ARTIGOS E NOTÍCIAS ATLETA PRO

Gui Santos vai ganhar mais que LeBron James na NBA em 2026/27

Gui Santos comemora cesta com a camisa 15 do Golden State Warriors

O brasileiro Gui Santos vai receber mais dinheiro do que LeBron James na temporada 2026/27 da NBA. O ala do Golden State Warriors tem salário garantido de US$ 4.629.630, cerca de R$ 23,5 milhões pelo câmbio desta sexta-feira. LeBron, que trocou o Los Angeles Lakers pelo Philadelphia 76ers, vai receber US$ 3.876.529, aproximadamente R$ 19,7 milhões.

A diferença de US$ 753 mil entre os dois não veio de uma explosão do brasileiro no mercado. Veio de uma decisão do próprio LeBron. Aos 41 anos, o maior pontuador da história da liga aceitou o contrato mínimo para veteranos e assinou o maior corte salarial já registrado na NBA.

Os salários de Gui Santos e LeBron James lado a lado

JogadorTimeSalário em 2026/27Contrato atual
Gui SantosGolden State WarriorsUS$ 4.629.6303 anos, US$ 15 milhões
LeBron JamesPhiladelphia 76ersUS$ 3.876.5292 anos, US$ 7,95 milhões

Os valores são os salários-base registrados no Spotrac, site que audita os contratos da liga. A conversão para real usa o dólar a R$ 5,07, cotação do dia 31 de julho de 2026, e serve apenas como referência: o pagamento é feito em dólar ao longo da temporada.

Gui Santos em entrevista coletiva no centro de treinamento do Golden State Warriors
Gui Santos assinou em fevereiro a extensão de três anos e US$ 15 milhões com o Golden State.

O maior corte salarial da história da NBA

LeBron ganhou US$ 52,63 milhões na temporada 2025/26, quando exerceu a opção de permanecer no Lakers para a 23ª temporada dele na liga. Ao assinar com o Philadelphia, passou a receber US$ 3,88 milhões. A queda de US$ 48,75 milhões é a maior já vista na NBA e tirou o recorde de Russell Westbrook, que havia aberto mão de US$ 43,2 milhões.

O contrato tem dois anos e US$ 7.946.884 no total. Para 2027/28 estão previstos US$ 4.070.355, com opção de saída do jogador antes da segunda temporada. Se exercer, LeBron chega à 25ª temporada como profissional.

O número não é uma negociação malfeita. É o piso da liga: o mínimo que uma equipe pode pagar a um atleta com dez anos ou mais de NBA. Ao aceitar esse valor, LeBron libera espaço no teto salarial do Philadelphia para o time montar um elenco mais caro em volta dele.

Menos do que ele ganhou como novato em 2003

O detalhe mais duro do contrato aparece na comparação com o começo da carreira. Em 2003/04, quando chegou ao Cleveland Cavaliers como a primeira escolha do Draft, LeBron recebeu US$ 4.018.290.

Vinte e três temporadas depois, ele vai ganhar US$ 3.876.529. Em valores nominais, sem nenhuma correção pela inflação, o salário da 24ª temporada é menor que o do ano de estreia.

290 jogadores da NBA vão ganhar mais que o Rei

O levantamento do Bleacher Report feito em 24 de julho apontou 290 atletas da NBA com salário acima do de LeBron para 2026/27. Ele aparece empatado na 298ª posição da lista de mais bem pagos da liga, ao lado de DeAndre Jordan.

Entre os que ficam à frente estão os próprios companheiros de Philadelphia. Joel Embiid tem extensão de três anos e US$ 192,9 milhões, cerca de cinquenta vezes o salário de LeBron na temporada. Tyrese Maxey e Jaylen Brown, que junto com Embiid participaram do recrutamento do veterano, também recebem múltiplos do que o astro vai ganhar.

A distorção passa das quadras. Um levantamento do site RMNB mostrou que 287 jogadores da NHL, incluindo Alex Ovechkin, terão salário maior que o de LeBron na próxima temporada.

Até o basquete universitário entra na frente

O contraste mais simbólico não vem de outra liga profissional, vem da faculdade. Segundo levantamento do The Athletic, pelo menos 18 atletas do basquete universitário dos Estados Unidos vão receber mais do que LeBron em 2026/27.

O dinheiro deles não é salário, é NIL, a sigla para nome, imagem e semelhança. Desde 2021 o universitário americano pode fechar contratos comerciais e receber por eles enquanto ainda joga pela faculdade, e o mercado inflou rápido. O resultado é uma liga profissional com o segundo maior pontuador em atividade ganhando menos que calouros de programas universitários.

A camisa que virou recorde de vendas

Se o contrato diz uma coisa, o mercado diz outra. A camisa 23 de LeBron no Philadelphia se tornou a mais vendida da história da Fanatics para um atleta que muda de time, em qualquer esporte, nas primeiras 48 horas após o anúncio. O recorde anterior era de Shohei Ohtani, quando assinou com o Los Angeles Dodgers em dezembro de 2023.

A empresa não divulgou o número absoluto de peças, mas informou que vendeu mais produtos de LeBron nas primeiras 24 horas do anúncio do Philadelphia do que na primeira semana da ida dele para o Lakers, em 2018. Nos dias seguintes, oito dos dez itens mais vendidos em toda a rede de sites da Fanatics eram produtos ligados ao jogador.

Como Gui Santos chegou a um contrato de US$ 15 milhões

Do outro lado da conta está um jogador de 24 anos que ninguém apostava aqui. Gui Santos foi escolhido na 55ª posição do Draft de 2022, na penúltima leva de escolhas, quando defendia o Minas Tênis Clube. Virou o 16º brasileiro selecionado em um Draft da NBA, segundo a Liga Nacional de Basquete.

O começo foi na G League, com o Santa Cruz Warriors, e depois vieram três temporadas de contrato mínimo no elenco principal do Golden State. Em 28 de fevereiro de 2026, os Warriors fecharam com ele uma extensão de três anos e US$ 15 milhões, com opção do jogador na última temporada.

Gui é hoje o único brasileiro em atividade na NBA. Tristan da Silva, do Orlando Magic, é filho de brasileiros, mas nasceu em Munique e foi formado no basquete alemão.

Para o Golden State, o contrato é barato. Uma análise do Sports Illustrated estimou que o valor de mercado do brasileiro está perto de US$ 20 milhões por temporada, contra os US$ 5 milhões de média que ele custa no acordo assinado. Na conta do site, isso deixa cerca de US$ 10 milhões de folga por ano no teto salarial da franquia, dinheiro que sobra para reforçar outra posição.

A temporada que mudou o preço do brasileiro

A extensão veio depois da melhor temporada da carreira dele. Em 2025/26, Gui Santos entrou em quadra em 68 jogos, 30 deles como titular, com médias de 9,2 pontos, 3,9 rebotes e 2,3 assistências, acertando 50% dos arremessos.

A vaga na equipe titular apareceu depois que Jimmy Butler rompeu o ligamento cruzado do joelho. Em vez de só segurar a posição, o brasileiro cresceu nela.

O ponto alto foi em 26 de março, contra o Brooklyn Nets. Gui marcou 31 pontos, com 15 só no terceiro quarto, e comandou a virada que terminou em 109 a 106 para o Golden State. Foi a primeira vez que ele terminou um jogo da NBA como cestinha e a primeira vez em 12 anos que um brasileiro passou dos 30 pontos na temporada regular. Ele virou o quarto atleta do país a chegar nessa marca, ao lado de Leandro Barbosa (dono do recorde, com 41 pontos), Anderson Varejão e Nenê.

LeBron James arremessa durante partida da NBA pelo Los Angeles Lakers
Aos 41 anos, LeBron fez 20,9 pontos por jogo na última temporada pelo Lakers antes de aceitar o mínimo no Philadelphia.

Por que LeBron aceitou ganhar menos

Quem já acumulou US$ 1,7 bilhão em ganhos de carreira negocia de outro lugar. O levantamento da Sportico divide esse total em cerca de US$ 550 milhões em salários e US$ 1,15 bilhão vindos de patrocínios, participações societárias e negócios fora de quadra. O contrato de 2026/27 representa menos de 0,3% do que ele já ganhou.

Em quadra, LeBron ainda produz. Na última temporada pelo Lakers, aos 41 anos, ele fez 20,9 pontos por jogo. O que mudou não foi o rendimento, foi o objetivo: o valor baixo é a moeda de troca por um elenco competitivo em Philadelphia, com Embiid, Maxey e Jaylen Brown, e por uma chance real de título no fim da carreira.

A lógica é a mesma que move o mercado no tênis e no MMA, onde o dinheiro grande também não está só no contrato principal. Vale lembrar de quanto ganha Novak Djokovic, que fatura US$ 25 milhões por ano só em marcas, e da tabela de patrocínio do UFC, em que o valor pago por luta varia de US$ 4 mil a US$ 42 mil conforme o cartel do atleta.

O que isso ensina sobre alta performance

Salário é o preço de um momento, não a medida do valor de um atleta. LeBron vale muito mais que US$ 3,88 milhões, e todo mundo na liga sabe disso. O que ele fez foi trocar dinheiro por probabilidade de título numa janela que está se fechando.

Gui Santos ilustra o outro lado da mesma régua. O contrato dele não apareceu depois de um jogo brilhante, e sim depois de três temporadas de salário mínimo, minutos irregulares e uma função clara: aproveitar a vaga aberta por uma lesão e sustentar o nível por meses. Foi a consistência de 68 jogos, e não os 31 pontos contra o Brooklyn, que mudou o preço dele.

Para o atleta em construção, a lição é direta. Não existe atalho para virar peça indispensável, existe repetição sob pressão. E quando o número finalmente aparece no contrato, ele é só a consequência tardia de um trabalho que já tinha sido feito.

Quer construir uma carreira que o mercado precise pagar?

Conheça a Atleta Pro Academy e leve a ciência da performance para o seu treino.

Conhecer a Atleta Pro Academy

Foto de Diogo Moraes
Diogo Moraes

Compartilhe:

Facebook
Twitter
Pinterest
LinkedIn

Quer receber conteúdos como esse direto no seu e-mail?

Clique no botão abaixo e inscreva-se na Newsletter do Atleta.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados: