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Mundial de Gravel 2026: Avancini é 11º e Bak Klaris vence no sprint

Henrique Avancini e Renan Borges pedalam na estrada de terra de Nannup antes do Mundial de Gravel 2026

O dinamarquês Magnus Bak Klaris é o novo campeão mundial de gravel. Neste domingo (11), em Nannup, na Austrália Ocidental, ele venceu um sprint a quatro depois de 144 km e 4h09min05s de prova e tirou o título de Florian Vermeersch, o belga que defendia a camisa arco-íris. Henrique Avancini foi o melhor brasileiro, em 11º, a 3min29s do vencedor.

No sábado (10), Marianne Vos venceu a elite feminina e chegou ao 15º título mundial da carreira. Nas categorias de idade, Renan Borges, membro da Atleta Pro Academy, completou o primeiro Mundial dele.

Henrique Avancini e Renan Borges pedalam na estrada de terra de Nannup antes do Mundial de Gravel 2026
Henrique Avancini (à esquerda) e Renan Borges no reconhecimento do percurso, na sexta-feira (9). Foto: reprodução Instagram @renan.borgess

Elite masculina: o gregário que virou campeão

Bak Klaris não era o líder da Dinamarca. Passou boa parte do dia trabalhando para Mads Würtz Schmidt, campeão europeu e vencedor da Unbound em 2026, fechando ataques e controlando o pelotão atrás da fuga de Lukas Pöstlberger, Jenson Young e Peter Schulting, que ficou mais de 100 km na frente.

A prova se decidiu no Folly Climb, a cerca de 21 km do fim: Swift, Würtz Schmidt, Bak Klaris e o tcheco Stošek saíram na frente, e Vermeersch só voltou ao grupo a 12 km da chegada. Na última subida, a Tank 7, Würtz Schmidt atacou, caiu na descida seguinte e ainda conseguiu voltar a 1,4 km do fim. No sprint, Connor Swift precisou puxar a 300 m da linha, e Bak Klaris saiu da roda dele nos metros finais.

“Normalmente eu não tenho um sprint muito bom, então só tentei achar a roda”, disse o dinamarquês à Cyclingnews. Aos 30 anos, ele venceu a Paris-Roubaix júnior em 2014, nunca chegou ao WorldTour e se tornou especialista em gravel. É o primeiro título mundial dele.

Pos.AtletaTempo
1ºMagnus Bak Klaris (DIN)4h09min05s
2ºFlorian Vermeersch (BEL)mesmo tempo
3ºConnor Swift (GBR)mesmo tempo
4ºMads Würtz Schmidt (DIN)mesmo tempo
5ºPaul Voss (ALE)+7s
11ºHenrique Avancini (BRA)+3min29s

Avancini no grupo da frente até o Folly Climb

Avancini, que se classificou ao vencer a etapa de Camboriú da UCI Gravel World Series em março e foi campeão do 1º Campeonato Brasileiro de Gravel em julho, correu boa parte da prova com os favoritos. Ficou para trás na primeira subida e na aceleração de Würtz Schmidt na Ellis Creek, e nas duas vezes voltou ao grupo.

As parciais oficiais mostram até onde ele foi com a frente: na base do Folly Climb, a cerca de 25 km da chegada, Avancini passou 1 segundo depois de Bak Klaris. No alto da subida, a diferença era de 32 segundos. Foi no trecho final, do Folly à chegada, que ele perdeu quase três minutos.

O campeão mundial de maratona de MTB em 2018 era o único brasileiro na elite masculina. O Brasil não teve representante na elite feminina.

Vos chega ao 15º título mundial

No sábado, nos 125,6 km da prova feminina, Vos e a alemã Rosa Klöser saíram juntas a cerca de 21 km do fim. Klöser atacou várias vezes sem soltar a holandesa, que atacou no alto da última subida. Na curva seguinte, Klöser perdeu a roda da frente, caiu e terminou em segundo, a 27 segundos.

“Fiquei triste por ela ter caído, porque essa não é uma forma bonita de vencer a concorrência”, disse Vos à Cyclingnews. Aos 39 anos, ela é a primeira a ganhar duas vezes o Mundial de Gravel (2024 e 2026) e soma 15 títulos mundiais entre estrada, ciclocross, pista e gravel.

Marianne Vos pedalando com mangas de campeã mundial no Tour de France Femmes 2025
Marianne Vos no Tour de France Femmes 2025. Foto: Tournasol7 / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)
Pos.AtletaTempo
1ºMarianne Vos (HOL)4h30min04s
2ºRosa Klöser (ALE)+27s
3ºLarissa Hartog (HOL)+2min15s
4ºNele Laing (ALE)+2min15s
5ºErica Magnaldi (ITA)+4min17s

Renan Borges completa a estreia

Na categoria 19 a 34 anos, que larga logo depois da elite e corre o mesmo traçado de 144 km e 3.713 m de subida, Renan Borges terminou em 48º lugar, entre mais de 90 atletas que completaram a prova. Fez 5h07min41s, a 27min41s do belga Laurens Boons, vencedor da categoria.

Membro da Atleta Pro Academy, o gaúcho chegou a Nannup depois de sete meses de preparação e de um evento próprio de arrecadação para pagar a viagem, história que o portal contou na véspera da prova. Dois dias antes da largada, ele reconheceu os quilômetros finais do percurso, incluindo o Folly Climb, ao lado de Avancini.

“Eu não faço ideia do que isso representa a nível mundial e amanhã eu vou descobrir”, tinha escrito Renan na véspera. A resposta veio no primeiro Mundial da carreira: o meio da classificação de uma das categorias mais cheias da prova.

Renan Borges com a camisa da seleção brasileira e a bicicleta com o número 629 do Mundial de Gravel em Nannup
Renan Borges em Nannup, com a camisa da seleção e o número 629. Fotos: reprodução Instagram @renan.borgess

Os outros brasileiros em Nannup

Além de Avancini e Renan, mais três brasileiros completaram o Mundial nas categorias de idade:

AtletaCategoriaPosiçãoTempo
Henrique AvanciniElite masculina11º4h12min34s
Bruno RebelloMasculino 19-3423º4h55min57s
Renan BorgesMasculino 19-3448º5h07min41s
Luiz EscuderoMasculino 60-6457º6h55min16s
Edgard Trabulsi AunMasculino 60-6458º7h03min08s

Bruno Rebello foi o melhor brasileiro fora da elite. Na mesma categoria de Renan, cresceu ao longo da prova: as parciais oficiais mostram que ele marcou o 36º tempo do primeiro trecho e o 15º da subida do Folly Climb, antes de cruzar a linha em 23º.

Luiz Escudero e Edgard Trabulsi Aun, que garantiram a vaga em Camboriú, correram no sábado o percurso de 125,6 km dos homens de 50 a 64 anos. Duas brasileiras inscritas, Karim de Sousa Marins (feminino 19-34) e Karina Pettinatti (feminino 50-54), não largaram.

Na etapa de Camboriú, 60 brasileiros conquistaram vaga para o Mundial. Na lista oficial de Nannup, primeira edição disputada fora da Europa, havia sete inscritos, e cinco completaram a prova.

O que o Mundial de Nannup ensina sobre alta performance

Papel bem cumprido abre porta. Bak Klaris passou o dia trabalhando para outro atleta e, quando a corrida pediu, estava no lugar certo. A disciplina tática do gregário é a mesma que coloca o atleta em posição de vencer.

Prova longa se decide no último quarto. Avancini estava com os primeiros na base do Folly Climb, a 25 km do fim, e foi nesse trecho final que a diferença de quase três minutos apareceu. Em 144 km, é ali que o fôlego guardado vale mais.

Longevidade é processo. Aos 39 anos, Vos venceu num ano que ela mesma chamou de difícil. Quinze títulos mundiais não vêm de um pico, vêm de duas décadas de constância.

A estreia mede a distância. Para Renan, o primeiro Mundial é o retrato de onde ele está entre os melhores do mundo da categoria. É esse número, e não a expectativa, que organiza o próximo ciclo.

Do primeiro Mundial ao próximo ciclo, com método.

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Foto de Diogo Moraes
Diogo Moraes

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