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Eddy Merckx, o Canibal: 525 vitórias e 5 vezes rei da Liège

Foto de Equipe Atleta Pro
Equipe Atleta Pro

O ciclismo viveu uma semana extraordinária. Na Bélgica, um francês de 19 anos chamado Paul Seixas subiu o Mur de Huy como se a gravidade não existisse e se tornou o vencedor mais jovem em 90 anos da Flèche Wallonne. Na segunda-feira, John Korir cruzou a linha de chegada em Boston em 2 horas, 1 minuto e 52 segundos, destruindo o recorde histórico do percurso. E neste domingo acontece a Liège-Bastogne-Liège, a mais antiga das grandes clássicas do ciclismo. Tudo isso é pretexto perfeito para lembrar de quem ninguém ainda superou na LBL: Eddy Merckx, o Canibal.

Eddy Merckx, o Canibal: a lenda que ninguém conseguiu devorar

Eddy Merckx em sua primeira vitória na Liège-Bastogne-Liège, 1969
Eddy Merckx em sua primeira vitória na LBL, 1969 | Foto: Wikimedia Commons / CC

Eles o chamavam de “O Canibal” porque ele não se contentava em vencer: ele precisava destruir a concorrência. Eddy Merckx, belga de Meensel-Kiezegem, é considerado o maior ciclista de todos os tempos. Em 18 anos de carreira profissional, acumulou 525 vitórias, incluindo 5 Tours de France, 5 Giros d’Italia, 1 Vuelta a España e uma conquista que ninguém mais repetiu: vencer os 5 Monumentos do ciclismo pelo menos duas vezes cada. A Liège-Bastogne-Liège, que acontece neste domingo, foi a corrida onde ele mais brilhou. São 5 vitórias, entre 1969 e 1975, um recorde ainda intocável.

Nenhuma subida era dura demais, nenhuma fuga durava sem ele encontrar o ritmo certo para destruí-la. No Campeonato Mundial de 1967, com apenas 22 anos, Merckx cruzou a linha com 3 minutos de vantagem sobre o segundo colocado. Naquele mesmo ano, venceu a Milão-San Remo pela primeira vez. A partir daí, o ciclismo jamais voltou a ser o mesmo.

Neste domingo, Tadej Pogacar vai em busca de sua 4ª vitória na Liège-Bastogne-Liège, o que o colocaria sozinho como 2º maior vencedor da história, atrás apenas de Merckx. E esta semana, um jovem francês de 19 anos chamado Paul Seixas venceu a Flèche Wallonne, fazendo o mundo lembrar que novas gerações de canibais continuam nascendo no ciclismo. O Canibal seria o primeiro a aplaudir.

O que aconteceu no esporte

Pelotão de ciclismo nas clássicas das Ardenas
Pelotão nas clássicas europeias | Foto: Wikimedia Commons / CC

Paul Seixas faz história: o mais jovem vencedor em 90 anos da Flèche Wallonne

Com 19 anos e 210 dias, o francês Paul Seixas (Decathlon-CMA CGM) venceu a 90ª edição da Flèche Wallonne, superando o recorde de idade que existia desde a primeira edição da corrida, em 1936. A vitória aconteceu na subida mítica do Mur de Huy, onde Seixas acelerou a cerca de 200 metros do final e abriu vantagem sobre todos os rivais. O segundo colocado, Mauro Schmid (Jayco-AlUla), chegou 3 segundos depois. Ben Tulett (Visma) completou o pódio em terceiro.

“No ano passado eu ainda assistia essa corrida pela TV. Agora estou aqui e venci”, declarou Seixas ao microfone após cruzar a linha de chegada. A frase resume tudo: uma velocidade de ascensão que o ciclismo raramente vê. Fonte: ProCyclingUK

Korir destrói o recorde histórico de Boston: 2:01:52

John Korir vence a Maratona de Boston 2026 com recorde do percurso
John Korir cruza a linha de chegada da Maratona de Boston, 20/04/2026 | Foto: Reuters

Na segunda-feira, dia 20 de abril, John Korir, do Quênia, venceu pela segunda vez consecutiva a Maratona de Boston e quebrou o recorde do percurso com o tempo de 2 horas, 1 minuto e 52 segundos. O recorde anterior pertencia a Geoffrey Mutai desde 2011 (2:03:02). Korir foi mais de um minuto mais rápido do que qualquer outro homem na história da prova, registrando a 5ª marca mais rápida de todos os tempos na maratona. Ao todo, 13 atletas terminaram abaixo de 2:06, tornando esta a edição mais veloz da história de Boston.

No feminino, Sharon Lokedi (Quênia) também repetiu o título com 2:18:51. “Sabia que defenderia meu título, mas não sabia que correria tão rápido”, disse Korir após a prova. Fonte: WGBH / World Athletics

Alcaraz desiste do Madrid Open com lesão no pulso

Carlos Alcaraz anunciou sua retirada do Mutua Madrid Open (21 de abril a 3 de maio). O espanhol lesionou o pulso durante o Barcelona Open em 14 de abril e os exames revelaram que a situação é “um pouco mais séria do que esperávamos”. É a segunda vez consecutiva que Alcaraz perde o Madrid, seu torneio em casa.

A lesão levanta uma preocupação real: Roland Garros começa em 25 de maio e Alcaraz é o bicampeão defensivo do Grand Slam parisiense. Sem partidas em saibro até lá, a missão de defender o título fica consideravelmente mais difícil. Novak Djokovic também se retirou do torneio por lesão, abrindo espaço para jovens como João Fonseca, que pode cruzar o caminho de Jannik Sinner nas quartas de final. Fonte: ATP Tour

Radar do Esporte

Amazfit se torna parceira global exclusiva do HYROX

Parceria global entre Amazfit e HYROX
Anúncio oficial da parceria global de 3 anos | Foto: Amazfit

A Amazfit, marca de wearables da Zepp Health, anunciou em 15 de abril um acordo global exclusivo de 3 anos com o HYROX, o “World Series of Fitness Racing”. A parceria cobre smartwatches, smart rings, câmeras inteligentes e óculos conectados, além de integração com o app e a rede HYROX 365, que reúne academias, coaches e atletas. A colaboração anterior entre as duas empresas era regional. Agora, é uma vitrine mundial para os dois lados: o HYROX ganha tecnologia embarcada de ponta e a Amazfit ganha um laboratório de desempenho ao vivo com milhões de atletas no planeta. Fonte: BusinessWire

Under Armour entra de vez na disputa do running premium

Sharon Lokedi vence Boston 2026 com o tênis personalizado da Under Armour
Sharon Lokedi com o UA Velociti Elite 3 personalizado em Boston 2026 | Foto: Under Armour

Quando Sharon Lokedi cruzou a linha de chegada em Boston usando o Sharon Lokedi Velociti Elite 3, ela fez mais do que vencer uma corrida: protagonizou um marco histórico para a Under Armour. Foi a primeira vez que um atleta da marca usou um tênis personalizado com seu nome em uma major de maratona, posicionamento até então dominado por Nike, Adidas e New Balance. A UA investiu em Lokedi, bicampeã em Boston, como cartão de visitas para o mercado de running de elite, um território onde a marca americana ainda busca o mesmo prestígio que tem no basquete e no futebol americano. Fonte: Sportico

Netcompany x INEOS: 100 milhões de euros e o ciclismo em outro patamar

A empresa dinamarquesa de software Netcompany fechou com o INEOS Grenadiers um contrato de 5 anos avaliado em cerca de 100 milhões de euros, tornando-se o novo patrocinador título da equipe mais vencedora do ciclismo na última década. A partir do Tour de France 2026, o time deverá correr como Netcompany-INEOS Grenadiers. O acordo coloca o ciclismo em outro patamar de atratividade para o mundo corporativo: uma empresa de tecnologia europeia sem histórico esportivo investindo em uma das maiores vitrines do esporte. No pelotão, o dinheiro nunca parou de pedalar. Fonte: ProCyclingUK

Insight de Performance

A psicologia do esporte tem um nome para o que fazia Eddy Merckx diferente: mentalidade de maestria sem teto. Ele não competia apenas para ganhar. Competia para superar a última versão de si mesmo. Em cada corrida, mesmo já na frente com 3 minutos de vantagem, ele continuava acelerando. Não havia conforto suficiente para o Canibal parar de atacar. Para o atleta amador, isso se traduz em algo concreto: o maior inimigo da evolução não é a falta de talento. É o conformismo com o suficiente.

Quando você chega em uma subida difícil e pensa “já vai estar bom assim”, seu progresso para naquele ponto. A ciência do esporte chama isso de “satisfação prematura”. Os grandes campeões cultivam o hábito de se perguntar: onde posso melhorar mais 1%? Você não precisa de 525 vitórias para ter a mentalidade de Merckx. Basta decidir, na próxima subida, que você não vai parar de pedalar enquanto ainda houver espaço para acelerar.

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