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Nadal volta em Las Vegas em 2027 e não descarta exibição com Federer

Rafael Nadal de boné branco e camiseta branca prepara um forehand durante treino em Wimbledon, diante de uma parede verde

Rafael Nadal passou quase dois anos praticamente sem tocar numa raquete. Agora tem data marcada para voltar a jogar diante de uma arena cheia: domingo, 28 de fevereiro de 2027, no T-Mobile Arena, em Las Vegas. E, numa entrevista à Associated Press publicada nesta semana, o espanhol de 40 anos deixou no ar a pergunta que todo fã de tênis faz desde 2022: haverá um último encontro com Roger Federer?

A resposta, por enquanto, é um “talvez” com muita cautela. “Estou aberto a essa possibilidade e tive longas conversas com Roger”, disse Nadal à AP, antes de completar: “Mas eu ainda não sei.” O que está confirmado é só Las Vegas, e mesmo lá o adversário ainda não foi anunciado.

O que já está confirmado para 28 de fevereiro

A volta foi anunciada na segunda-feira, 26 de outubro, em comunicado da MGM Resorts e em vídeo publicado pelo próprio Nadal nas redes sociais. Ele será a atração principal do The MGM Slam Presented by Capital One, exibição que chega à quarta edição seguida e acontece poucos dias antes do Masters 1000 de Indian Wells, na Califórnia.

Será a primeira vez que Nadal joga nos Estados Unidos desde que deixou o circuito, em novembro de 2024. Os ingressos entraram em pré-venda em 27 de outubro e abriram ao público na sexta-feira, 30. Segundo os organizadores, os demais jogadores, o formato do evento e a emissora serão anunciados “nas próximas semanas”.

O próprio Nadal deu uma pista sobre o tipo de rival que espera. “Voltar a jogar no T-Mobile Arena, contra um dos melhores jogadores da atualidade, é uma bela oportunidade para aproveitar o tênis e retribuir um pouco aos torcedores que me apoiaram durante tantos anos”, afirmou no comunicado. Nenhum nome, porém, foi divulgado até esta quinta-feira (5).

Fachada do T-Mobile Arena, ginásio de 20 mil lugares na Strip de Las Vegas, sob céu azul
O T-Mobile Arena, em Las Vegas, recebe o The MGM Slam em 28 de fevereiro de 2027. Foto: Prayitno, via Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Uma cirurgia na mão e “quase zero” de tênis

A entrevista à AP, feita por vídeo da casa dele em Mallorca, trouxe a informação mais nova da história: Nadal operou a mão direita há quase um ano, para tratar dor e recuperar mobilidade. “Durante quatro meses não pude fazer muita coisa”, contou.

Depois da aposentadoria, ele jogou “quase zero” de tênis. Só voltou a pegar na raquete há cerca de um mês, numa exibição com Andy Murray e outros convidados para marcar os dez anos da Rafa Nadal Academy, em Manacor. O balanço que ele faz da forma física é honesto: “Ainda estou batendo bem na bola, para ser sincero. A movimentação é outra história.”

Nadal também admitiu que não estava animado quando recebeu o convite de Las Vegas. Mudou de ideia por um motivo que diz muito sobre ele: “De certa forma, isso vira uma obrigação para eu voltar a treinar, a fazer as minhas coisas.”

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Federer: conversa toda semana, mas nada decidido

Perguntado se o próximo passo pode ser uma exibição com o ex-rival, Nadal não fechou a porta, mas também não confirmou nada. “Vamos ver o que acontece no futuro, se surge alguma coisa ou não. Estamos em contato praticamente todas as semanas. Conversamos com muita frequência e, se em algum momento encontrarmos o motivo certo e o lugar certo para fazer algo juntos, vocês vão saber. Mas eu ainda não sei.”

Ou seja: não há jogo marcado, data, local nem negociação anunciada entre os dois. O que existe é a disposição de Nadal e uma amizade que sobreviveu à rivalidade mais famosa do tênis moderno. Em 40 confrontos oficiais, Nadal venceu 24 e Federer, 16. A última partida oficial com os dois em quadra foi lado a lado, como parceiros de duplas, na despedida do suíço, na Laver Cup de 2022, em Londres.

Federer, de 45 anos, também segue aparecendo em ocasiões especiais. Jogou uma exibição no US Open deste ano e confirmou que vem a São Paulo em dezembro para bater bola com João Fonseca no On Clubhouse Nights, sua primeira visita ao Brasil em 14 anos.

Sobre o que conversam, Nadal brincou antes de responder a sério. “A gente acha que éramos muito, muito melhores”, disse, rindo, quando perguntado se os dois se comparam com Carlos Alcaraz, Jannik Sinner e Alexander Zverev. “Não, falamos de outras coisas. De golfe, de esporte, trocamos ideias. Uma relação normal.” E um grupo do “Big 3” com Novak Djokovic? “Não temos grupo nenhum. O Novak ainda está competindo.” O sérvio, aos 39 anos, acaba de ficar fora do ATP Finals depois de cair em Paris.

Rafael Nadal saca e Roger Federer espera do outro lado da quadra de grama na final de Wimbledon de 2006
Nadal saca contra Federer na final de Wimbledon de 2006: em 40 confrontos oficiais, o espanhol venceu 24. Foto: Georgio, via Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Por que Las Vegas: o palco do último duelo com Alcaraz

O T-Mobile Arena, com capacidade para 20 mil pessoas na Strip de Las Vegas, não é território novo para Nadal. Em março de 2024, na sua última temporada como profissional, ele perdeu para Carlos Alcaraz por 3/6, 6/4 e 14/12 no match tiebreak, numa exibição transmitida pela Netflix com ingressos esgotados.

“Lembro como foi impressionante sentir a energia de uma arena lotada numa cidade como Las Vegas”, disse Nadal ao anunciar a volta. “Agora volto em outra fase da minha vida, sem a pressão do circuito, mas com a mesma paixão por este esporte. Sempre adorei competir e, mesmo com a minha carreira profissional encerrada, esse sentimento nunca vai embora de verdade.”

O evento mudou de cara desde então. Em 2026, oito jogadores disputaram o título num formato de tiebreak de 10 pontos, com Taylor Fritz entre os participantes. O campeão foi o brasileiro João Fonseca, que venceu o americano Reilly Opelka na final.

A vida de Nadal depois do circuito

Aposentado desde a Copa Davis de 2024, em Málaga, onde perdeu para o holandês Botic van de Zandschulp na última partida da carreira, Nadal encerrou a trajetória com 22 títulos de Grand Slam, 14 deles em Roland Garros, e 92 títulos de simples. Hoje divide o tempo entre negócios, a fundação, a academia e os dois filhos pequenos.

Ele contou à AP que, quando está em casa, leva as crianças à escola às 8h30, vai à academia, passa a manhã no escritório e as busca às 15h30. A Rafa Nadal Academy, que segundo ele emprega até 700 pessoas, comemorou neste ano seis jogadores entre os 100 melhores do mundo, entre eles Alex Eala e Casper Ruud.

Virar treinador no circuito, como Andy Murray fez com Djokovic? “Nunca diga nunca, mas não agora”, respondeu. “Tenho dois filhos pequenos e não posso me comprometer a ficar em tempo integral com um jogador.” A volta a Las Vegas, garante, também não é para os filhos verem o pai jogar: “Quase tudo o que eu faço, faço por eles. Mas isso eu faço só por mim, porque quero aproveitar a preparação e depois a sensação de voltar a jogar tênis diante de um bom público.”

Rafael Nadal de smoking segura o troféu do Laureus ao lado da esposa, Mery Perelló, em Madri
Nadal e Mery Perelló recebem o Laureus Sport for Good pela Fundação Rafa Nadal, em abril de 2024. Foto: Barcex, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O que isso ensina sobre alta performance

A frase mais útil da entrevista não é sobre Federer. É sobre o corpo. “Preciso ir passo a passo, porque, se quero evitar lesões, um corpo velho exige tempo e paciência”, disse Nadal. Vale para o ex-número 1 do mundo voltando aos 40 anos e vale para qualquer atleta amador que retoma o treino depois de meses parado: o retorno se planeja em semanas, não em dias.

A segunda lição é sobre compromisso. Nadal aceitou Las Vegas justamente porque a data o obrigaria a treinar. Uma meta com dia marcado, seja uma exibição, uma prova de 10 km ou uma maratona, é uma das ferramentas mais simples para tirar o treino do papel.

A terceira vem de quem pagou o preço físico de uma carreira inteira. Nadal disse à AP que o tênis joga a maior parte do tempo em superfícies “agressivas para o corpo e para as articulações” e defendeu um ranking calculado sobre dois anos de resultados, para que o jogador lesionado tenha mais tempo de se recuperar sem despencar na classificação. Para quem treina, a mensagem é a mesma: recuperação também é parte do plano, não um intervalo entre os treinos.

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