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Verstappen vai sair da Red Bull? A cláusula que vence em outubro

Max Verstappen de boné da Red Bull no grid do circuito de Zandvoort, na Holanda

Max Verstappen chegou à parada de verão da Fórmula 1 em sexto lugar no Mundial, com 109 pontos, 110 atrás do líder Kimi Antonelli, e sem uma única vitória em 11 corridas. Para a maioria dos pilotos, isso seria só uma temporada ruim. No caso dele, é o gatilho de um contrato.

O acordo do tetracampeão com a Red Bull vale até o fim de 2028, mas tem uma cláusula de desempenho: se ele não estivesse entre os dois primeiros do campeonato na parada de agosto, ficaria livre para negociar 2027. A condição não foi cumprida. A janela está aberta, e ele tem até outubro para usá-la. No domingo, dia 23, Verstappen corre em Zandvoort, na Holanda, no que é ao mesmo tempo sua última corrida em casa e o palco onde metade do paddock espera o anúncio.

A cláusula que virou o assunto do fim de semana

A existência da cláusula foi confirmada em junho pelo próprio empresário do piloto, Raymond Vermeulen, e detalhada por veículos como a ESPN e a revista britânica Motor Sport. O mecanismo é simples: a posição no Mundial na parada de verão define se o piloto pode ou não rasgar o contrato.

Segundo essas apurações, Verstappen precisaria estar em primeiro ou segundo lugar no fim de julho para que a Red Bull ficasse protegida. Ele terminou a primeira metade em sexto. A partir daí, a decisão passou a ser só dele, com prazo para se manifestar até outubro.

Vermeulen tratou de esfriar a leitura automática de que cláusula aberta significa saída. Ele lembrou que oportunidades parecidas apareceram em anos anteriores e não foram usadas, e resumiu a posição do piloto: “Queremos seguir o caminho com a Red Bull, e o Max quer terminar a carreira aqui, mas claro, com a possibilidade de ganhar.”

É a segunda parte da frase que a Red Bull precisa resolver.

Red Bull de Max Verstappen à frente de uma McLaren no circuito de Zandvoort, com torcida holandesa nas dunas
Zandvoort recebe no domingo o último GP da Holanda do calendário da Fórmula 1. Foto: Steffen Prößdorf, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

Os números que destravaram a saída

A temporada 2026 marcou a virada de página tecnológica mais dura em décadas, com carros e motores novos, e a Red Bull não acertou o carro. O RB22 nasceu acima do peso e fraco nas curvas rápidas, e o time chegou à parada em quarto lugar entre os construtores, atrás de Mercedes, Ferrari e McLaren.

PosiçãoPilotoEquipePontos
1Kimi AntonelliMercedes219
2Lewis HamiltonFerrari169
3George RussellMercedes160
4Charles LeclercFerrari138
5Lando NorrisMcLaren128
6Max VerstappenRed Bull109
Classificação do Mundial de Pilotos na parada de verão, após 11 das 23 etapas de 2026.

Verstappen soma quatro pódios em 2026 (Canadá, Áustria, Bélgica e Hungria), nenhuma vitória e nenhuma pole. O melhor resultado é o segundo lugar, repetido na Áustria e na Hungria. Nunca, em dez anos de Fórmula 1, ele passou uma temporada inteira sem ganhar uma corrida.

O segundo lugar em Budapeste, no fim de julho, foi o retrato do ano. No rádio, no meio da prova, ele avisou: “Cara, o carro está completamente quebrado.” Terminou em segundo. Depois da bandeirada, resumiu: “Eu pensei, como diabos eu acabei aqui? Ainda estou chocado.”

Para efeito de comparação: em 2025, com um carro competitivo, ele venceu oito corridas e perdeu o título para Lando Norris por dois pontos, na última prova do ano.

RB22 de Max Verstappen em ação na temporada 2026 da Fórmula 1
O RB22 nasceu acima do peso e fraco nas curvas rápidas. Foto: Liauzh, CC BY 4.0, via Wikimedia Commons

O que a Red Bull colocou na mesa

A resposta da equipe foi financeira e contratual. Segundo a imprensa europeia, a Red Bull ofereceu um novo contrato que estende o vínculo, aumenta o salário e, principalmente, apaga a cláusula de saída. Os prazos variam conforme a publicação, de 2029 a bem depois disso, e nenhuma versão foi confirmada pela equipe.

Também foi reportado que a Red Bull tentou antes o caminho curto, pagar uma taxa para simplesmente cancelar a cláusula, e ouviu não. O salário atual é estimado pela imprensa europeia em torno de 65 milhões de euros por temporada, número que a equipe nunca confirmou.

Até aqui, não houve resposta pública do piloto a nenhuma dessas propostas. Em junho, antes do GP de Barcelona, ele participou de uma reunião com a cúpula da Red Bull e, de acordo com relatos da imprensa especializada, saiu de lá sem se comprometer com nada.

Para onde ele iria? O grid de 2027 está quase todo vendido

Aqui está o dado que mais pesa contra a saída: as vagas boas acabaram.

A Mercedes fechou a porta ao acionar a opção de renovação de George Russell até 2027, e tem Kimi Antonelli, de 19 anos, liderando o Mundial. A Ferrari segue com Lewis Hamilton e Charles Leclerc. A McLaren tem Lando Norris com contrato longo e Oscar Piastri, que respondeu com uma palavra quando perguntado se estaria na equipe em 2027: “Sim.”

A McLaren é justamente o time que aparece em todos os rumores desde o GP da Inglaterra. Uma reportagem do jornal holandês De Limburger falou em negociação em estágio avançado, por três anos. A ESPN ouviu fontes que classificaram a informação como muito longe da realidade. O CEO da McLaren, Zak Brown, foi seco: “Não pensei muito nisso, porque eu tenho dois pilotos nos assentos.”

O que existe de concreto ligando Verstappen à McLaren não é um contrato, é um engenheiro. Gianpiero Lambiase, o homem que fala no rádio com ele há dez anos, deixará a Red Bull para assumir o cargo de Chief Racing Officer da McLaren em 2028. O movimento foi confirmado em abril, e Lambiase recusou antes um convite para ser chefe de equipe da Aston Martin.

Sobrou a hipótese de sair da Fórmula 1. Verstappen já correu duas vezes as 24 Horas de Nürburgring, fala publicamente do desejo de disputar Le Mans e mantém uma equipe própria de simracing. Mas ele mesmo descartou o ano sabático em entrevista ao jornal holandês De Telegraaf, em maio: não é o tipo de piloto que sai para voltar. Se parar, para de vez.

Carro da Red Bull de Max Verstappen de perfil na temporada 2026 da Fórmula 1
A Red Bull é a única entre as candidatas a Verstappen que fabrica o próprio motor. Foto: Liauzh, CC BY 4.0, via Wikimedia Commons

O que o time diz, e o que o próprio Verstappen não diz

O chefe da Red Bull, Laurent Mekies, tem repetido a mesma equação desde junho. “O Max deixou claro para nós que quer continuar com o time. Está igualmente claro que ele precisa de um carro rápido para ser feliz”, disse. E completou, sobre a rotina de cobrança interna: “Eu não pergunto ao Max toda semana se ele vai ficar.”

Helmut Marko, que formou o piloto na base da Red Bull, foi mais honesto sobre o tamanho do problema: “Espero sinceramente que ele fique.” Sobre o carro, não escondeu: “Está instável demais. Eu certamente não arriscaria uma aposta nisso.”

Verstappen, por sua vez, virou um muro. Perguntado sobre o futuro na Bélgica, respondeu três vezes a mesma coisa: “Não há nada a dizer.” E explicou o método: “Eu já disse muitas vezes que, se houvesse algo novo, eu mesmo falaria.”

Na entrada da parada de verão, deixou escapar a única frase que revela o cálculo real. “É claro que eu posso parar facilmente, não é um problema, mas eu amo correr.”

Zandvoort, o último GP da Holanda e o palco perfeito

O GP da Holanda deste domingo é a 12ª das 23 etapas de 2026 e a última do circuito de Zandvoort na Fórmula 1: o promotor local decidiu não renovar o contrato com a categoria, e não há substituto holandês no calendário. Nesta edição, o fim de semana ainda tem corrida sprint no sábado, formato que nunca havia sido usado ali.

Verstappen ganhou três das cinco edições modernas da prova (2021, 2022 e 2023) e foi segundo nas outras duas, atrás de Norris em 2024 e de Piastri em 2025. Uma quarta vitória em Zandvoort o igualaria a Jim Clark, recordista de vitórias no GP da Holanda.

Ele já avisou que vai continuar correndo em Zandvoort mesmo sem a Fórmula 1, e apresentou na semana passada um capacete feito só para esta corrida: branco, com desenho azul inspirado na cerâmica de Delft, a louça tradicional holandesa. A legenda do post foi curta: “Para minha última corrida em casa. Dankjewel Zandvoort.”

Robert Doornbos, ex-piloto de F1 e hoje analista na Holanda, arrisca que o anúncio sobre 2027 sai neste fim de semana, e que será para ficar. “Ele perdeu o barco. Tem que ficar na Red Bull, as opções saíram da mesa”, disse. Guenther Steiner, ex-chefe da Haas, chegou por outro caminho à mesma conclusão: “Se o Max for para algum lugar, ele quer ir para um lugar melhor.” E lembra que a Red Bull tem motor próprio, algo que nenhum cliente de fábrica pode oferecer.

A corrida começa às 10h de Brasília. Os canais e o cronograma completo do fim de semana estão no guia do GP da Holanda 2026, e as datas das etapas seguintes no calendário completo da F1 2026.

O que isso ensina sobre alta performance

A cláusula de Verstappen não fala de talento. Fala de contexto.

Ele é o mesmo piloto que venceu oito corridas em 2025 e brigou pelo título até a última volta. Em 2026, com regra nova e um carro que ele chama de quebrado, o mesmo talento rende sexto lugar. O que mudou não foi o atleta, foi o equipamento embaixo dele.

Esse é o cálculo que todo atleta sério faz em algum momento da carreira, e quase nunca com essa clareza: quanto do meu resultado é meu, e quanto é do ambiente em que eu treino e compito? Treinador, estrutura, grupo de treino, calendário e material são variáveis, não detalhes. Verstappen tem um contrato que mede isso em pontos e prazos. A maioria não tem, e por isso demora anos para perceber que está entregando o máximo dentro de um sistema que não devolve.

A outra metade da lição é o timing. A cláusula abriu porque os resultados abriram, mas o mercado que ele queria já estava fechado meses antes, quando Russell, Norris e Hamilton assinaram. Oportunidade e prontidão raramente aparecem no mesmo mês. Quem só decide quando o resultado piora costuma escolher entre o que sobrou.

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Foto de Diogo Moraes
Diogo Moraes

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