Em julho de 1998, debaixo de chuva e frio nos Alpes franceses, um italiano careca com bandana na cabeça atacou sozinho a 48 km da chegada no Col du Galibier. Ele abriu quase nove minutos sobre o favorito e vestiu a camisa amarela do Tour de France. Era Marco Pantani, e aquela etapa se tornaria um dos momentos mais épicos da história do ciclismo. Naquele mesmo ano, ele já havia vencido o Giro d’Italia: uma dobradinha que nenhum ciclista repetiria por 26 anos.
Marco Pantani e a dobradinha Giro-Tour de 1998

Marco Pantani era pequeno, careca e usava bandana: o Il Pirata, ídolo da equipe Mercatone Uno e o melhor escalador da sua geração. Em 1998 fez o que só seis ciclistas tinham conseguido antes: venceu o Giro d’Italia e o Tour de France no mesmo ano. Foi o primeiro italiano a realizar a dobradinha desde Felice Gimondi, em 1965.
A virada do Tour veio nos Alpes. Na etapa entre Grenoble e Les Deux Alpes, Pantani atacou na subida do Col du Galibier a 48 km da linha de chegada. Sozinho, pedalando na chuva e sob temperaturas próximas do zero, ele abriu quase nove minutos sobre Jan Ullrich, o favorito alemão. Vestiu a camisa amarela naquela etapa e levou o Tour para casa com cerca de seis minutos de vantagem no geral.
Aquela dobradinha Giro-Tour ficou 26 anos sem ser repetida, até Tadej Pogacar conseguir de novo em 2024. Pantani morreu em 2004, ainda jovem, mas virou o símbolo eterno do escalador puro: o ciclista que ataca quando a estrada aponta para o céu. O Giro d’Italia, palco onde sua lenda nasceu, está acontecendo agora na edição de 2026, com novos heróis brigando lá na frente.
O que aconteceu no esporte

Fonseca vs Hurkacz: o chaveamento de Roland Garros 2026
O sorteio de Roland Garros 2026 aconteceu na quinta-feira (21) e definiu o caminho dos brasileiros em Paris. João Fonseca, cabeça de chave número 28 e ranqueado em 30º no ATP, estreia contra Hubert Hurkacz: o polonês ex-número 6 do mundo, atualmente em torno da 31ª posição, é um adversário experiente e perigoso em qualquer superfície. Se Fonseca avançar, pode cruzar com Novak Djokovic já na terceira rodada.
Bia Haddad Maia enfrenta a britânica Francesca Jones (105ª do mundo) na estreia. A temporada de Bia tem sido difícil: 14 derrotas em 18 partidas em 2026, e ela chega a Paris já fora do top 100 após queda no qualifying de Estrasburgo. Está na mesma chave de Swiatek e Rybakina, duas das favoritas ao título. O torneio abre neste domingo, 24 de maio. Fonte: Lance!
Cassia Moura e Musumeci dominam o UFC BJJ 8 em Las Vegas
Na quinta-feira (21), o Meta Apex em Las Vegas recebeu o UFC BJJ 8. No co-main event, a brasileira Cassia Moura, de apenas 20 anos e oriunda de Realengo, Rio de Janeiro, fez a primeira defesa do cinturão peso-galo feminino. Finalizou a conterrânea Sabrina Gondim no segundo round, em um confronto 100% brasileiro. Moura é campeã mundial de jiu-jitsu na faixa preta e atingiu a graduação máxima em tempo recorde pela IBJJF.
Na luta principal, Mikey Musumeci fez algo raro no esporte: competiu com febre alta causada por uma infecção estafilocócica, dormindo 20 horas nos dias anteriores ao evento. Mesmo assim, aplicou um heel hook em Kevin Dantzler aos 2:15 do primeiro round para defender o cinturão peso-galo masculino. “Terrível. Foi horrível”, disse Musumeci sobre a semana antes da luta. Fonte: UFC.com
Segaert voa solo em Novi Ligure e o Bahrain segue sonhando no Giro
A 12ª etapa do Giro d’Italia 2026 terminou na quarta-feira (21) com uma jogada de mestre: Alec Segaert (Bahrain Victorious) lançou um ataque solo nos quilômetros finais e surpreendeu o pelotão para vencer em Novi Ligure. O belga, especialista em contrarrelógio, usou sua potência de cronometrista para ninguém o segurar na subida final.
Na classificação geral, o português Afonso Eulálio segura a maglia rosa com 33 segundos de vantagem sobre Jonas Vingegaard e 2’03” sobre Thymen Arensman. A etapa 13 desta sexta (22) vai de Alessandria a Verbania, 189 km pelos pés dos Alpes, com chegada esperada para o fim da tarde. Fonte: Cycling Up to Date
Radar do Esporte
COROS e Wahoo: a aliança que muda o jogo para ciclistas e corredores

Em abril, COROS e Wahoo anunciaram uma integração de API em dois canais: atividades registradas em qualquer um dos dois ecossistemas sobem automaticamente para ambas as plataformas, sincronizando métricas como carga de treino e fitness base. Além disso, relógios COROS agora se conectam com a esteira KICKR RUN da Wahoo, enviando dados de cadência e tempo de contato com o solo diretamente ao pulso.
O Wahoo também passa a vender o COROS Pace 4 e o APEX 4 em seu site, com pulseiras personalizadas. Para atletas de endurance, a mensagem é direta: você não precisa mais escolher um ecossistema fechado. Dados fluem entre plataformas, treino não para. Fonte: Outside Velo
Liquidz: a hidratação oficial do circuito Ironman Brasil 2026

A brasileira Liquidz, especializada em hidratação funcional com eletrólitos, fechou acordo para ser a hidratação oficial de toda a temporada Ironman Brasil 2026, incluindo 7 provas do circuito Ironman, 3 etapas do Triday Series e aproximadamente 15 mil atletas atendidos. A empresa estará também no Simpósio do Ironman apresentando estudos sobre hidratação e performance.
Com R$ 150 milhões movimentados pelo circuito em 2026, a entrada da Liquidz como patrocinadora oficial reforça a profissionalização do mercado de endurance no Brasil. Fonte: Máquina do Esporte
Infosys leva IA a Roland Garros: cada partida analisada em tempo real
Para a edição 2026, a Infosys, parceira oficial de inovação digital de Roland Garros, expande o uso de inteligência artificial no Grand Slam: cada partida é submetida a análise profunda com IA, gerando dados que alimentam coaches, jogadores, jornalistas e fãs em tempo real. A ferramenta de “jornalismo assistido por IA” mede tensão e emoção das partidas usando barulho da torcida e outros fatores.
Há também um “Smash Corner” no torneio onde fãs batem saques e recebem análise de postura e comparação com o Court Philippe-Chatrier. O tênis está virando laboratório de dados, e Roland Garros é onde essa experiência chega mais longe. Fonte: AI Magazine
Insight de Performance
Pantani não era o mais forte no plano, e nem precisava ser. Nas subidas, o que decide não é a potência bruta: é a relação peso-potência, quantos watts você sustenta por quilo de corpo. Um escalador leve transforma cada watt em velocidade morro acima justamente porque tem pouco peso para carregar contra a gravidade. Era exatamente isso que tornava Pantani imbatível nos Alpes.
Para o atleta amador, o princípio vale em qualquer subida: no pedal ou na corrida. Você melhora a relação peso-potência por dois lados: aumentando a potência sustentável com treino de limiar (intervalos longos perto do seu máximo controlado) e cuidando da composição corporal de forma saudável, sem dietas radicais que destroem a energia de treino. No plano, força bruta resolve. Na subida, ganha quem carrega menos peso por cada watt.
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