Para ser patrocinado pela Red Bull, o atleta precisa chamar a atenção de uma marca que funciona como empresa de mídia: ela patrocina quem tem resultado numa modalidade em que atua, rende boa história e produz conteúdo que ela possa filmar e distribuir. Os caminhos reais são quatro: o formulário oficial de patrocínio no site de suporte da Red Bull, as competições e programas da própria marca, o resultado numa modalidade em que ela atua e o ambiente certo, como uma equipe ou federação ligada a ela. Quem decide é a Red Bull, e só nas modalidades que escolhe.
O tamanho da operação ajuda a entender o filtro. Em 2025, a empresa vendeu 13,969 bilhões de latas em 178 países e faturou 12,196 bilhões de euros, segundo o perfil corporativo publicado pela Red Bull. O braço de mídia do grupo, a Red Bull Media House, informa trabalhar com mais de 700 atletas no mundo, em mais de 100 modalidades, e cobrir mais de 1.250 eventos por ano.

Como a Red Bull escolhe quem patrocina
A Red Bull escolhe a dedo e diz isso no próprio site. Na central de suporte da marca no Brasil, a resposta oficial para a pergunta sobre como atletas profissionais, artistas ou gamers podem pedir patrocínio é: “A Red Bull tem orgulho de apoiar atletas profissionais, equipes, artistas e gamers em modalidades selecionadas. Preencha o formulário de contato com todas as informações relevantes. A equipe da Red Bull entrará em contato caso uma colaboração possa ser considerada.”
É uma diferença real em relação à Nike, que afirma não aceitar pedidos de patrocínio não solicitados. A Red Bull recebe a proposta, mas avisa duas coisas na mesma frase: o apoio vale para modalidades escolhidas pela marca, e o retorno só acontece se houver interesse.
O formulário, chamado “Patrocínio de Eventos e Atletas”, pede tipo de patrocínio, contato, país e uma descrição, com espaço para anexar arquivo. É ali que entra o material do atleta: resultados, calendário, audiência e proposta de entrega. Mandar é fácil. O difícil é ter um histórico que faça a marca responder.
Como ser patrocinado pela Red Bull: os 4 caminhos reais
São quatro caminhos, e o formulário é só o primeiro deles. Do mais acessível ao mais exigente:
- O formulário oficial. É o canal que a própria marca indica para atletas, equipes e eventos. Funciona como porta de entrada para quem já tem resultado e material organizado. Não é inscrição em programa nem garante resposta.
- Competições e programas da própria Red Bull. A marca cria os palcos em que procura talento. A Red Bull MotoGP Rookies Cup seleciona adolescentes para a motovelocidade, o Red Bull Cliff Diving World Series abre vagas de convidado ao lado dos saltadores permanentes, o Red Bull Paranauê reúne capoeiristas em Salvador e o Red Bull Neymar Jr’s Five, torneio amador de futebol cinco contra cinco criado em 2016, já teve seletivas nacionais em dezenas de países. Competir bem num evento da marca coloca o atleta na frente de quem decide.
- Resultado numa modalidade em que a marca atua. Surfe, skate, motovelocidade, mountain bike, esqui, vôlei de praia e futebol aparecem na lista oficial de atletas brasileiros. A própria resposta oficial marca o limite: o apoio é para “modalidades selecionadas”.
- O ambiente certo. Equipe, federação ou clube ligado à marca. Em outubro de 2026, a Red Bull passou a patrocinar a equipe de esqui alpino da Noruega, e esquiadores da seleção assinaram contratos individuais com ela. No futebol, a marca comanda o Red Bull Bragantino desde 2019.
Caio Lopes, campeão brasileiro da MX3 em 2026 e embaixador da Kawasaki, resumiu o filtro no No Topo Podcast: “Se você quer ser um atleta Red Bull, não adianta gerar um conteúdo em que você fala palavrão, se porta mal e se veste mal.” Na entrevista completa, ele resume: “A empresa precisa vender para te patrocinar.”
Por que a Red Bull não patrocina como a Nike e a Adidas
A Red Bull vende bebida, mas patrocina como empresa de mídia. Marcas de material esportivo pagam o atleta para mostrar o produto. A Red Bull paga por histórias: monta os próprios eventos, filma e distribui o conteúdo.
A Red Bull Media House nasceu em 2007 justamente para produzir e distribuir esse conteúdo. O exemplo mais conhecido é o Red Bull Stratos: em 14 de outubro de 2012, o austríaco Felix Baumgartner saltou de 38.969 metros de altitude, e o Guinness registrou a transmissão como a maior audiência de um anúncio ao vivo da história, com 8 milhões de pessoas assistindo pelo YouTube.
A lógica aparece em todos os formatos da marca. O Red Bull Rampage, competição de mountain bike freeride em Utah, nos Estados Unidos, é um evento só para convidados e existe desde 2001. O Red Bull Cliff Diving World Series roda o mundo desde 2009, com plataformas de cerca de 27 metros de altura.
| Ponto | Marca de material esportivo (Nike, Adidas) | Red Bull |
|---|---|---|
| O que a marca compra | O atleta usando e mostrando o produto | A história do atleta e o conteúdo que ela gera |
| Onde o patrocínio aparece | Uniforme, calçado, campanha publicitária | Capacete, boné, eventos próprios, filmes e transmissões |
| Canal para o atleta | Nike não aceita pedido; Adidas não divulga processo | Formulário oficial, sem garantia de resposta |
| Onde procura talento | Clubes, seleções e competição oficial | Competição oficial e eventos criados pela própria marca |
A comparação completa com as marcas de material esportivo está nos guias de como ser patrocinado pela Nike e de como ser patrocinado pela Adidas.

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O capacete é o contrato: o que a Red Bull compra do atleta
O capacete com o touro vermelho não está à venda. É o sinal mais visível de que existe um contrato individual. A revista britânica MBR descreveu o capacete da marca como peça cobiçada no esporte radical, que não se compra em loja e que só os profissionais de ponta recebem, em geral por meio de patrocínio.
O espaço tem valor comercial. Em outubro de 2026, com a Red Bull como nova patrocinadora da equipe de esqui alpino, a federação da Noruega passou a permitir que os esquiadores de nível A vendessem a frente do capacete e do gorro para patrocinadores pessoais, ficando com 60% do valor, segundo a Ski Racing Media. Henrik Kristoffersen e Timon Haugan já tinham contrato individual com a Red Bull.
A briga por esse espaço já mudou a história do esporte brasileiro. Lucas Pinheiro Braathen se aposentou em outubro de 2023, aos 23 anos, depois de um longo conflito com a federação norueguesa sobre direitos de marketing. Em março de 2024, anunciou numa entrevista coletiva no Hangar-7 da Red Bull, em Salzburgo, que voltaria a competir pelo Brasil, país da mãe. Em 14 de fevereiro de 2026, ganhou o ouro no slalom gigante dos Jogos de Milão Cortina, a primeira medalha do Brasil em Olimpíadas de Inverno.
A lata é o produto. O capacete, o boné e a presença nos filmes da marca são o que o contrato compra: imagem, exclusividade no espaço mais visível do atleta e disponibilidade para produzir conteúdo.

O que a Red Bull procura num atleta
A Red Bull não publica critérios, mas o padrão de quem ela assina mostra quatro blocos:
- Resultado na modalidade. Título, ranking, recorde ou uma conquista que vire notícia. Diogo Moreira, Italo Ferreira e a dupla Duda e Ana Patrícia, todos da lista oficial, têm resultado internacional para mostrar.
- História que rende conteúdo. A marca filma e distribui, então o atleta precisa ter algo além do placar: trajetória, feito inédito, estilo próprio.
- Risco calculado, não imprudência. A própria Red Bull interrompeu o Rampage depois da edição de 2004 por causa do risco crescente que os competidores assumiam, e só voltou em 2008, em outro terreno. No Red Bull X-Alps, a direção de prova diz que o primeiro critério de seleção é o atleta mostrar que é seguro.
- Imagem e conduta. O touro vai no capacete, na foto e no vídeo. Postura pública e coerência entre discurso e prática pesam tanto quanto o resultado.
Esporte de ação é a marca registrada, mas não é regra: a lista brasileira tem futebol, vôlei de praia, triatlo, capoeira e criadores de games. O raciocínio completo sobre o que qualquer marca avalia está em o que as marcas realmente procuram num atleta patrocinado.
Atletas Red Bull no Brasil em 2026
A página oficial de atletas da Red Bull lista 31 brasileiros e uma equipe, o Red Bull Bragantino. Os nomes, agrupados por modalidade, conferidos em 24 de outubro de 2026:
| Modalidade | Atletas Red Bull do Brasil |
|---|---|
| Surfe | Italo Ferreira, João Chianca, Lucas Chumbo, Pedro Scooby, Carlos Burle e Lucas Fink |
| Skate | Yndiara Asp, Leticia Bufoni, Sandro Dias, Felipe Gustavo, Lucas Rabelo e o rapper L7NNON |
| Futebol | Neymar Jr. e Endrick, além do Red Bull Bragantino |
| Motor | Diogo Moreira (MotoGP) e Lucas Moraes (rali) |
| Vôlei de praia | Duda Lisboa e Ana Patrícia |
| Esqui alpino | Lucas Pinheiro Braathen |
| Saltos e água | Jucelino Junior e Paty Valente (cliff diving), Bruna Kajiya (kitesurfe) e Pedro Caldas (wakeboard) |
| Montanha e resistência | Henrique Avancini (mountain bike), Felipe Camargo (escalada), Rafael Goberna (parapente), Fernanda Maciel (corrida) e Miguel Hidalgo (triatlo) |
| Outros | Arthur Fiu (capoeira) e os criadores de games Gaules e Gabs |
Neymar, parceiro da marca desde o tempo de Santos, dá nome ao torneio amador da Red Bull.
Red Bull MotoGP Rookies Cup: a escola da motovelocidade
Criada em 2007, a Rookies Cup é o programa de base mais claro da Red Bull. O campeonato coloca adolescentes em motos KTM iguais, nos fins de semana da MotoGP na Europa. A entrada começa por uma inscrição online com o histórico de resultados, e os escolhidos vão para uma seletiva na pista.
O funil é estreito. Para a temporada de 2027, a Red Bull convidou 127 pilotos de 45 países para a seletiva de Guadix, na Espanha, de 5 a 7 de outubro de 2026, e só 8 ganharam vaga, segundo o site oficial. O brasileiro Daniel Tomelin, de 16 anos, estava entre os convidados, como o portal mostrou em Daniel Tomelin disputa a seletiva da Red Bull Rookies Cup. A lista de selecionados não teve brasileiro.
O que não funciona para conseguir patrocínio da Red Bull
Tudo o que tenta pular o resultado e a história. Os erros mais comuns:
- Pedir na DM ou nos comentários. O canal oficial é o formulário. Mensagem em rede social não chega a quem decide.
- Pedir latas como patrocínio. Apoio a evento é outra categoria no site de suporte da marca, separada do patrocínio de atletas. Lata de graça não é contrato de atleta.
- Usar capacete ou boné com o touro sem contrato. Réplica não aproxima ninguém da marca e passa a impressão de vínculo que não existe.
- Confundir patrocínio da Red Bull com o das equipes dela. A Red Bull Racing, na Fórmula 1, e o Red Bull Bragantino, no futebol, têm patrocinadores próprios e contratam pelos caminhos do próprio esporte, como categorias de base e academias de pilotos.
O primeiro contrato costuma vir de marcas regionais e nacionais com canal aberto, como mostra o guia de como ser patrocinado pela Growth. Contrato pequeno bem cumprido vira histórico quando uma marca global finalmente olha.
Plano de 12 meses para o atleta amador e o em ascensão
A crença de que só famoso é patrocinado pela Red Bull faz muito atleta desistir antes de começar. A Rookies Cup existe justamente para encontrar adolescentes, e Diogo Moreira passou por ela antes do título mundial. O que coloca alguém no radar é um conjunto de entregas:
| Frente | Atleta amador | Atleta em ascensão |
|---|---|---|
| Modalidade | Conferir se a Red Bull atua no seu esporte, na lista oficial de atletas | Mirar as provas e circuitos em que a marca aparece |
| Competição | Calendário de provas oficiais, com resultado publicado | Ranking, título nacional e presença internacional |
| Eventos da marca | Seletivas abertas, como torneios amadores da Red Bull | Programas de base e vagas de convidado, como a Rookies Cup e o Cliff Diving |
| Conteúdo | Treino, processo e prova com constância, sem exagero de risco | Uma história contada em série, com material que a marca possa usar |
| Material | Resultados e números de audiência organizados | Proposta pronta para enviar pelo formulário oficial |
| Contratos menores | Marcas locais com canal aberto | Parcerias executadas com entrega e relatório |
O passo a passo para qualquer marca, inclusive para quem ainda não é conhecido, está no guia de como conseguir patrocínio esportivo. Patrocínio é venda de parceria, não pedido de favor: a marca investe em quem devolve resultado, público e história.
Perguntas frequentes sobre como ser patrocinado pela Red Bull
A Red Bull tem formulário para pedir patrocínio?
Sim. A central de suporte da Red Bull indica um formulário de “Patrocínio de Eventos e Atletas” e avisa que a equipe entra em contato caso uma colaboração possa ser considerada. Não há garantia de resposta.
Quanto ganha um atleta patrocinado pela Red Bull?
A Red Bull não divulga valores de contratos individuais. O que circula sobre atletas do topo são estimativas de imprensa, e a faixa vai de material e apoio a eventos até contratos milionários.
Quantos atletas a Red Bull patrocina?
A Red Bull Media House fala em mais de 700 atletas no mundo, em mais de 100 modalidades. A página oficial lista 31 atletas brasileiros, além do Red Bull Bragantino.
Dá para comprar o capacete da Red Bull?
Não. O capacete com o logotipo da marca é dado aos atletas com contrato e não é vendido ao público.
Como entrar na Red Bull MotoGP Rookies Cup?
Pela inscrição online, com o histórico de resultados. Os escolhidos vão para uma seletiva na pista. Para 2027, foram 127 convidados e 8 selecionados.
Como ser patrocinado pela Red Bull: o que isso ensina sobre alta performance
A Red Bull deixa a porta aberta e o filtro à vista. Qualquer atleta pode mandar o formulário. Poucos chegam com o que a marca procura: resultado numa modalidade que ela escolheu, uma história que valha uma câmera e uma conduta que caiba no capacete.
Isso muda a pergunta do atleta. Sai “como eu falo com a Red Bull” e entra “o que eu construí nos últimos seis meses que valeria um filme”. A primeira mede tentativa. A segunda mede processo, e processo somado a tempo é o que transforma um nome desconhecido num convite.
Braathen voltou ao esporte com a marca ao lado e deu ao Brasil a primeira medalha olímpica de inverno. Diogo Moreira terminou em sexto na Rookies Cup e virou campeão do mundo quatro anos depois. Nos dois casos, a Red Bull estava onde o atleta já estava competindo.
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