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Djokovic cai para o 83º do mundo em Paris e fica fora do ATP Finals

Novak Djokovic bate uma direita em quadra rápida no US Open 2026

Novak Djokovic ganhou o primeiro set por 6/2 e parecia ter a partida nas mãos. Dois sets depois, estava fora da temporada. Nesta quarta-feira (4), o sérvio de 39 anos perdeu de virada para o australiano Rinky Hijikata, 83º do mundo e vindo do qualificatório, por 2/6, 6/3 e 6/3, na segunda rodada do Masters 1000 de Paris.

A derrota custou mais do que um jogo. Recordista do ATP Finals, com sete títulos, Djokovic precisava chegar pelo menos à semifinal em Paris para continuar na briga por uma vaga em Turim. Agora não soma mais pontos em 2026 e não vai ao torneio dos oito melhores da temporada, que começa em 15 de novembro.

Como Hijikata virou o jogo contra Djokovic

O começo foi todo do sérvio. O próprio Hijikata admitiu, em entrevista à Sky Sports reproduzida pela ABC australiana, que naquele momento estava longe do nível do adversário: “Eu não chegava nem perto do nível dele naquele set. Também não conseguia tocar no saque dele.”

A partida mudou no fim do segundo set, quando Hijikata passou a impor o jogo agressivo. Fechou o jogo com 37 bolas vencedoras, 29 delas de forehand, segundo a agência AAP. A última foi justamente uma direita, em cima de um segundo saque do sérvio, como descreveu a ATP. No set decisivo, o australiano salvou os três break points que enfrentou.

Djokovic não escondeu a frustração. “Decepção, claro, por perder uma partida que eu sentia que estava dominando por um set e alguns games”, disse. “Ele ligou a chave. Eu não sacava tão bem no segundo set. Ele estava jogando fora de série, sinceramente. Não errava, mantinha a bola baixa. Eu deveria ter vencido essa partida. Joguei bem o primeiro set e depois perdi completamente o controle.” Sobre as próximas semanas, o plano, segundo a BBC, é um só: “Só descansar.”

Rinky Hijikata em quadra de grama, de boné e uniforme brancos, esperando o saque com a raquete nas mãos
Rinky Hijikata, 83º do mundo, venceu Djokovic pela primeira vez em três confrontos. Foto: Tvx1, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Quem é Rinky Hijikata, o 83º do mundo que parou Djokovic

Hijikata tem 25 anos e é natural de Sydney. Antes de Paris, tinha perdido os dois jogos que fez contra Djokovic, ambos em 2025, em Brisbane e em Miami, segundo a CNN Brasil. Com a vitória desta quarta, virou o tenista de pior ranking a derrotar o sérvio em 2026, de acordo com a ATP, e o quarto australiano a vencê-lo na carreira, depois de Lleyton Hewitt, Nick Kyrgios e Alex de Minaur, como lembrou o The Guardian.

O resultado coroa a melhor temporada da carreira dele: foi a quarta vitória de Hijikata sobre um top 20, e todas vieram em 2026: antes de Djokovic, ele já tinha batido Alexander Bublik em Indian Wells, Jiri Lehecka em Queen’s e Luciano Darderi em Cincinnati.

Quase não houve jogo. Hijikata contou que sentiu o pescoço na véspera. “Forcei um pouco o pescoço ontem e, para ser sincero, ele não estava bem ontem à noite nem hoje de manhã”, disse, segundo o The Guardian. “Mas acho que a adrenalina entrou e eu ia fazer o que fosse possível.” Nas oitavas, nesta quinta-feira (5), ele enfrenta o argentino Tomás Martín Etcheverry, que também derrubou um candidato a Turim ao vencer De Minaur por 7/6 (7/2) e 6/3.

A temporada de Djokovic aos 39 anos

O ano do sérvio teve dois lados. Nos Grand Slams, ele seguiu competitivo: foi vice-campeão do Australian Open em janeiro e semifinalista em Wimbledon. Em outubro, conquistou em Pequim o 102º título da carreira, a um do total de Roger Federer, que tem 103. Ficou invicto na capital chinesa, com 34 vitórias em 34 jogos, e emendou a 21ª temporada seguida com pelo menos um troféu, segundo o Tennis Majors.

Nos Masters 1000, porém, a história foi outra. De acordo com a BBC, Djokovic não chegou às quartas de final em nenhum torneio da categoria em 2026. Em Paris, onde é heptacampeão, já tinha saído de um set atrás para vencer Valentin Vacherot na estreia. Contra Hijikata, a BBC descreveu um jogador que pareceu cansado e com dificuldade física na reta final.

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Djokovic fora do ATP Finals: o que a ausência representa

Djokovic é o maior campeão da história do ATP Finals. Venceu em 2008, 2012, 2013, 2014, 2015, 2022 e 2023, uma conquista a mais que Federer. O último título veio justamente em Turim, numa final contra Jannik Sinner. Desde então, ele não voltou a disputar o torneio.

Pela BBC, é só a segunda vez nas últimas 20 temporadas em que o sérvio, estando em condições físicas, não consegue a classificação, e a primeira desde 2017. O torneio deste ano, de 15 a 22 de novembro, também não terá Sinner, bicampeão das duas últimas edições, que encerrou a temporada para tratar o joelho direito.

Na chave de duplas, o Brasil terá presença histórica: Orlando Luz e Rafael Matos garantiram a vaga e levam ao torneio a primeira dupla 100% brasileira em 43 anos.

Como fica a corrida pelas duas últimas vagas em Turim

A quarta-feira de Paris foi um terremoto na Race to Turin, o ranking que soma só os pontos de 2026. Além de Djokovic, caíram o número 1 do mundo, Alexander Zverev, derrotado por Lorenzo Musetti em sets diretos na estreia como líder do ranking, e Daniil Medvedev, que perdeu para o peruano Ignacio Buse por 6/4 e 6/4. Os dois já estavam classificados.

Frances Tiafoe perdeu para o francês Quentin Halys por 6/3, 1/6 e 7/6 (11/9), num jogo em que o adversário salvou quatro match points. A derrota do americano classificou Arthur Fils, que será o primeiro francês no ATP Finals desde Gael Monfils, em 2016. Alex de Minaur, eliminado por Etcheverry, ficou sem chance de somar pontos e, segundo a ABC, agora só entra em Turim se algum classificado desistir.

Segundo a ATP, seis nomes estão garantidos: Zverev, Carlos Alcaraz, Ben Shelton, Medvedev, Flavio Cobolli e Fils. Como Sinner não vai jogar, o nono colocado da corrida herda a última vaga. As duas posições restantes estão hoje com Tiafoe, oitavo, e o espanhol Rafael Jódar, nono. Os dois perderam em Paris e só podem esperar. Jódar, de 20 anos, campeão em Marrakech e finalista em Xangai, voltou a Madri para descansar, segundo o site Punto de Break.

Taylor Fritz e Tommy Paul se enfrentam numa quadra coberta azul diante de arquibancadas cheias
Taylor Fritz e Tommy Paul, num duelo em outubro de 2026, na França: os dois americanos são as últimas ameaças a Tiafoe e Jódar. Foto: Sebleouf, via Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

Fritz e Paul, as últimas ameaças a Tiafoe e Jódar

Só dois tenistas ainda podem mudar o grupo de Turim, e ambos são americanos. Taylor Fritz sobreviveu na quarta a um tie-break no terceiro set contra o eslovaco Alex Molcan, 78º do mundo, e venceu por 6/7 (6/8), 7/5 e 7/6 (7/5). Para passar Jódar, precisa chegar à semifinal. Nas oitavas, nesta quinta, ele encara Fils na sessão noturna e, se vencer, pode ter Alcaraz pela frente nas quartas.

Tommy Paul fez a parte dele mais cedo nesta quinta. Venceu Halys por 7/6 (7/3) e 6/4, perdeu só dois pontos com o primeiro saque e chegou às quartas, onde pega Shelton ou o francês Arthur Rinderknech. Segundo o Tennis Majors, Paul precisa alcançar a final para ultrapassar Jódar.

A ATP resumiu a conta assim: se Fritz ou Paul perder nesta quinta, Tiafoe garante a primeira participação da carreira no ATP Finals. Como Paul já venceu, tudo depende de Fritz contra Fils. Tiafoe só fica fora se os dois americanos chegarem à decisão de Paris, no domingo (8). Jódar, por sua vez, precisa que Fritz caia antes da semifinal e Paul antes da final. O caminho até aqui está na análise sobre as vagas em Turim, e os horários, no guia do ATP Finals 2026 em Brasília.

O que isso ensina sobre alta performance

A virada de Hijikata tem uma lição que vale para qualquer atleta: o plano de jogo precisa sobreviver à pressão. O próprio australiano contou à ATP que, nos últimos meses, vinha ficando “um pouco passivo sob pressão” e que a chave da semana foi impor o próprio jogo e confiar em si nos momentos grandes. Contra Djokovic, ele não esperou o erro do adversário. Atacou o segundo saque no match point.

Do outro lado, a frase de Djokovic, “perdi completamente o controle”, mostra que nem o maior vencedor do circuito está imune à queda quando corpo e saque falham juntos. Aos 39 anos, ele escolheu o caminho que qualquer treinador recomendaria depois de uma temporada longa: parar, descansar e planejar 2027. Gerir a carga é tão parte da alta performance quanto vencer.

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