Uma equipe do WorldTour, a primeira divisão do ciclismo de estrada, custa em média 33,1 milhões de euros por temporada em 2026, segundo dados da União Ciclística Internacional (UCI) publicados pela La Gazzetta dello Sport. As mais ricas, como a UAE Team Emirates XRG de Tadej Pogacar e a Visma-Lease a Bike de Jonas Vingegaard, trabalham perto de 50 milhões de euros por ano, cerca de R$ 280 milhões no câmbio atual. As menores vivem com mais ou menos a metade disso.
Somados, os orçamentos das 18 equipes do WorldTour e das duas ProTeams com convite automático para as grandes provas (Tudor e Pinarello-Q36.5) chegam a 663 milhões de euros. Quase tudo sai do bolso de patrocinadores: 87% da receita, pelos mesmos números, num esporte em que o público assiste de graça na beira da estrada e a TV paga aos organizadores, não às equipes.
As maiores equipes de ciclismo do mundo e seus orçamentos
Seis equipes formam o grupo das superequipes, todas acima de 40 milhões de euros por ano. Os times não divulgam balanço, e os valores abaixo são estimativas da imprensa a partir de dados que a UCI apresentou às equipes em dezembro de 2025, sem publicá-los.

| Equipe | Orçamento estimado em 2026 | Quem banca |
|---|---|---|
| UAE Team Emirates XRG | perto de 50 milhões de euros (a Cycling Weekly fala em 55 a 60 milhões) | Governo dos Emirados Árabes Unidos, Emirates e XRG, braço de investimentos da petroleira estatal ADNOC |
| Visma-Lease a Bike | perto de 50 milhões de euros | Visma, Lease a Bike e cerca de 80 parceiros; o time pertence a Richard Plugge e ao empresário Robert van der Wallen |
| Netcompany Ineos | cerca de 45 milhões de euros (a Cycling Weekly fala em 55 a 60 milhões) | Ineos, do bilionário Jim Ratcliffe, dona da licença; Netcompany como patrocinadora principal desde o Giro de 2026 |
| Red Bull-Bora-hansgrohe | cerca de 45 milhões de euros | Red Bull, dona de 51% do time desde 2024 |
| Lidl-Trek | cerca de 45 milhões de euros | Lidl, sócia majoritária desde outubro de 2025, e Trek, que segue como sócia |
| Decathlon CMA CGM | acima de 40 milhões de euros | Decathlon, dona única desde 2026, e a armadora CMA CGM |
Fontes: La Gazzetta dello Sport (via Cyclingnews e Domestique), Cycling Weekly e anúncios das equipes.
A UAE é a referência do topo. Em 2024, segundo o Cyclingnews, gastou 27,3 milhões de euros só com salários, o maior valor do pelotão. Pogacar, contratado até 2030, recebe cerca de 8 milhões de euros por ano, segundo estimativas da imprensa, sem contar prêmios e os patrocínios pessoais do esloveno.
O meio e o fundo da tabela
Segundo o Cyclingnews, EF Education-EasyPost, Movistar, Alpecin-Premier Tech e Soudal Quick-Step formam o meio da tabela, na casa dos 30 milhões de euros. Jayco AlUla, Picnic PostNL e Lotto-Intermarché ficam abaixo de 25 milhões. A mediana de 2026 é de 28 milhões, cinco a menos que a média: poucos times puxam a conta para cima. Em 2024, as seis equipes mais ricas concentraram 48% dos orçamentos, e as seis mais pobres, 21%, segundo dados vistos pelo Escape Collective.
O caso extremo é o da Arkéa-B&B Hotels. Com cerca de 17 milhões de euros em 2025, provavelmente o menor orçamento do WorldTour, a equipe francesa perdeu os dois patrocinadores e fechou em outubro daquele ano, com cerca de 150 pessoas dispensadas, 27 delas ciclistas.
Quanto custa uma equipe de ciclismo: para onde vai o dinheiro
A maior parte do dinheiro vai para pessoas. Em 2026, as equipes masculinas do WorldTour gastam em média 73% do orçamento com pessoal, segundo os números da UCI obtidos pela Cycling Weekly. O resto se divide entre corridas, veículos e despesas gerais.
| Destino do dinheiro | Fatia média do orçamento (2026) |
|---|---|
| Pessoal (ciclistas e staff) | 73% |
| Despesas de competição (hotel, viagem, logística) | 15% |
| Despesas gerais (seguros, jurídico, mídia, hospitalidade) | 6% |
| Veículos | 3% |
| Outras despesas | 3% |
Fonte: UCI, seminário do WorldTour de dezembro de 2025, via Cycling Weekly.
Salários dos ciclistas
Cada equipe pode ter até 30 ciclistas. Entre os autônomos, que são 57% do pelotão masculino do WorldTour, o salário médio é de 654 mil euros por ano e a mediana, de 350 mil euros, segundo a UCI. A diferença entre os dois números mostra o peso das estrelas: Pogacar, Vingegaard, Remco Evenepoel e Mathieu van der Poel puxam a média para cima.
Agentes ouvidos pela Cycling Weekly calculam que, entre os 1.182 profissionais das duas primeiras divisões (homens e mulheres), só 60 a 70 ganham mais de 1 milhão de euros por ano. A faixa salarial completa está no guia sobre quanto ganha um ciclista profissional, e os nomes que lideram a folha estão no ranking dos ciclistas mais bem pagos do mundo.
Staff: a folha que mais cresce
As 20 equipes do cálculo da UCI empregam 1.312 pessoas além dos ciclistas, média de 65 por time. Nas superequipes, que também mantêm time feminino e de desenvolvimento, o quadro passa de 170: diretores, mecânicos, médicos, nutricionistas, treinadores e aerodinamicistas. Em 2024, os salários do staff somaram 71,5 milhões de euros, quase 4 milhões por equipe.
Viagem, hotel e o “pagar para correr”
Os organizadores pagam alguns milhares de euros por dia de prova e cobrem os quartos dos ciclistas e de parte do staff. O que passa disso sai do caixa do time. No Tour de 2025, a Ineos levou 8 ciclistas e 32 pessoas de apoio, e há equipes que gastam cerca de 100 mil euros por ano só com quartos extras durante a prova francesa, segundo o Cyclingnews.
“Só encher o tanque de um ônibus custa uma fortuna”, disse à Cycling Weekly o australiano Brent Copeland, gerente da Jayco AlUla e presidente da associação das equipes, a AIGCP.

Bicicletas, túnel de vento e altitude
Bicicleta, peças, roupa e carro costumam chegar de graça, como parte dos contratos de patrocínio. Mesmo assim, as equipes gastaram em média 2 milhões de euros com equipamento em 2024, e algumas chegaram perto de 5 milhões, incluindo testes de aerodinâmica e túnel de vento.
Os times grandes gastam em média 400 mil euros por ano com campos de treinamento em altitude, segundo fonte ouvida pelo Cyclingnews. E cada equipe masculina paga à UCI uma taxa anual de 100,5 mil euros, mais 215 mil euros para o programa antidoping.
Raio X: as contas da Visma-Lease a Bike
Um dos raros balanços abertos do pelotão é o da empresa que administra a Visma-Lease a Bike. As contas de 2024, analisadas pelo site Money in Sport e repercutidas pelo Cyclingnews, mostram receita de 52 milhões de euros e prejuízo de 6,1 milhões, que segundo a equipe inclui investimentos e amortizações.
| Visma-Lease a Bike em 2024 | Valor |
|---|---|
| Receita total | 52 milhões de euros |
| Patrocínio em dinheiro | 37,3 milhões de euros (72% da receita) |
| Patrocínio em produtos e serviços | 9,6 milhões de euros |
| Marketing e torcida (camisas, produtos) | 1,8 milhão de euros |
| Taxas de participação em provas | 800 mil euros |
| Custos operacionais | 58,7 milhões de euros |
| Folha de pessoal | 32,9 milhões de euros |
| Corridas e campos de treinamento | 2,6 milhões de euros |
Fonte: Money in Sport, via Cyclingnews.
Somados dinheiro e produtos, os patrocinadores responderam por cerca de 90% da receita. A venda de camisas, pilar no futebol, rendeu menos de 4%. Por isso a troca de um patrocinador principal mexe com o time inteiro, como mostrou a matéria sobre a Visma-Lease a Bike sem patrocinador para 2027.
Quem paga a conta: patrocinador, dono e Estado
O patrocinador continua no centro: a consulta da UCI de 2026 concluiu que as equipes dependem de um patrocinador principal e de secundários para mais de 90% do orçamento. O que mudou foi o tipo de dinheiro que entra.
O patrocinador virou dono. A Red Bull comprou 51% da Bora-hansgrohe em 2024. A Lidl assumiu o controle da Lidl-Trek em outubro de 2025, com a Trek como sócia. A Decathlon passou a ser dona única do antigo time da AG2R em 2026 e anunciou um orçamento de cerca de 40 milhões de euros por ano. Para o agente Alex Carera, que representa Pogacar, a decisão das três marcas de virar dona de equipe “é sinal da boa saúde do ciclismo”.

O Estado entrou no pelotão. A UAE é patrocinada pelo governo dos Emirados Árabes Unidos e, desde 2025, tem a XRG como copatrocinadora principal num acordo inicial de seis anos. A XRG pertence 100% à ADNOC, a petroleira estatal de Abu Dhabi.
O bilionário segue no jogo. A Ineos, de Jim Ratcliffe, dividiu o nome pela primeira vez e trouxe a dinamarquesa Netcompany como patrocinadora principal, num contrato de cinco anos que a imprensa estima em 100 milhões de euros, valor não confirmado pelas partes.
Por que as marcas pagam? Pela exposição. Jonathan Vaughters, diretor executivo da EF Education-EasyPost, divulgou que a equipe gerou 98 milhões de euros em valor de mídia em 2025, segundo a Nielsen, ano em que o irlandês Ben Healy venceu uma etapa do Tour e vestiu a amarela por dois dias.
Por que o modelo de negócio do ciclismo é frágil
O ciclismo depende de uma única fonte de receita. Não há ingresso, porque o torcedor vê a prova de graça na rua, e os direitos de TV das grandes voltas pertencem aos organizadores, como a ASO, dona do Tour, e não às equipes.
O prêmio também não paga a conta. A UAE foi a equipe que mais faturou no Tour de France de 2026: 832.750 euros, mais de um terço de um bolo de cerca de 2,3 milhões, segundo o Cyclingnews. Diante de um orçamento de 50 milhões, é menos de 2% do custo anual. O guia sobre quanto ganha o vencedor do Tour de France mostra a divisão completa.
“Existem duas economias diferentes no ciclismo profissional”, disse Richard Plugge, da Visma-Lease a Bike, ao Cyclingnews. “Não temos nada a ver com a economia dos organizadores, e os organizadores não têm nada a ver com a nossa.”
O resultado aparece no mercado de 2026. Em julho, um dirigente disse ao Cyclingnews que pelo menos dez equipes do Tour procuravam um novo patrocinador principal e que três corriam risco de fechar no fim da temporada. A Quick-Step deixa o posto principal da Soudal Quick-Step depois de 24 anos, e o time vira Soudal Safety Jogger em 2027. O empresário Gerry Ryan vai encerrar o financiamento da Jayco AlUla depois de 2027. A licença da Picnic PostNL para 2027 depende de garantias de patrocinadores.
“Dez anos atrás, se uma empresa patrocinasse um time com 25 milhões de dólares e perguntasse se dava para ganhar o Tour, a resposta seria ‘sim’. Hoje é ‘não exatamente'”, resumiu ao Cyclingnews um dirigente que pediu anonimato.
Teto orçamentário, One Cycling e a reforma da UCI
Não existe teto de gastos no ciclismo, e a discussão está aberta. A UCI chegou a aprovar, em princípio, um limite de orçamento para o WorldTour a partir de 2026, mas a medida não saiu do papel. Segundo o presidente da entidade, David Lappartient, as equipes votaram contra porque queriam uma reforma mais ampla.
Christian Prudhomme, diretor do Tour de France, se declarou a favor em entrevista ao The Athletic, em julho. “Nós somos claramente favoráveis”, disse. “Hoje, as três ou quatro equipes mais ricas levam todos os melhores jovens ciclistas.” Sobre a UAE, foi direto: “Eles têm meios para comprar os melhores ciclistas todos os anos. Então é preciso reequilibrar isso.”
Copeland também defende o teto. Carera pensa o oposto: “Teto orçamentário é coisa de perdedor”, disse ao Cyclingnews.
Antes, houve a tentativa de mudar a receita. O One Cycling, projeto liderado por Plugge com outras equipes e organizadores, propunha uma liga com direitos de transmissão compartilhados e dinheiro ligado ao fundo soberano saudita. Em junho de 2025, a UCI barrou o projeto, que considerou “incompatível com a governança e o quadro regulatório da UCI”.
Em fevereiro de 2026, a UCI abriu uma consulta sobre o futuro do ciclismo de estrada. O resumo, divulgado depois da reunião do Comitê Diretor em Montreal, em setembro, registra que a maioria das 55 contribuições defendeu um mecanismo de equilíbrio financeiro, como um teto orçamentário, sem consenso sobre o formato. As primeiras orientações serão apresentadas no seminário do WorldTour em Benidorm, na Espanha, em 9 e 10 de dezembro. As primeiras medidas podem valer a partir da temporada de 2029.
O que o custo de uma equipe do WorldTour ensina sobre alta performance
A tabela de despesas mostra onde a performance é construída: quase três quartos do orçamento vão para pessoas, o ciclista e os profissionais que planejam a nutrição, medem a aerodinâmica e dirigem o carro de apoio. O título de Pogacar é individual na foto do pódio e coletivo na planilha.
É o que a Atleta Pro Academy ensina quando diz que o ambiente é o diferencial. O amador não tem 80 pessoas em volta, mas pode escolher com quem treina, com quem aprende e quem cobra o processo. Ninguém precisa fazer esse caminho sozinho.
A outra lição está na receita. Nem a equipe mais rica do mundo vive de prêmio: o Tour que a UAE venceu pagou menos de 2% do orçamento dela. O dinheiro vem de quem enxerga valor de marca. Para o atleta que busca o primeiro apoio, vale o princípio de que o atleta é uma empresa: saber quanto custa a própria temporada e o que entrega ao patrocinador. O passo a passo está no guia sobre como conseguir patrocínio esportivo.
Perguntas frequentes sobre quanto custa uma equipe de ciclismo
Quanto custa uma equipe de ciclismo do WorldTour?
Em 2026, a média é de 33,1 milhões de euros por temporada, com mediana de 28 milhões, segundo dados da UCI publicados pela La Gazzetta dello Sport. As maiores operam perto de 50 milhões, e as menores, abaixo de 25 milhões.
Qual é a equipe de ciclismo mais rica do mundo?
A UAE Team Emirates XRG, de Tadej Pogacar, com orçamento estimado entre 50 e 60 milhões de euros por ano. Em 2024, o time gastou 27,3 milhões de euros só com salários, o maior valor do pelotão.
Quem patrocina a UAE Team Emirates XRG?
O governo dos Emirados Árabes Unidos, a companhia aérea Emirates e a XRG, empresa de investimentos 100% controlada pela petroleira estatal ADNOC, que virou copatrocinadora principal em 2025 num acordo inicial de seis anos.
De onde vem o dinheiro das equipes de ciclismo?
Quase todo de patrocínio: 87% da receita das equipes do WorldTour. Não há bilheteria, a TV fica com os organizadores e o Tour de France de 2026 distribuiu só cerca de 2,3 milhões de euros em prêmios.
Existe teto de gastos no ciclismo profissional?
Não. A UCI chegou a aprovar a ideia em princípio para 2026, mas ela não foi implantada. A consulta de 2026 da entidade recomendou um mecanismo de equilíbrio financeiro, e as primeiras medidas podem começar em 2029.
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