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Chwalinska derruba Swiatek e conquista Wuhan no 1º título da carreira

A polonesa Maja Chwalinska segura o troféu do WTA 1000 de Wuhan, primeiro título da carreira

Em julho de 2021, Maja Chwalinska anunciou uma pausa por tempo indeterminado no tênis. Tinha 19 anos, convivia com a depressão havia dois e escreveu que já não conseguia se obrigar a treinar. Neste domingo (18), a polonesa de 25 anos levantou em Wuhan, na China, o primeiro título da carreira. E não foi um torneio qualquer: foi um WTA 1000, a categoria logo abaixo dos Grand Slams.

Cabeça de chave 16, Chwalinska virou sobre a britânica Sonay Kartal, 170ª do mundo, por 2/6 6/4 6/2, em 2h43. Um dia antes, tinha eliminado na semifinal a compatriota Iga Swiatek, sua parceira de duplas na época de juvenil. O título chega quatro meses depois da final de Roland Garros, onde ela entrou pelo qualifying, e coloca a polonesa em 11º lugar no ranking divulgado nesta segunda-feira (19).

Uma final de virada em 2h43

Kartal dominou o começo. Fechou o primeiro set em 6/2 e quebrou o saque da polonesa logo no início do segundo, abrindo 2/0. No game de saque seguinte, a britânica salvou quatro break points, e Chwalinska só devolveu a quebra na quinta chance.

O segundo set durou 71 minutos e teve um momento decisivo no 4/4, que a polonesa segurou para fechar em 6/4. No terceiro, ela quebrou para 3/2 e venceu os cinco últimos games da partida, salvando três break points enquanto sacava para o título.

“Significa muito. Tem um gosto muito doce, preciso admitir”, disse Chwalinska na entrevista coletiva. “Depois de Roland Garros foi incrível, mas depois eu tive momentos difíceis. Sinto que as pessoas também foram muito duras comigo, e isso me afetou também. Eu sou só um ser humano.”

Pelo título, ela recebeu US$ 665 mil e 1.000 pontos no ranking e na Corrida para o WTA Finals. Kartal ficou com US$ 385 mil e 650 pontos.

Maja Chwalinska golpeia de backhand no WTA 1000 de Wuhan
Maja Chwalinska em Wuhan: canhota, ela é a primeira campeã de WTA 1000 com a mão esquerda desde Petra Kvitova, em Miami 2023. Foto: WTA

A semifinal contra a amiga de infância

O caminho até a final passou por um jogo carregado de história. Chwalinska e Swiatek começaram a jogar torneios juntas ainda crianças. Foram campeãs europeias de duplas no sub-14, em 2015, e no sub-16, em 2016, e vice-campeãs de duplas juvenis do Australian Open em 2017. Estrearam como profissionais no mesmo torneio, em Zawada, na Polônia, em 2015.

No circuito profissional, só tinham se enfrentado uma vez, num torneio de nível ITF em Estocolmo, em 2016, quando as duas tinham 15 anos. Swiatek venceu por 6/2 6/3. Em Wuhan, segundo a WTA, elas fizeram a primeira semifinal entre duas polonesas num torneio de nível WTA na Era Aberta.

Swiatek chegou a abrir 5/3 e teve dois set points no primeiro set. Chwalinska salvou os dois, e a ex-número 1 pediu atendimento médico para tratar a perna. Na volta, a polonesa mais nova venceu 10 dos 11 games seguintes e fechou em 7/5 6/1, em 2h08. Foi a primeira vitória da carreira de Chwalinska sobre uma top 10.

“Desde o começo do torneio eu sentia dor no quadríceps”, explicou Swiatek. “Hoje foi demais, e é uma pena, porque eu sentia que estávamos jogando um ótimo tênis. Eu sabia que seria difícil vencer, mas sinceramente não quis abandonar, porque queria que a Maja vencesse normalmente.”

A seis vezes campeã de Grand Slam vinha de uma semana de marcas. Contra a americana Ashlyn Krueger, nas oitavas, chegou à 150ª vitória em torneios WTA 1000, a mais rápida entre as sete jogadoras que alcançaram o número desde 2009: precisou de 187 partidas. Ao bater Ann Li nas quartas, virou a única tenista em atividade com semifinal em todos os dez WTA 1000 do calendário atual.

Roland Garros não foi acaso

Chwalinska começou 2026 por volta do 140º lugar do ranking, com a meta declarada de entrar no top 100 até o fim do ano. Antes desta temporada, tinha vencido só quatro partidas no circuito principal.

Em Paris, ela entrou no qualifying como 114ª do mundo e foi a primeira jogadora vinda do qualifying a chegar à final de Roland Garros. Na Era Aberta, só Emma Raducanu, campeã do US Open de 2021, tinha feito o mesmo em um Grand Slam. Na decisão, perdeu para a russa Mirra Andreeva por 6/3 6/2.

Depois de Paris, vieram as semanas difíceis que ela citou em Wuhan. Na estreia em Wimbledon, torceu o tornozelo quando sacava para fechar o segundo set e perdeu a partida. Na gira asiática, voltou a crescer: foi semifinalista em Singapura no fim de setembro, quando caiu de virada para Leylah Fernandez, e chegou a Wuhan com fôlego.

Na China, a campanha teve vitórias sobre a egípcia Mayar Sherif (6/3 6/2), a tcheca Marie Bouzkova (1/6 6/1 6/1), a americana Iva Jovic, cabeça 10 (6/4 6/1), e a grega Maria Sakkari (6/0 3/6 7/5), antes de Swiatek e Kartal.

Os números da conquista, segundo a WTA:

  • Ela é a quarta jogadora desde 2009 a ganhar o primeiro título da carreira num WTA 1000, ao lado de Naomi Osaka (Indian Wells 2018), Bianca Andreescu (Indian Wells 2019) e Victoria Mboko (Montreal 2025).
  • É só a terceira polonesa campeã de WTA 1000, depois de Agnieszka Radwanska e da própria Swiatek.
  • É a primeira canhota a vencer um WTA 1000 desde Petra Kvitova, em Miami 2023.
  • Saiu do 22º para o 11º lugar do ranking mundial.

Da pausa por depressão ao top 11

O título ganha outra dimensão quando se olha para trás. Em entrevista à WTA em 2022, Chwalinska contou que começou a se sentir mal em 2019, primeiro dentro da quadra e depois fora dela. “Algo de que eu mais gostava de repente virou fonte de sofrimento. Eu associava o tênis a pressão, estresse e choro”, disse.

Em 2021, uma semana depois de perder na primeira rodada do qualifying de Wimbledon, ela anunciou a pausa. Voltou a morar com os pais, passou a ser acompanhada por um especialista e experimentou outros esportes, como corrida e boxe. O afastamento durou quatro meses.

Na volta, mudou a forma de conversar consigo mesma. “Antes, quando eu errava um forehand, dizia para mim: ‘Eu sou péssima, sou muito ruim’. São coisas fáceis de dizer, mas quando você repete, fica muito pesado”, contou. “Não sou mais tão rígida comigo. Não me puno.” É um tema que o portal já tratou ao falar da pausa de Bia Haddad Maia e João Fonseca: quando a cabeça para, o corpo para junto.

Kartal, a 170ª que voltou de seis meses parada

A adversária da final também tinha uma história de volta. Kartal ficou seis meses fora por uma lesão nas costas depois de Indian Wells e viu o ranking cair do 54º para o 170º lugar. Em Wuhan, no terceiro torneio desde o retorno, bateu Anhelina Kalinina, Belinda Bencic, Jasmine Paolini, a ucraniana Elina Svitolina, sexta do mundo, e Jelena Ostapenko.

Foi a primeira final de Wuhan, desde a criação do torneio em 2014, entre duas jogadoras de fora do top 20. Com a campanha, a britânica de 24 anos subiu para o 49º lugar. “O maior conselho que recebi foi não ter pressa”, contou. Ela disse que estava pronta para voltar no fim de agosto, mas seguiu a orientação da equipe e esperou.

Iga Swiatek cerra o punho ao comemorar um ponto no WTA 1000 de Wuhan
Iga Swiatek em Wuhan: a semifinal com dor na coxa complicou a briga pela última vaga do WTA Finals. Foto: WTA

Sabalenka cai cedo e a corrida pelo WTA Finals afunila

Wuhan começou desfalcado. A número 1 do mundo, Elena Rybakina (lesão no pé esquerdo), Coco Gauff (cansaço), Amanda Anisimova (punho), Mirra Andreeva (mudança de calendário) e Linda Nosková (panturrilha) desistiram antes da estreia.

Cabeça 1, Aryna Sabalenka caiu na segunda rodada para a americana Ann Li por 3/6 6/4 7/6(5), em 2h27. A belarussa salvou nove match points, mas Li converteu o décimo. Tricampeã em Wuhan, Sabalenka nunca tinha deixado de chegar à semifinal no torneio. Na mesma rodada, Jessica Pegula, cabeça 2, perdeu para Ostapenko, que salvou três match points.

A semana também mexeu na corrida para o WTA Finals, de 8 a 15 de novembro, em Indian Wells. Svitolina garantiu no sábado (17) a sétima vaga de simples. Campeã invicta do torneio em 2018, ela volta ao Finals pela primeira vez desde 2019 e é a primeira mãe classificada em simples desde Kim Clijsters, campeã em 2010. Já estavam garantidas Rybakina, Sabalenka, Andreeva, Nosková, Gauff e Pegula.

Resta uma vaga. Karolína Muchová, que caiu na terceira rodada em Wuhan, ocupa o posto, e Swiatek e a ucraniana Marta Kostyuk ainda brigam por ele. As duas estão na chave do WTA 500 de Ningbo, também na China, que começou nesta segunda (19) e marca a volta de Rybakina, ainda tratando o pé. Para Swiatek, presente em todos os Finals desde 2021, a dúvida é a coxa.

Luisa Stefani emenda o terceiro título seguido

Para o Brasil, o domingo em Wuhan também teve troféu. Cabeças de chave 1, a paulista Luisa Stefani e a canadense Gabriela Dabrowski venceram a final de duplas contra Storm Hunter e Katerina Siniakova, atuais campeãs, por 7/5 6/4, em 1h32.

Foi o terceiro título seguido da dupla, depois de São Paulo e Pequim, e o sexto da temporada, que já tinha Dubai, Estrasburgo e Eastbourne. Stefani chegou a 19 títulos de duplas no circuito, seis deles em WTA 1000. A dupla já está garantida no WTA Finals. É mais um capítulo da temporada em que Stefani voltou ao top 3 do mundo.

“Jogos assim são decididos em poucos momentos e em alguns pontos, e a gente poderia ter perdido o primeiro set”, disse a brasileira. “Contra uma dupla como essa, você precisa estar ligada o tempo todo.”

O que o título de Chwalinska ensina sobre alta performance

A carreira de Chwalinska é um lembrete de que derrota é evento, não identidade. Em 2021, ela mal conseguia sair de casa. Em 2026, foi finalista de Grand Slam e campeã de WTA 1000. Entre um ponto e outro não houve atalho: houve tratamento, uma pausa sem saber se haveria volta, o retorno pelos torneios pequenos da ITF e da WTA 125 e uma temporada inteira até a técnica de toque, de deixadinha e de lob, render no circuito principal.

A final também mostrou o outro lado do processo. Com um set e uma quebra de desvantagem e energia baixa, nas palavras dela, Chwalinska não esperou se sentir bem para competir. Aumentou a profundidade das bolas, ficou mais agressiva e se apoiou no que dava para controlar. “O que me deixa orgulhosa é o espírito de luta”, resumiu.

E Kartal, do outro lado da rede, deu a lição complementar: voltar antes da hora custa caro. Ela esperou mais do que queria, confiou na equipe e chegou à maior final da carreira no terceiro torneio depois da lesão. Processo mais tempo, nas duas pontas da mesma quadra.

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Foto de Diogo Moraes
Diogo Moraes

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