A quadra preta já está montada na O2 Arena. Nesta sexta-feira (25), Londres recebe a Laver Cup 2026, o torneio de equipes que coloca seis dos melhores tenistas da Europa contra seis do resto do mundo, e que tem nesta edição dois campeões de Grand Slam do mesmo lado da rede: Carlos Alcaraz e Alexander Zverev.
Zverev chega a Londres nove dias depois de levantar a taça do US Open, o segundo título de Grand Slam dele em 2026. O Time Europa quer o troféu de volta. Do outro lado, o Time Mundo defende o título conquistado no ano passado em São Francisco e tem Taylor Fritz, o homem que fechou aquela decisão.
Quando e onde é a Laver Cup 2026
A competição vai de sexta (25) a domingo (27 de setembro), na O2 Arena, em Londres, em quadra dura coberta. É a volta da Laver Cup à capital inglesa quatro anos depois da edição de 2022, a mais lembrada da história do torneio.
São cinco sessões. Na sexta e no sábado, há sessão diurna às 13h e noturna às 19h, no horário local. No domingo, a única sessão começa ao meio-dia. Como Londres está quatro horas à frente de Brasília nesta época do ano, o torcedor brasileiro acompanha assim:
- Sexta (25) e sábado (26): sessões às 9h e às 15h, no horário de Brasília.
- Domingo (27): sessão única a partir das 8h, no horário de Brasília.
Onde assistir à Laver Cup no Brasil
A transmissão no Brasil é da ESPN. O site oficial da Laver Cup lista a ESPN International como detentora dos direitos no Brasil e em quase toda a América Latina, e o Tênis News confirma que a competição passa nos canais ESPN. Os jogos também devem aparecer no Disney+, plataforma de streaming que concentra o conteúdo da ESPN no país, para assinantes do plano que inclui o canal.

Como funciona a pontuação
A Laver Cup não se parece com nenhum outro torneio do circuito. São 12 partidas em três dias, e o valor de cada vitória cresce conforme o fim de semana avança.
Na sexta, cada jogo vale 1 ponto. No sábado, 2 pontos. No domingo, 3 pontos. Ao todo, há 24 pontos em disputa, e vence quem chegar primeiro a 13. Nenhuma vantagem construída na sexta está segura.
Nos dois primeiros dias, são três jogos de simples e um de duplas por sessão. No domingo, a ordem se inverte: primeiro a dupla, depois as simples. Todas as partidas são em melhor de dois sets e, se houver um set para cada lado, a decisão vai para um super tie-break de 10 pontos no lugar do terceiro set.
Se o placar empatar em 12 a 12 depois das 12 partidas, uma partida extra de duplas define o campeão.
Há também regras que obrigam os capitães a rodar o elenco. Cada jogador precisa disputar pelo menos uma partida de simples nos dois primeiros dias, ninguém pode jogar mais de duas simples no fim de semana e pelo menos quatro dos seis tenistas de cada time têm de entrar nas duplas, sem repetir parceria.
Os times e os capitães
O Time Europa tem Carlos Alcaraz, Alexander Zverev, o italiano Flavio Cobolli, o norueguês Casper Ruud, o tcheco Jakub Mensik e o espanhol Rafael Jodar. O britânico Arthur Fery é o reserva.
O Time Mundo reúne o australiano Alex de Minaur, os americanos Taylor Fritz, Learner Tien e Brandon Nakashima, o cazaque Alexander Bublik e o argentino Francisco Cerúndolo. O peruano Ignacio Buse é o reserva. A equipe perdeu dois nomes nas últimas semanas: Tommy Paul desistiu por lesão e deu lugar a Cerúndolo, e Ben Shelton, vice do US Open, também saiu e foi substituído por Nakashima.
No banco, é o segundo ano de Yannick Noah e Andre Agassi como capitães. Os dois estrearam na função em 2025, no lugar de Björn Borg e John McEnroe, que comandaram os times desde a primeira edição. Noah tem Tim Henman como vice. Agassi divide o banco com o australiano Patrick Rafter.

O placar histórico entre Europa e Mundo
A Europa lidera o confronto por 5 a 3. O time europeu venceu as quatro primeiras edições (Praga em 2017, Chicago em 2018, Genebra em 2019 e Boston em 2021) com Roger Federer, Rafael Nadal e Novak Djokovic se revezando no elenco. Não houve Laver Cup em 2020, por causa da pandemia.
O Mundo só conseguiu o primeiro título justamente na O2, em 2022, por 13 a 8, e repetiu em Vancouver no ano seguinte, por 13 a 2. A Europa recuperou a taça em Berlim, em 2024, por 13 a 11, com Alcaraz vencendo Fritz por 6/2 e 7/5 no jogo decisivo.
Em 2025, no Chase Center de São Francisco, a revanche foi de Fritz. O americano derrotou Zverev por 6/3 e 7/6 (4) e fechou a vitória do Time Mundo por 15 a 9, o terceiro título da equipe.
A volta a Londres, quatro anos depois da despedida de Federer
A escolha de Londres carrega memória. Foi na O2 Arena, em 2022, que Roger Federer jogou a última partida da carreira, em dupla com Rafael Nadal. Os dois perderam para os americanos Jack Sock e Frances Tiafoe por 4/6, 7/6 (2) e 11/9 no super tie-break, na 1.750ª partida de Federer no circuito, somando simples e duplas.
A Laver Cup, afinal, foi criada pela empresa de gestão de carreira de Federer, a TEAM8, em parceria com a Tennis Australia e com o empresário brasileiro Jorge Paulo Lemann. O nome homenageia o australiano Rod Laver. O suíço, que depois da aposentadoria construiu um dos maiores patrimônios do esporte, virou bilionário com uma fatia pequena de uma marca de corrida.
Zverev chega embalado pelo US Open
Nenhum jogador chega a Londres num momento tão bom quanto Zverev. No dia 13 de setembro, ele venceu Ben Shelton por 6/3, 7/6, 5/7 e 6/2 na final do US Open e levou o maior cheque da história dos Grand Slams, US$ 5,5 milhões. Três meses antes, tinha sido campeão de Roland Garros.
Na Laver Cup, o alemão tem uma conta pessoal a acertar. Foi ele quem perdeu para Fritz o jogo que decidiu a edição de 2025. Um ano depois, volta à quadra preta como campeão de dois Slams na temporada. A virada mental por trás dessa temporada foi contada em detalhe na análise sobre a cabeça que enterrou seis anos de fantasma.

Rafael Jodar, o novato do Time Europa
A novidade europeia é Rafael Jodar. O espanhol completou 20 anos às vésperas do torneio e é o único estreante do time de Noah. A subida dele é das mais rápidas do circuito: começou 2025 como 895º do ranking e chega a Londres como 14º do mundo, depois de alcançar o 11º lugar em agosto.
Em 2026, Jodar ganhou o primeiro título de ATP, em Marrakech, chegou à semifinal de Barcelona como convidado, às quartas de final de Madri, Roma e Roland Garros e à final do ATP 500 de Washington. Quem o derrotou naquela decisão foi Taylor Fritz, que estará do outro lado da rede em Londres.
“Eu assistia a esse evento na TV quando era mais novo, principalmente quando Nadal, Federer e Djokovic jogavam”, disse Jodar ao site oficial do torneio. Sobre dividir o banco com dois campeões de Grand Slam, resumiu: “Acho que vai ser uma ótima experiência”.

Quanto vale a Laver Cup
A premiação total é de US$ 1,5 milhão, dividida só entre os vencedores: cada um dos seis jogadores do time campeão recebe US$ 250 mil. Desde 2023, o time derrotado não leva prêmio. Os tenistas ainda recebem cachê de participação proporcional ao ranking, sem valor divulgado.
A Laver Cup é um evento oficial da ATP desde 2019, mas as partidas não valem pontos para o ranking.
O banco que joga junto
O que torna a Laver Cup diferente não está no placar, e sim no banco. Durante 51 semanas do ano, Alcaraz e Zverev são rivais diretos por títulos e pelo topo do ranking. Em Londres, sentam lado a lado, dão instrução um ao outro entre os pontos e comemoram a vitória do companheiro como se fosse a própria.
Steve Zacks, CEO da Laver Cup, descreveu o efeito disso na quadra: “Quem é o favorito não necessariamente sai vencedor. Há muito orgulho, muita pressão por jogar num time com os colegas. Você compete com eles 51 semanas por ano, mas enquanto está aqui, você os representa. Você quer vencer por esses companheiros”.
O retrospecto confirma que a lógica do ranking nem sempre vale. A Europa perdeu em 2022 com Federer, Nadal e Djokovic no elenco, e perdeu em 2025 com Alcaraz e Zverev. “Houve tantos choques e surpresas. Não existe roteiro, você não sabe o que vai acontecer”, disse Tim Henman, vice-capitão europeu. Mesmo assim, ele não esconde o otimismo: “Achávamos que tínhamos boas chances 12 meses atrás, e com certeza achamos que temos boas chances neste fim de semana”.
O que a Laver Cup ensina sobre alta performance
O tênis é o esporte individual por excelência: o jogador resolve sozinho cada crise dentro de uma partida. A Laver Cup inverte isso por três dias: tenistas acostumados à solidão da quadra passam a jogar com um banco de iguais atrás de si, e a responder por eles.
Para um estreante como Jodar, dividir o banco com Alcaraz e Zverev vale mais do que qualquer ponto. É a chance de ver de perto como dois campeões de Grand Slam se preparam, conversam entre os games e lidam com a pressão de jogar por outras pessoas.
A lição vale para qualquer atleta, do circuito profissional ao amador. Talento e treino levam longe, mas o ambiente em que o atleta está inserido decide até onde ele chega. Conviver com quem compete de verdade, num grupo que cobra e sustenta ao mesmo tempo, encurta o caminho. Ninguém precisa fazer essa trajetória sozinho.
Quer treinar num ambiente de quem compete de verdade?
Conheça a Atleta Pro Academy e leve a mentalidade e os métodos da alta performance para a sua carreira.






