Interlagos teve dois brasileiros no grid da Fórmula 1 pela primeira vez desde 2016, mas nenhum deles chegou perto dos pontos. Gabriel Bortoleto terminou o GP de São Paulo em 16º, uma volta atrás do vencedor Lando Norris, e Rafael Câmara recebeu a bandeirada em 20º, duas voltas atrás, na corrida de estreia na categoria, neste domingo (8). As posições são as da classificação provisória da corrida publicada pela FIA, que ainda pode mudar até a homologação do resultado.
Os dois resultados têm explicações diferentes. O de Bortoleto começou a ser definido no sábado, com a batida na classificação e a troca de peças do motor. O de Câmara veio na própria corrida: largou em 11º, perdeu posições logo na primeira volta e passou boa parte da tarde brigando com o carro, com rodadas no S do Senna e sete voltas apagadas por limites de pista.
Bortoleto: a corrida decidida no sábado
O piloto da Audi foi o último da classificação. Na chuva de sábado, bateu no muro na Junção, a curva 12, ainda no Q1. A classificação final da FIA registra o 22º lugar.
Com o carro em parque fechado, a Audi trocou a bateria e a central eletrônica do motor, e os comissários aplicaram 10 posições de punição no grid. Como ele já sairia do fundo, a punição não mudou muito: Bortoleto largou em 19º, à frente apenas de Lewis Hamilton, Max Verstappen e Sergio Pérez, punidos com mais posições pelas trocas de motor. A ordem de largada completa está no resumo da classificação em Interlagos.
A primeira volta foi ruim. Pela tabela de voltas da FIA, Bortoleto fechou o giro inicial em 21º, o último entre os carros em pista (Valtteri Bottas, da Cadillac, nem largou). Com três paradas, ganhou posições no embaralhamento dos boxes e se firmou no 16º lugar na reta final, logo atrás de Alexander Albon, da Williams.

Bortoleto culpa o sábado e elogia o próprio ritmo
Bortoleto saiu do carro sem rodeios. “O resultado foi uma consequência da classificação”, disse, em entrevista acompanhada pelo Grande Prêmio. O piloto gostou do próprio ritmo, sobretudo no fim, com pneus intermediários: contou que, mesmo uma volta atrás, conseguiu acompanhar Charles Leclerc e Liam Lawson, e que por isso tinha ficado tão chateado no sábado, sabendo que passar seria difícil.
Ele também culpou o regulamento de 2026, que, na avaliação dele, dificulta a ultrapassagem até em Interlagos, pista conhecida justamente pelas trocas de posição. E recusou tratar a bandeirada como alívio: “É obrigação, não me dá nenhuma sensação”. Alívio, explicou, seria entregar o potencial mostrado nos treinos e chegar ao top 10.
No campeonato, o paulista segue com 14 pontos, em 14º. O companheiro Nico Hülkenberg marcou o último ponto do dia, em 10º, mesmo com uma punição de 10 segundos, e os dois aparecem empatados com 14 pontos na tabela oficial da FIA, com Bortoleto à frente no desempate.
Atleta Pro News
O esporte que importa, 3 vezes por semana no seu e-mail
Resultados, bastidores e histórias do esporte, direto na sua caixa de entrada. Grátis.
Ao assinar, você aceita receber os e-mails do Atleta Pro. Dá para sair quando quiser. Política de privacidade.
Câmara: o 11º lugar que escapou na primeira volta
Câmara tinha feito uma classificação melhor. Passou ao Q2 na estreia, bateu também na curva 12, provocando a bandeira vermelha a 43 segundos do fim da sessão, e ficou em 13º. As punições de outros pilotos o levaram ao 11º lugar no grid, como contou a reportagem sobre a estreia de Câmara pela Haas no lugar de Esteban Ocon.
A vantagem durou pouco. Segundo o Grande Prêmio, o pernambucano de 21 anos tinha dado só duas voltas com pneus intermediários em um carro de F1 antes deste domingo. Ao fim da primeira volta já era o 16º e, antes das paradas, estava entre os últimos. Ele foi um dos primeiros a parar, na volta 15, para colocar pneus de pista seca, e foi aí que o domingo complicou. Segundo o Estadão, não conseguiu frear no fim da reta e rodou na entrada do S do Senna; o ge e a rádio Itatiaia relatam duas rodadas do brasileiro no trecho.
Da volta 17 em diante, Câmara passou a maior parte da corrida no último lugar entre os carros em pista. A direção de prova apagou várias voltas dele por desrespeito aos limites de pista e mostrou a bandeira preta e branca, a advertência por limites de pista. Ele fez três paradas e completou 69 voltas, logo atrás de Carlos Sainz, da Williams.
Há um dado que ajuda a separar erro de ritmo. A melhor volta de Câmara, 1min14s369, foi mais rápida que a melhor de Bortoleto e que as de pilotos experientes como Fernando Alonso e Carlos Sainz, segundo a tabela de voltas mais rápidas da F1.

Câmara admite erros e fala em aprendizado
Câmara admitiu que o resultado ficou abaixo do que imaginava. Ao Grande Prêmio, falou em “erros que não esperava cometer”, em uma corrida de muitos aprendizados, e destacou como ponto positivo ter terminado sem danos no carro. Sobre o S do Senna, explicou que a insegurança o fez errar o posicionamento do carro, travar rodas e perder a traseira.
O futuro imediato ainda está em aberto. A Haas já anunciou Câmara como titular em 2027, ao lado de Oliver Bearman, mas o comunicado da estreia citou só a etapa brasileira. Perguntado se corre em Las Vegas, daqui a duas semanas, respondeu: “Não sei, vamos ver”. Disse ainda que há muito a discutir depois do fim de semana e que ficará feliz com qualquer decisão. Câmara segue sem pontos na F1 e continua na liderança da Fórmula 2. O que aconteceu na frente está no resultado do GP de São Paulo e na remontada de Verstappen, do 21º ao 2º lugar.
O que isso ensina sobre alta performance
O domingo dos brasileiros mostra dois tipos de custo. O de Bortoleto foi pago com um dia de atraso: um erro de sábado, numa pista em que ultrapassar ficou mais difícil, tirou dele a chance de usar na corrida o ritmo que diz ter tido. Em esporte de margens curtas, a etapa de preparação pesa tanto quanto a prova.
O de Câmara é o preço da adaptação. Ele teve volta rápida de meio de pelotão, mas perdeu tempo nas trocas de condição, nos limites de pista e nas rodadas. Ritmo isolado não fecha uma corrida; o que separa o estreante do veterano é repetir a volta boa sob pressão, com pista mudando, por 71 voltas.
Quer treinar com a consistência que a alta performance exige?
Conheça a Atleta Pro Academy e leve a ciência da performance para o seu treino.







