A 3ª etapa da Copa FT BR Sport de Arrancada terminou no domingo, no Autódromo FuelTech Velopark, em Nova Santa Rita, com um número que resume o fim de semana: 32 recordes de categoria batidos em três dias de prova.
Foram 6 na sexta-feira, 13 no sábado e outros 13 no domingo. A etapa reuniu mais de 200 pilotos, com inscrições esgotadas, e entrou para a história da competição como a maior já realizada no autódromo gaúcho.
Mas o número que ficou não foi o 32. Foi o 3,556.
O piloto que voltou depois de dez anos e bateu o recorde três vezes
Sidnei Frigo, conhecido no meio da arrancada como “o Grandão”, voltou a correr no Rio Grande do Sul depois de cerca de dez anos afastado, pela equipe Arte Vinco Racing. A narração oficial da transmissão registrou que não anunciava um recorde dele havia doze anos.
No sábado, ele já tinha dado o aviso. Cravou 3,621s a 339 km/h na Pro Mod, a apenas dez milésimos do recorde que Aristeu da Veiga Junior havia acabado de estabelecer. Não foi recorde, mas foi a passada mais aplaudida do dia.
No domingo, ele baixou o recorde da categoria três vezes, em três fases diferentes da competição.
Primeiro 3,575s na classificatória. Depois 3,573s na eliminatória. E 3,556s na semifinal, ao eliminar Roderjan Buzato. As três passadas a 346 km/h, a maior velocidade registrada em toda a etapa.
Na outra chave, Ricardo Rodrigues eliminou João Biagio por 3,605s a 3,712s. Estava montada a final entre o recordista e o piloto que tinha aberto o domingo justamente batendo a marca da categoria.
A final que Frigo venceu no cronômetro e perdeu na largada
Na decisão, Frigo fez de novo o melhor tempo: 3,560s, contra 3,581s de Ricardo Rodrigues.
E perdeu.
Frigo queimou a largada. Saiu antes da luz verde e foi desclassificado na hora, porque na arrancada a largada antecipada elimina o piloto da corrida independentemente do tempo que ele marque na pista. Ricardo Rodrigues levou o título da Pro Mod, e o Grandão terminou vice-campeão.
A conta do dia dele fica assim: quatro passadas abaixo de 3,58s, três delas recordes de categoria, e nenhum título.

O recorde da Pro Mod caiu cinco vezes em três dias
A Pro Mod é a categoria dos carros que passam dos 300 km/h nos 201 metros da corrida de arrancada. É onde a disputa se decide em milésimos, e onde um recorde costuma sobreviver temporadas inteiras.
Nesta etapa, ele caiu cinco vezes.
A marca de entrada era 3,670s. Na sexta, Aristeu da Veiga Junior baixou para 3,647s. No sábado, para 3,611s. No domingo, Ricardo Rodrigues cravou 3,597s, e então Frigo assumiu de vez, com 3,575s, 3,573s e 3,556s.
Do começo ao fim do fim de semana, a categoria ficou 114 milésimos mais rápida.
A etapa já começou quebrando marca na sexta
O ritmo se estabeleceu antes mesmo do fim de semana cheio. Na sexta-feira, primeiro dia de prova, seis recordes de categoria já tinham caído.
Além da primeira baixada de Aristeu na Pro Mod, Fernando Basso derrubou a Pro Mod Light com 4,413s a 264 km/h, Odivan Basso baixou a Traseira Turbo B para 4,892s a 243 km/h, o argentino Alejandro Fabián, o “El Pájaro”, cravou 5,124s a 235 km/h na 4×4, Dalton Busato assumiu a Super Livre 6.9 e Alana Steffani baixou a Drag Junior 7.9 para 7,942s.
Quase todas essas marcas cairiam de novo nos dois dias seguintes, algumas pelos próprios donos.
Os 13 recordes do domingo
Tempos nos 201 metros, conforme divulgação oficial do autódromo.
| Piloto | Categoria | Tempo | Velocidade |
|---|---|---|---|
| Ricardo Rodrigues | Pro Mod | 3,597s | 339 km/h |
| Sidnei Frigo | Pro Mod | 3,575s | 346 km/h |
| Fábio Wisniewski | Pro Mod Light | 4,409s | 255 km/h |
| Renato Brizolari | Força Livre Dianteira | 4,506s | 279 km/h |
| Robson Pegoraro | Super Livre 5.4 | 5,400s | 195 km/h |
| Adriano Weiss | Drag Junior 11 | 11,004s | 99 km/h |
| Júlio Sachet | Dianteira Turbo B | 5,972s | 227 km/h |
| Emerson Schnaider | Traseira Street Turbo | 5,234s | 220 km/h |
| Fernando Bortolan | Dianteira Turbo B Light | 6,481s | 201 km/h |
| Sidnei Frigo | Pro Mod | 3,573s | 346 km/h |
| Alana Steffani | Drag Junior 7.9 | 7,912s | 136 km/h |
| Sidnei Frigo | Pro Mod | 3,556s | 346 km/h |
| Vilson Ferreira | Street Tração Traseira | 6,637s | 171 km/h |
Os 13 recordes de sábado estão detalhados na cobertura daquele dia, publicada no portal.
Fora da Pro Mod, dois nomes chamam atenção na lista. Renato Brizolari baixou a Força Livre Dianteira para 4,506s a 279 km/h, a maior velocidade do domingo depois das passadas de Frigo. E Fábio Wisniewski derrubou a Pro Mod Light com 4,409s a 255 km/h, retomando uma marca que Fernando Basso tinha tirado dele na sexta.
Vale explicar por que a Pro Mod Light não busca simplesmente o menor tempo possível. Ela é uma categoria de índice, com piso de 4,4s: quem cruza a linha abaixo disso perde a passada. O objetivo é chegar o mais perto do limite sem ultrapassá-lo, o que transforma a disputa em um exercício de precisão, não de potência bruta. No sábado, na Super Livre 6.9, Lucival Roulin levou essa lógica ao extremo e cravou exatamente 6,900s, o piso da categoria. É um recorde que, por definição do regulamento, ninguém mais pode bater.
A nova geração correu junto
Entre os 32 recordes, dois saíram das categorias de base, disputadas por crianças e adolescentes em dragsters de tamanho reduzido.
Adriano Weiss baixou a Drag Junior 11 duas vezes no fim de semana, de 11,094s no sábado para 11,004s no domingo, a 99 km/h. Alana Steffani fez o mesmo na Drag Junior 7.9, com 7,942s na sexta e 7,912s no domingo, a 136 km/h.
São números que não competem com os da Pro Mod, e não é essa a questão. A existência de um grid de base em um evento desse porte é o que sustenta a categoria principal daqui a dez anos.
Três pilotos bateram o próprio recorde três vezes
Frigo não foi o único a repetir a dose. Emerson Schnaider, de Curitiba, derrubou a marca da Traseira Street Turbo três vezes: 5,295s e 5,254s no sábado, 5,234s no domingo. Vilson Ferreira, também de Curitiba, fez o mesmo na Street Tração Traseira: 6,681s e 6,645s no sábado, 6,637s no domingo.
Outros cinco pilotos bateram o próprio recorde duas vezes ao longo do fim de semana: Aristeu da Veiga Junior, Odivan Basso, Fernando Bortolan, Adriano Weiss e Alana Steffani.
Não é acaso. É o efeito de três dias de prova com muitas tomadas de tempo. Cada passada é um teste de acerto, e a equipe corrige o setup do carro entre uma e outra. Quem tem estrutura para iterar rápido melhora dentro do próprio fim de semana. Quem não tem, corre com o mesmo acerto do começo ao fim.

A chuva de sábado e o domingo comprimido
O sábado, que já tinha sido o dia dos 13 recordes, terminou mais cedo. A chuva chegou no fim da noite e obrigou a direção de prova a encerrar o dia com a quinta e última bateria classificatória ainda pela metade, parada na Força Livre Dianteira.
O domingo começou com céu limpo e uma agenda dupla: às 9h, a retomada da classificatória de onde ela tinha parado, e na sequência o mata-a-mata de todas as categorias, que já estava previsto para aquele dia desde o cronograma original.
A regra combinada com os pilotos foi respeitada: em caso de adversidade climática, a bateria encerra exatamente onde parou, sem refazer o que já tinha sido corrido.
Um evento que virou passeio de fim de semana
A etapa não se sustentou só na pista. O acesso aos boxes ficou aberto ao público, que circulou entre os carros e as equipes durante os três dias, e o autódromo montou lounge coberto, praça de alimentação e espaço para crianças.
É uma escolha que muda o perfil de quem vai. A arrancada, que por muito tempo foi um esporte de nicho para quem já entendia de motor, passou a receber famílias inteiras que vão pelo passeio e ficam pelo espetáculo.
A premiação da etapa passou de R$ 150 mil em produtos e peças, e a competição segue com mais duas datas em 2026: a 4ª etapa, de 11 a 13 de setembro, e a 5ª etapa somada ao Festival, de 3 a 6 de dezembro.

O que isso ensina sobre alta performance
Sidnei Frigo fez o melhor tempo da final e perdeu a final. Não foi por falta de potência, de preparo ou de velocidade. Foi por alguns milésimos de antecipação na largada.
É a distinção mais dura do esporte de alto rendimento, e a arrancada a expõe em três segundos e meio: desempenho e resultado não são a mesma coisa.
O recorde mede o teto, o melhor que o atleta consegue produzir quando tudo colabora. O título mede outra coisa: entregar o suficiente dentro das regras, na hora marcada, com o adversário do lado. Frigo teve o teto mais alto da categoria em todas as fases do domingo, inclusive na decisão, e mesmo assim não levou.
A parte que funcionou nele merece ser copiada. Frigo não achou o limite na primeira passada: achou na terceira, depois de duas correções no mesmo dia. Emerson Schnaider e Vilson Ferreira fizeram igual nas categorias deles. O ganho não veio de tentar mais forte, veio de tentar de novo com uma informação a mais.
A parte que falhou também ensina. Antecipar a largada é o erro clássico de quem está confiante no próprio ritmo, e não se resolve treinando mais potência. Resolve-se treinando o gesto sob pressão, que é a parte chata e pouco glamourosa da preparação.
Vale para quem corre 201 metros e para quem corre 42 quilômetros: melhorar a própria marca e vencer a prova são duas competências diferentes, e a segunda costuma se decidir no que acontece antes de o cronômetro começar a contar.
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