Carolina Alves precisou de 48 minutos para resolver a última rodada do qualifying do DIRECTV Open, torneio WTA 125 disputado no saibro de Sopó, na Colômbia. Neste domingo (8), a brasileira venceu a colombiana Sara Alejandra Lozano Avellaneda por 6/0 e 6/0 e garantiu vaga na chave principal.
O placar conta só parte da história. Carol, como é conhecida no circuito, ganhou 48 dos 60 pontos disputados, não enfrentou nenhum break point e venceu todos os pontos jogados com o primeiro saque. Foi o tipo de partida em que a adversária não encontra porta de entrada.
48 pontos contra 12: os números do duplo 6/0
As estatísticas do Tennis Majors, que registrou o jogo ponto a ponto, mostram um domínio quase completo. A brasileira converteu 6 dos 9 break points que teve e ganhou 24 dos 30 pontos disputados no saque da colombiana.
No próprio serviço, Carol colocou 19 de 30 primeiros saques em quadra (63%) e venceu os 19 pontos que vieram dali. Com o segundo saque, ganhou 5 de 11. Fez 2 aces e cometeu apenas 1 dupla falta.
Do outro lado, Lozano Avellaneda sofreu com o saque: foram 5 duplas faltas e nenhum ponto vencido com o segundo serviço em 11 tentativas. A colombiana somou 12 pontos na partida inteira, 6 com o próprio saque e 6 na devolução.

Uma devolução que não deu respiro
O dado que mais chama atenção está na devolução. Carol venceu os 11 pontos jogados contra o segundo saque da adversária, aproveitamento de 100%, e ganhou 13 dos 19 pontos contra o primeiro serviço, ou 68%.
Em um jogo comum, devolver bem o segundo saque já é vantagem. Ganhar todos esses pontos mostra que a brasileira aproveitou as oportunidades no segundo serviço adversário. O número inclui as duplas faltas da colombiana, que também contam como pontos perdidos com o segundo saque.
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Um WTA 125 com campeã de Grand Slam na chave
O DIRECTV Open, também chamado de Cundinamarca Open, pertence à categoria WTA 125, logo abaixo dos torneios WTA 250 no calendário feminino. A premiação é de 115 mil dólares, e as partidas acontecem em quadras de saibro ao ar livre no Hatogrande Golf & Tennis Country Club, na Sabana de Bogotá. A diretora do torneio é a ex-tenista colombiana Fabiola Zuluaga.
Segundo a Federação Colombiana de Tênis, a chave principal reúne nomes como a canadense Bianca Andreescu, campeã do US Open de 2019, a mexicana Renata Zarazúa, a alemã Tatjana Maria e a americana Sloane Stephens. A programação oficial prevê o início da chave principal nesta segunda-feira (9) e as finais de simples e duplas no sábado (14).
Há ainda um fator ambiental. A sede do município de Sopó fica a 2.650 metros acima do nível do mar, de acordo com a prefeitura local. Em altitude, o ar mais rarefeito oferece menos resistência à bola, que viaja mais rápido e exige ajuste fino de controle, sobretudo nos primeiros jogos da semana.
Quem é Carol Meligeni
Carolina Meligeni Rodrigues Alves nasceu em Campinas (SP), em 23 de abril de 1996, e tem 30 anos. É sobrinha de Fernando Meligeni, protagonista de uma das campanhas olímpicas mais lembradas do tênis brasileiro, e irmã de Felipe Meligeni Alves, que joga o circuito masculino.
O melhor ranking da carreira em simples é o 165º lugar, alcançado em setembro de 2022. Em 2019, nos Jogos Pan-Americanos de Lima, conquistou o bronze nas duplas ao lado de Luisa Stefani. Também já defendeu o Brasil na Billie Jean King Cup, a principal competição de seleções do tênis feminino.

A temporada de 2026 já tinha um título expressivo no saibro. Em janeiro, ela venceu o ITF W35 de Buenos Aires ao bater a espanhola Carlota Martínez Círez por 6/0 e 6/2, em 1h11. Em declaração reproduzida pelo Tennis TourTalk, ela atribuiu aquela conquista a uma mudança de mentalidade em relação às finais disputadas no ano anterior.
O que o duplo 6/0 ensina sobre alta performance
A primeira lição é a eficiência. Qualifying é uma semana dentro da semana: quem passa precisa chegar inteiro à chave principal. Resolver a rodada decisiva em 48 minutos significa menos desgaste físico e mental às vésperas da estreia, um ganho que não aparece no placar, mas pesa nos dias seguintes.
A segunda está no padrão de saque. Carol não dependeu de aces: foram só 2. O que fez diferença foi ganhar 100% dos pontos com o primeiro serviço, um indicador de eficiência nessa situação. O placar estatístico, porém, não permite concluir sozinho quais escolhas técnicas produziram cada ponto.
A terceira lição vale para qualquer nível: o segundo saque adversário é oportunidade, não trégua. Vencer 11 de 11 pontos nessa situação mostra o aproveitamento das oportunidades, sem que os números revelem sozinhos a estratégia utilizada. Para atletas amadores e treinadores, o recado é claro: treinar a devolução do segundo saque com intenção de ataque muda a dinâmica de uma partida.
Por fim, a consistência. Com apenas 1 dupla falta em 30 pontos de saque, a brasileira praticamente não deu pontos de graça. Placares elásticos raramente nascem de golpes espetaculares. Nascem de erros que não acontecem.
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