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Pogacar e Vollering lideram o Vélo d’Or; campeã de 2025 fica fora

Tadej Pogacar sorri de camisa amarela e levanta a mão ao vencer a 14ª etapa do Tour de France 2026

O ano de Tadej Pogacar acabou mais cedo do que ele queria, mas não tirou o esloveno do centro da disputa. Ele está entre os 10 indicados ao Vélo d’Or 2026, o prêmio da revista francesa Vélo Magazine para o melhor ciclista de estrada da temporada, e aparece como o nome a ser batido mesmo tendo parado em agosto, depois de uma queda grave na Vuelta.

Na lista feminina, Demi Vollering chega como campeã mundial e europeia, enquanto a francesa Pauline Ferrand-Prévot, vencedora de 2025, ficou fora da disputa principal. Os ganhadores, escolhidos por um júri de jornalistas internacionais, serão conhecidos em 28 de novembro, em Paris.

Os 10 indicados ao Vélo d’Or masculino

A lista reúne os três vencedores das grandes voltas de 2026, os dois campeões mundiais e o francês que ganhou Il Lombardia aos 20 anos. Ela não tem ordem de favoritismo: a condição de principal candidato de Pogacar vem da avaliação da imprensa especializada.

  • Tadej Pogacar: Tour de France, Milão-Sanremo, Volta de Flandres, Liège-Bastogne-Liège, Strade Bianche, Volta da Suíça e Volta da Romandia.
  • Jonas Vingegaard: Giro d’Italia, Paris-Nice e Volta a Catalunha.
  • Enric Mas: Vuelta a España e 2º lugar em Il Lombardia.
  • Remco Evenepoel: 2º no Tour, campeão mundial de contrarrelógio, Amstel Gold Race, Clásica San Sebastián e GP de Québec.
  • Paul Seixas: Il Lombardia e 2º lugar em Strade Bianche e Liège-Bastogne-Liège.
  • Brandon McNulty: campeão mundial de estrada em Montreal.
  • Isaac del Toro: pódio e camisa branca no Tour, UAE Tour, Tirreno-Adriatico e Tour Auvergne-Rhône-Alpes.
  • Felix Gall: pódio no Giro e na Vuelta.
  • Wout van Aert: Paris-Roubaix e camisa verde na Vuelta.
  • Mathieu van der Poel: vitória no Tour, incluindo a etapa final em Paris.

A UAE Team Emirates-XRG tem três dos dez nomes, com Pogacar, McNulty e Del Toro. É o retrato de uma equipe que fechou o ano com 78 vitórias e liderou o ranking da UCI pela quarta temporada seguida.

Por que Pogacar segue como referência mesmo sem fechar o ano

Pogacar venceu o Vélo d’Or em 2021, 2024 e 2025 e pode chegar ao quarto troféu. O argumento dele é o tamanho do que fez até agosto. Ganhou a Milão-Sanremo pela primeira vez, somou Flandres e Liège e, em julho, conquistou o quinto Tour de France, com direito ao recorde de subida do Alpe d’Huez. Com isso, igualou a marca de Jacques Anquetil, Eddy Merckx, Bernard Hinault e Miguel Induráin, com cinco etapas vencidas e quase seis minutos e meio de vantagem sobre Evenepoel.

O balanço também tem frustrações. Pogacar foi 2º em Paris-Roubaix, batido por Van Aert no velódromo, e segue sem o único Monumento que falta no currículo. Na Vuelta, venceu três etapas e vestia a camisa vermelha de líder quando caiu na 8ª etapa.

O saldo foi uma fratura com luxação da clavícula esquerda, a fratura de uma vértebra cervical e uma concussão, que o deixaram cinco semanas sem pedalar. “Foi uma pedra grande. Todo o resto é fake news”, disse o esloveno, segundo a agência STA, ao encerrar as especulações sobre a causa do acidente.

A queda custou a defesa do título mundial em Montreal, o Europeu na Eslovênia e Il Lombardia, prova que ele vinha vencendo havia cinco anos seguidos. Ele terminou 2026 com 22 vitórias e 9.331,8 pontos no ranking da UCI, contra 11.680 em 2025, e ainda assim segue como número 1 do mundo.

Seixas, Vingegaard e Evenepoel: quem pode tirar o troféu

A ausência de Pogacar abriu espaço no fim da temporada, e quem mais aproveitou foi Paul Seixas. Em 10 de outubro, o francês de 20 anos, da Decathlon CMA CGM, atacou no Civiglio e chegou sozinho a Como, 48 segundos à frente de Enric Mas, tornando-se o vencedor mais jovem em 120 edições de Il Lombardia. Os 11min54s que fez na subida foram 38 segundos mais rápidos que os 12min32s de Pogacar em 2022, segundo tempos da Velon publicados pelo IDL Pro Cycling.

Paul Seixas abre os braços ao cruzar a linha de chegada e vencer Il Lombardia 2026 em Como
Paul Seixas vence Il Lombardia em Como, em 10 de outubro. Foto: reprodução, IDL Pro Cycling.

Seixas é o nome mais presente da premiação masculina, indicado em quatro categorias: principal, clássicas, revelação e melhor francês. Vingegaard tem o argumento histórico: ao vencer o Giro, completou a coleção das três grandes voltas. Enric Mas chega com a Vuelta, que venceu depois da saída de Pogacar.

Evenepoel, por sua vez, foi o melhor do Tour atrás do esloveno, conquistou mais um título mundial de contrarrelógio e venceu o Europeu de estrada por 3 milímetros. McNulty, por outro lado, tem o resultado de um único dia mais marcante do grupo: atacou a 33 quilômetros do fim em Montreal e resistiu sozinho até a linha, 13 segundos à frente de Michael Matthews e Van der Poel.

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Vollering e a lista feminina sem a campeã de 2025

Entre as mulheres, a imprensa especializada aponta um cenário de favorita clara. Demi Vollering, da FDJ United-Suez, ganhou o Giro d’Italia feminino e o Tour de France Femmes, foi campeã mundial em Montreal e, uma semana depois, defendeu o título europeu em Sencur, na Eslovênia, com um ataque a 14,6 quilômetros do fim. Ao vencer o Giro, completou as três grandes voltas femininas. Se levar o prêmio, a holandesa repete 2023.

Demi Vollering emocionada com a camisa amarela depois de vencer o Tour de France Femmes 2026, em Nice
Demi Vollering depois de confirmar o título do Tour de France Femmes, em Nice. Foto: Getty Images, via The Athletic.

As indicadas ao lado dela são Lorena Wiebes, Marlen Reusser, Paula Blasi, Juliette Berthet, Kim Le Court-Pienaar, Elisa Longo Borghini, Antonia Niedermaier, Katarzyna Niewiadoma-Phinney e Anna van der Breggen. Reusser levou os títulos mundial e europeu de contrarrelógio, além de bater a própria Vollering na Volta da Suíça. Blasi venceu a Vuelta Feminina e a Amstel Gold Race.

Duas ausências chamam atenção além da de Ferrand-Prévot, que segue concorrendo apenas a melhor francesa depois de uma temporada de estrada considerada decepcionante. Franziska Koch, vencedora de Paris-Roubaix, e Lotte Kopecky, campeã da Milão-Sanremo, ficaram fora da lista principal e aparecem só entre as especialistas em clássicas.

As categorias e o calendário até a cerimônia

Além dos dois prêmios principais, a revista distribui troféus em cinco categorias: especialista em clássicas, velocista, revelação, melhor francês e paraciclista do ano. Os finalistas das principais são estes:

  • Clássicas (masculino): Evenepoel, Pogacar, Seixas, Van Aert e Van der Poel.
  • Clássicas (feminino): Koch, Kopecky, Niewiadoma-Phinney, Puck Pieterse e Vollering.
  • Velocistas (masculino): Matthew Brennan, Paul Magnier, Tim Merlier, Jonathan Milan e Jasper Philipsen.
  • Velocistas (feminino): Elisa Balsamo, Lara Gillespie, Charlotte Kool, Nienke Veenhoven e Wiebes.
  • Revelação: Brennan, Jakob Omrzel e Seixas no masculino; Blasi, Célia Gery e Isabella Holmgren no feminino.

A cerimônia de Paris acontece um dia antes do reaparecimento previsto de Pogacar em um evento: ele planeja correr, em 29 de novembro, o critério beneficente BeKing, em Mônaco. Para 2027, o esloveno, com contrato com a UAE até 2032, já indicou três objetivos: o sexto Tour de France, o Mundial e a Vuelta, a única grande volta que ainda falta para ele. O calendário do prêmio segue o caminho do futebol, que entregou a Bola de Ouro a Harry Kane nesta semana.

O que isso ensina sobre alta performance

A lista de 2026 mostra que uma temporada é julgada pelo conjunto, não pelo último resultado. Pogacar parou em agosto e continua sendo a referência porque construiu, com antecedência, um volume de resultados que nenhuma ausência apaga. Para o atleta amador, a lógica é a mesma: consistência acumulada ao longo dos meses protege o ano quando surge um imprevisto.

O caso também ensina sobre retorno. Pogacar descartou correr o Europeu para não arriscar outra queda, mesmo tendo considerado a possibilidade, e já recomeçou a preparação para 2027 cerca de um mês antes do habitual. Abrir mão de uma prova para preservar o ciclo seguinte é uma decisão de carreira, não um recuo.

E Seixas lembra que a oportunidade costuma aparecer para quem já estava pronto. Antes de vencer em Como, ele havia passado a primavera perdendo de Pogacar em Strade Bianche e em Liège. Competir de perto com o melhor do mundo fez parte do caminho até o ataque que decidiu a prova.

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