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Viper com FuelTech crava 5s974 e bate recorde do Drag Week

Ned Dunphy ao lado do Dodge Viper azul e branco em parada da Route 66 em Springfield, Illinois, durante o HOT ROD Drag Week 2026

Ned Dunphy deixou a melhor passada para o último dia. Na sexta-feira (18), de volta ao Route 66 Raceway, em Joliet, no estado de Illinois, o piloto americano levou seu Dodge Viper 2013 biturbo aos 402 metros em 5s974, a 249,16 mph (cerca de 401 km/h). Foi a passada mais rápida da história do HOT ROD Drag Week e de todo o formato conhecido como drag and drive.

O recorde veio no fim de uma semana de cerca de 1.000 milhas (aproximadamente 1.600 km) rodadas na rua, com o mesmo carro que acelerava na pista. Dunphy fechou o evento com média de 6s032, também a melhor já registrada, e conquistou pela segunda vez seguida o título geral e o da categoria Unlimited, sempre com Jey Clegg como copiloto.

Segundo a FuelTech, o carro é gerenciado por eletrônica da marca brasileira, do módulo de injeção à ignição.

O que é o HOT ROD Drag Week

O Drag Week foi criado em 2005 por David Freiburger, então à frente da revista americana HOT ROD, e virou uma das provas mais duras da corrida de arrancada no mundo. A edição de 2026, disputada de 13 a 18 de setembro, foi a 22ª.

A regra que define o evento é simples de explicar e difícil de cumprir: o carro vai rodando de uma pista para a outra, pela estrada, sem subir em carreta nem em caminhão. Peças e ferramentas viajam no próprio carro ou num pequeno reboque puxado por ele, e os competidores precisam provar que fizeram o roteiro oficial de cada dia. Quem quebra no caminho conserta no acostamento, no estacionamento do hotel ou no box.

Em cada pista, vale o melhor tempo do dia. No fim, vence quem tiver a menor média somada de todas as etapas. Não adianta ter um carro que anda muito em uma passada e não chega à cidade seguinte.

Em 2026, a prova celebrou o centenário da Route 66 e passou por quatro autódromos entre Illinois e Missouri: largada e chegada no Route 66 Raceway, em Joliet, com etapas no Byron Dragway, em Byron, no Cordova Dragway, em Cordova, e no World Wide Technology Raceway, na região de St. Louis. A organização esperava cerca de 400 inscritos, entre competidores e participantes do Drag Pack, os fãs que acompanham o roteiro inteiro com o próprio carro, sem disputar o título.

Dodge Viper biturbo de Ned Dunphy preso ao dinamômetro de cubo na sede da FuelTech USA
O Viper de Ned Dunphy no dinamômetro da FuelTech USA. Frame do vídeo da FuelTech USA

Dia a dia: como o recorde foi construído

O Viper abriu a semana já na casa dos 5 segundos. No domingo foi a vistoria e o treino livre, e na segunda-feira (14), primeiro dia de competição, Dunphy marcou 5s994 no Route 66 Raceway.

O segundo dia não teve corrida. A chuva persistente no Byron Dragway obrigou a organização a cancelar as passadas de terça-feira. “Não existe cancelamento por chuva na estrada do HOT ROD Drag Week”, publicou a revista. Os competidores tiveram de ir até Byron, registrar presença e seguir dirigindo até Cordova para completar o roteiro. “As milhas continuam contando”, resumiu a HOT ROD.

Em Cordova, na quarta-feira (16), o Viper fez 6s080. Na quinta-feira (17), no World Wide Technology Raceway, repetiu exatamente o mesmo 6s080.

Depois vinha o trecho mais longo da estrada. Dunphy contou no Instagram que o time rodou 255 milhas (cerca de 410 km) de St. Louis até Joliet, com a temperatura saindo de 99 °F (37 °C) e chegando a cerca de 76 °F (24 °C). No meio do caminho, o time parou num ponto clássico da Route 66 em Springfield, também em Illinois.

Na manhã de sexta-feira, antes de ir para a pista, ele deixou claro o objetivo. “Estamos mirando mais uma passada de 5 segundos e, embora a média de 5 segundos talvez já esteja perdida na probabilidade matemática, queremos ser o carro de drag and drive mais rápido da história numa única passada”, escreveu.

A primeira tentativa do dia rendeu 5s993. A segunda, o 5s974 a 249,16 mph que entrou para a história do evento.

Os números da semana do Viper

A campanha de Dunphy no Drag Week 2026 ficou assim:

  • Dia 1, Route 66 Raceway (Joliet): 5s994
  • Dia 2, Byron Dragway: cancelado por chuva
  • Dia 3, Cordova Dragway: 6s080
  • Dia 4, World Wide Technology Raceway: 6s080
  • Dia 5, Route 66 Raceway (Joliet): 5s974 a 249,16 mph
  • Média final: 6s032

A média anterior mais baixa da história do evento também era dele. Em 2025, Dunphy fechou a semana com 6s175 e tirou o recorde de Jeff Lutz, que tinha média de 6s191 desde 2016. Em um ano, o Viper baixou a própria marca em mais de um décimo de segundo.

O segundo colocado no geral foi Nick Cryer, com média de 6s847. Shaun Skipper completou o pódio com 6s961. A diferença entre o campeão e o vice passou de oito décimos, uma distância enorme numa prova de arrancada.

Motor SMX biturbo azul do Dodge Viper de Ned Dunphy, com flauta de combustível e bicos injetores
O motor SMX biturbo do Viper. Frame do vídeo da FuelTech USA

Quem quebrou pelo caminho

O tamanho da vitória fica mais claro quando se olha para os adversários que não chegaram ao fim. Jeff Lutz, dono do recorde de média que durou quase uma década, quebrou o motor do seu Camaro logo no primeiro dia e ficou fora da disputa.

Larry Larson chegou a andar na casa dos 5 segundos, mas perdeu o motor no terceiro dia, em Cordova, e também saiu da briga, segundo a Dragzine.

Nem para o campeão a semana foi tranquila. A Dragzine registrou que o Drag Week “não foi nada fácil” para Dunphy, com paradas frequentes para esfriar o carro ao longo do trajeto.

A Sick The Magazine, que entrevistou os favoritos antes da largada, fez a conta do outro lado: de todos os nomes cotados para vencer, incluindo Lutz e Larson, Dunphy foi o único que sobreviveu à semana.

A eletrônica FuelTech por trás do Viper

O Viper de Dunphy é um carro de rua levado ao limite. O chassi foi construído pela RK Racecraft, e o motor é um SMX biturbo. A Dragzine fala em potência na casa dos 4.000 cv.

Quem controla tudo isso é a FuelTech. Segundo a filial americana da empresa gaúcha, o carro é gerenciado pelo módulo FT600, usa a ignição FTSPARK-8 Gen 3 MAX2000 e conta com um pacote completo de eletrônica da marca. “Este carro entregou quando mais importava”, publicou a FuelTech USA depois do recorde.

Um vídeo divulgado pela FuelTech USA em dezembro de 2025 mostra o Viper na sede da empresa, no dinamômetro de cubo, numa sessão gravada em julho de 2023. Além do FT600, o carro usa bicos injetores FT de 720 lb/h, painel SwitchPanel Mini, bobinas CDI Racing e sensores de temperatura de escape, de acordo com a própria FuelTech.

Ned Dunphy conversa com Luis de Leon, COO da FuelTech USA, ao lado do Viper no dinamômetro
Ned Dunphy (à direita) com Luis de Leon, COO da FuelTech USA. Frame do vídeo da FuelTech USA

Numa prova como o Drag Week, a eletrônica não serve só para extrair potência. O mesmo módulo que libera a força máxima nos 402 metros precisa deixar o carro dirigível no trânsito, estável em marcha lenta e confiável depois de horas de estrada com calor de 37 °C. O acerto tem de valer para as duas situações.

Veja o vídeo completo da FuelTech USA com o Viper no dinamômetro:

E o post da FuelTech USA sobre o recorde:

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Da estrada para a pista

O Drag Week tem uma lógica diferente da arrancada de pista tradicional, como a da NHRA, a principal liga de arrancada dos Estados Unidos. Lá, o carro chega de carreta, com equipe, peças e tempo de sobra entre as baterias. Aqui, o carro é também o meio de transporte, e cada quilômetro rodado desgasta o que vai ser exigido na pista no dia seguinte.

Por isso os tempos do Drag Week sempre andaram um pouco atrás dos carros de pista pura. Mais de duas décadas depois da primeira edição, o Viper de Dunphy baixou dos 6 segundos carregando o peso de um carro de rua.

No Brasil, a disputa por décimos acontece em outro formato, nos recordes de arrancada do FuelTech Velopark, onde a Copa FT BR Sport reúne os carros mais rápidos do país.

Técnico da FuelTech trabalha no motor do Viper de Ned Dunphy na oficina da FuelTech USA
Acerto do Viper na oficina da FuelTech USA. Frame do vídeo da FuelTech USA

O que o recorde ensina sobre alta performance

Em 2025, no meio da semana em que bateu o recorde de média pela primeira vez, Dunphy explicou por que aquele Drag Week estava sendo diferente das edições em que tinha ficado pelo caminho. “Estamos tendo o Drag Week mais divertido até hoje, e não por causa da nossa posição, mas porque todas as nossas peças mecânicas estão se comportando”, disse o piloto, em declaração publicada pela Drag Illustrated.

A frase resume a corrida de arrancada de resistência. Potência sem confiabilidade não vence o Drag Week. Lutz e Larson tinham carros capazes de andar entre os mais rápidos da semana, e os dois ficaram pelo caminho. O campeão foi quem conseguiu repetir passadas na casa dos 6 segundos em pistas diferentes, com clima diferente, depois de centenas de quilômetros de estrada.

O 6s080 repetido em Cordova e em St. Louis diz tanto sobre o Viper quanto o 5s974 do último dia. Consistência não aparece na manchete, mas é ela que monta a média. E o recorde do último dia só foi possível porque o carro chegou inteiro a Joliet.

O processo também explica a evolução de um ano para o outro. O mesmo piloto, o mesmo copiloto e o mesmo carro, com anos de trabalho de acerto por trás, baixaram a própria média de 6s175 para 6s032. Alta performance, no esporte a motor ou fora dele, não é o pico de uma passada. É conseguir entregar de novo no dia seguinte.

Eletrônica que entrega na rua e na pista

Do recorde do Drag Week ao carro de rua: conheça a injeção, a ignição e os módulos da FuelTech.

Conheça a FuelTech

Foto de Diogo Moraes
Diogo Moraes

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