A Cimed abriu a venda da Urso nesta quarta-feira, 26 de agosto, e o site da marca não sobreviveu à primeira tarde. A pré-venda para a comunidade foi liberada às 11h59. A abertura para o público geral estava marcada para as 17h. Às 15h40, antes de a segunda janela abrir, o CEO João Adibe Marques já publicava nas redes que tinha acabado tudo: “Recorde inacreditável, esgotamos tudo em 8 minutos”.
Quem entra hoje em ursocimed.com.br encontra uma frase em caixa alta (“1º DROP ESGOTADO EM 8 MINUTOS”), um botão de “avise-me no 2º drop” e todos os itens marcados como indisponíveis. Não é uma estreia de suplemento. É uma estreia de tênis de edição limitada, aplicada a pote de creatina.
O que a Urso colocou à venda no primeiro drop
A marca anunciada em abril prometia mais de 30 itens entre suplementos, vitaminas e snacks funcionais. O drop de estreia foi bem mais enxuto: sete produtos, com foco em creatina, pré-treino e energia rápida. Os preços de tabela, registrados no site antes do esgotamento:
| Produto | Apresentação | Preço |
|---|---|---|
| Creatina Urso 100% monohidratada | 250 g, sem sabor ou limão | R$ 45,90 |
| Creatina Urso Creapure | 250 g, sem sabor | R$ 94,90 |
| Pré-treino Urso Ataque | 300 g, 200 mg de cafeína por dose | R$ 74,90 |
| Pré-treino Urso Ataque Mortal | 300 g, 400 mg de cafeína por dose | R$ 84,90 |
| Shot energético Dose de Ataque | display com 12 unidades de 60 ml | R$ 59,90 |
| Chiclete energético Urso | frasco com 12 unidades | R$ 24,90 |
| Camiseta regata dry fit Urso | P ao GG | R$ 100,00 |
O carro-chefe foi o kit “Arsenal do Predador”, que juntava creatina, pré-treino, shot energético, camiseta oversize e uma lata colecionável por R$ 149,90, contra R$ 245,80 de preço cheio. Foi ele que estampou a home e foi ele que sumiu primeiro.

O drop durou 8 minutos, e a segunda janela nem chegou a abrir
O desenho da venda merece atenção porque é o coração da estratégia. A Cimed não abriu o e-commerce de uma vez. Abriu em duas etapas: primeiro a base que já seguia a marca, depois o público geral, cinco horas mais tarde.
Na prática, a segunda etapa virou peça de comunicação. O estoque acabou na primeira, e quem chegou às 17h encontrou a mesma tela de esgotado que encontra agora. A marca converteu a frustração em cadastro: o site trocou o botão de compra por um formulário de aviso para o próximo drop.
A Cimed não divulgou quantas unidades estavam disponíveis. Sem esse número, “esgotou em 8 minutos” mede a velocidade da fila, não o tamanho da venda. É um dado de marketing, não um dado de faturamento, e vale lê-lo assim.
A estratégia de João Adibe: comunidade antes do produto
A Urso foi apresentada em abril como a primeira marca nativa digital da Cimed e a estreia da companhia no e-commerce direto ao consumidor. A ordem foi invertida de propósito. “URSO nasce a partir de uma lógica diferente de construção. Antes de colocar o produto no mercado, buscamos gerar conversa, criar comunidade”, disse João Adibe na ocasião.
Foram quatro meses de perfil ativo sem nada para vender. O @ursocimed passou a publicar memes de academia, sátiras de influenciador fitness e sorteios de kit antes de existir um botão de compra, e chegou ao dia da estreia com 93,4 mil seguidores. A conta do próprio CEO funcionou como segundo canal, com ele anunciando cada etapa em primeira pessoa. É a mesma mecânica que faz atletas usarem o Instagram para abrir porta de patrocínio: primeiro a audiência, depois a negociação.
A aposta no digital tem uma razão de caixa. Segundo Adibe, cerca de 70% do faturamento de suplementos no Brasil já acontece no ambiente online, o que explica por que a Cimed, dona de uma das maiores capilaridades em farmácia do país, escolheu estrear fora dela. A Lavitan continua na gôndola. A Urso nasceu na tela.
“Sem a comunidade, hoje, não existe sustentação de produto”, resumiu o executivo em entrevista ao Mundo do Marketing em abril.
O urso que já parou na Justiça
O lançamento chega com um capítulo aberto no Judiciário. Em 3 de fevereiro de 2026, a J.A. Hard Nutrition, dona da Under Labz, obteve liminar na 1ª Vara Cível de Barueri (SP) proibindo a Cimed de divulgar e comercializar a marca Urso. A empresa alega usar a figura do urso como identidade visual no segmento de suplementos desde 2021 e ter registros anteriores no INPI.
A decisão do juiz Bruno Paes Straforini apontou indícios de concorrência desleal e fixou multa diária de R$ 10 mil, com teto de R$ 300 mil, além de R$ 2,5 milhões caso os produtos fossem lançados. A Cimed sustentou que o urso é figura de uso comum, sem distintividade, e entrou com agravo em 5 de fevereiro. Em 10 de fevereiro, a liminar foi revogada e a companhia voltou a divulgar a marca. O processo segue em andamento.
A disputa virou material da própria campanha. Em 18 de agosto, o perfil da marca publicou um vídeo dizendo “mais uma vez estão tentando me derrubar” e pedindo apoio da comunidade. Em 24 de agosto, dois dias antes da venda, veio o complemento: “Ninguém derrubou o Urso, ele só estava hibernando”. Os dois posts somam mais de 400 mil reproduções.
O mercado de R$ 7,6 bilhões que a Cimed quer morder
O tamanho da aposta explica o barulho. O mercado brasileiro de suplementos movimentou cerca de R$ 7,6 bilhões em 2025, com crescimento de 15% em um ano, e a projeção é chegar a R$ 13,8 bilhões até 2030.
A meta declarada por Adibe no dia do lançamento é R$ 1 bilhão de faturamento em dois anos. A projeção apresentada em abril falava em 10% de participação de mercado no primeiro ano e até R$ 1,2 bilhão até 2029. Tudo isso dentro do plano “Nova Era”, que mira R$ 10 bilhões de receita para o grupo até 2030. No primeiro trimestre de 2026, a Cimed reportou R$ 1 bilhão em vendas diretas, alta de 31%.
São projeções de empresa, não resultado auditado. Nenhum número de venda da Urso foi divulgado até agora. É o mesmo cuidado que vale para ler anúncio de patrocínio no esporte: cifra projetada e cifra realizada raramente são o mesmo número.
O que o atleta precisa olhar no rótulo
Marketing à parte, o rótulo é o que sobra depois que o drop acaba. E ele tem pontos que merecem leitura.

Os 400 mg de cafeína
O pré-treino Ataque Mortal entrega 400 mg de cafeína por dose. A EFSA, agência europeia de segurança alimentar, considera seguro para adultos saudáveis o consumo de até cerca de 400 mg de cafeína por dia, e de até cerca de 200 mg em dose única.
A Instrução Normativa 28/2018 da Anvisa, por sua vez, permite que suplementos de cafeína para atletas forneçam de 210 a 420 mg por porção, com alerta obrigatório no rótulo de que o produto não deve ser consumido por crianças, gestantes, idosos e pessoas com doenças.
Ou seja: o produto está dentro da regra brasileira para atletas, mas uma única dose já entrega o teto diário de referência de um adulto médio. Quem toma café durante o dia estoura a conta antes de chegar à academia. A versão Ataque, com 200 mg, é a leitura mais conservadora do mesmo produto.
A beta-alanina
As duas versões trazem 2.000 mg de beta-alanina por dose. O posicionamento oficial da Sociedade Internacional de Nutrição Esportiva (ISSN) aponta ganho de desempenho com 4 a 6 g por dia, por 2 a 4 semanas, porque o efeito vem do acúmulo de carnosina no músculo, não da dose isolada antes do treino. Dois gramas em um pré-treino tomado de forma irregular não reproduzem esse protocolo.
A creatina e o selo que importa para quem compete
Aqui está o detalhe mais relevante para atleta federado. A Urso vendeu duas creatinas: a monohidratada comum, a R$ 45,90 os 250 g, e a versão com selo Creapure, a R$ 94,90.
Creapure é a matéria-prima produzida pela AlzChem em Trostberg, na Alemanha, com pureza mínima declarada de 99,9% e presença na Cologne List, o programa alemão que testa lotes em busca de contaminação por esteroides e estimulantes. Para quem passa por controle antidoping, essa diferença de rótulo vale mais do que o dobro de preço sugere. É o mesmo critério que separa suplemento de marketing na escolha de suplementos para treino de endurance.
O que isso ensina sobre alta performance
O drop da Urso é, antes de tudo, uma aula de construção de demanda. A Cimed passou quatro meses vendendo identidade antes de vender pote, e chegou ao dia da abertura com fila formada. É o mesmo mecanismo que faz atleta pequeno virar atleta patrocinado: a audiência vem antes do contrato, não depois.
Do lado de quem treina, a lição é inversa e mais dura. Escassez não é evidência. Um produto que esgota em 8 minutos não fica melhor por isso, e a urgência do drop é justamente o que atrapalha a decisão calma que a suplementação exige. Creatina funciona por acúmulo, ao longo de semanas. Beta-alanina funciona por acúmulo. Cafeína funciona por dose ajustada ao peso, ao horário e ao que a pessoa já bebeu no dia.
Nenhuma dessas três coisas melhora porque o site caiu. O atleta que ganha é o que lê o rótulo com a mesma atenção que dá ao contador regressivo, e que compra pelo protocolo, não pela fila.
Perguntas frequentes sobre a Urso, da Cimed
O que é a Urso, da Cimed?
A Urso é a marca de suplementos esportivos criada pela Cimed, farmacêutica brasileira fundada em 1977. É a primeira marca nativa digital do grupo e a estreia da empresa na venda direta ao consumidor pela internet. Foi apresentada em abril de 2026 e começou a vender em 26 de agosto de 2026.
Quanto custam os suplementos da Urso?
No primeiro drop, a creatina monohidratada de 250 g saiu por R$ 45,90 e a versão Creapure por R$ 94,90. Os pré-treinos ficaram em R$ 74,90 (200 mg de cafeína) e R$ 84,90 (400 mg de cafeína). O shot energético com 12 unidades custou R$ 59,90 e o kit Arsenal do Predador, R$ 149,90.
Por que o site da Urso está esgotado?
Todo o estoque do primeiro drop acabou na tarde de 26 de agosto de 2026. A pré-venda abriu às 11h59 e, segundo o CEO João Adibe, os produtos esgotaram em 8 minutos. A venda para o público geral, marcada para as 17h, não chegou a acontecer porque não havia mais estoque.
Quando será o próximo drop da Urso?
A Cimed não divulgou data. O site da marca passou a exibir um formulário de aviso para o segundo drop, no qual o consumidor deixa o e-mail para ser notificado quando as vendas voltarem.
Qual é a disputa judicial em torno da marca Urso?
A J.A. Hard Nutrition, dona da Under Labz, processou a Cimed alegando que já usava a figura do urso como identidade no segmento de suplementos desde 2021. Em 3 de fevereiro de 2026, a Justiça de Barueri concedeu liminar proibindo a divulgação da marca. A decisão foi revogada em 10 de fevereiro, e o processo continua em andamento.
O pré-treino Urso com 400 mg de cafeína é seguro?
A dose está dentro do que a Anvisa permite para suplementos de cafeína destinados a atletas, que é de 210 a 420 mg por porção. Ainda assim, 400 mg equivalem ao limite diário considerado seguro pela EFSA para um adulto saudável, e a agência recomenda até cerca de 200 mg em dose única. Crianças, gestantes, idosos e pessoas com doenças não devem consumir.
Suplemento não substitui protocolo de treino
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