Kimi Antonelli desembarcou em Baku com 81 pontos de vantagem sobre George Russell, seu companheiro de Mercedes, a nove corridas do fim do campeonato de Fórmula 1. São 292 pontos contra 211, construídos com oito vitórias em 14 Grandes Prêmios.
O GP do Azerbaijão, 15ª etapa da temporada, não pode dar o título ao italiano de 20 anos. Mas pode aproximá-lo muito. E acontece num circuito de rua que, em nove edições, já tirou vitórias certas de favoritos a poucas voltas do fim. A corrida é neste sábado (26), às 8h de Brasília, um dia antes do habitual.
Como Antonelli chegou aos 81 pontos
A vantagem cresceu em duas corridas seguidas. No GP da Itália, em 6 de setembro, Antonelli largou em 19º, punido pela troca de unidade de potência, e venceu em Monza ultrapassando Russell a três voltas do fim. Saiu de lá com 66 pontos de frente.
Uma semana depois, em 13 de setembro, veio a vitória no GP da Espanha, a primeira corrida da história do novo circuito de Madri. Lando Norris fez a pole e liderava quando o carro de Lance Stroll parou na pista e provocou um safety car virtual. Antonelli parou nos boxes na hora certa. Norris já tinha passado da entrada do pit lane e perdeu o momento.
Antonelli venceu com 4s351 sobre Max Verstappen, com Norris em terceiro. Russell, que largou em sexto, terminou em quinto. “É bom vencer, mas não tem o mesmo gosto, porque acho que o Lando merecia vencer hoje”, disse, segundo a Fórmula 1.
Com os 25 pontos de Madri contra 10 de Russell, a diferença saltou para 81. A tabela chega a Baku assim:
- Kimi Antonelli (Mercedes): 292 pontos
- George Russell (Mercedes): 211 pontos
- Lewis Hamilton (Ferrari): 191 pontos
- Lando Norris (McLaren): 186 pontos
- Charles Leclerc (Ferrari): 167 pontos
- Max Verstappen (Red Bull): 145 pontos
- Oscar Piastri (McLaren): 120 pontos
As oito vitórias de Antonelli vieram na China, no Japão, em Miami, no Canadá, em Mônaco, na Bélgica, na Itália e na Espanha. Russell venceu duas vezes, na Austrália e na Áustria. Somadas, são 10 vitórias da Mercedes em 14 corridas, e a equipe lidera o Mundial de Construtores com 503 pontos, 145 à frente da Ferrari.
A matemática do título: por que Baku ainda não decide
Restam nove Grandes Prêmios e uma corrida sprint, a de Singapura. Com 25 pontos por vitória no domingo e 8 na sprint, o máximo que um piloto ainda pode somar é 233 pontos. Como a vantagem de Antonelli é de 81, a conta não fecha em Baku, nem na etapa seguinte, o GP do Bahrein, que foi transferido para o circuito de Sepang, na Malásia, e acontece em 4 de outubro.
O pior cenário possível para o líder neste sábado ainda é confortável. Se Antonelli não pontuar e Russell vencer, a diferença cai para 56 pontos. Russell precisaria de uma sequência de fins de semana ruins do companheiro, e não de um só.
A primeira chance matemática de título está em Singapura, em 11 de outubro. O caminho, calculado pela Fórmula 1, exige perfeição absoluta: Antonelli vencendo em Baku, em Sepang, na sprint e na corrida de Singapura, e Russell sem marcar nenhum ponto nas quatro provas. Nesse caso, o italiano chegaria a 375 pontos, 164 à frente do companheiro, com apenas 150 ainda em disputa.
O cenário mais provável é outro. Pela projeção da F1, baseada na posição mediana de chegada de cada piloto na temporada (Antonelli em primeiro, Russell entre terceiro e quarto), o título sairia no GP da Cidade do México, a 19ª etapa, em 1º de novembro. Antonelli teria ali 112 pontos de vantagem, uma diferença que Russell não conseguiria mais tirar.
Qualquer que seja a data, a conquista tem dois recordes embutidos. Antonelli seria o piloto mais jovem campeão do mundo da história, marca que pertence a Sebastian Vettel desde 2010, quando o alemão foi campeão com 23 anos e 134 dias. E seria o primeiro italiano campeão desde Alberto Ascari, da Ferrari, em 1953. A lista de marcas de precocidade que ele já quebrou está nas 10 curiosidades sobre Antonelli, do 45G em Monza ao nome Kimi.
O líder, por enquanto, recusa a calculadora. “Não acabou até acabar. Até cruzar a linha de chegada, não acabou”, disse em Baku, segundo a F1. “É como no tênis: um ponto de cada vez. Aqui, uma corrida de cada vez. Continuar dando o meu melhor, tentar subir o nível, continuar entregando resultados e ver onde a gente termina no fim do ano.”
Russell volta atrás e não entrega o campeonato
Depois de Madri, Russell tinha praticamente jogado a toalha. “Realisticamente, não estou na briga pelo título de pilotos”, disse ao fim da corrida. Na chegada a Baku, mudou o discurso. “Vou lutar pelo campeonato enquanto a matemática permitir. Sempre quero fazer a pole e vencer”, afirmou, segundo o Grande Prêmio. “A diferença é grande, mas vou continuar na luta enquanto ainda tiver chance.”

O inglês ganhou um alívio para este fim de semana. Não vai receber punição no grid por troca de unidade de potência no Azerbaijão, mas admitiu que ela vem em breve. “Não vai ser neste fim de semana, mas vamos precisar aceitar essa punição logo”, disse. A Mercedes quer adiar a troca até levar à pista um pacote de evolução do motor.
A equipe também não trouxe peças novas para Baku: as atualizações ficaram para a Malásia. Segundo a própria F1, a vantagem técnica da Mercedes no início do ano diminuiu, e em Madri foi Norris quem largou na pole e liderou até o safety car virtual.
Baku, a pista que não respeita favorito
O Circuito Urbano de Baku tem 6,003 km, 20 curvas e reúne dois extremos na mesma volta. De um lado, uma reta de mais de 2 km à beira do Mar Cáspio, onde os carros atingem velocidades máximas entre as mais altas do ano. Do outro, o trecho da cidade velha, que estreita a pista até 7,6 metros entre as curvas 8 e 9, junto às muralhas do castelo medieval. A corrida tem 51 voltas, num total de 306,049 km.
A combinação de muro colado e freada forte transforma o circuito numa loteria de safety car. Nas últimas seis edições, a prova teve safety car em 67% das vezes e safety car virtual em 50%, de acordo com os dados da F1. A distância entre a pole e o ponto de freada da curva 1 é de apenas 111 metros, a menor do calendário.
O histórico ajuda a entender a fama. Em 2017, Daniel Ricciardo venceu largando em 10º, numa prova com bandeira vermelha e com Sebastian Vettel batendo em Lewis Hamilton atrás do safety car, por achar que o inglês tinha freado de propósito na frente dele. O alemão levou uma punição de parar e esperar nos boxes. Em 2018, Valtteri Bottas liderava com folga quando um pneu estourou na volta 49 de 51. Hamilton herdou a vitória.

Em 2021, foi a vez de Max Verstappen. Líder da corrida, teve um pneu estourado na volta 46 de 51 e bateu no muro da reta principal. Na relargada, depois da bandeira vermelha, Hamilton acionou sem querer um botão que alterava o balanço dos freios, passou reto na curva 1 e caiu para último. Sergio Pérez venceu. Em 2024, Pérez e Carlos Sainz se tocaram na penúltima volta e terminaram os dois no muro, enquanto Oscar Piastri segurou Charles Leclerc e ganhou.
Até a classificação costuma sair do controle. Em 2025, o treino que definiu o grid teve seis bandeiras vermelhas, recorde da categoria.
O retrospecto de Antonelli e da Mercedes no Azerbaijão
Esta é a 10ª corrida de Fórmula 1 em Baku. A primeira foi em 2016, ainda com o nome de GP da Europa, vencida por Nico Rosberg, da Mercedes. A equipe alemã voltou a ganhar ali com Hamilton, em 2018, e com Bottas, em 2019. Depois disso, a pista virou território da Red Bull, que venceu quatro das últimas cinco edições e soma cinco vitórias em Baku. Pérez e Verstappen são os maiores vencedores, com duas cada.
No ano passado, Verstappen fez um grand chelem: pole, vitória, volta mais rápida e liderança de todas as voltas. Russell terminou em segundo, e Carlos Sainz levou a Williams ao pódio. Antonelli, então estreante, foi o quarto. Piastri, que brigava pelo título, bateu na primeira volta.
Verstappen, sexto no campeonato, chega depois do segundo lugar em Madri. Em agosto, o holandês, que a Forbes aponta como o piloto mais bem pago da F1, renovou com a Red Bull até 2030. Ainda não venceu em 2026.
Horários e onde assistir ao GP do Azerbaijão
O fim de semana foi antecipado em um dia porque o domingo, 27 de setembro, é o Dia da Lembrança no Azerbaijão, data de luto nacional pelos militares mortos na Segunda Guerra de Nagorno-Karabakh, em 2020. Os horários, em Brasília:
- Treino livre 1: quinta-feira (24), às 5h30
- Treino livre 2: quinta-feira (24), às 9h
- Treino livre 3: sexta-feira (25), às 5h30
- Classificação: sexta-feira (25), às 9h
- Corrida: sábado (26), às 8h
A corrida não passa ao vivo na TV aberta. O GP do Azerbaijão está entre as etapas que a Globo deixou fora da grade de 2026, e a transmissão fica com o SporTV, o Globoplay e o F1 TV, o serviço de streaming da própria categoria. A Globo exibe um compacto da prova na madrugada de domingo, depois do Altas Horas. O guia de onde assistir ao GP do Azerbaijão detalha as opções de TV paga e streaming.
Para o torcedor brasileiro, o fim de semana também é de Gabriel Bortoleto. O piloto da Audi é o 14º colocado do campeonato, com 10 pontos, e terminou em 13º em Madri.
O que a reta final de Antonelli ensina sobre alta performance
A frase de Antonelli em Baku resume um princípio que vale para qualquer esporte: o placar geral é consequência, não objetivo de cada dia. Quem chega a uma pista de muro colado pensando no título tende a correr para não perder.
Madri também deixou uma lição menos confortável. Antonelli venceu uma corrida em que, pelas próprias palavras, outro piloto merecia ganhar, e disse isso em público logo depois da bandeirada. Reconhecer que o resultado veio com ajuda do acaso é o que permite olhar para o desempenho real, e não para a tabela, na hora de se preparar para o fim de semana seguinte.
Aos 20 anos, com 81 pontos de vantagem, o maior risco de Antonelli talvez não seja técnico. É o de trocar o processo que o colocou ali pela administração da vantagem. Baku, com seus muros, seus safety cars e seu histórico de líderes derrubados no fim, é o teste perfeito para saber qual dos dois vai prevalecer.
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