O automobilismo gaúcho volta a Nova Santa Rita nesta semana. Nos dias 28 e 29 de agosto, o Autódromo FuelTech Velopark recebe a quarta das seis etapas do Campeonato Gaúcho de Endurance, a competição de longa duração mais tradicional do Rio Grande do Sul.
É a metade decisiva do calendário. Com três provas já disputadas, em Guaporé, Santa Cruz do Sul e Tarumã, o campeonato entra na fase em que erro de estratégia custa título, e não só pódio.

Uma temporada com uma etapa a mais
O Gaúcho de Endurance ampliou a temporada em 2026. São seis corridas no ano, uma a mais do que em 2025, distribuídas pelos quatro autódromos que sustentam o automobilismo do estado.
O calendário abriu em Guaporé, em 13 e 14 de março, passou por Santa Cruz do Sul em 8 e 9 de maio e chegou a Tarumã em 3 e 4 de julho. Depois do Velopark, restam a etapa de 2 e 3 de outubro, com local ainda a definir, e o encerramento em Tarumã, em 27 e 28 de novembro.
Etapa a mais significa uma coisa só para quem disputa título: menos margem para descarte e mais peso na regularidade. Em campeonato de endurance, quem termina todas as provas costuma passar na frente de quem vence duas e abandona uma.
Mottin Racing abriu vantagem, Kraucher travou a sequência
As três primeiras etapas contaram uma história clara. A Mottin Racing venceu as duas primeiras na geral com o protótipo AJR #46, pilotado por Adriano Baldo, Cole Loftsgard e Igor Vacari.
Em Guaporé, o trio completou 94 voltas na abertura. Em Santa Cruz do Sul, repetiu a dose com 76 voltas e 10s881 de vantagem sobre o Sigma #121 de Marcelo Vianna e Fábio Fichtner. O pódio da segunda etapa foi fechado pelo Mercedes AMG GT3 #63 de Sérgio e Guilherme Ribas.

Em Tarumã, a sequência parou. Jindra Kraucher levou o Sigma #12 à vitória geral por 0s361 sobre o AJR #75 de Henrique Assunção e Cassiano Trein, em um dos finais mais apertados do ano. Duas horas de corrida decididas por menos de quatro décimos.
As demais categorias tiveram vencedores próprios naquela prova: Tiel Andrade na P2 com o MC50 CA #5, o trio Aldoir Sette, Guga Ghizo e Walter Cordeiro Netto na P3, Fabiano Pinto e Ariel Schallenberger na GT1, Emerson Klering e Gustavo Mandelli na GT2 e Gaga Goulart, A. Carboni e Luiz Sena Jr. na GT, com o Onix #89 que também havia feito a pole da classe.
Protótipos e turismo dividindo a mesma pista
O grid do Gaúcho de Endurance é dividido em sete classes: P1, P2, P3 e P4 para os protótipos, e GT1, GT2 e GT para os carros de turismo preparados. Na etapa de Tarumã, mais de 25 carros largaram.
Esse é o detalhe que define a corrida. Protótipo e turismo têm velocidades muito diferentes na mesma pista, o que transforma o tráfego em variável de estratégia. Ultrapassagem de retardatário mal calculada custa mais tempo do que um pit stop lento.

As provas do campeonato têm duas horas de duração, com revezamento de pilotos. O formato de fim de semana segue o padrão da categoria: treinos livres na sexta-feira e, no sábado, treino oficial, classificação e corrida.
O revezamento é o que separa o endurance da corrida de sprint. O piloto mais rápido do grid pode perder a prova se o companheiro de carro não sustentar o ritmo no stint dele, ou se a troca dentro do box demorar alguns segundos a mais do que o previsto. Em corridas decididas por décimos, como foi Tarumã, isso é a diferença entre o pódio e o quarto lugar.
O que esperar do grid no Velopark
Os protótipos da P1 são o topo da hierarquia e disputam a vitória geral. É onde estão os nomes que dominaram a temporada até aqui: o AJR #46 da Mottin Racing, os Sigma de Jindra Kraucher e da dupla Marcelo Vianna e Fábio Fichtner, e o AJR #75 de Henrique Assunção e Cassiano Trein, que já foi segundo em duas ocasiões.
Nas classes de turismo, a disputa é outra e não depende da geral. GT1, GT2 e GT reúnem carros preparados que correm sua própria corrida dentro da corrida, com pódio, pontuação e título separados. Na prática, o público que assiste da arquibancada vê pelo menos três brigas simultâneas na pista.
O campeonato tem apoio de marcas ligadas à preparação e à performance, entre elas FuelTech, Super Carros Gramado, Sigma P1, Metalmoro, Overboost, 977 Performance, Pedro Pneus e Confiance Parts, o que ajuda a explicar a densidade técnica do grid gaúcho em relação ao porte da competição.
Por que o Velopark muda o jogo
O traçado principal do Autódromo FuelTech Velopark tem 2,278 km e 11 curvas, às margens da BR-386, no km 430, a cerca de 30 km de Porto Alegre.
É um circuito curto para os padrões de endurance, e isso tem consequência direta. Volta rápida significa tráfego constante: os líderes reencontram os retardatários muitas vezes ao longo das duas horas, e a pista praticamente nunca fica limpa.
O desenho também cobra do carro e do piloto de um jeito específico. O Velopark alterna retas de aceleração forte com sequências de curvas lentas, o que exige frenagem dura e recuperação imediata de velocidade. Em prova longa, isso vira desgaste de freio e de pneu, e é aí que a estratégia de pit stop deixa de ser detalhe.
O complexo passou por uma nova fase depois de ser adquirido pela FuelTech em outubro de 2025 e reaberto sob o nome atual em fevereiro de 2026, com uma agenda que combina circuito, drift e arrancada ao longo do ano. É o mesmo autódromo que recebe a Copa FT BR Sport de Arrancada, cuja próxima etapa está marcada para setembro.
Como acompanhar a etapa
As etapas do Gaúcho de Endurance costumam ter transmissão ao vivo pelo YouTube, com cobertura dos canais Curva do S e High Speed TV BR, além de acesso do público aos boxes antes da largada, um dos atrativos da categoria para quem vai ao autódromo com a família.
A programação detalhada de horários e a informação de ingressos para a etapa do Velopark ficam a cargo da organização e do autódromo. Vale conferir os canais oficiais da competição e do complexo de Nova Santa Rita antes de sair de casa.
O que isso ensina sobre alta performance
Endurance é o esporte a motor que mais se parece com o treinamento de um atleta de resistência. A vitória raramente vai para quem faz a volta mais rápida. Vai para quem sustenta um ritmo alto por duas horas sem quebrar o carro, sem errar o pit e sem perder tempo no tráfego.
A temporada até aqui mostra isso na prática. A Mottin Racing abriu vantagem somando duas vitórias seguidas, não com uma tacada isolada. E Kraucher tirou 0s361 de diferença de uma prova inteira, o que só existe quando cada volta foi construída no limite do sustentável, e não do possível.
Vale para o atleta amador que treina para uma maratona ou uma prova de ciclismo de longa distância: o desempenho de pico serve pouco se não vier acompanhado de consistência, controle de desgaste e um plano para os momentos em que o ritmo precisa ser administrado, não forçado.
Há um segundo ponto que o endurance escancara e que a corrida curta esconde. Nenhum piloto vence sozinho. O resultado depende do parceiro de carro, do mecânico que cronometra o pit, do engenheiro que lê o desgaste do pneu e da decisão tomada sob pressão a meia hora do fim. Performance individual, nesse contexto, é o produto de um sistema que funciona, não de um talento isolado.
Em 28 e 29 de agosto, no Velopark, o campeonato descobre quem entendeu isso antes das duas últimas etapas.
Quer treinar com a mentalidade e os métodos da alta performance?
Conheça a Atleta Pro Academy e leve a ciência da performance para o seu treino.






