A marca mais rápida já registrada nos 201 metros do Autódromo FuelTech Velopark é de 3,556 segundos, do paulista Sidnei “Grandão” Frigo, na Pro Mod. É o topo de uma tabela de 29 recordes de categoria acumulados na temporada 2026 da Copa FT BR Sport de Arrancada, em Nova Santa Rita, no Rio Grande do Sul.
Esta página reúne todos eles, com piloto, tempo e cidade de origem, e explica o que cada sigla significa, como uma marca dessas é homologada e por que alguns números parecem estranhos à primeira vista. Os dados são da organização do autódromo, e a lista é atualizada a cada etapa.
Os 29 recordes de arrancada que valem hoje no Velopark
A resposta curta: são 29 categorias com marca em vigor, e elas vão de 3,556s a 7,912s. A tabela abaixo está ordenada do tempo mais rápido para o mais lento, com a sigla oficial e o nome completo da categoria conforme o regulamento desportivo da Copa FT.
| # | Categoria | Sigla | Tempo | Piloto | Origem |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Pro Mod | PM | 3,556s | Sidnei “Grandão” Frigo | Bragança Paulista (SP) |
| 2 | Força Livre Traseira | FLT | 4,236s | Cezar Ferreira | Curitiba (PR) |
| 3 | Pro Mod Light (SL 4.4) | PML | 4,409s | Fabio Luiz Wisniewski | Santa Cruz do Sul (RS) |
| 4 | Força Livre Dianteira | FLD | 4,506s | Renato Brizolari | Araraquara (SP) |
| 5 | Turbo Traseira A | TTA | 4,547s | Celso Bueno de Camargo | Barueri (SP) |
| 6 | Dragster Light | DL | 4,557s | Breno Castañon | Canoas (RS) |
| 7 | Drag Bike | DB | 4,599s | Fernando Boiani | São Leopoldo (RS) |
| 8 | 4×4 (AWD) | 4×4 | 4,770s | Niutom Ribeiro Chaves Junior | Campo Grande (MS) |
| 9 | Turbo Traseira B | TTB | 4,849s | Odivan Basso | Xanxerê (SC) |
| 10 | Super Livre 4,9 | SL 4.9 | 4,903s | Leandro Messias Rodrigues | São Paulo (SP) |
| 11 | Drag Bike Light | DBL | 5,117s | Dirceu Santos Junior | Alvorada (RS) |
| 12 | Turbo Street Traseira | TST | 5,239s | Emerson Schnaider | Curitiba (PR) |
| 13 | Dianteira Turbo A | DTA | 5,363s | Eduardo Silveira Montano | Porto Alegre (RS) |
| 14 | Super Livre 5,4 | SL 5.4 | 5,400s | Robson Pegoraro | Xaxim (SC) |
| 15 | Dianteira Turbo A Light | DTAL | 5,410s | Luli Galafassi | Londrina (PR) |
| 16 | Dianteira Super | DS | 5,619s | Mateus Berta | Mineiros (GO) |
| 17 | Super Livre 5,9 | SL 5.9 | 5,904s | Gabriel Dal Piva Trintinaglia | Chapecó (SC) |
| 18 | Dianteira Turbo B | DTB | 5,972s | Julio Sachet | Erechim (RS) |
| 19 | Traseira Original | TO | 6,259s | Rafael Stadler | Criciúma (SC) |
| 20 | Super Livre 6,3 | SL 6.3 | 6,303s | Vinicius Curti Vasconcelos | Blumenau (SC) |
| 21 | Dianteira Turbo B Light | DTBL | 6,481s | Fernando Bortolan | Xaxim (SC) |
| 22 | Dianteira Turbo C | DTC | 6,586s | Gabriel Gentil | Ibirubá (RS) |
| 23 | Street Tração Traseira | STT | 6,637s | Vilson Ferreira | Curitiba (PR) |
| 24 | Standard | ST | 6,879s | Thiago Mendes Lemos | Assis Chateaubriand (PR) |
| 25 | Super Livre 6,9 | SL 6.9 | 6,900s | Lucival Padilha Roulin | Gravataí (RS) |
| 26 | Drag Junior 6,9 | DJ 6.9 | 7,068s | Guilherme Bueno | Passo Fundo (RS) |
| 27 | Standard Light | STL | 7,696s | Marco Dorigon | Erechim (RS) |
| 28 | Super Livre 7,9 | SL 7.9 | 7,911s | Marcelo Perassoli | São Miguel do Oeste (SC) |
| 29 | Drag Junior 7,9 | DJ 7.9 | 7,912s | Alana Chies Steffani | Carlos Barbosa (RS) |
O Rio Grande do Sul concentra a maior parte das marcas, o que era esperado num campeonato sediado no estado, mas a lista tem recordistas de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Goiás e Mato Grosso do Sul. O caso mais distante é o de Niutom Ribeiro Chaves Junior, dono da marca da 4×4, que vem de Campo Grande.

O recorde de arrancada mais rápido do Velopark: 3,556s na Pro Mod
A Pro Mod é a categoria mais rápida da tabela porque é a mais livre. São carros tubulares, com carroceria de fibra sobre chassi construído do zero, motores que passam dos 4 mil cv e pneus traseiros que deformam na largada para transferir a potência ao asfalto.
Sidnei Frigo, de Bragança Paulista, é o dono da marca com 3,556s. Para dimensionar: nesse tempo, o carro percorre os 201 metros da pista, distância equivalente a duas quadras de futsal enfileiradas, em menos tempo do que um pedestre leva para atravessar uma faixa de rua.
A diferença entre a Pro Mod e a segunda colocada da tabela, a Força Livre Traseira de Cezar Ferreira, é de 0,68 segundo. Parece pouco, mas na arrancada é um abismo: as disputas dentro de uma mesma categoria costumam ser decididas por centésimos, e a Copa FT já teve final resolvida no milésimo.
Por que a pista tem 201 metros e não 400
A pista oficial do Velopark tem 201 metros de área cronometrada, o equivalente a 1/8 de milha (660 pés). É a medida definida no regulamento desportivo da Copa FT, e é por isso que os tempos da tabela ficam na casa dos 3 aos 7 segundos.
Boa parte das buscas por arrancada no Brasil ainda mistura essa medida com os 400 metros, que é o 1/4 de milha usado historicamente pela NHRA nos Estados Unidos. São provas diferentes: no 1/4 de milha os tempos dobram de patamar, e comparar um número com o outro não faz sentido. Quem quiser entender a estrutura completa do esporte pode começar pelo guia completo da corrida de arrancada e pelo panorama de como funciona a NHRA e o Top Fuel nos Estados Unidos.
O 1/8 de milha virou padrão em boa parte do mundo por uma razão prática: exige menos área de frenagem depois da chegada, o que barateia a instalação e aumenta a margem de segurança em pistas urbanas ou adaptadas.

O que significa cada sigla das categorias
O regulamento desportivo da Copa FT lista 20 categorias oficiais de carros, cada uma com regulamento técnico próprio publicado pelo autódromo. As siglas seguem uma lógica simples depois que se entende a chave.
A primeira parte quase sempre indica a tração: D de dianteira, T de traseira. A segunda indica o grau de preparação, e as letras A, B e C escalonam do mais preparado para o mais próximo do original. Light indica versão com peso ou restrição menor.
- Standard (ST) e Standard Light (STL): carros mais próximos do original, na base da pirâmide.
- Traseira Original (TO): tração traseira com preparação restrita.
- Street Tração Traseira (STT) e Turbo Street Traseira (TST): carros de rua com turbo, tração traseira.
- Dianteira Turbo A, B e C (DTA, DTB, DTC), com as versões Light: o maior grupo do campeonato, tração dianteira turbinada em escalas de preparação.
- Turbo Traseira A e B (TTA, TTB): o equivalente na tração traseira.
- Dianteira Super (DS): degrau acima da Dianteira Turbo A.
- Força Livre Dianteira e Traseira (FLD, FLT): preparação livre, ainda com carroceria.
- Pro Mod (PM) e Pro Mod Light (PML): o topo, com carros tubulares.
- Dragster Light (DL) e Drag Top (DT): dragsters, os carros de chassi alongado.
- Super Livre (SL) e Drag Junior (DJ): categorias de tempo, com subdivisões numéricas.
- 4×4 (AWD): tração integral.
Além dessas, o evento recebe as categorias de moto, Drag Bike (DB) e Drag Bike Light (DBL), que aparecem na tabela de recordes e nos resultados de etapa. As motos rendem algumas das disputas mais equilibradas do campeonato, como a que o Atleta Pro contou no caso da Hayabusa de quase 1.000 cv que venceu no milésimo.
O detalhe que explica os tempos “quebrados” da Super Livre
Quem olha a tabela pela primeira vez estranha um ponto: na Super Livre 5,4 o recorde é de exatos 5,400s. Na Super Livre 6,9, de 6,900s. Na Super Livre 6,3, de 6,303s. Na Drag Junior 6,9, de 7,068s, ou seja, mais lento que o número da categoria.
Não é erro de digitação. Nas categorias de tempo, o número do nome funciona como piso: o objetivo não é ser o mais rápido possível, e sim chegar o mais perto daquele índice sem ficar abaixo dele. O recorde, nesses casos, é a passagem que mais se aproximou do limite por cima.
Isso muda completamente a natureza da disputa. Na Pro Mod, vence quem tem mais potência e mais tração. Na Super Livre 6,9, vence quem tem mais controle: o piloto precisa administrar o acelerador para cravar 6,900s e não 6,880s. É a diferença entre um teste de força e um teste de precisão, dentro do mesmo campeonato e no mesmo fim de semana.
Vale reparar em quem assina duas dessas marcas de precisão. A Drag Junior 7,9, categoria de base do campeonato, tem o recorde de Alana Chies Steffani, de Carlos Barbosa, com 7,912s. São 12 milésimos acima do índice.
Como um recorde é homologado na Copa FT
Bater o tempo não basta. O regulamento desportivo determina que, em caso de quebra de recorde, o piloto é obrigado a passar por nova vistoria técnica logo após a largada para que a marca seja homologada. Sem essa vistoria, não há recorde.
Outros três pontos do regulamento explicam como a tabela se comporta:
- A queima de largada não invalida a marca. O tempo de percurso (Elapsed Time) é medido de forma independente do tempo de reação, então uma passagem com luz vermelha ainda pode virar recorde. O que invalida é o carro se mover antes do acendimento da primeira luz amarela da sequência.
- Um recorde por etapa, por categoria. Se a marca cair mais de uma vez no mesmo fim de semana, apenas uma homologação é registrada.
- Recorde vale ponto. O piloto que quebra um recorde soma 5 pontos no campeonato, num sistema em que a vitória na etapa vale 25.
A competição é homologada pela Federação Gaúcha de Automobilismo e regida pelo Código Desportivo do Automobilismo da Confederação Brasileira de Automobilismo. Só participam pilotos filiados à CBA.
Como o Brasil se compara ao recorde mundial de arrancada
Como o Velopark corre em 1/8 de milha, a comparação com o resto do mundo é direta, e o resultado é melhor do que se imagina.
O recorde mundial da Pro Mod no 1/8 de milha pertence ao americano Jimmy Taylor, com 3,387s a 240,29 mph, marca registrada em outubro de 2025 no Maryland International Raceway, no circuito da PDRA. O recorde brasileiro de Sidnei Frigo, de 3,556s, está a 0,169 segundo dele.
É uma distância real, mas menor do que a que separa o automobilismo brasileiro do americano na maioria das outras categorias. A arrancada é uma das poucas modalidades em que uma equipe brasileira, com orçamento incomparavelmente menor, chega perto do padrão mundial. Parte da explicação está na eletrônica: o gerenciamento de motor usado por boa parte desses carros é desenvolvido no Brasil, tema que o Atleta Pro detalhou em a engenharia da FuelTech por trás dos carros de mais de 4 mil cv.
Quando cai o próximo recorde de arrancada no Velopark
A 4ª etapa da Copa FT BR Sport de Arrancada acontece de 10 a 13 de setembro de 2026, no Autódromo FuelTech Velopark, em Nova Santa Rita. A temporada fecha com a 5ª etapa e o Festival FT de Arrancada, de 3 a 6 de dezembro.
O histórico sugere que a tabela vai mudar. Só na 3ª etapa, em agosto, 32 recordes caíram em três dias, incluindo a volta de Sidnei Frigo ao topo da Pro Mod. A organização informa que mais de 70 recordes já foram batidos na temporada, número que inclui marcas superadas e depois superadas de novo dentro do mesmo ano.
Quem quiser acompanhar sem ir a Nova Santa Rita encontra a transmissão detalhada em onde assistir à Copa FT BR Sport de graça no YouTube.
Perguntas frequentes sobre o recorde de arrancada no Velopark
Qual é o recorde de arrancada do Autódromo FuelTech Velopark?
A marca mais rápida é de 3,556 segundos nos 201 metros, do piloto Sidnei “Grandão” Frigo, na categoria Pro Mod.
Quantos metros tem a pista de arrancada do Velopark?
A área cronometrada tem 201 metros, o equivalente a 1/8 de milha. Não são 400 metros, medida usada no 1/4 de milha americano.
Qual é o recorde mundial de arrancada em 201 metros?
Na Pro Mod, é de 3,387 segundos a 240,29 mph, do americano Jimmy Taylor, estabelecido em outubro de 2025 no Maryland International Raceway.
Por que o recorde da Super Livre 6,9 é de exatamente 6,900s?
Porque é uma categoria de tempo, em que o número do nome funciona como limite mínimo. O objetivo é chegar o mais perto do índice sem ficar abaixo dele, o que torna a disputa um teste de precisão.
Como um recorde é homologado na Copa FT?
O piloto precisa passar por vistoria técnica logo após a largada em que bateu a marca. Só um recorde por categoria é homologado a cada etapa, e a quebra vale 5 pontos no campeonato.
Quantas categorias tem a Copa FT BR Sport de Arrancada?
O regulamento desportivo lista 20 categorias oficiais de carros, além das subdivisões da Super Livre e da Drag Junior e das categorias de moto. Há 29 recordes de categoria em vigor.
O que a tabela ensina sobre alta performance
A leitura óbvia da tabela é a do topo: 3,556s, 4 mil cv, o carro mais rápido. A leitura útil é outra.
Metade dessas 29 marcas não foi conquistada por quem tinha o motor mais forte. Foi conquistada por quem controlou melhor o que tinha. O recorde de 6,900s na Super Livre 6,9 e o de 7,912s na Drag Junior 7,9 são marcas de disciplina, não de potência: exigem repetir o mesmo gesto, na mesma janela, com margem de milésimos.
É o mesmo princípio que separa carreiras em qualquer esporte. Talento e recurso definem o teto, mas o processo define quanto do teto o atleta alcança. O piloto que crava o índice não é o que tem o carro melhor, é o que passou mais horas entendendo o próprio carro e a própria reação. Processo mais tempo é igual a resultado.
Fontes: Autódromo FuelTech Velopark (página oficial da Copa FT BR Sport de Arrancada e tabela de recordistas por categoria); Regulamento Desportivo Copa FT e Festival FT 2026; regulamentos técnicos por categoria publicados pelo autódromo; Drag Illustrated (recorde PDRA Pro Mod 1/8 de milha).
O recorde não é do carro mais forte, é de quem controla melhor o que tem
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