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Nubank estreia nas costas da camisa de Messi no Inter Miami

Lionel Messi com a camisa do Inter Miami, clube que fechou patrocínio com o Nubank

No sábado, 1º de agosto, o Inter Miami entrou em campo no Nu Stadium com um uniforme que ninguém tinha visto antes. Base branca, detalhes em rosa e verde-menta, um padrão discreto que copia as linhas da cobertura do estádio. O nome do manto é Cénit, do espanhol para “ponto mais alto”. Mas o detalhe que mexeu no jogo comercial da Major League Soccer não estava na frente da camisa. Estava nas costas, logo abaixo do número.

Ali, pela primeira vez, apareceu a logo do Nu, marca do Nubank. O banco digital brasileiro, fundado em 2013, fechou em março uma parceria de longo prazo com o clube de Lionel Messi que inclui o nome do estádio, dois espaços exclusivos dentro dele e agora um pedaço do uniforme. Nesta quarta-feira, 5 de agosto, o pacote inteiro volta a ficar exposto: o Inter Miami abre a Leagues Cup 2026 contra o Atlético de San Luis, em casa.

O que o Nubank comprou no Inter Miami

O acordo foi anunciado em 4 de março de 2026 e tem três camadas.

A primeira é o naming rights. A nova arena do clube, dentro do complexo Miami Freedom Park, passou a se chamar Nu Stadium. A segunda são dois espaços físicos com a marca: o Nu Club, um lounge premium para 770 pessoas com um túnel de vidro que permite ver os jogadores saindo do vestiário para o campo, e a Nu Plaza, uma praça comunitária com telão e áreas de convivência. A terceira é a camisa.

Nem o clube nem o banco divulgaram valor ou duração do contrato. O que se sabe, pela apuração do site Sportico junto a uma fonte com conhecimento do negócio, é que se trata de um dos maiores acordos de naming rights já feitos para um estádio específico de futebol na MLS. Sem número oficial, o que resta é o benchmark: em 2023, o Los Angeles FC fechou dez anos com o BMO por US$ 100 milhões, e o New York City FC superou essa marca no ano seguinte com um contrato de 20 anos com a Etihad Airways.

A quarta cota: como a MLS criou espaço novo na camisa

Messi de costas com a camisa rosa do Inter Miami, área onde passou a ficar a logo do Nu
A parte inferior das costas do uniforme virou cota comercial na MLS em 2026. Foto: Bryan Berlin / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A logo do Nu não apareceu nas costas por acaso. Ela ocupa uma cota que não existia até este ano.

A MLS liberou em março a venda de publicidade na parte inferior das costas do uniforme, logo abaixo do número do jogador. É a quarta área comercial permitida no manto, ao lado do patrocinador máster no peito, do patrocinador de manga e do fornecedor. O espaço tem até 9 polegadas de largura por 4 de altura, cerca de 80% do tamanho da cota principal no peito.

A liberação valeu a partir do intervalo do MLS All-Star Game, no fim de julho. A liga estima que a nova cota pode render mais de US$ 1 milhão por ano para alguns clubes. A medida é um dos pilares do plano que o comissário Don Garber chama de “MLS 3.0”, uma tentativa de aproveitar comercialmente o ano da Copa do Mundo na América do Norte.

No Inter Miami, a divisão do uniforme ficou assim: Royal Caribbean no peito, Lowe’s na manga, adidas como fornecedora e Nu nas costas.

Nu Stadium: US$ 350 milhões e uma arquibancada com o nome de Messi

Interior do Nu Stadium, casa do Inter Miami no complexo Miami Freedom Park
O Nu Stadium, de 26.700 lugares, foi inaugurado em 4 de abril de 2026. Foto: Cuban Boy / Wikimedia Commons (CC0)

O estádio que leva o nome do banco brasileiro foi inaugurado em 4 de abril de 2026, contra o Austin FC. Tem 26.700 lugares e custou cerca de US$ 350 milhões, dentro de um complexo de 131 acres, o Miami Freedom Park, cujo projeto total é estimado em US$ 1 bilhão. Fica ao lado do Aeroporto Internacional de Miami, com vista para o centro da cidade.

O detalhe mais incomum da arena não é comercial, é arquitetônico: uma das arquibancadas se chama Leo Messi Stand. É um caso raro no esporte mundial, um atleta ainda em atividade que tem um setor batizado com o próprio nome no estádio onde joga.

O Nu Stadium é o primeiro de três novos estádios de futebol que a MLS vai inaugurar entre 2026 e 2028. Para efeito de comparação, a arena do New York City FC está orçada em mais de US$ 780 milhões e a de Chicago em cerca de US$ 750 milhões.

Por que uma fintech brasileira paga por isso

A resposta está fora do campo.

Em 30 de setembro de 2025, o Nubank protocolou junto ao OCC, o órgão regulador de bancos nacionais dos Estados Unidos, um pedido de licença bancária. Em 29 de janeiro de 2026, recebeu aprovação condicional para constituir o Nubank, N.A. Agora precisa capitalizar a instituição em até 12 meses e abrir o banco em até 18, além de obter os avais pendentes do FDIC e do Federal Reserve.

Miami é a base da empresa nos Estados Unidos. Comprar o nome do estádio mais comentado do futebol americano, na cidade onde a operação vai nascer, é construção de marca em cima do próprio endereço.

Os números explicam o apetite. No primeiro trimestre de 2026, o Nubank ultrapassou 135 milhões de clientes globalmente, sendo mais de 115 milhões no Brasil, mais de 15 milhões no México e perto de 5 milhões na Colômbia. A receita do trimestre foi de US$ 5,3 bilhões, alta de 42% em um ano, com lucro líquido de US$ 871 milhões.

E o Inter Miami não é a única aposta esportiva. Em janeiro de 2026, o banco fechou uma parceria global de longo prazo com a Mercedes-AMG Petronas, equipe de oito títulos de construtores na Fórmula 1. A lógica é a mesma dos dois lados: comprar audiência internacional em modalidades que já circulam sozinhas fora do país de origem.

O tamanho do ativo: o que significa estar perto de Messi

Messi renovou com o Inter Miami até o fim da temporada 2028 da MLS, quando terá 41 anos. Pela Associação de Jogadores da liga, seu salário base em 2026 é de US$ 25 milhões, com remuneração garantida de US$ 28,3 milhões. Somando patrocínios e o acordo de divisão de receita com a Apple, o coproprietário do clube, Jorge Mas, já declarou que o argentino ganha entre US$ 70 milhões e US$ 80 milhões por ano.

Esse é o ativo que o Nubank alugou. Não o clube isoladamente, mas o pacote de atenção que se move junto com um jogador. O uniforme do Inter Miami é, segundo o próprio banco, uma das camisas mais vendidas do planeta.

Vale a comparação com outros mercados. Como já mostramos na análise sobre como ser patrocinado pela Nike, marcas grandes raramente respondem a propostas: elas escolhem quem já produziu audiência. E no patrocínio dentro do UFC, o lutador nem negocia a própria marca no octógono, recebe uma cota de tabela que vai de US$ 4 mil a US$ 42 mil por luta. Em Miami, o clube vendeu o espaço, o jogador entregou a audiência, e a fintech pagou pela combinação dos dois.

O teste começa nesta quarta

O uniforme Cénit estreou em campo em 1º de agosto, no empate por 2 a 2 com o Columbus Crew, no Nu Stadium. Luis Suárez abriu o placar, um gol contra de Casemiro empatou, Noah Allen recolocou o Inter Miami na frente ainda no primeiro tempo e Brais Méndez deixou tudo igual aos 84 minutos, de falta. Messi entrou aos 53, sob ovação, no primeiro jogo pela MLS depois da Copa do Mundo.

Agora vem a vitrine maior. A Leagues Cup 2026 vai de 4 de agosto a 6 de setembro e reúne 36 clubes, os 18 times da Liga MX e 18 classificados da MLS. O Inter Miami faz os três jogos da primeira fase em casa: nesta quarta, 5 de agosto, contra o Atlético de San Luis; no sábado, 8, contra o Monterrey; e na quarta seguinte, 12, contra o León.

Três jogos contra clubes mexicanos, no estádio que leva o nome de um banco brasileiro, com a marca desse banco nas costas de Messi. É exatamente o cenário que o Nubank comprou.

O que isso ensina sobre alta performance

A leitura fácil é que o Nubank comprou Messi. Não foi isso.

O que a fintech comprou foi um ativo construído antes dela chegar: um estádio novo, uma torcida em formação, um calendário com clubes mexicanos, uma cota de camisa que a liga acabou de criar e um jogador que renovou até 2028. Nenhuma dessas peças existia por causa do patrocínio. Todas existiam antes, e foi por isso que o patrocínio aconteceu.

Para o atleta, o princípio é o mesmo em qualquer escala. Patrocínio não é o que faz a carreira decolar, é o que aparece depois que ela já está decolando. Marca compra audiência pronta, resultado consistente e reputação estável, não promessa. Quem inverte a ordem passa anos mandando proposta e recebendo silêncio.

O caminho, como mostram os números sobre o preço de ser atleta no Brasil, é construir primeiro o que a marca quer alugar depois: performance registrada, público próprio e uma história que valha a pena estar ao lado. O resto é consequência.

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Foto de Diogo Moraes
Diogo Moraes

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