Ben Shelton tem lugar marcado em Turim pelo segundo ano seguido. A ATP confirmou no domingo (18) a classificação do americano para o ATP Finals 2026, que reúne os oito melhores da temporada de 15 a 22 de novembro, na Inalpi Arena. Ele é o terceiro garantido, depois de Alexander Zverev e Carlos Alcaraz.
Atrás dele, a briga ficou apertada. Com Jannik Sinner fora do resto do ano por causa do joelho direito, cinco vagas seguem abertas e sete jogadores disputam essas cinco cadeiras separados por exatos 700 pontos na Race to Turin, a corrida que só conta os resultados de 2026. O último dessa fila é Novak Djokovic, que corre o risco de não se classificar pela primeira vez desde 2017.
Shelton volta a Turim pelo segundo ano seguido
A vaga de Shelton foi selada fora de quadra. O americano tinha caído na terceira rodada do Masters 1000 de Xangai, mas, quando Alejandro Davidovich Fokina venceu Rafael Jódar na final, no domingo, a conta fechou: ninguém mais poderia tirá-lo do grupo dos oito. O Atleta Pro contou como foi a virada de Davidovich Fokina sobre Jódar em Xangai.
Aos 24 anos, Shelton chega a Turim com a melhor temporada da carreira. São 40 vitórias e 17 derrotas em 2026 e quatro títulos: Munique, Dallas, Stuttgart, na grama, e Montreal, onde defendeu o troféu de 2025. Em setembro, jogou a primeira final de Grand Slam, no US Open, perdida para Zverev, e subiu ao quarto lugar do ranking, a melhor marca da vida.
A estreia no torneio, no ano passado, foi dura. Shelton perdeu os três jogos da fase de grupos, para Sinner, Zverev e Félix Auger-Aliassime. Só Sinner ganhou mais títulos que ele em 2026: seis.
Como funciona a classificação para o ATP Finals
Pelo regulamento da ATP, entram em Turim os sete primeiros da Race depois do Masters 1000 de Paris. A oitava vaga é reservada para um campeão de Grand Slam do ano que esteja entre o 8º e o 20º lugar. Se não houver nenhum nessa faixa, ela vai para o oitavo colocado.
Em 2026, a regra dos campeões de Grand Slam não muda nada. Os quatro títulos de simples ficaram com três jogadores que já estão no topo: Alcaraz venceu o Australian Open, Zverev ganhou Roland Garros e o US Open, e Sinner levou Wimbledon. Por isso Alcaraz, terceiro na Race com 4.600 pontos, garantiu a vaga já em 16 de setembro: campeão de Grand Slam, tinha o top 20 assegurado. Zverev, líder com 9.150, estava classificado desde 6 de agosto.
O detalhe que mexe com a conta é Sinner. O italiano, bicampeão do ATP Finals, encerrou a temporada para tratar o joelho, mas os 7.950 pontos dele continuam na tabela, em segundo lugar. Na prática, quem terminar em nono fica com a última vaga. Turim também terá um campeão novo: Sinner venceu as duas últimas edições.
A Race to Turin nesta quarta-feira
A tabela abaixo mostra a PIF ATP Live Race to Turin desta quarta-feira (22), no site oficial da ATP. Os pontos mudam a cada rodada, porque três torneios de nível 250 estão em andamento nesta semana, em Almaty, Bruxelas e Lyon.
| Posição | Jogador | Pontos | Situação |
|---|---|---|---|
| 1º | Alexander Zverev (Alemanha) | 9.150 | Classificado em 6/8 |
| 2º | Jannik Sinner (Itália) | 7.950 | Fora do resto de 2026 |
| 3º | Carlos Alcaraz (Espanha) | 4.600 | Classificado em 16/9 |
| 4º | Ben Shelton (Estados Unidos) | 4.480 | Classificado em 18/10 |
| 5º | Flavio Cobolli (Itália) | 3.540 | Na zona de vaga |
| 6º | Daniil Medvedev | 3.420 | Na zona de vaga |
| 7º | Frances Tiafoe (Estados Unidos) | 3.380 | Na zona de vaga |
| 8º | Arthur Fils (França) | 3.375 | Na zona de vaga |
| 9º | Rafael Jódar (Espanha) | 3.159 | Última vaga |
| 10º | Alex de Minaur (Austrália) | 2.880 | Fora, a 279 pontos |
| 11º | Novak Djokovic (Sérvia) | 2.840 | Fora, a 319 pontos |
Fils é o único do bloco que já pontuou nesta semana. Cabeça de chave 1 em Bruxelas, ele somou 50 pontos e passou de 3.325 para 3.375, encostando em Tiafoe.
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Quatro estreantes na zona de classificação
Se a tabela terminasse hoje, Turim teria quatro novatos entre os oito: Cobolli, Tiafoe, Fils e Jódar. Nenhum deles jogou o ATP Finals até aqui.
Flavio Cobolli lidera o bloco. O italiano foi vice de Roland Garros, perdendo para Zverev em cinco sets, ganhou o ATP 500 de Acapulco, chegou às quartas de Wimbledon e à semifinal de Cincinnati. Caiu na estreia em Xangai e, segundo a Tennisnerd, montou uma sequência de três semanas seguidas: Lyon, Viena e Paris.
Frances Tiafoe, campeão em Halle, e Arthur Fils, que venceu Barcelona e conquistou em Cincinnati o primeiro Masters 1000 da carreira, pararam cedo em Xangai e chegam quase empatados à reta final.
Rafael Jódar é o caso mais curioso. O espanhol de 20 anos, que estava fora do top 280 há um ano, chegou à primeira final de Masters 1000 em Xangai e subiu duas posições, para o nono lugar. A ATP descreveu o posto como, na prática, a última vaga de classificação. Segundo a Tennisnerd, ele descansa nesta semana antes de Basileia e Paris.
No meio dos estreantes está um ex-campeão. Daniil Medvedev, vencedor do ATP Finals de 2020, se classificou todos os anos de 2019 a 2024 e ficou fora em 2025, pela primeira vez desde 2018. A semifinal em Xangai, perdida justamente para Jódar por 6/3 e 6/4, o levou de volta à zona de vaga. Nesta semana, ele defende o título em Almaty.

Djokovic pode ficar fora pela primeira vez desde 2017
Djokovic estreou no ATP Finals em 2007 e, desde então, só não se classificou uma vez: em 2017, quando parou a temporada por causa de uma lesão no cotovelo. Soma 18 classificações, recorde que divide com Roger Federer, e sete títulos, mais que qualquer outro jogador. Uma 19ª vaga o deixaria sozinho na marca.
Aos 39 anos, ele chega à reta final em 11º, com 2.840 pontos somados em apenas nove torneios. No caminho estão a final do Australian Open, a semifinal de Wimbledon e o título em Pequim, o 102º da carreira. Em Xangai, perdeu para Hubert Hurkacz na estreia.
Depois da derrota, mudou o plano. Aceitou um convite para o ATP 500 de Basileia, torneio que não disputa desde 2011, e vai jogar a semana anterior a Paris. A conta é direta: o campeão de Basileia leva 500 pontos, e um título levaria Djokovic a 3.340, acima da pontuação atual de Jódar. Seria também o 103º troféu, igualando Federer.
Há um histórico recente que pesa contra. Djokovic se classificou em 2024 e em 2025 e, nas duas vezes, desistiu de jogar em Turim. Se ficar fora em 2026, será a terceira edição seguida sem ele em quadra.
Entre ele e Jódar está Alex de Minaur, que busca a terceira participação seguida. Pelas contas da Tennisnerd, o australiano precisa de pelo menos uma final em Viena para passar o espanhol antes de Paris, caso Jódar caia cedo em Basileia.

O que falta: Viena, Basileia e Paris
A corrida entra na reta final com três paradas grandes no calendário oficial da ATP:
- 19 a 25 de outubro: ATPs 250 de Almaty, Bruxelas e Lyon, com 250 pontos para cada campeão.
- 26 de outubro a 1º de novembro: ATPs 500 de Viena e Basileia, com 500 pontos para o campeão e 330 para o vice.
- 2 a 8 de novembro: Masters 1000 de Paris, com 1.000 pontos para o campeão. É a última grande parada antes de Turim (veja onde assistir ao Masters de Paris).
Com 700 pontos entre o quinto e o 11º, um único título em Paris basta para virar a tabela de cabeça para baixo. O torneio de Turim tem dois grupos de quatro jogadores, e os dois melhores de cada grupo avançam às semifinais. A transmissão no Brasil está no guia de onde assistir ao ATP Finals 2026.
Brasileiros na briga das duplas
A disputa também tem sotaque brasileiro. Orlando Luz e Rafael Matos ocupam a oitava e última posição de classificação na corrida de duplas, com 3.905 pontos, 130 à frente do argentino Guido Andreozzi e do francês Manuel Guinard.
A temporada da dupla é a melhor da carreira dos dois. Foram quatro títulos em 2026: Buenos Aires, Santiago, Montreal e Cincinnati. Os dois últimos são de Masters 1000, conquistados em sequência, e fizeram deles, segundo a ATP, a quinta dupla da Era Aberta a vencer Canadá e Cincinnati no mesmo ano. Nesta semana, caíram nas quartas de final em Bruxelas.
Se a posição se mantiver, Luz e Matos jogam o ATP Finals pela primeira vez. Três duplas já estão garantidas: Harri Heliövaara e Henry Patten, Marcel Granollers e Horacio Zeballos, e Christian Harrison e Neal Skupski.

O que a corrida para Turim ensina sobre alta performance
A Race to Turin é uma tabela que não perdoa a ausência. Ela soma o ano inteiro e não aceita justificativa: os pontos de quem parou contam igual aos de quem jogou com dor, e o calendário não espera ninguém voltar.
O retrato desta semana mostra dois caminhos para a mesma vaga. Shelton se garantiu com regularidade: 57 jogos e quatro títulos, no saibro, na grama e na quadra dura. Jódar entrou na zona com um salto, numa semana em que perdeu a final, mas não perdeu o que a campanha construiu. A derrota no domingo foi um evento, e os pontos ficaram.
Djokovic mostra o outro lado. Aos 39 anos, jogou só nove torneios na temporada e agora precisa somar em duas semanas o que os rivais acumularam ao longo de dez meses. Para o atleta de qualquer nível, a lição é a mesma do circuito: o pico decide uma semana, o processo decide a temporada.
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