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Milton Petry: as duas mãos quebradas no motocross e a virada da Enzo Milano com IA

Milton Petry, fundador da Enzo Milano, no No Topo Podcast com Nicholas Pasqualetto e Diogo Moraes

A primeira pergunta do episódio foi uma provocação: o que dói mais, um tombo no motocross ou continuar empreendendo sem inovar? Milton Petry riu, disse que são dores diferentes e respondeu que as duas doem muito. Ele tinha autoridade para comparar. No tombo mais recente, quebrou as duas mãos, o cotovelo e uma costela.

Aos 45 anos, Petry é fundador da Enzo Milano, marca de moda masculina criada em 2011 no Rio Grande do Sul e hoje presente em mais de 500 pontos de venda multimarcas pelo país, segundo o que ele confirmou no episódio. É também piloto amador de motocross, esporte que pratica desde que percebeu que nenhum outro tinha dado certo para ele.

O esporte que sobrou

A entrada de Petry no motocross não teve nada de vocação precoce. Ele conta que, morando na Itália aos 16 anos para fazer cursos técnicos de tecelagem, jogava futebol com os engenheiros da fábrica e da Lamborghini, que ficava do outro lado da rua. Era o único brasileiro do grupo, e o grupo esperava algo dele.

“De brasileiro é um perna de pau. Por isso é de moto, porque os outros esportes nunca deram certo para mim.”

O que era piada virou a única modalidade que ficou. Décadas depois, o motocross atravessa a família inteira. O nome da filha mais velha, Vitória, nasceu de uma referência ao esporte. A esposa também competiu e hoje joga beach tennis. A filha mais nova, de 12 anos, treina de quatro a cinco vezes por semana e é, pelo relato do pai, a número um do ranking gaúcho da modalidade.

A conta que o motocross cobra

Duas mãos, um cotovelo e uma costela em uma queda só não é exceção estatística. É a assinatura do esporte.

Um levantamento conduzido pelo fisioterapeuta Roberth Amorim de Oliveira, docente do Centro Universitário de Viçosa, mapeou 313 lesões em 93 pilotos de motocross de Minas Gerais das categorias MX1, MX2, MX4 e MX5. O ombro apareceu em primeiro lugar, com 83 ocorrências (27%). O punho veio na sequência, com 43 (14%), seguido de tornozelo e pé, com 36 (12%), e joelho, com 18 (6%).

A concentração em membro superior tem explicação mecânica simples: numa queda em velocidade, a mão é o primeiro ponto de contato com o solo, e o piloto ainda está preso ao guidão. É por isso que fratura de punho e de metacarpo é rotina em pista, e por isso que a recuperação costuma ser longa em um esporte que depende inteiramente da preensão.

Foto: Milton Petry

125 contra 450

A parte mais interessante do episódio é que Petry não usa o motocross como decoração biográfica. Ele usa como modelo explicativo. Quando o assunto virou a adoção de inteligência artificial nas empresas, a primeira imagem que ele buscou foi a da largada.

“É que nem motocross. O cara está de 125, o cara está de 450, já vai largar na frente, vai embora.”

A comparação é literal no esporte. As categorias do motocross são separadas por cilindrada justamente porque a diferença de entrega de potência define quem chega antes na primeira curva. Uma 450 de quatro tempos entrega torque mais alto e mais progressivo, com centro de gravidade baixo e tração muito superior. Uma 125 de dois tempos é leve e arisca, mas exige que o piloto trabalhe muito mais para manter a moto na faixa útil de giro. Em uma largada lado a lado, na mesma pista e com pilotos de nível parecido, não é uma disputa.

O ponto dele é que a empresa que ainda não usa IA está na 125, e não sabe. E que a distância não se recupera na perícia do piloto.

Os dois segundos da curva

A segunda analogia foi mais fina. Petry descreveu o piloto que junta dinheiro, viaja para os Estados Unidos, passa um mês fazendo aula e volta com uma técnica nova para fazer uma curva específica. O ganho é de dois segundos por volta.

Dois segundos parecem pouco. No motocross, tiram o piloto de quarto ou quinto e colocam em primeiro. É o retorno de um mês de investimento e viagem.

“A IA não. A IA é uma ferramenta em que você desenvolveu uma coisa e ganhou 5 segundos.”

O argumento que ele constrói a partir daí é sobre custo de aquisição de vantagem. No esporte, ganhar tempo exige deslocamento, treinador, temporada. Na operação de uma empresa, segundo ele, o mesmo salto de posição saiu de algumas semanas mexendo em ferramenta.

O Brasileiro que ensina mais que o pódio

O trecho mais direto sobre esporte no episódio não é sobre ele. É sobre a filha.

Petry levou a caçula para uma etapa de um Brasileiro de beach tennis em Vitória, no Espírito Santo. Foram quatro dias de competição, entre chaves de feminino e misto. Ela não venceu um jogo sequer.

“Eu acho que para ela foi o maior aprendizado da vida dela. Eu já sabia o que ela ia aprender.”

Ele sabia porque tinha passado pelo mesmo. Já disputou Brasileiro de motocross e já ficou para trás, e descreveu a sensação com precisão de quem viveu: o piloto acredita que está rápido, entra na reta confiante, começa a frear no ponto que sempre usou, e alguém passa por fora ainda acelerando. O aprendizado não é sobre esforço. É sobre referência.

De volta ao Rio Grande do Sul, segundo o relato do pai, a filha não perdeu mais nenhum jogo, e passou a vencer por placares como 6/1 e 6/2. É o argumento clássico da alta performance, contado sem verniz motivacional: perder para quem é melhor recalibra o parâmetro do que é ser rápido.

A marca que apoia atleta, e o atleta que devolve

A Enzo Milano tem ligação declarada com esporte. A marca apoiou a inauguração da Arena Attack Fight 40, no Rio Grande do Sul, e patrocina atletas de luta, automobilismo e beach tennis, conforme citado no episódio.

Mas o raciocínio mais interessante de Petry sobre patrocínio esportivo veio do lado do consumidor, não do patrocinador. Ele contou que passou a comprar equipamento de uma marca específica de motocross depois de saber que ela apoiava Enzo Lopes.

“A empresa que apoia atletas tem que ser vista por atletas. Um atleta, o mínimo que ele tem que fazer é olhar e dizer: essa empresa apoia atleta, vou comprar dessa empresa.”

Lopes é a referência gaúcha da modalidade. Heptacampeão brasileiro em categorias de base, mudou-se para os Estados Unidos em 2015 e competiu no AMA até 2024, onde acumulou três resultados entre os cinco primeiros na categoria 250 do Supercross, a melhor marca de um brasileiro na competição. Para 2026, está registrado com o número 68 no AMA Supercross e no AMA Pro Motocross, além de ter acertado com a MCR Honda Racing para o Mundial de Supercross da FIM.

O que ele fez com IA na prática

Petry entrou na AplicaAI há poucos meses e o episódio inteiro gira em torno do que ele construiu desde então. A ferramenta que ele apontou como a de maior retorno é um CRM próprio, feito para disparar campanhas de WhatsApp para a base de clientes das lojas.

Os números que ele mostrou na tela durante a gravação: cerca de R$ 52 mil em faturamento atribuído, 47 conversões e 3.750 mensagens disparadas. Antes disso, segundo ele, pagava R$ 500 por mês por loja para uma ferramenta de mercado que travava e sofria restrição de envio. São cinco lojas.

Ele citou ainda outras frentes já em operação: gestão de anúncios pagos feita por ele mesmo com apoio de IA, automação semanal de postagens no Google Meu Negócio e uma campanha de moda produzida integralmente com imagem gerada, sem locação, sem carro e sem modelo contratado. Nenhum desses números tem verificação independente. São declarações do próprio empresário, feitas no episódio.

Perguntado sobre o que significa chegar ao topo, ele voltou para a pista.

“Eu gosto de curtir um treino. Claro que vou para melhorar, mas vou para curtir aquilo ali. Fazer um curvão, pular, fazer um triplo. Chegar no topo é consequência do processo.”

O triplo que ele cita é o obstáculo de três montes seguidos que o piloto tenta vencer em um salto só, um dos gestos técnicos mais arriscados do motocross e um dos que mais separam quem treina de quem compete. É provavelmente também um dos motivos pelos quais ele terminou a última temporada com as duas mãos engessadas.

Milton Petry, Nicholas Pasqualetto e Diogo Moraes durante gravação do No Topo Podcast
Milton Petry (centro) com Nicholas Pasqualetto e Diogo Moraes. Foto: Reprodução / No Topo Podcast

Perguntas frequentes

Quem é Milton Petry?

Milton Petry, 45 anos, é o fundador da Enzo Milano, marca de moda masculina criada em 2011 no Rio Grande do Sul. Também é piloto amador de motocross e começou a trabalhar na indústria têxtil da família ainda criança, indo para a Itália aos 16 anos para se especializar em tecelagem.

Que lesões Milton Petry sofreu no motocross?

No episódio do No Topo Podcast, ele contou que no tombo mais recente quebrou as duas mãos, o cotovelo e uma costela.

Quais são as lesões mais comuns no motocross?

Segundo levantamento com 93 pilotos das categorias MX1, MX2, MX4 e MX5 conduzido pelo Centro Universitário de Viçosa, o ombro concentra 27% das lesões, seguido do punho com 14%, tornozelo e pé com 12% e joelho com 6%.

Qual a diferença entre uma moto 125 e uma 450 no motocross?

A 450 de quatro tempos entrega mais torque, tem centro de gravidade mais baixo e tração superior, o que facilita a saída de curva e a largada. A 125 de dois tempos é mais leve e reativa, mas exige muito mais do piloto para manter o motor na faixa útil de giro.

Onde assistir ao episódio de Milton Petry no No Topo Podcast?

O episódio completo está no canal do No Topo Podcast no YouTube, apresentado por Nicholas Pasqualetto e Diogo Moraes.

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Foto de Diogo Moraes
Diogo Moraes

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