O nome do estádio mais famoso de São Paulo está à venda de novo, e o favorito da vez é uma montadora chinesa de carros elétricos. A BYD é a empresa com quem o São Paulo mantém as conversas mais avançadas para o próximo contrato de naming rights do Morumbi, segundo apuração do ge publicada em 13 de agosto de 2026. Uma das possibilidades em discussão é manter o trocadilho: Morumbis daria lugar a MorumBYD.
Nada está assinado. O clube conversa com pelo menos três empresas, e ao menos uma delas não quer o nome estampado na fachada. Mas a disputa expõe um mercado que mudou de patamar no Brasil em menos de três anos, e que hoje separa os clubes que transformaram concreto em ativo comercial dos que ainda tratam o estádio como despesa.
O que está na mesa: três empresas e um contrato que vence em dezembro
O contrato atual acaba no fim de 2026, e a renovação é considerada improvável.
O São Paulo assinou seu primeiro acordo de naming rights em dezembro de 2023, com a Mondelez, dona da marca Bis. Foram três anos por R$ 75 milhões, ou R$ 25 milhões por temporada. Em janeiro de 2024, pela primeira vez em mais de seis décadas, o Estádio Cícero Pompeu de Toledo passou a se chamar oficialmente MorumBIS.
Agora o clube quer duas coisas ao mesmo tempo: valor anual maior e prazo mais longo que os três anos combinados com a Mondelez. As conversas com a atual parceira não foram encerradas formalmente, mas o Tricolor já trabalha com outras opções na mesa.
A negociação é conduzida por André Marques, diretor de marketing do clube desde junho de 2026, que substituiu Eduardo Toni, responsável pelo acordo com a Mondelez.
A BYD já tinha sondado o São Paulo em março deste ano. As conversas travaram no valor: o clube pediu um número que a montadora considerou alto demais para aquele momento.
Quanto vale o naming rights do Morumbi hoje
R$ 25 milhões por ano, o segundo maior valor entre os estádios da Série A.
Só o Palmeiras arrecada mais com o nome da própria casa. E é justamente esse contrato, fechado em 2026, que virou o teto do mercado brasileiro e o argumento de qualquer clube que se sente numa mesa de negociação a partir de agora.
Vale registrar o que exatamente uma marca compra num acordo desses. Não é só a placa na fachada. O nome entra na tabela oficial da competição, na chamada da transmissão, no aplicativo de ingresso, na conversa do torcedor e no texto de todo veículo esportivo que cobre o jogo. É mídia recorrente, garantida e sem leilão semanal, algo que nenhuma campanha publicitária tradicional entrega pelo mesmo preço.
Por que uma montadora chinesa quer o nome de um estádio brasileiro
Porque a BYD está construindo marca no Brasil pelo esporte, e não pela concessionária.

A empresa foi parceira automotiva oficial da Eurocopa e da Copa América em 2024, os dois maiores torneios de seleções do planeta naquele ano. No futebol de clubes, tem acordos com Manchester City, Internazionale e, desde julho de 2026, com o Paris Saint-Germain, num contrato que vai até junho de 2029.
No Brasil, o movimento começou pelo Campeonato Paulista, que a montadora patrocinou, e ganhou corpo em dezembro de 2025, quando a marca apareceu na barra do uniforme do Corinthians nos dois jogos da final da Copa do Brasil contra o Vasco. O valor não foi divulgado. O acordo inicial cobria só as duas partidas, mas as conversas para 2026 começaram na sequência.
Há também um motivo industrial. A BYD montou fábrica em Camaçari, na Bahia, e é hoje líder de vendas de carros elétricos no país. Para uma empresa que precisa deixar de ser “aquela marca chinesa” e virar nome familiar na garagem do brasileiro, o estádio funciona como repetição diária.
É o mesmo cálculo que levou o Nubank a comprar espaço nas costas da camisa de Messi: marca global se constrói onde o torcedor já está olhando. Sobre esse caso, vale ler como o Nubank estreou na camisa do Inter Miami.
Quanto vale o nome de cada estádio da Série A
Apenas oito arenas do Brasileirão de 2026 têm contrato de naming rights ativo. Os valores anuais, segundo levantamento do ge de julho de 2026:
| Clube | Estádio | Valor por ano |
|---|---|---|
| Palmeiras | Nubank Parque | R$ 51 milhões |
| São Paulo | Morumbis | R$ 25 milhões |
| Corinthians | Neo Química Arena | R$ 15 milhões |
| Santos | Vila Viva a Sorte | R$ 15 milhões |
| Athletico Paranaense | Ligga Arena | R$ 13,3 milhões |
| Bahia | Casa de Apostas Arena Fonte Nova | R$ 13 milhões |
| Atlético Mineiro | Arena MRV | R$ 7,18 milhões |
| Remo | Banpará Baenão | R$ 1,5 milhão |
A distância entre o topo e a base é de 34 vezes. O Remo recebe do Banpará o mesmo R$ 1,5 milhão por ano desde 2020, quando a parceria começou, sem reajuste.
Alguns contratos são de longo prazo e por isso ficam achatados na conta anual. O do Corinthians com a Hypera Pharma, dona da Neo Química, vale R$ 300 milhões por 20 anos e foi assinado em 2020. O do Atlético Mineiro com a MRV soma R$ 71,8 milhões por 10 anos, desde a inauguração da arena em agosto de 2023. E a Fonte Nova, onde o Bahia manda os jogos, pertence ao governo do estado e é administrada por uma concessionária, ou seja, o dinheiro não entra inteiro no caixa do clube.
O Nubank Parque mudou a régua do mercado
O contrato do Palmeiras triplicou o valor do naming rights mais caro do país.

Em 4 de maio de 2026, o Allianz Parque virou Nubank Parque. O nome foi escolhido em votação com a torcida, entre três opções. O contrato anterior com a seguradora alemã Allianz previa cerca de R$ 15 milhões por ano, com correção pela inflação, e era considerado defasado pela WTorre, administradora da arena. O novo acordo com o banco digital gira em torno de R$ 51 milhões anuais e vale pelos próximos 18 anos.
Há um detalhe que costuma escapar na leitura rápida: o Palmeiras não participou diretamente da negociação e fica com 15% do valor, percentual que aumenta a cada cinco anos. A arena é da WTorre, não do clube. É a diferença entre ser dono do ativo e ser inquilino dele, e é exatamente por isso que o São Paulo, que é proprietário do Morumbi, negocia de posição mais confortável mesmo arrecadando menos hoje.
Nos 12 anos como Allianz Parque, a arena recebeu mais de 2.400 eventos, entre eles 348 jogos e 269 shows.
O nome só vale quando pega
Um contrato de naming rights só entrega o que promete quando a marca entra no vocabulário de quem fala do estádio.
Esse é o teste que o MorumBIS enfrentou desde 2024. A escolha do nome foi deliberada: manter quase inteira a palavra Morumbi e encaixar a marca no fim, apoiada no slogan do chocolate. Ainda assim, a reação da torcida foi dividida, e boa parte do público e da imprensa seguiu dizendo simplesmente Morumbi.
É o mesmo risco que qualquer sucessora herda. MorumBYD resolve o problema fonético do mesmo jeito, colando a marca no apelido que já existe, mas não resolve sozinho o problema da adoção. Naming rights é investimento de repetição: paga quem aguenta anos de exposição consistente, não quem compra um anúncio de temporada.
Foi por isso que o Palmeiras submeteu o nome novo a voto da torcida antes de anunciar. Quando o torcedor participa da escolha, ele repete o nome. Quando a marca é imposta, ele resiste.
E dinheiro de patrocínio não é garantido para sempre. Neste mês, a Stock Car viu Ipiranga, Mobil e Shell deixarem a categoria de uma vez, num lembrete de que contrato vencido nem sempre vira contrato renovado.
O que a disputa pelo naming rights do Morumbi ensina sobre alta performance
Clube e atleta vivem do mesmo cálculo: patrimônio de marca se constrói com repetição, não com um golpe de sorte.
O São Paulo chega em 2026 podendo pedir mais que R$ 25 milhões por ano porque passou três anos provando que o ativo funciona. O Remo segue em R$ 1,5 milhão porque o contrato nunca foi reprecificado. O Palmeiras multiplicou por três o valor da própria arena porque tratou o nome como produto, testou com o público e vendeu prazo longo.
Para o atleta, a lógica é idêntica e costuma ser ignorada. O nome dele é o ativo. Resultado isolado não vira patrocínio, e sim presença constante: competir com regularidade, aparecer nos canais certos, entregar o mesmo padrão por temporadas seguidas. Marca nenhuma assina contrato de vários anos com quem apareceu uma vez. É o caminho que atletas têm usado no Instagram para abrir portas com marcas, e é o mesmo princípio que fez Roger Federer virar bilionário com 3% de uma marca de corrida.
E há a parte que ninguém gosta de ouvir: quem não reprecifica fica para trás. O atleta que renova o mesmo apoio pelo mesmo valor durante cinco anos, sem mostrar crescimento de audiência, resultado ou relevância, está fazendo com a própria carreira o que o Remo fez com o Baenão.
Perguntas frequentes sobre naming rights
O que é naming rights?
É o contrato em que uma empresa compra o direito de associar seu nome a um estádio, arena ou competição por um período determinado, pagando em troca da exposição recorrente do nome em transmissões, tabelas oficiais, ingressos e cobertura da imprensa.
Qual é o maior naming rights do futebol brasileiro?
O do Palmeiras, com o Nubank. O acordo, anunciado em maio de 2026, vale cerca de R$ 51 milhões por ano e tem duração de 18 anos.
Por que o Morumbi virou Morumbis?
Porque o São Paulo vendeu o naming rights do estádio para a Mondelez, dona da marca Bis, em dezembro de 2023. O nome novo passou a valer em janeiro de 2024 e o contrato de R$ 75 milhões cobre três temporadas, até o fim de 2026.
O nome oficial do estádio do São Paulo deixou de existir?
Não. O nome oficial segue sendo Estádio Cícero Pompeu de Toledo. O naming rights é um nome comercial que convive com o oficial durante a vigência do contrato.
Quantos estádios da Série A têm naming rights?
Oito no Brasileirão de 2026: Palmeiras, São Paulo, Corinthians, Santos, Athletico Paranaense, Bahia, Atlético Mineiro e Remo.
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