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Anderson Dick no Hot Wheels Day: a paixão que passa de pai para filho

Anderson Dick, fundador da FuelTech, examina uma miniatura Hot Wheels ao lado da caixa de presente montada para os filhos

Na terça-feira, 2 de setembro, Anderson Dick publicou um vídeo de 58 segundos em que abre cartelas de miniatura sobre uma mesa de madeira. Não havia dinamômetro, não havia número de potência, não havia cronômetro de arrancada. Havia um Chevrolet Chevelle SS 1970 em escala 1:64, um Matchbox verde, um pacote com cinco carros de Fórmula 1 e uma caixa branca de laço preto sendo montada para os filhos dele.

O post é publicidade, e está declarado como tal. O que o fundador da FuelTech diz nele, porém, atravessa a peça publicitária: “essa paixão a gente não guarda só pra gente, ela se passa adiante”. Vinte e quatro horas antes, no mesmo perfil, ele havia anunciado uma decisão que diz exatamente a mesma coisa, e que custou bem mais caro que um carrinho.

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A decisão de 1.200 cv que o Galaxie 67 não vai receber

Anderson Dick desmontou o projeto mais potente da própria garagem porque o carro em questão é o carro da família.

O plano para o Ford Galaxie 1967 era o pacote completo: motor Godzilla 7.3, blower, câmbio de 10 marchas e 1.200 cavalos na roda. Ele contou o plano depois de já ter desistido dele. O motivo é físico e é doméstico ao mesmo tempo: o Galaxie tem banco dianteiro inteiriço e não tem cinto, porque em 1967 cinto não era item de série. É o carro em que ele coloca os três filhos no banco da frente e senta atrás para viajar. “1.200 cavalos ali é muita coisa”, escreveu.

A solução veio de dentro da própria garagem. Ele inverteu os motores dos dois projetos. A mecânica do Mustang, um 347 com câmbio manual e pouco mais de 400 cavalos na roda, vai para o Galaxie no lugar do 292 carburado original de cerca de 100 cavalos. O Godzilla, que era do Galaxie, vai para o Mustang. Anderson viajou até Cascavel sem avisar a equipe e mandou baixar os dois motores no mesmo dia. Em meia tarde, os dois estavam fora.

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A frase com que ele fechou o post é a tese do episódio inteiro: “às vezes o certo não é botar mais motor, é não deixar a gente se emocionar”. Os números de potência citados são declarações dele, sem dinamômetro publicado.

O que é o Hot Wheels Day e por que ele cai em 30 de setembro

O Hot Wheels Day não nasceu na Mattel. Nasceu numa trend de rede social na América Latina.

A ideia foi proposta pelo influenciador mexicano Alejandro Rodríguez no TikTok, como contraponto ao dia das flores amarelas, celebrado em 21 de setembro e associado à chegada da primavera no hemisfério sul. O raciocínio era simples: se existe um dia em que se presenteia com flores, deveria existir um dia em que se presenteia quem gosta de carro. A data escolhida foi 30 de setembro, e o presente escolhido foi o carrinho de metal.

O movimento pegou. Virou tradição urbana no México, no Peru, no Chile, na Argentina e chegou ao Brasil pelo mesmo caminho, sem decreto e sem calendário oficial. Não há registro público de comunicado da Mattel instituindo a data. O que existe é a adesão da marca a um movimento que o público criou sozinho, e 2026 é o ano em que essa adesão ficou visível no Brasil, com criadores de conteúdo automotivo produzindo peças sobre a data.

É nesse ponto que entra o vídeo de Anderson Dick.

Caixa de presente branca aberta com um pacote de miniaturas Hot Wheels de Formula 1 e cartelas de Chevelle SS e Mazda RX-7 sobre a mesa
A caixa montada com o pacote de Fórmula 1, o Chevelle SS 1970 e o Mazda RX-7 FC da série Silhouettes. Reprodução: Instagram/Anderson Dick

Os carrinhos que ele separou para os filhos

A seleção diz mais sobre repertório do que sobre preço. Nenhuma das miniaturas mostradas é peça de leilão.

O primeiro que ele tira da mesa é um Chevrolet Chevelle SS 1970 da linha Fast & Furious. O elogio dele é técnico e cabe em uma frase: grade, roda e altura de suspensão. Depois vem um Matchbox do Porsche 918 Spyder, verde, e é aí que ele separa as duas marcas. Também estão na mesa um Mazda RX-7 FC da série Car Culture Silhouettes e um pacote com cinco monopostos de Fórmula 1.

Tudo isso entra numa caixa branca com laço preto, montada como presente. “Não é só sobre o carrinho em si, é sobre o detalhe, a engenharia em escala reduzida”, diz ele no vídeo.

Miniatura Matchbox do Porsche 918 Spyder verde na cartela, segurada por Anderson Dick
O Matchbox do Porsche 918 Spyder, o momento em que ele separa realismo de estilo. Reprodução: Instagram/Anderson Dick

Hot Wheels e Matchbox: a diferença que o pai explica ao filho

As duas marcas pertencem à mesma empresa e não disputam o mesmo espaço. Elas dividem o trabalho.

A Matchbox é a mais velha: foi criada na Inglaterra pela Lesney Products em 1953, com modelos vendidos em caixinhas parecidas com caixas de fósforo, que deram nome à marca. A Hot Wheels chegou 15 anos depois, em 1968, com a proposta oposta: roda larga, pintura vibrante, exagero de estilo, carro que não precisa existir na rua.

Quando a Mattel comprou a Matchbox, em 1997, através da aquisição da Tyco Toys, a decisão não foi eliminar a concorrente. Foi dar a cada marca um papel. A Matchbox ficou com o realismo, a proporção fiel e o veículo do dia a dia. A Hot Wheels ficou com a fantasia e a corrida. É exatamente essa divisão que Anderson Dick reproduz na mesa quando pega o Matchbox e fala em “realismo”, e é por isso que a escolha das duas juntas, e não de uma só, é a escolha de quem entende do assunto.

O engenheiro que virou fabricante de tecnologia de corrida

A autoridade de Anderson Dick para falar de motor em escala vem de ter passado a vida construindo motor em escala real.

Ele é engenheiro eletricista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Em 1999, ainda na graduação, desenvolveu um sistema de injeção eletrônica para carros turbo que batizou de TurboPRO-1F. A procura passou o que ele conseguia montar sozinho dentro do apartamento, e em 23 de abril de 2003 a FuelTech foi registrada como empresa.

Hoje a sede em Porto Alegre ocupa mais de 7.500 metros quadrados, entre produção, estoque e operação, com mais de 250 funcionários. A empresa tem operação nos Estados Unidos e é dona do Autódromo FuelTech Velopark, em Nova Santa Rita, palco da Copa FT BR Sport, principal competição de corrida de arrancada do país. A garagem pessoal dele já rendeu capítulos como a Ferrari F355 turbo reconstruída nos Estados Unidos e a Mercedes SL600 V12 com escapamento de titânio feito sob medida.

O que isso ensina sobre alta performance

O vídeo do Hot Wheels Day e o post do Galaxie foram publicados com um dia de diferença e contam a mesma história por dois ângulos.

O primeiro ângulo é o da transmissão. O que passa de uma geração para a outra não é o carro, é o repertório. Quando um pai entrega uma miniatura e aponta a grade, a roda e a altura, ele não está entregando um brinquedo de 20 reais, está entregando um jeito de olhar. O atleta que cresce vendo alguém treinar com método aprende o método antes de aprender o esporte. O mesmo mecanismo, com outro objeto na mão.

O segundo ângulo é o da prioridade. Abrir mão de 1.200 cavalos num carro que já estava com o projeto fechado não é falta de ambição, é leitura correta de para que serve aquele carro. Alta performance também é saber onde não subir a pressão. Em arrancada, esporte que a FuelTech ajudou a estruturar no Brasil, a prova dura quatro segundos e não admite recuperação: o resultado não se constrói na pista, se constrói na decisão que veio antes dela. Trocar dois motores de lugar numa tarde em Cascavel é uma dessas decisões.

Troféu junta pó na prateleira. O que fica é o que os três guris vão lembrar do banco da frente do Galaxie, e do dia em que ganharam uma caixa com um Chevelle dentro.

Perguntas frequentes

Quando é o Hot Wheels Day?

Em 30 de setembro. A data é celebrada de forma informal, principalmente na América Latina, e não consta como feriado ou data oficial de calendário.

Quem criou a data de 30 de setembro para presentear Hot Wheels?

A proposta partiu do influenciador mexicano Alejandro Rodríguez, no TikTok, como um contraponto ao dia das flores amarelas, celebrado em 21 de setembro. A ideia se espalhou pelas redes e virou tradição em vários países da região.

A Mattel criou o Hot Wheels Day?

Não. A data nasceu do público, não da empresa. A Mattel passou a acompanhar o movimento depois que ele já estava consolidado nas redes, com campanhas e ações de marca em cima da data.

Qual a diferença entre Hot Wheels e Matchbox?

As duas marcas pertencem à Mattel e têm propósitos opostos. A Matchbox, criada em 1953, trabalha o realismo e a proporção fiel de veículos de rua. A Hot Wheels, criada em 1968, trabalha o estilo, a corrida e o carro de fantasia. A Mattel comprou a Matchbox em 1997 e manteve as duas linhas separadas.

Quem é Anderson Dick?

É o fundador e CEO da FuelTech, empresa brasileira de gerenciamento eletrônico de motores criada em 2003 em Porto Alegre. Engenheiro eletricista formado pela UFRGS, desenvolveu o primeiro produto ainda na graduação, em 1999. A FuelTech é dona do Autódromo FuelTech Velopark e organiza a Copa FT BR Sport de corrida de arrancada.

Quantos filhos tem Anderson Dick?

Ele se refere publicamente a três filhos, citados como “os três guris” nas publicações sobre o Ford Galaxie 1967 e sobre a caixa de miniaturas do Hot Wheels Day.

A tecnologia que move a arrancada brasileira nasceu num apartamento em Porto Alegre

Conheça a FuelTech, a empresa de gerenciamento eletrônico de motores fundada por Anderson Dick.

Conhecer a FuelTech

Foto de Diogo Moraes
Diogo Moraes

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