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Giro 2027 terá Mortirolo duas vezes e Zoncolan na véspera de Roma

Jonas Vingegaard ergue o Trofeo Senza Fine com a camisa rosa no pódio do Giro d'Italia 2026 em Roma

O Giro d’Italia de 2027 vai cobrar a conta inteira na última semana. A organização apresentou nesta terça-feira (3), em Roma, o percurso da 110ª edição da Corsa Rosa, e o desenho reserva para os dias finais uma etapa com o Mortirolo duas vezes e o Gavia no meio, além de uma chegada no Monte Zoncolan na véspera do desfile final na capital italiana.

No total, serão 21 etapas, 3.418,9 quilômetros e 50.250 metros de desnível acumulado, de 8 a 30 de maio. A largada será em Trieste, com dois dias passando pela Eslovênia, terra de Tadej Pogacar. O esloveno, porém, já avisou que a presença dele na próxima edição é “muito improvável”.

3.418,9 km e 50.250 metros: os números do Giro 110

O percurso foi revelado na Sala Sinopoli do Auditorium Parco della Musica Ennio Morricone, em evento da RCS Sport, dona da prova. Pelas contas do jornal Corriere della Sera, a edição terá seis etapas para velocistas, oito de média montanha, cinco de alta montanha e dois contrarrelógios individuais. Os dias de descanso caem nas segundas-feiras 17 e 24 de maio.

As etapas que devem definir a classificação geral estão concentradas na segunda metade da prova:

EtapaDataTrajetoDistância
714/05Sulmona a Campo di Giove (contrarrelógio)19,6 km
1422/05Cantù a Piani di Bobbio187 km
1523/05Monza a Milão (contrarrelógio)37,3 km
1625/05Sondrio a Aprica (Mortirolo, Gavia e Mortirolo)192 km
1827/05Rovereto a Madonna di Campiglio154 km
2029/05Pordenone ao Monte Zoncolan180 km

Fonte: Giro d’Italia (RCS Sport).

Largada em Trieste e um fim de semana na Eslovênia

Depois de duas largadas no exterior, na Albânia em 2025 e na Bulgária em 2026, o Giro volta a começar em casa. A primeira etapa, no sábado, 8 de maio, sai e chega em Trieste, tem 172 quilômetros e cerca de 2.400 metros de desnível, com uma passagem pelas colinas eslovenas e três subidas nos últimos 40 quilômetros. A chegada será na Piazza Unità d’Italia.

É a segunda vez que a região do Friuli-Venezia Giulia recebe a Grande Partenza. A primeira foi em 1981, com um prólogo de 6,6 quilômetros em Trieste vencido pelo norueguês Knut Knudsen. No domingo, 9 de maio, a segunda etapa acontece inteira em solo esloveno, de Liubliana a Koper, em 166 quilômetros. Segundo a organização, será apenas a quarta vez que uma etapa do Giro larga na Eslovênia.

A primeira semana ainda tem chegada no autódromo de Misano, homenagem a Michele Scarponi dez anos depois da morte do ciclista, com a etapa 5 saindo de Filottrano, cidade dele, rumo a Sarnano-Sassotetto (139 quilômetros e 3.300 metros de desnível), e Nápoles como cidade de chegada pelo sexto ano seguido. O fecho da semana é a subida a Subiaco-Monte Livata, no domingo, 16 de maio.

Mapa oficial do percurso do Giro d'Italia 2027, de Trieste a Roma, com passagem pela Eslovênia
O traçado do Giro 2027, de Trieste a Roma. Imagem: Giro d’Italia/RCS Sport

Dois contrarrelógios e 56,9 km contra o relógio

A luta contra o relógio volta a ter peso. A etapa 7, na sexta-feira, 14 de maio, é um contrarrelógio de 19,6 quilômetros entre Sulmona e Campo di Giove, com a segunda metade em subida de cerca de 5% de inclinação média, segundo a organização. Já a etapa 15, no domingo, 23 de maio, tem 37,3 quilômetros quase planos, com largada dentro do Autódromo Nacional de Monza e chegada em Milão.

Somados, são 56,9 quilômetros de contrarrelógio individual. O número fica abaixo dos 71 quilômetros do Tour de France de 2027, apresentado em outubro, que terá dois contrarrelógios longos e foi lido como um convite a Remco Evenepoel. Os dois últimos contrarrelógios do Giro com chegada em Milão, em 2020 e 2021, foram vencidos pelo italiano Filippo Ganna.

O traçado também passa por três grandes autódromos italianos: Misano, Mugello, onde termina a etapa mais longa da prova (220 quilômetros), e Monza.

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Sondrio a Aprica: Mortirolo, Gavia e Mortirolo de novo

A etapa mais dura está marcada para a terça-feira, 25 de maio, logo depois do segundo dia de descanso. São 192 quilômetros entre Sondrio e Aprica, com cerca de 5.700 metros de desnível, numa sequência que a organização classifica como inédita: Mortirolo, Gavia e Mortirolo outra vez. No papel, é o dia mais exigente de todo o Giro.

O Mortirolo será a Montagna Pantani, homenagem a Marco Pantani, e o Gavia será a Cima Coppi, título dado ao ponto mais alto da prova. Pelos registros da organização, o Mortirolo já apareceu 17 vezes no Giro, a primeira em 1990 e a mais recente em 2025. O Gavia foi escalado dez vezes, a última em 2014.

Antes disso, o segundo fim de semana já terá mexido na classificação. No sábado, 22 de maio, a etapa entre Cantù e Piani di Bobbio soma 187 quilômetros e 4.900 metros de desnível, com Ghisallo, Culmine di San Pietro, Miragolo San Salvatore e Alino antes da chegada em subida. No dia seguinte, vem o contrarrelógio de Monza.

Zoncolan decide na véspera de Roma

A terceira semana segue com Madonna di Campiglio, na quinta-feira, 27 de maio, sétima chegada em subida da edição. O juiz final, porém, é o Monte Zoncolan, no sábado, 29 de maio. A etapa sai de Pordenone, tem 180 quilômetros e passa pelo Passo Duron e por Sella Valcalda antes da subida final.

O Zoncolan será escalado pelo lado de Ovaro, o mais duro: 10,1 quilômetros com média de 11,9% e rampas de até 22%, segundo a organização. Foi por esse lado que Chris Froome venceu em 2018. Será a oitava chegada do Giro no Zoncolan, a primeira desde a vitória de Lorenzo Fortunato em 2021.

No domingo, 30 de maio, o pelotão encerra a prova em Roma com 131 quilômetros planos, oito voltas em um circuito de cerca de 9 quilômetros. É a quinta vez seguida que a capital recebe o final do Giro, algo inédito na história da corrida.

Jonas Vingegaard pedala com a camisa rosa de líder durante o Giro d'Italia 2026
Vingegaard de rosa no Giro 2026, que venceu na estreia na prova. Foto: Giro d’Italia

Vingegaard é o campeão; Pogacar diz que é “muito improvável”

O atual campeão é Jonas Vingegaard. Na primeira participação no Giro, em 2026, o dinamarquês da Visma-Lease a Bike venceu cinco das seis chegadas em subida, terminou 5min22s à frente de Felix Gall e 6min25s à frente de Jai Hindley e se tornou o oitavo ciclista da história a vencer as três grandes voltas, de acordo com a organização.

A largada na Eslovênia alimentou a expectativa de um retorno de Pogacar, campeão do Giro em 2024. O esloveno, que fechou 2026 com o quinto título do Tour de France e depois deixou a Vuelta após uma queda que, como revelou ao The Athletic, fraturou três vértebras, falou sobre 2027 numa entrevista coletiva em um evento beneficente, segundo o site esloveno Siol. Disse que o plano é combinar o Mundial com o Tour e a Vuelta. “Embora eu prefira correr o Giro, vou ter que correr a Vuelta em algum momento”, afirmou.

Sobre as etapas em casa, admitiu o apelo: “Quando uma etapa do Giro passa pela Eslovênia, é uma experiência única para os eslovenos. Se isso acontecesse, seria fenomenal. Mas, quanto à minha participação no próximo Giro, isso é muito improvável”.

Outro nome observado é Remco Evenepoel. Ralph Denk, chefe da Red Bull-BORA-hansgrohe, disse ao jornal belga HLN, segundo o site Domestique, que era cedo para decidir se o belga faria Giro e Tour no mesmo ano, mas deixou a posição clara: “Pessoalmente, não sou fã”.

Giro Women termina aos pés do Monte Branco

A RCS também apresentou o Giro d’Italia Women de 2027, que larga em Viareggio no sábado, 29 de maio, véspera do fim da prova masculina, e termina no domingo, 6 de junho. Serão nove etapas, 1.132 quilômetros e 17.450 metros de desnível, segundo a Gazzetta dello Sport.

A corrida feminina terá chegadas em subida no Passo della Presolana (etapa 4) e em Madesimo (etapa 6), um contrarrelógio em subida de 11 quilômetros em Valdigne no sábado, 5 de junho, e uma etapa final de 132 quilômetros e 3.950 metros de desnível no Vale de Aosta, batizada de Monte Bianco Stage.

O que isso ensina sobre alta performance

O Giro de 2027 premia quem chega inteiro à terceira semana. A etapa de Aprica vem depois de 15 dias de prova e o Zoncolan aparece no 20º, quando o cansaço acumulado pesa tanto quanto a inclinação. Para quem treina, é o lembrete de que a resistência à fadiga, a capacidade de render bem no fim de um bloco longo, é tão treinável quanto a potência máxima.

O percurso também cobra versatilidade. Um mesmo atleta precisa se defender em 56,9 quilômetros de contrarrelógio, sobreviver a dias de 5.700 metros de desnível e administrar esforço numa subida de 10 quilômetros a quase 12% de média. A preparação que funciona é a que equilibra os dois mundos: ritmo constante contra o relógio e força para as rampas mais duras.

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