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Piu está de volta: sete anos depois, o dono das barreiras pisa em casa com a mente blindada

Alison dos Santos, o Piu, sorri na pista do estádio de Estocolmo após prova da Diamond League

Guarda essa data: 23 de julho. O Ibirapuera reformado abre as portas do Troféu Brasil e Alison dos Santos, o Piu, entra em pista nacional pela PRIMEIRA VEZ EM SETE ANOS. Campeão mundial. Dois pódios olímpicos. Vice-líder do ranking do planeta. E faltando na estante justamente o ouro de casa. Ele voltou pra buscar o que nunca teve. E voltou com a arma mais perigosa que um atleta pode carregar: a cabeça no lugar.

Antes do hype, a verdade, porque é ela que dá peso ao resto. Piu não caiu de paraquedas no topo. Bebê, sofreu queimaduras de óleo quente que marcaram a cabeça, o braço e o peito. Cresceu tímido, escondendo as cicatrizes. Em 2023, no auge, o joelho travou num alongamento, veio cirurgia, veio um quinto lugar sem ritmo no Mundial. Ele viu o abismo de perto. E escolheu subir. É disso que a gente vai falar.

1. A FRASE QUE VIROU O JOGO

Depois da cirurgia, Piu e o treinador Felipe de Siqueira mudaram UMA pergunta. Saiu o “quanto eu treinei”. Entrou o “quão bem eu estava com a minha cabeça”. Parece pouco? É tudo. Quem aposta só no corpo desaba quando o corpo falha. Quem domina a própria cabeça tem sempre uma carta na mão, mesmo no pior dia. Foi essa virada que colocou Piu de volta no pódio de Paris 2024 e na prata do Mundial de Tóquio em 2025. Não foi sorte. Foi decisão mental.

2. ELE NÃO REAGE À BARREIRA. ELE JÁ CHEGA SABENDO.

400 com barreiras não é só correr rápido, é DECIDIR rápido. Dez obstáculos, cada passada contando, cada gota de energia no lugar certo. Piu não improvisa no susto: ele conhece a pista, planeja fase por fase e guarda a leitura pro momento exato. Isso é frieza executiva de campeão. Enquanto o adversário reage no desespero, Piu já sabe o próximo passo. É a diferença entre correr assustado e correr no comando. GRAVA ISSO: pressão não some, ela se organiza.

Alison dos Santos, o Piu, disputa os 400 metros com barreiras na Diamond League de Oslo em 2026
Os 400m com barreiras, a prova de dez obstáculos onde cada passada é uma decisão. Foto: Ssu / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

3. DA VERGONHA AO CABELO COLORIDO

O menino que escondia a cicatriz virou o cara do cabelo colorido, do sorriso largo, do bom humor que contagia a pista inteira. Isso não é só personalidade, é combustível. Enquanto você gasta energia escondendo algo de si, sobra menos pra competir. No dia em que Piu abraçou o próprio corpo, a marca deixou de ser peso e virou identidade. E atleta que não briga consigo mesmo entra em pista com o TANQUE CHEIO. A leveza dele é uma arma. Não se engane.

Alison dos Santos sorri com a bandeira do Brasil nas costas após prova dos 400 metros com barreiras
O sorriso largo que virou marca registrada do Piu. Foto: Rodolfo Vilela / Wikimedia Commons, CC BY 3.0 br

4. ELE NÃO FOGE DA QUEDA. ELE LÊ A QUEDA.

2023 foi o teste de fogo. Lesão, cirurgia, retorno apressado, quinto lugar. Muita gente teria decretado o fim. Piu tratou como DADO, não como sentença. Nada de forçar comparação com o corpo de antes, ele e a equipe decidiram “fazer as coisas como devem ser feitas”, reconstruir do jeito certo, com o psicológico no centro do plano. E a temporada seguinte respondeu. A regra é essa: derrota lida como informação vira degrau. Derrota lida como veredito vira buraco. Ele escolheu o degrau.

Alison dos Santos olha para o alto emocionado, com a bandeira do Brasil sobre os ombros
Derrota lida como informação vira degrau. Foto: Rodolfo Vilela / Wikimedia Commons, CC BY 3.0 br

5. DE ONDE VEM ESSE MONSTRO MENTAL

Nada disso caiu do céu. Piu saiu de um projeto social em São Joaquim da Barra, interior de São Paulo, garimpado pela técnica Ana Cláudia Fidélis. Desde 2017 é lapidado por Felipe de Siqueira, treinando entre o Pinheiros e o National Training Center, em Clermont, na Flórida. A rotina de elite inclui disputar provas menores antes dos grandes palcos pra chegar com ritmo, exatamente o que faltou no ano da lesão. Talento abriu a porta. ESTRUTURA e cabeça mantiveram ele no topo, medalha após medalha.

O QUE VEM NO TROFÉU BRASIL

Favorito. Vice-líder do mundo. Em casa. Atrás de um ouro nacional que nunca foi dele. O roteiro é dos sonhos, e a pressão também é real: competição em casa, dupla sessão por dia, o peso de sete anos de espera. Barreira é prova de detalhe e ninguém crava resultado. Mas se existe um atleta cuja vantagem está TANTO na cabeça quanto nas pernas, o nome dele é Piu. Liga a transmissão e não olha só o cronômetro: olha como um cara que já reconstruiu a própria mente depois de uma lesão vai administrar o peso de ser o nome a ser batido. Vai valer a pena.

Leia também: Batista Haddad: aos 46 anos, o tenente que leva o martelo do Brasil ao mundo e Só os covardes não quebram: a regra de Melki Messias na maratona.

Perguntas frequentes

Há quanto tempo Alison dos Santos não competia no Brasil?

Sete anos. O Troféu Brasil de 2026, no Ibirapuera reformado, marca a volta do Piu a uma pista nacional. Ele chega como campeão mundial, dono de dois pódios olímpicos e vice-líder do ranking mundial, atrás justamente do ouro de casa, o único que falta na estante dele.

Quais são os principais títulos do Piu?

Alison dos Santos é campeão mundial e soma dois pódios olímpicos. Nos anos mais recentes, voltou ao pódio em Paris 2024 e ficou com a prata no Mundial de Tóquio em 2025. Hoje é o vice-líder do ranking mundial dos 400m com barreiras.

O que mudou na cabeça do Piu depois da lesão de 2023?

Ele e o treinador Felipe de Siqueira trocaram uma pergunta. Saiu o “quanto eu treinei” e entrou o “quão bem eu estava com a minha cabeça”. Quem aposta só no corpo desaba quando o corpo falha; quem domina a própria cabeça tem sempre uma carta na mão, mesmo no pior dia.

O que aconteceu com Alison dos Santos em 2023?

No auge da carreira, o joelho travou num alongamento. Veio a cirurgia e, depois dela, um retorno apressado que terminou em quinto lugar, sem ritmo, no Mundial. Em vez de tratar o episódio como sentença, ele e a equipe optaram por reconstruir do jeito certo, com o psicológico no centro do plano.

Quem descobriu e quem treina o Piu?

Ele saiu de um projeto social em São Joaquim da Barra, no interior de São Paulo, garimpado pela técnica Ana Cláudia Fidélis. Desde 2017 é lapidado por Felipe de Siqueira, treinando entre o Pinheiros e o National Training Center, em Clermont, na Flórida.

Por que Alison dos Santos tem cicatrizes?

Ainda bebê, sofreu queimaduras de óleo quente que marcaram a cabeça, o braço e o peito. Cresceu tímido, escondendo as cicatrizes. O menino que se escondia virou o cara do cabelo colorido e do sorriso largo, e a marca deixou de ser peso para virar identidade.

Por Nicholas Pasqualetto, Treinador Mental de Atletas.

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