleto passou a quinta-feira (24) em Baku como piloto de teste da Audi. No primeiro treino livre do GP do Azerbaijão, só o carro dele tinha o pacote de 14 peças novas que a equipe levou para a 15ª etapa da Fórmula 1, enquanto Nico Hülkenberg rodava com a versão anterior do R26 para servir de comparação. O brasileiro terminou em 10º, 0s183 à frente do companheiro.

À tarde, com os dois carros já atualizados, Bortoleto baixou o próprio tempo em quase nove décimos e mesmo assim caiu para 14º. A diferença para o líder, George Russell, quase dobrou. “Falta um pouco de aderência, e ainda precisamos entender por quê”, admitiu o piloto de 21 anos.

Na manhã desta sexta-feira (25), no TL3, numa sessão marcada pelo vento forte, Bortoleto foi o 13º, com 1min45s854, a 1s932 do mais rápido, Max Verstappen, segundo a classificação publicada pelo GPblog. Hülkenberg ficou em 15º. A classificação do GP do Azerbaijão é às 9h de Brasília, e a corrida, no sábado (26), às 8h.

O pacote: 14 peças novas, o maior do grid em Baku

A Audi declarou à FIA 14 componentes revisados para o fim de semana, o maior pacote entre as 11 equipes. A lista inclui asa dianteira, bico, assoalho, difusor, cobertura do motor, carenagem do halo, refrigeração, dutos de freio traseiros e asa traseira. É a primeira grande atualização do carro desde o GP da Áustria, em junho.

Para comparação, a McLaren levou oito peças novas e a Red Bull, cinco. Mercedes, Ferrari, Aston Martin, Alpine e Haas não trouxeram nada. No TL1, segundo a Fórmula 1, a Audi coletou dados com sensores de fluxo de ar (os chamados aero rakes) e tinta de visualização aerodinâmica, o flow-vis, que mostra na carroceria o caminho do ar.

Gabriel Bortoleto pilota a Audi R26 número 5 no circuito de rua de Baku, com as Flame Towers ao fundo, no treino livre do GP do Azerbaijão de 2026
Bortoleto com a Audi R26 nos treinos de quinta-feira em Baku. Foto: Mark Thompson/Getty Images

A divisão entre os dois carros foi planejada. “É por isso que sempre dividimos os carros”, explicou Bortoleto em entrevista acompanhada pelo Grande Prêmio. “No pacote anterior, eu não comecei o fim de semana com ele. Agora foi a vez do Nico. Fazemos isso para ter uma visão clara de se funcionou.”

TL1: 0s183 a favor do carro novo

No primeiro treino, Bortoleto marcou 1min46s688 em 21 voltas e foi o 10º. Hülkenberg, com a especificação antiga, fez 1min46s871 em 22 voltas e ficou em 11º. Russell liderou com 1min45s387, 1s301 à frente do brasileiro.

A vantagem do carro atualizado foi pequena demais para uma conclusão. Dois pilotos diferentes, com programas de trabalho diferentes, numa pista que ganha aderência a cada volta, não permitem isolar quanto dos 0s183 veio das peças novas.

O que ajudou Bortoleto no TL1 foi a posição no pelotão do meio. Ele ficou a 0s064 de Esteban Ocon, 9º, da Haas, equipe que está quatro pontos à frente da Audi no Mundial de Construtores.

TL2: 0s894 mais rápido, mas 1s146 mais longe do líder

No segundo treino, disputado no mesmo horário da classificação de sexta e interrompido por bandeira vermelha depois da batida de Arvid Lindblad, da Racing Bulls, Bortoleto virou 1min45s794 em 24 voltas. Hülkenberg, agora também com o pacote novo, fez 1min45s854 e ficou logo atrás, em 15º, a 0s060.

O problema foi o ritmo relativo. Russell baixou o tempo de 1min45s387 para 1min43s347, uma melhora de 2s040 de uma sessão para outra. Bortoleto evoluiu 0s894. Com isso, a diferença para o líder saltou de 1s301 para 2s447. Ocon, da Haas, repetiu o 10º lugar, agora 0s504 à frente do brasileiro, e os dois carros da Audi ficaram atrás até da Cadillac de Sergio Pérez, 13º.

No comunicado da equipe, Bortoleto tratou o dia como laboratório: “Foi meio que um dia de teste para nós com o pacote novo, e temos bastante dado para analisar e entender o quadro geral. Está faltando um pouco de aderência no momento, mas Baku é um circuito de pouca aderência e muito empoeirado, então temos trabalho a fazer para colocar tudo no lugar.”

Aos jornalistas, foi mais direto. “Acho que o carro não estava muito bom no TL2. Sendo bem honesto, falta um pouco de aderência, e ainda precisamos entender por quê. Não tenho respostas para isso”, disse, segundo a Fórmula 1. Mas não tratou a poeira como explicação suficiente: “A pista está empoeirada para todo mundo, então eu não diria que é isso. Sinceramente, eu queria saber a solução, porque aí eu colocaria no carro amanhã e resolveria os problemas.”

“Tem muita peça nova no carro. Há muito para descobrir, corrigir e implementar”, completou. “Tomara que a gente resolva as coisas para amanhã, porque estamos com um pouco de dificuldade para encontrar o equilíbrio do carro.”

Binotto: “o pacote está entregando o esperado”

O chefe da equipe, Mattia Binotto, leu o dia de outro jeito. “Olhando a primeira impressão dos dados, o pacote está entregando o esperado”, afirmou à Fórmula 1. Para o italiano, mais importante do que o ganho de tempo é a equipe evoluir em método e em capacidade de desenvolvimento.

“Com a atualização que trouxemos para cá, não importa quanto ela vai render em tempo de volta”, disse. “O que mais importa para nós é ter elevado o desafio, ter pressionado de novo o sistema em mentalidade e prazos, e, tomara, ter uma correlação certa em comparação com o túnel de vento e o simulador.”

Hülkenberg, que rodou com as duas versões do carro no mesmo dia, foi na mesma linha. Disse que o quadro geral “é encorajador” e que, se a equipe conseguir juntar tudo depois de revisar os dados durante a noite, “acho que podemos ser competitivos”.

A temporada de Bortoleto: 10 pontos e cinco vezes em 11º

Bortoleto chega a Baku em 14º no campeonato de pilotos, com 10 pontos. Os melhores resultados do ano são dois oitavos lugares seguidos, no GP da Inglaterra, em Silverstone, e no GP da Bélgica, em Spa-Francorchamps, em julho. Os outros dois pontos vieram do nono lugar na abertura, na Austrália.

Gabriel Bortoleto, com o macacão da Audi, na garagem da equipe durante os treinos do GP do Azerbaijão de 2026
Bortoleto na garagem da Audi em Baku. Foto: Audi F1 Team

O número que mais pesa na tabela dele, porém, é outro. Em 14 GPs, o brasileiro terminou cinco vezes em 11º, a primeira posição fora da zona de pontos: em Mônaco, em Barcelona, na Áustria, na Hungria e na Itália. Chega ao Azerbaijão com quatro corridas seguidas sem pontuar, a última delas com o 13º lugar em Madri.

A Audi vive o primeiro ano como equipe de fábrica na Fórmula 1, com motor próprio, depois de assumir a antiga Sauber. É a oitava entre 11 equipes, com 17 pontos (10 de Bortoleto e 7 de Hülkenberg), quatro atrás da Haas e seis à frente da Williams. Em julho, os 10 pontos da Audi eram todos do brasileiro, como mostrou a análise Bortoleto tem 10 pontos na F1. A Audi inteira também tem 10. O diretor de corrida da equipe, Allan McNish, explicou o que enxerga no piloto em entrevista sobre a mentalidade de Bortoleto.

Baku não é pista desconhecida para ele. Na primeira corrida de Fórmula 1 no circuito, em 2025, ainda pela Sauber, Bortoleto terminou em 11º.

Classificação e corrida: horários e onde assistir

A classificação é nesta sexta-feira (25), às 9h de Brasília (16h em Baku). A corrida, de 51 voltas, é no sábado (26), às 8h. É a primeira vez que a prova acontece num sábado: o fim de semana foi antecipado em um dia porque o domingo, 27 de setembro, é o Dia da Lembrança no Azerbaijão, data de luto nacional pelos militares mortos na guerra de 2020 em Nagorno-Karabakh.

O grid já tem uma mudança garantida no fundo. Fernando Alonso e Lance Stroll, da Aston Martin, foram punidos pela troca de componentes do motor Honda, com 25 e 20 posições, e vão largar das últimas filas independentemente do resultado da classificação. Para a Audi, o objetivo imediato é recuperar o ritmo relativo que mostrou no TL1.

Na briga pelo título, quem lidera é Kimi Antonelli, companheiro de Russell na Mercedes, que chegou a Baku com 81 pontos de vantagem.

Nem a classificação nem a corrida passam ao vivo na TV aberta. A transmissão fica com o SporTV 3, o Globoplay (no plano com canais ao vivo) e o F1 TV, o streaming oficial da categoria. A Globo exibe só os melhores momentos da corrida, na madrugada de sábado para domingo. O guia de onde assistir ao GP do Azerbaijão detalha as opções.

O que um dia de teste ensina sobre processo

A Audi usou o TL1 para montar uma comparação limpa: um carro com peças novas, outro sem. É o princípio de qualquer experimento bem feito, mudar uma variável por vez e manter uma referência. Sem a referência, 0s183 a mais ou a menos não significa nada.

O dia também mostrou por que o tempo de volta, sozinho, engana. Bortoleto andou quase nove décimos mais rápido à tarde e perdeu quatro posições. A pergunta que a equipe precisa responder não é “fomos rápidos?”, e sim se o carro na pista se comporta como o túnel de vento e o simulador previram. Por isso Binotto fala em correlação, e não em posição.

E há a atitude do piloto. Bortoleto citou a poeira de Baku, mas não se escondeu atrás dela: lembrou que a pista está suja para todo mundo. Admitir “não tenho respostas” em público é o que separa quem procura o problema de quem procura um culpado. Num fim de semana em que classificação e corrida dependem do que a equipe conseguir corrigir no acerto, essa diferença pesa.

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Foto de Diogo Moraes
Diogo Moraes

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