George Russell venceu o GP do Azerbaijão de Fórmula 1 neste sábado (26), em Baku, e cruzou a linha de chegada apenas 0s196 à frente de Max Verstappen. O inglês da Mercedes largou na pole, liderou a corrida inteira e resistiu a dois safety cars e a um ataque do holandês na reta final da última volta.
Foi a terceira vitória de Russell em 2026, a primeira desde o GP da Áustria, em junho, e a oitava da carreira. Kimi Antonelli, líder do campeonato, largou em 16º depois de bater no primeiro treino classificatório e terminou em quinto. Com isso, a vantagem do italiano sobre o companheiro de equipe caiu de 81 para 66 pontos.
Oito décimos na pole e 11 segundos de vantagem
O fim de semana de Russell começou a ser construído na sexta-feira. Ele fez a pole com 1min42s526, 0s837 à frente de Charles Leclerc, da Ferrari. “É provavelmente a maior margem da minha carreira inteira, incluindo os tempos de F2 e F3”, disse depois do treino. Oscar Piastri, da McLaren, e Isack Hadjar, da Red Bull, completaram as duas primeiras filas. Verstappen largou em oitavo.
Na largada, Russell defendeu a ponta na curva 1, e Piastri passou Leclerc. Com pista livre, a corrida do líder foi tranquila por quase 30 voltas. Segundo a revista Autosport, Russell tinha 11s1 de vantagem sobre Piastri quando o primeiro incidente mudou tudo.
Dois safety cars e o engavetamento da curva 1
Na volta 30 de 51, Alex Albon, da Williams, travou os pneus numa freada enquanto disputava posição com Esteban Ocon e bateu nas barreiras de proteção. O safety car entrou na pista e provocou uma rodada de paradas nos boxes. A vantagem de Russell desapareceu.
“É a primeira relargada que faço liderando nesta temporada. Essas unidades de potência são muito difíceis nas relargadas”, contou o vencedor. Na volta 36, ele acertou o reinício, e Verstappen aproveitou para passar Piastri e assumir o segundo lugar.
Poucos metros depois, a corrida virou. Franco Colapinto, da Alpine, travou as rodas dianteiras na freada da curva 1, mergulhou por dentro e acertou o companheiro de equipe, Pierre Gasly. O carro de Gasly foi jogado contra o de Norris, e os três abandonaram. Veio o segundo safety car.
“Freios frios, pneus frios, fiquei completamente sem controle”, admitiu Colapinto, que pediu desculpas à equipe, a Gasly e a Norris. Como já estava fora da prova, a punição de 10 segundos virou perda de cinco posições no grid da próxima corrida.
Norris, atual campeão do mundo, reagiu com dureza. “Simplesmente fui tirado da corrida. Tem piloto que não deveria estar na Fórmula 1”, disse. “Se você causa uma batida numa relargada como essa, deveria pegar pelo menos uma corrida de suspensão.” Russell discordou. “Acho que é duro demais. Na minha opinião, suspensão deveria vir quando o piloto faz algo muito perigoso de propósito.”
A relargada seguinte, na volta 39, também custou caro à McLaren. Piastri, que defendia o pódio de Hadjar, passou reto na curva 1 e caiu para 15º. Terminou em 13º. Com Norris fora, a equipe saiu de Baku sem nenhum ponto.
Os 0s196 da última volta
Depois da última relargada, Russell e Verstappen correram separados por pouco mais de um segundo. “Pareciam voltas de classificação, uma atrás da outra, e eu sabia que não podia cometer nenhum erro”, descreveu o inglês.
A decisão veio na última volta. Valtteri Bottas bateu com a Cadillac na curva 15, e a bandeira amarela obrigou Russell a tirar o pé. Quando voltou a acelerar, o turbo demorou a responder. Verstappen emparelhou na reta de chegada, mas não teve espaço para completar a ultrapassagem.

“Quando a bandeira amarela apareceu, tirei o pé, e quando voltei a acelerar estava sem turbo, então fiquei sem potência. O Max quase me pegou na linha, e isso teria sido uma pena”, contou Russell. “É incrível voltar ao degrau mais alto do pódio. Quero agradecer à minha equipe, porque eles continuaram acreditando em mim nos momentos difíceis.”
Verstappen relativizou a diferença. “Claro que pareceu apertado na linha, mas acho que foi mais porque o George sofreu um pouco com o atraso do turbo na curva 15, com a bandeira amarela. No último stint, a diferença foi sempre de um segundo, e provavelmente é aí que a gente teria terminado.”
Foi a primeira vitória de Russell em Baku, pista onde tinha sido terceiro em 2024 e segundo em 2025, e a primeira da Mercedes no Azerbaijão desde Valtteri Bottas, em 2019.
Red Bull volta a pôr dois carros no pódio
O segundo lugar de Verstappen, que largou em oitavo, marcou o melhor fim de semana da Red Bull em 2026. O holandês ainda não venceu no ano, mas nunca tinha chegado tão perto.
Isack Hadjar completou o pódio, 10s704 atrás do vencedor. Foi a primeira dobradinha de pódio da Red Bull desde o GP da China de 21 de abril de 2024, segundo o site The Race. O resultado tem peso extra para o francês de 21 anos: ele voltava de uma fratura no punho sofrida em treino físico nas férias de agosto, que o tirou dos GPs da Holanda, da Itália e da Espanha.
É o terceiro pódio de Hadjar na Fórmula 1, mas o primeiro que ele chamou de “pódio de verdade”, segundo a Fórmula 1: os anteriores vieram com o abandono de Norris em Zandvoort, em 2025, e com as punições de Gasly em Mônaco, neste ano.
Antonelli: do muro no Q1 ao quinto lugar
O líder do campeonato viveu o fim de semana mais difícil do ano. Na sexta-feira, bateu no muro externo da curva 1 no Q1 e danificou a suspensão dianteira. Sem tempo para o reparo, ficou com o 16º lugar no grid.

Na corrida, caiu para 17º na primeira volta e levou 17 voltas para entrar no top 10, segundo a Sky Sports. O caos da segunda metade da prova o ajudou: os abandonos de Norris e Gasly e o erro de Piastri abriram posições. Na volta 42, passou Lewis Hamilton, da Ferrari, na reta principal e assumiu o quinto lugar, a 0s376 de Leclerc na bandeirada.
“Hoje foi sobre limitar o prejuízo. Não corri nenhum risco desnecessário e me concentrei em maximizar os pontos para a equipe”, disse o italiano. “Foi um daqueles fins de semana em que nada sai do jeito que você quer. Só tentei correr a corrida que estava na minha frente, ter paciência e levar o carro até o fim.”
O resultado da corrida em Baku, segundo a classificação oficial da Fórmula 1:
| Pos. | Piloto | Equipe | Diferença | Pontos |
|---|---|---|---|---|
| 1º | George Russell | Mercedes | 1h38min02s143 | 25 |
| 2º | Max Verstappen | Red Bull | +0s196 | 18 |
| 3º | Isack Hadjar | Red Bull | +10s704 | 15 |
| 4º | Charles Leclerc | Ferrari | +14s136 | 12 |
| 5º | Kimi Antonelli | Mercedes | +14s512 | 10 |
| 6º | Lewis Hamilton | Ferrari | +22s382 | 8 |
| 7º | Arvid Lindblad | Racing Bulls | +31s159 | 6 |
| 8º | Esteban Ocon | Haas | +31s189 | 4 |
| 9º | Oliver Bearman | Haas | +31s929 | 2 |
| 10º | Carlos Sainz | Williams | +32s416 | 1 |
O que muda na briga pelo título
Antonelli chegou a Baku com 292 pontos contra 211 de Russell. Sai com 302 contra 236. A diferença de 66 pontos é a mesma que o italiano tinha depois da vitória em Monza, no início de setembro, como mostrou a prévia do Atleta Pro sobre a conta do título. A classificação depois do GP do Azerbaijão:
- Kimi Antonelli (Mercedes): 302 pontos
- George Russell (Mercedes): 236 pontos
- Lewis Hamilton (Ferrari): 199 pontos
- Lando Norris (McLaren): 186 pontos
- Charles Leclerc (Ferrari): 179 pontos
- Max Verstappen (Red Bull): 163 pontos
- Oscar Piastri (McLaren): 120 pontos
Baku foi a 15ª de 23 etapas. Restam oito Grandes Prêmios e uma corrida sprint, a de Singapura, com 208 pontos em jogo. Na prática, Russell precisa tirar em média pouco mais de oito pontos por fim de semana do companheiro, o que exige vencer e, ao mesmo tempo, ver Antonelli longe do pódio em algumas corridas.
A velocidade do inglês apareceu desde os treinos de quinta-feira, que ele liderou. Mas ele já avisou que vai receber em breve uma punição no grid pela troca da unidade de potência. Entre os construtores, a Mercedes soma 538 pontos, 160 à frente da Ferrari.
Bortoleto perde duas posições depois da corrida
Para Gabriel Bortoleto, o resultado mudou horas depois da bandeirada. O piloto da Audi largou em 17º e terminou a corrida em 13º na pista, mas recebeu uma punição de 10 segundos e caiu para 15º, o último entre os que completaram as 51 voltas.
Os comissários concluíram que ele ultrapassou Sergio Pérez, da Cadillac, sob bandeira amarela, entre as curvas 6 e 7, na primeira volta depois da relargada. Bortoleto alegou que não viu o aviso no painel eletrônico nem no volante, e a equipe tinha informado que o safety car não fora acionado. Os comissários reconheceram a confusão na sinalização, mas entenderam que a bandeira amarela agitada valia por si só.
O brasileiro também reclamou da estratégia. A Audi demorou a chamar Nico Hülkenberg para o pit stop, e Bortoleto ficou economizando combustível atrás dele. “Fiquei nisso até eles falarem que o Nico ia parar. Só que quando me avisaram, já era muito tarde para voltar ao modo corrida, acelerar e recuperar o tempo que perdi”, disse, segundo a Band. Hülkenberg terminou em 11º, a 0s815 do último ponto.
O pacote de 14 peças novas que a Audi levou a Baku, testado por Bortoleto nos treinos, não resolveu o problema de velocidade. “Nas retas, a gente estava superlento”, resumiu o piloto ao site The Race. Ele segue com 10 pontos no campeonato, e a Audi, com 17.
Próxima etapa: GP do Bahrein, em Sepang
A Fórmula 1 volta à pista no próximo fim de semana, e não em Singapura. A 16ª etapa é o GP do Bahrein, transferido para o circuito de Sepang, na Malásia, por causa da instabilidade no Oriente Médio. É a primeira corrida da categoria em Sepang desde 2017. Colapinto já chega punido com a perda de cinco posições no grid.
- Treinos livres 1 e 2: sexta-feira (2 de outubro), à 1h30 e às 5h de Brasília
- Treino livre 3: sábado (3), à 1h30
- Classificação: sábado (3), às 5h
- Corrida: domingo (4), às 4h, com 56 voltas
A etapa da Malásia não passa na TV aberta. A transmissão fica com o SporTV, o Globoplay e o F1 TV. Uma semana depois, em 11 de outubro, vem o GP de Singapura, às 9h de Brasília, com a última sprint do ano e transmissão na Globo, como detalha o guia de onde assistir ao GP de Singapura. O calendário completo está no guia de onde assistir à F1 2026.
O que Baku ensina sobre alta performance
Os dois pilotos da Mercedes saíram de Baku com lições opostas. Russell mostrou que liderar de ponta a ponta não é o mesmo que controlar a corrida: uma vantagem de 11 segundos virou zero com um safety car, e uma vitória praticamente garantida quase escapou na última curva por causa de um turbo. O que decidiu foi a execução nas relargadas.
Antonelli mostrou o outro lado. Um erro no Q1 poderia ter custado o fim de semana inteiro. O italiano de 20 anos tratou a corrida como ela era, uma operação de redução de danos, sem tentar recuperar numa volta o que perdeu na sexta-feira. Saiu de Baku com 10 pontos e a liderança intacta. A derrota de um fim de semana é evento, não identidade, e quem briga por título de verdade é quem limita o estrago nos dias ruins.
Colapinto deu o exemplo mais difícil. Causou a batida que tirou três carros da prova e não procurou culpado: assumiu o erro em público. É o primeiro passo para que o lance não se repita em Sepang.
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