Este texto é uma adaptação da edição de 2026 de julho de 29 da Atleta Pro News, a newsletter gratuita que chega três vezes por semana pra quem leva esporte de alto desempenho a sério.
Vinte e dois anos de espera do Japão no MotoGP chegaram ao fim em Assen quando Ai Ogura cruzou a linha de chegada em primeiro no Dutch GP e entrou para a história da categoria rainha das duas rodas. No Ibirapuera, Alison dos Santos, o Piu, cravou 46s48 nos 400m com barreiras, o melhor tempo do mundo em 2026, e ainda dominou os 400m rasos no Troféu Brasil. Felipe Baptista venceu no Velocitta pela Stock Car, Ben Shelton avançou sob chuva no DC Open em Washington, e o Brasil confirmou 33 atletas para o Mr. Olympia 2026 em Las Vegas. Alta performance em todos os cantos do esporte nesta semana.
Ai Ogura e a volta do Japão ao topo do MotoGP
Para entender o que aconteceu em Assen, é preciso entender o que é Assen. O Circuito TT de Assen, na Holanda, existe desde 1925 e integra o calendário do motociclismo mundial desde a criação do campeonato, em 1949. Os fãs chamam a pista de “a Catedral” do motociclismo, e o nome não é exagero: são quase cem anos de história e de corridas que moldaram o imaginário do esporte de duas rodas. Em 28 de junho de 2026, esse traçado assistiu a algo que a maioria dos torcedores japoneses já tinha deixado de esperar.
O último piloto japonês a vencer uma etapa do MotoGP havia sido Makoto Tamada, em 2004. Dois anos antes de Ai Ogura completar seu primeiro ano de vida. Em 22 anos, marcas japonesas como Honda, Yamaha, Suzuki e Kawasaki colocaram as melhores motos do mundo nas mãos de pilotos europeus e sul-americanos, sem que nenhum compatriota subisse ao topo do pódio da categoria rainha. O paradoxo era notável: o país que fabrica as motocicletas mais vencedoras da história ficou décadas sem um piloto campeão de etapa.
Ai Ogura tem 23 anos e chegou à temporada 2026 como campeão mundial de Moto2, a segunda categoria. Ele escolheu o caminho da equipe Trackhouse, com motorização Aprilia, sem o guarda-chuva de nenhum fabricante japonês. A carga de representar uma nação inteira existe, mas Ogura chegou ao fim de semana de Assen com o foco voltado para o que podia controlar: cada curva, cada frenagem, cada decisão sobre os pneus.
Em 24 voltas no traçado holandês, ele mostrou como se vence uma corrida de MotoGP sem precisar de um duelo dramático. Administrou os pneus com frieza, controlou o ritmo nos momentos certos e chegou à bandeirada com mais de 2 segundos de vantagem sobre o companheiro de equipe Raul Fernandez. Jorge Martin completou o pódio em terceiro. Marco Bezzecchi, que liderava o campeonato antes da prova, caiu cedo e perdeu pontos preciosos na briga pelo título, conforme registrado pelo MotoGP.com.
Com o resultado, Ogura chegou a apenas 25 pontos da liderança de Jorge Martin no Mundial. O calendário ainda tem etapas suficientes para uma virada real. O japonês, que até pouco tempo era visto como promessa para o futuro, agora figura como candidato concreto ao título da temporada. A Catedral de Assen já viu pilotos lendários cruzarem sua linha de chegada. Em 28 de junho de 2026, ela viu um japonês de 23 anos escrever um capítulo que durou mais de duas décadas para ser contado.
O Japão, que por décadas dominou a engenharia e a mecânica do motociclismo, agora tem em Ogura um porta-voz dentro das pistas. O país que cria as melhores motos do planeta voltou a ter alguém correndo pelo título. A espera de 22 anos chegou ao fim. O próximo capítulo está sendo escrito corrida a corrida.
O que aconteceu no esporte

Piu domina o Troféu Brasil: dois ouros e melhor tempo do mundo nos 400m

Alison dos Santos, o Piu, fez um fim de semana histórico no Troféu Brasil de Atletismo, disputado no Estádio Ícaro de Castro Melo, em São Paulo, entre 23 e 26 de julho. Na sexta-feira, ele venceu os 400m rasos com 44s60, novo recorde da competição. No domingo, voltou à pista para os 400m com barreiras e cravou 46s48, o melhor tempo do mundo em 2026, superando o norueguês Karsten Warholm (46s61) no ranking global. O tempo é o 4° da história da prova e a segunda melhor marca pessoal de Piu, atrás apenas do recorde sul-americano de 46s29 que ele próprio estabeleceu no Mundial de Eugene em 2022, conforme registrado pela Confederação Brasileira de Atletismo.
A edição foi rica além de Piu. Ana Carolina Azevedo conquistou três ouros: os 100m (11s48, contra vento de 2,9 m/s), os 200m e a prova de 4x100m misto, consolidando-se como a sprinter mais completa do país. O Clube Pinheiros ergueu o troféu de melhor clube pelo 11° ano consecutivo. Um fim de semana de atletismo brasileiro que merecia espaço em qualquer canal esportivo do mundo.
Stock Car: Baptista domina o Velocitta e Mitsubishi fecha a primeira metade em alta

Felipe Baptista entrou na primeira curva do Velocitta, em Mogi Guaçu, na frente, e nunca cedeu a posição. Na corrida principal da 6ª etapa da Bradesco Stock Pro Series, disputada no domingo (26 de julho), o piloto da Sterling Racing levou sua Mitsubishi Eclipse Cross à vitória em 32 voltas. O campeão Felipe Fraga ficou em segundo a 0s756 e Arthur Leist (Toyota) completou o pódio a 1s094. Na corrida sprint do sábado, Gaetano Di Mauro foi o vencedor, conforme o Racing Online.
Com os resultados do Velocitta, a Mitsubishi Motors encerrou a primeira metade da temporada 2026 com seis vitórias. Fraga mantém a liderança do campeonato com 156 pontos de vantagem sobre Rafael Suzuki. A segunda metade começa em agosto, com a briga pelo título ainda totalmente em aberto.
DC Open em Washington: Shelton avança no sufoco e americanos sofrem

O Mubadala DC Open 2026, em Washington, está sendo um torneio cheio de surpresas. Na terça-feira (28 de julho), Ben Shelton (2° cabeça de chave) sobreviveu a quase duas horas de atraso por chuva e a uma virada no segundo set para bater o qualificado Martin Damm Jr. por 6-4, 4-6, 6-4. Taylor Fritz também avançou ao derrotar Zizou Bergs por 6-3, 6-4. Mas o dia teve suas vítimas: Tommy Paul e Learner Tien foram eliminados na primeira rodada por azarões, numa tarde ruim para o tênis americano da casa, conforme o ATP Tour.
No feminino, Venus Williams, 45 anos, perdeu para a russa Anastasia Potapova no primeiro turno. O simples fato de ela estar competindo num ATP 500 com essa idade já é uma história por si só. O torneio distribui US$ 2,4 milhões em premiação e vai até 2 de agosto, servindo de preparação direta para o US Open.
Radar do Esporte

Brasil bate recorde: 33 atletas classificados para o Mr. Olympia 2026
A menos de dois meses do maior campeonato de fisiculturismo do mundo, o Brasil confirmou 33 atletas para a edição 2026 do Mr. Olympia, que acontece entre 24 e 27 de setembro no Palms Casino Resort, em Las Vegas. Entre os confirmados estão Ramon Dino (Classic Physique), Eduarda Bezerra (Wellness) e Natalia Coelho (Women’s Physique), todos campeões da edição anterior. Lucas Garcia assegurou a vaga na 212 após terminar em terceiro logo na sua estreia, em 2025. A organização mudou as regras de qualificação em 2026: agora são necessários dois títulos em grandes torneios para garantir a vaga, ante apenas um antes. Mesmo com a régua mais alta, o Brasil chega como uma das maiores potências do evento, conforme apurou a CNN Brasil.
O dinheiro do Golfo chega ao tênis americano
O Mubadala DC Open 2026 distribui US$ 2.469.450 em prêmios para o torneio masculino, mais US$ 1,6 milhão para as mulheres. Mas o número mais relevante está no contrato de naming rights: a Mubadala Investment Company, fundo soberano de Abu Dhabi com mais de US$ 300 bilhões sob gestão, assinou um acordo de cinco anos com o torneio. O mesmo padrão já domina o golfe (LIV Golf), o futebol (Manchester City, PSG) e o tênis (Abu Dhabi Open). Capital do Golfo Pérsico entra em esportes americanos de prestígio como plataforma de alcance global. Para o atleta e o torcedor, o resultado prático é simples: torneios maiores, premiações maiores e um esporte que cresce financeiramente, segundo o ATP Tour.
Garmin ou Apple: o relógio de quem realmente treina
Em 2026, o mercado de relógios GPS para atletas consolidou dois mundos paralelos. De um lado, a Apple com 23% de market share global e foco no mainstream, com GPS de 14 horas e integração com o ecossistema digital. Do outro, Garmin, Coros e Polar dominando o segmento de endurance com 25 a 100 horas de bateria no GPS, dados avançados de periodização, variabilidade cardíaca e estimativa de VO2max. Mais de 500 milhões de pessoas usam smartwatch no mundo, com corrida e triatlo puxando o segmento premium. Para o atleta amador: se você corre mais de 4 horas por semana e quer dados sérios de treino, um Garmin ou Coros entrega muito mais do que o Apple Watch. A análise completa está na Máquina do Esporte.
Insight de Performance
A vitória de Ai Ogura em Assen tem uma camada que vai além da corrida. Quando um piloto de 23 anos carrega nas costas 22 anos de silêncio de um país inteiro, a pressão psicológica poderia paralisar qualquer um. Ogura não deixou. Porque ele não correu para encerrar décadas de seca japonesa no MotoGP: ele correu para vencer aquelas 24 voltas, aquele domingo específico, aquele grupo de pilotos na frente dele. A ciência esportiva chama isso de foco orientado ao processo: você separa o que está sob seu controle (a estratégia, a gestão dos pneus, cada curva) do que não está (a expectativa dos fãs, a pressão da mídia, o peso histórico). A pesquisa de James Hardy e colaboradores em psicologia do esporte mostra que atletas com foco no processo apresentam desempenho superior sob pressão, especialmente em momentos de adversidade.
Para o atleta amador, o mesmo princípio funciona em qualquer distância. No quilômetro 35 de uma maratona, o tempo-alvo não existe mais: existe o próximo passo. Num treino de barreiras, o recorde a superar não é o de Warholm: é o seu de ontem. Você não controla o pódio. Controla o treino de hoje.
O processo começa antes do pódio. Aplique esse método no seu treino com a Atleta Pro Academy.
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