Placar

ARTIGOS E NOTÍCIAS ATLETA PRO

História da Olympikus: como a Vulcabras virou o jogo na corrida

Corredores na Maratona Internacional de Porto Alegre ao lado do logotipo da Olympikus em branco sobre fundo preto

A história da Olympikus tem duas metades. Na primeira, a marca gaúcha criada em 1975 era lembrada pelo preço baixo, e a dona dela, a Vulcabras, fechou 2015 com prejuízo, dívida líquida de R$ 640 milhões e patrimônio líquido de apenas R$ 35,8 milhões.

Na segunda, a empresa apostou num tênis de corrida feito para brigar com as marcas globais. Dez anos depois, a Vulcabras teve receita bruta de R$ 4,16 bilhões em 2025, e a Olympikus foi, pelo terceiro ano seguido, a marca mais usada pelos corredores brasileiros no Strava.

O empresário Diogo Moraes contou essa virada num carrossel publicado no Instagram:

Ver este post no Instagram

Uma marca de 1975 que virou sinônimo de tênis barato

A Olympikus nasceu em 1975 dentro da Calçados Azaleia, fabricante de Parobé (RS) que até então fazia sapatos femininos. Em 2007, a Vulcabras comprou a Azaleia e herdou a marca esportiva.

Por muito tempo, o consumidor enxergou a Olympikus como sinônimo de tênis barato. O argumento de venda era o preço, não a tecnologia.

Par de tênis de corrida Olympikus preto e vermelho com etiqueta de preço de R$ 155 numa loja
Por décadas, o preço foi o principal argumento da Olympikus na prateleira. Foto: Almanaque Lusofonista (domínio público), Wikimedia Commons

Quando Pedro Bartelle assumiu o comando da Vulcabras, em 2015, a empresa acumulava anos de prejuízo. O balanço daquele ano mostra o tamanho do buraco: perda líquida de R$ 49,9 milhões e dívida líquida de R$ 640,4 milhões, o equivalente a 5,4 vezes o Ebitda.

A saída começou pelas contas. Em outubro de 2017, a Vulcabras voltou à bolsa numa oferta de cerca de R$ 747 milhões, usou o dinheiro para pagar dívida e terminou aquele ano com mais caixa do que empréstimos.

A meta de Bartelle: um tênis que vencesse uma maratona

A virada de produto veio de uma meta simples: fazer a Olympikus vencer uma maratona. “Se vencermos uma maratona, vamos conseguir trazer mais prestígio para a marca Olympikus”, disse Bartelle à Exame.

O resultado foi a linha Corre, lançada em 2019 como tênis de performance para disputar espaço com os modelos mais técnicos do mercado. O desenvolvimento fica no OlyLab, o centro de tecnologia da marca, ao lado da fábrica de Parobé.

Ao mesmo tempo, a empresa se concentrou no esporte. Em 2018, fechou a licença exclusiva da Under Armour no Brasil. Em 2020, comprou a operação brasileira da Mizuno por R$ 32,5 milhões e licenciou a marca Azaleia para a Grendene. Em 2021, deixou de se chamar Vulcabras Azaleia.

O teto de preço subiu junto. Em fevereiro de 2026, a Olympikus apresentou o Corre Pace, com placa de fibra de carbono e 140 gramas, vendido a R$ 1.999,99 numa edição de 1.500 pares. É o tênis mais caro já feito pela empresa.

Atleta Pro News

O esporte que importa, 3 vezes por semana no seu e-mail

Resultados, bastidores e histórias do esporte, direto na sua caixa de entrada. Grátis.

Ao assinar, você aceita receber os e-mails do Atleta Pro. Dá para sair quando quiser. Política de privacidade.

Strava e Porto Alegre: a prova feita na rua

A meta se mede no pé de quem corre. Na Maratona Internacional de Porto Alegre, patrocinada pela Olympikus, a marca conta os tênis na chegada. “Saímos de 1% em 2019 e, em 2025, tivemos 30% dos atletas finalizando com um tênis da marca no pé”, disse o diretor de marketing Márcio Callage à Máquina do Esporte. A contagem é da própria marca.

Em 2026, a Olympikus assumiu os naming rights da prova, que passou a distribuir R$ 1 milhão em premiação, o maior valor pago hoje por uma prova brasileira.

No Strava, a Olympikus foi a marca mais usada pelos corredores brasileiros em 2023, 2024 e 2025, segundo a Vulcabras. Só em 2025, patrocinou 38 provas em 26 cidades, com mais de 150 mil corredores. A aproximação com a plataforma rendeu até um tênis próprio, como o Atleta Pro mostrou em Olympikus e Strava: como collabs podem fortalecer marcas e atletas.

O efeito chegou ao balanço. Em 2025, a Vulcabras teve receita líquida de R$ 3,56 bilhões, alta de 16,8%, e lucro líquido recorrente de R$ 572,9 milhões. No quarto trimestre, a receita líquida passou de R$ 1 bilhão pela primeira vez. A Olympikus responde por mais da metade da receita do grupo, e a linha Corre por mais de 20% das vendas da marca.

Perguntas frequentes sobre a Olympikus

Quando a Olympikus foi fundada?

Em 1975, pela Calçados Azaleia, no Rio Grande do Sul. Desde 2007, a marca pertence à Vulcabras.

Quais marcas a Vulcabras fabrica?

A Olympikus, que é marca própria, e a Mizuno e a Under Armour, que a Vulcabras opera no Brasil.

Quanto fatura a Vulcabras?

Em 2025, a receita bruta foi de R$ 4,16 bilhões e a receita líquida, de R$ 3,56 bilhões, segundo o balanço da companhia.

O que a história da Olympikus ensina sobre alta performance

A Olympikus não mudou de patamar com uma campanha. Mudou quando escolheu um alvo que dava para medir, vencer maratona, e passou anos construindo produto, laboratório e presença em prova até o número aparecer na linha de chegada.

É a lógica de um ciclo de treino: meta clara, processo repetido e paciência. De 1% a 30% em Porto Alegre foram seis anos. No lado comercial do esporte, o mesmo raciocínio aparece na história da Alpinestars e no que a Adidas avalia antes de patrocinar um atleta.

Meta clara, processo e paciência também valem para a sua carreira

Conheça a Atleta Pro Academy e treine com a mentalidade e os métodos da alta performance.

Conhecer a Atleta Pro Academy

Foto de Diogo Moraes
Diogo Moraes

Compartilhe:

Facebook
Twitter
Pinterest
LinkedIn

Quer receber conteúdos como esse direto no seu e-mail?

Clique no botão abaixo e inscreva-se na Newsletter do Atleta.

Atleta Pro News

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados: