O dinamarquês Magnus Bak Klaris é o novo campeão mundial de gravel. Neste domingo (11), em Nannup, na Austrália Ocidental, ele venceu um sprint a quatro depois de 144 km e 4h09min05s de prova e tirou o título de Florian Vermeersch, o belga que defendia a camisa arco-íris. Henrique Avancini foi o melhor brasileiro, em 11º, a 3min29s do vencedor.
No sábado (10), Marianne Vos venceu a elite feminina e chegou ao 15º título mundial da carreira. Nas categorias de idade, Renan Borges, membro da Atleta Pro Academy, completou o primeiro Mundial dele.

Elite masculina: o gregário que virou campeão
Bak Klaris não era o líder da Dinamarca. Passou boa parte do dia trabalhando para Mads Würtz Schmidt, campeão europeu e vencedor da Unbound em 2026, fechando ataques e controlando o pelotão atrás da fuga de Lukas Pöstlberger, Jenson Young e Peter Schulting, que ficou mais de 100 km na frente.
A prova se decidiu no Folly Climb, a cerca de 21 km do fim: Swift, Würtz Schmidt, Bak Klaris e o tcheco Stošek saíram na frente, e Vermeersch só voltou ao grupo a 12 km da chegada. Na última subida, a Tank 7, Würtz Schmidt atacou, caiu na descida seguinte e ainda conseguiu voltar a 1,4 km do fim. No sprint, Connor Swift precisou puxar a 300 m da linha, e Bak Klaris saiu da roda dele nos metros finais.
“Normalmente eu não tenho um sprint muito bom, então só tentei achar a roda”, disse o dinamarquês à Cyclingnews. Aos 30 anos, ele venceu a Paris-Roubaix júnior em 2014, nunca chegou ao WorldTour e se tornou especialista em gravel. É o primeiro título mundial dele.
| Pos. | Atleta | Tempo |
|---|---|---|
| 1º | Magnus Bak Klaris (DIN) | 4h09min05s |
| 2º | Florian Vermeersch (BEL) | mesmo tempo |
| 3º | Connor Swift (GBR) | mesmo tempo |
| 4º | Mads Würtz Schmidt (DIN) | mesmo tempo |
| 5º | Paul Voss (ALE) | +7s |
| 11º | Henrique Avancini (BRA) | +3min29s |
Avancini no grupo da frente até o Folly Climb
Avancini, que se classificou ao vencer a etapa de Camboriú da UCI Gravel World Series em março e foi campeão do 1º Campeonato Brasileiro de Gravel em julho, correu boa parte da prova com os favoritos. Ficou para trás na primeira subida e na aceleração de Würtz Schmidt na Ellis Creek, e nas duas vezes voltou ao grupo.
As parciais oficiais mostram até onde ele foi com a frente: na base do Folly Climb, a cerca de 25 km da chegada, Avancini passou 1 segundo depois de Bak Klaris. No alto da subida, a diferença era de 32 segundos. Foi no trecho final, do Folly à chegada, que ele perdeu quase três minutos.
O campeão mundial de maratona de MTB em 2018 era o único brasileiro na elite masculina. O Brasil não teve representante na elite feminina.
Vos chega ao 15º título mundial
No sábado, nos 125,6 km da prova feminina, Vos e a alemã Rosa Klöser saíram juntas a cerca de 21 km do fim. Klöser atacou várias vezes sem soltar a holandesa, que atacou no alto da última subida. Na curva seguinte, Klöser perdeu a roda da frente, caiu e terminou em segundo, a 27 segundos.
“Fiquei triste por ela ter caído, porque essa não é uma forma bonita de vencer a concorrência”, disse Vos à Cyclingnews. Aos 39 anos, ela é a primeira a ganhar duas vezes o Mundial de Gravel (2024 e 2026) e soma 15 títulos mundiais entre estrada, ciclocross, pista e gravel.

| Pos. | Atleta | Tempo |
|---|---|---|
| 1º | Marianne Vos (HOL) | 4h30min04s |
| 2º | Rosa Klöser (ALE) | +27s |
| 3º | Larissa Hartog (HOL) | +2min15s |
| 4º | Nele Laing (ALE) | +2min15s |
| 5º | Erica Magnaldi (ITA) | +4min17s |
Renan Borges completa a estreia
Na categoria 19 a 34 anos, que larga logo depois da elite e corre o mesmo traçado de 144 km e 3.713 m de subida, Renan Borges terminou em 48º lugar, entre mais de 90 atletas que completaram a prova. Fez 5h07min41s, a 27min41s do belga Laurens Boons, vencedor da categoria.
Membro da Atleta Pro Academy, o gaúcho chegou a Nannup depois de sete meses de preparação e de um evento próprio de arrecadação para pagar a viagem, história que o portal contou na véspera da prova. Dois dias antes da largada, ele reconheceu os quilômetros finais do percurso, incluindo o Folly Climb, ao lado de Avancini.
“Eu não faço ideia do que isso representa a nível mundial e amanhã eu vou descobrir”, tinha escrito Renan na véspera. A resposta veio no primeiro Mundial da carreira: o meio da classificação de uma das categorias mais cheias da prova.

Os outros brasileiros em Nannup
Além de Avancini e Renan, mais três brasileiros completaram o Mundial nas categorias de idade:
| Atleta | Categoria | Posição | Tempo |
|---|---|---|---|
| Henrique Avancini | Elite masculina | 11º | 4h12min34s |
| Bruno Rebello | Masculino 19-34 | 23º | 4h55min57s |
| Renan Borges | Masculino 19-34 | 48º | 5h07min41s |
| Luiz Escudero | Masculino 60-64 | 57º | 6h55min16s |
| Edgard Trabulsi Aun | Masculino 60-64 | 58º | 7h03min08s |
Bruno Rebello foi o melhor brasileiro fora da elite. Na mesma categoria de Renan, cresceu ao longo da prova: as parciais oficiais mostram que ele marcou o 36º tempo do primeiro trecho e o 15º da subida do Folly Climb, antes de cruzar a linha em 23º.
Luiz Escudero e Edgard Trabulsi Aun, que garantiram a vaga em Camboriú, correram no sábado o percurso de 125,6 km dos homens de 50 a 64 anos. Duas brasileiras inscritas, Karim de Sousa Marins (feminino 19-34) e Karina Pettinatti (feminino 50-54), não largaram.
Na etapa de Camboriú, 60 brasileiros conquistaram vaga para o Mundial. Na lista oficial de Nannup, primeira edição disputada fora da Europa, havia sete inscritos, e cinco completaram a prova.
O que o Mundial de Nannup ensina sobre alta performance
Papel bem cumprido abre porta. Bak Klaris passou o dia trabalhando para outro atleta e, quando a corrida pediu, estava no lugar certo. A disciplina tática do gregário é a mesma que coloca o atleta em posição de vencer.
Prova longa se decide no último quarto. Avancini estava com os primeiros na base do Folly Climb, a 25 km do fim, e foi nesse trecho final que a diferença de quase três minutos apareceu. Em 144 km, é ali que o fôlego guardado vale mais.
Longevidade é processo. Aos 39 anos, Vos venceu num ano que ela mesma chamou de difícil. Quinze títulos mundiais não vêm de um pico, vêm de duas décadas de constância.
A estreia mede a distância. Para Renan, o primeiro Mundial é o retrato de onde ele está entre os melhores do mundo da categoria. É esse número, e não a expectativa, que organiza o próximo ciclo.
Do primeiro Mundial ao próximo ciclo, com método.
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