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Ítalo Ferreira: o ouro olímpico do surfe com a prancha quebrada

Ítalo Ferreira comemora o ouro olímpico no surfe em Tóquio 2020

Este texto é uma adaptação da edição de 2026 de setembro de 11 da Atleta Pro News, a newsletter gratuita que chega três vezes por semana pra quem leva esporte de alto desempenho a sério.

Em 27 de julho de 2021, a praia de Tsurigasaki recebeu o primeiro capítulo olímpico do surfe e o Brasil escreveu o nome de Ítalo Ferreira na história da modalidade. A virada aconteceu depois de um equipamento quebrado, dentro da água, sem tempo para planejar nada: só decisão. Na mesma semana, em 2026, Luisa Stefani voltou ao US Open para fechar outra história de superação e entrou para o top 3 do mundo nas duplas. Dois atletas, dois momentos distintos, o mesmo princípio de alta performance.

A edição desta sexta traz ainda Enric Mas segurando a liderança da Vuelta a España na contrarrelógio mais temida da prova, Rybakina se tornando a primeira cazaque a liderar o ranking da WTA e a Centauro assumindo os naming rights dos 10K da Maratona do Rio até 2031.

Ítalo Ferreira: o ouro olímpico do surfe com a prancha quebrada

Ítalo Ferreira comemora o ouro olímpico no surfe em Tóquio 2020
Ítalo Ferreira no pódio de Tóquio 2020 | Foto: Reprodução / isasurf.org

Em 27 de julho de 2021, a praia de Tsurigasaki, no Japão, recebeu o primeiro capítulo olímpico do surfe. Ítalo Ferreira, já campeão mundial em 2019, chegou à final contra o japonês Kanoa Igarashi carregando o peso de disputar um título inédito: o primeiro ouro da modalidade na história dos Jogos.

Logo no início da bateria decisiva, a prancha do brasileiro quebrou. Outro atleta poderia ter desmoronado ali. Ítalo trocou de equipamento, voltou para a água e fez o que sabe fazer: surfar melhor que o rival, onda por onda, sem parar para lamentar o que havia perdido.

O placar final, 15,14 a 6,60, nem parece de uma bateria que começou com um equipamento quebrado. Igarashi ficou com a prata em casa, diante do público japonês, e o australiano Owen Wright fechou o pódio com o bronze.

Foi a primeira medalha de ouro do Brasil em Tóquio 2020 e o ponto que colocou o país definitivamente no mapa do surfe olímpico. O Brasil já tinha tradição na modalidade, com campeões mundiais e gerações inteiras moldadas nas ondas de Maresias, Itacaré e Rio das Pedras. O ouro olímpico era o título que faltava.

Ítalo vinha de uma temporada 2019 impecável no CT da WSL, onde bateu Filipe Toledo na disputa pelo título mundial. Em Tóquio, o nível era diferente: apenas 20 surfistas no masculino, todos os melhores do mundo, em baterias onde cada onda podia ser a última do campeonato. Sem margem para erro, e com a prancha quebrada logo de cara.

Cinco anos depois, a cena da prancha partida ao meio segue como um dos maiores símbolos do esporte brasileiro recente. Não pela dramaticidade do momento, mas pelo que veio depois: a escolha de agir, não de lamentar. Resolver o problema com o que sobrou. Isso é o que separa um campeão de um competidor comum.

O que aconteceu no esporte

Luisa Stefani em quadra
Luisa Stefani em ação nas quadras | Foto: Reprodução / Atleta Pro

Luisa Stefani vira top 3 do mundo nas duplas no mesmo palco onde se machucou

Luisa Stefani e a canadense Gabriela Dabrowski venceram as chinesas Zhang Shuai e Jiang Xinyu por 6/3 e 6/4 na semifinal de duplas do US Open, garantindo vaga na decisão. Com o resultado, Stefani se tornou a primeira brasileira a entrar no top 3 do mundo nas duplas da WTA, segundo o portal Atleta Pro.

O peso do local diz tudo: foi exatamente na semifinal do US Open de 2021 que ela rompeu o ligamento cruzado do joelho direito e ficou cerca de um ano fora das quadras. Cinco anos depois, voltou ao mesmo torneio, ao mesmo estádio, e entrou para a história do tênis brasileiro.

Em 2026, ao lado de Dabrowski, a dupla chegou a pelo menos a semifinal em todos os Grand Slams do ano, incluindo a final em Wimbledon. Um calendário que deixou de ser coincidência e virou consistência.

Enric Mas na contrarrelógio da Vuelta a España 2026
Enric Mas na crono da etapa 18 da Vuelta | Foto: Reprodução / ciclismoaldia.es

Enric Mas segura a camisa vermelha na contrarrelógio decisiva da Vuelta

O suíço Stefan Küng venceu a etapa 18 da Vuelta a España, uma contrarrelógio individual de 32,1 km entre El Puerto de Santa María e Jerez de la Frontera, em 35 minutos e 22 segundos. Mas o resultado que importava para a classificação geral foi outro, conforme o Ciclismo al Día.

Enric Mas perdeu apenas 19 segundos para Primož Roglič na etapa mais temida da prova. Com isso, o espanhol mantém a camisa vermelha com 1min37s de vantagem sobre o esloveno, faltando duas etapas para o encerramento em Madri, neste domingo.

Elena Rybakina na semifinal do US Open 2026
Elena Rybakina no US Open 2026 | Foto: Reprodução / Troy Record

Rybakina vira sobre Gauff e vai à final do US Open como nova nº1 do mundo

Elena Rybakina derrotou Coco Gauff por 3/6, 6/4 e 6/4 na semifinal do US Open e vai à decisão contra Aryna Sabalenka, que passou por Jessica Pegula com duplo 6. Rybakina já havia garantido matematicamente o posto de nova nº1 ao bater Zheng Qinwen nas quartas, tornando-se a primeira cazaque a liderar o ranking da WTA, segundo o CBS Sports.

A final acontece neste sábado (12), reeditando a disputa pelo topo do tênis feminino entre as duas maiores potências de saque do circuito. Vale o título do Grand Slam e a consolidação do posto mais alto do ranking mundial.

Radar do Esporte

Vista aérea de corredores no Aterro do Flamengo durante a Maratona do Rio
Corredores no Aterro do Flamengo durante a Maratona do Rio | Foto: Reprodução / Prefeitura do Rio

Centauro assume os 10K da Maratona do Rio com naming rights até 2031

A Centauro é a nova parceira oficial e dona dos naming rights da prova de 10K da Maratona do Rio, no lugar da Netshoes, com contrato válido até 2031. A próxima edição, a 25ª, acontece em 2027 e deve reunir cerca de 71 mil participantes ao longo de quatro dias, segundo a Máquina do Esporte.

Os números explicam a aposta: a corrida responde por 35% do faturamento da Centauro, e as vendas da categoria cresceram 24% no primeiro semestre. Como 75% dos inscritos da Maratona do Rio vêm de fora do estado, a marca ganha vitrine nacional com uma única prova. A ativação começa em setembro, com treinos gratuitos, experiências nas lojas e a campanha “A Casa da Corrida. Nossa Pista. Seu Olimpo”.

Marcas de suplemento levam a rivalidade para os palcos do fisiculturismo

Max Titanium, IntegralMédica e Growth transformaram a disputa comercial por consumidor em guerra direta de atletas nos palcos de competição. A lógica é simples: o atleta que se prepara com um produto ser derrotado pelo atleta do concorrente impacta vendas. O que antes era briga de prateleira virou briga de pódio, conforme a Lance!.

A rivalidade já rendeu trocas de camisa históricas, como a saída de Renato Cariani da IntegralMédica para a Max Titanium em 2020. E segue pautando quem sobe: no Mr. Olympia 2024, Isa Pereira (Max Titanium) bateu Francielle Mattos (IntegralMédica) pela coroa feminina. São mais de 10 anos de uma rivalidade que mostra como o mercado de suplementos brasileiro amadureceu.

Heineken renova com a Fórmula 1 até 2030 e amplia naming rights

Depois de encerrar 30 anos de parceria com a Champions League, a Heineken ampliou o contrato com a Fórmula 1 até 2030. A partir de 2027, a marca passa a ter naming rights de corridas em países como Brasil, China, Reino Unido, Espanha e Estados Unidos, segundo a Máquina do Esporte.

O movimento confirma o que o mercado esportivo global vem sinalizando: patrocinadores estão saindo dos investimentos genéricos em exposição e migrando para contratos de longo prazo com direito a nome. O formato que entrega retorno mensurável virou a moeda forte do patrocínio esportivo.

Insight de Performance

A prancha do Ítalo quebrou no pior momento possível e ele não parou para lamentar. Na psicologia do esporte isso tem nome: foco em controláveis. Ele não conseguia consertar o equipamento nem voltar no tempo, só conseguia decidir o que fazer com a próxima onda. E foi exatamente essa escolha que o diferenciou do rival dentro da água.

Para quem treina fora da elite, o exercício é o mesmo em escala menor. Uma prova que começa mal, um treino que não sai como planejado, um imprevisto de última hora: o atleta que separa o que pode controlar do que já aconteceu chega mais inteiro no que ainda falta da prova. Não dá para escolher o problema que aparece. Dá para escolher onde colocar a energia depois que ele aparece.

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Diogo Moraes

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