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Nick Walker é campeão do Mr. Olympia 2026 e derruba três ex-campeões

Nick Walker com a medalha de ouro de campeão do Mr. Olympia 2026, em entrevista no palco da Orleans Arena, em Las Vegas

Nick Walker precisou de cinco anos, duas desistências por lesão e um sexto lugar para chegar lá. Na noite de sábado (26), na Orleans Arena, em Las Vegas, o americano de 32 anos venceu o Mr. Olympia 2026, o título mais importante do fisiculturismo, e levou o Sandow, a estatueta do campeão, e o cheque de US$ 600 mil.

Walker bateu três ex-campeões na mesma final. O britânico Samson Dauda, vencedor em 2024, ficou em segundo. O americano Derek Lunsford, dono dos títulos de 2023 e 2025, terminou em terceiro e perdeu a chance de ser o primeiro tricampeão desde Phil Heath. Brandon Curry, campeão de 2019, foi o nono.

O resultado do Mr. Olympia 2026

A vitória saiu por dois pontos. Na súmula divulgada pelo Fitness Volt, Walker somou 18, contra 20 de Dauda e 24 de Lunsford. No fisiculturismo, a pontuação soma as colocações dadas por cada juiz: quanto menor, melhor.

PosiçãoAtletaPaísPontos
1ºNick WalkerEUA18
2ºSamson DaudaReino Unido20
3ºDerek LunsfordEUA24
4ºAndrew JackedEmirados Árabes Unidos40
5ºTonio BurtonEUA50
6ºMichal KrizoEslováquia64
7ºRegan GrimesCanadá77
8ºBehrooz TabaniIrã82
9ºBrandon CurryEUA89
10ºJames HollingsheadReino Unido100
Top 10 do Mr. Olympia 2026. Fonte: Fitness Volt

Além do título, Walker foi eleito o People’s Champion, o prêmio de voto popular do evento. Andrew Jacked, terceiro colocado em 2025, chegou a Las Vegas invicto desde aquele Olympia e ficou fora do pódio. O Brasil não teve atleta no top 10 da categoria principal.

Dauda venceu a final, mas perdeu na prévia

O Mr. Olympia é decidido em dois dias. As prévias da sexta-feira (25) concentram as comparações lado a lado, e a final de sábado fecha a conta. Dauda foi o melhor da noite de sábado: recebeu o primeiro lugar de todos os juízes na final. Na sexta, porém, tinha recebido o terceiro de todos, e o buraco da prévia não fechou.

A própria transmissão oficial reconheceu isso logo depois do anúncio. “Se o Samson estivesse ontem do jeito que estava hoje, podia ter dado outro resultado”, disse um dos comentaristas. “É tudo uma questão de timing. Principalmente agora, na era moderna, em que o campeonato tem dois dias.”

Nick Walker, Samson Dauda e Derek Lunsford, com a medalha de bronze, no palco da final do Mr. Olympia 2026 antes do anúncio do campeão
Walker, à esquerda, e Dauda esperam o anúncio do campeão; Lunsford, já com o bronze, à direita. Foto: Reprodução/OlympiaTV

Cinco anos entre o pódio e o título

Walker estreou no Olympia em 2021, ano em que também venceu o Arnold Classic, e terminou em quinto. Em 2022 foi terceiro, atrás de Hadi Choopan e Lunsford, e ganhou o voto popular. O título parecia questão de tempo.

Não foi. Em 2023, uma ruptura no músculo posterior da coxa durante a preparação o tirou do campeonato. Em 2024, classificou-se vencendo o New York Pro e voltou a desistir. Em 2025, enfim de volta ao palco, ficou em sexto.

Para 2026, trocou de treinador. Contratou Prabh Dhaliwal, venceu o Tampa Pro e garantiu a vaga. No palco, com o Sandow à frente, citou o técnico antes de todo mundo. “Ele me trouxe de volta à vida. Fez isso ficar divertido de novo. Não acho que eu estaria nesta posição sem ele este ano”, disse.

Depois vieram os pais. “Eu não seria o Mutante, não seria nada sem os meus pais. Posso ser o Mr. Olympia, mas eles são os verdadeiros vencedores desta noite.” Mutante é o apelido de Walker desde o começo da carreira.

“Eu disse que não dava”

A entrevista no palco teve acerto de contas. Bob Cicherillo, apresentador do Olympia e crítico de Walker ao longo dos anos, admitiu o erro ao vivo. “Eu disse que não dava para fazer”, afirmou, antes de dar o crédito: “O seu plano estava certo. E você seguiu à risca.”

Walker usou o microfone para mandar um recado. “Nunca acreditem na negatividade que vocês ouvem. Se vocês acreditam de verdade em si mesmos e têm confiança, podem fazer o que quiserem. E eu fiz isso esta noite.”

Além do Sandow, da medalha e do cheque, ele recebeu o anel de campeão, que a organização estreou neste ano como nova tradição. Como campeão, Walker também passa a ter vaga garantida nas próximas edições, sem precisar se classificar de novo.

O Brasil saiu de Las Vegas com dois títulos no fim de semana, de Natalia Coelho e Eduarda Bezerra, e o vice de Lucas Garcia na 212. O balanço completo está em Brasil sai do Mr. Olympia 2026 com dois títulos e sete pódios. A história da competição está nas 10 curiosidades do Mr. Olympia.

O que o título de Walker ensina sobre alta performance

A linha do tempo de Walker no Olympia é quinto, terceiro, fora, fora, sexto e campeão. Entre o pódio de 2022 e o título de 2026 há duas temporadas perdidas por lesão e uma volta sem brilho. Nenhuma delas encerrou a carreira, porque o resultado ruim foi tratado como dado, não como sentença.

A segunda lição está na troca de método. Quando o processo parou de entregar, Walker mudou de treinador em vez de repetir a mesma preparação esperando outro resultado. E a terceira está em Dauda: o melhor físico da noite de sábado perdeu porque não estava no auge na sexta. Em qualquer esporte com mais de um dia de avaliação, chegar no ponto certo na hora certa é parte do treino, e não sorte.

Do sexto lugar ao título: processo mais tempo é igual a resultado

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Foto de Diogo Moraes
Diogo Moraes

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