O Autódromo FuelTech Velopark, em Nova Santa Rita, recebeu nos dias 19 e 20 de setembro a nona e a décima etapas do Ultimate Drift, o campeonato brasileiro de drift, numa rodada dupla que deu dois campeões diferentes em dois dias de condições opostas.
No sábado choveu. No domingo, Dia do Gaúcho, a pista secou. E nos dois dias o adversário mais difícil não estava no carro ao lado: estava embaixo do capô.
Sábado de chuva e uma final que precisou de One More Time
A nona etapa começou com o Velopark molhado e a classificação virou loteria. Juninho, o número 11, cravou a melhor volta do qualify em condição de pouca aderência e garantiu o Top Qualify do dia.
As batalhas que vieram depois mudaram o roteiro. Dudu, o número 325, tinha dito antes de o fim de semana começar que, se a pista estivesse molhada, ele estaria pronto. A chuva veio e ele foi até o fim.

A final contra Lucas Hanazono, o número 99, terminou empatada na primeira passagem e precisou de One More Time, o recurso em que os juízes mandam a dupla repetir a batalha quando não conseguem apontar um vencedor. Na repetição, Dudu levou.
Com o resultado, o pódio da categoria PRO no sábado ficou com Dudu, Hanazono e Juninho, nessa ordem. Dudu tem no currículo o vice-campeonato brasileiro, dois títulos do Drift Fight (2022 e 2023) e a Copa CBA de manobras de 2025.
O domingo do câmbio remendado
O domingo começou com Murilo Sobral, o número 19, cravando 94,8 pontos no qualify e assumindo o Top Qualify da décima etapa. Foi a melhor notícia do fim de semana dele, e durou pouco.
Sobral já vinha de um sábado com vazamento de óleo. Logo depois da volta de classificação do domingo, o carro quebrou de novo, dessa vez no câmbio. A equipe tinha o intervalo entre o qualify e o Top 32 para desmontar, resolver e devolver o carro à pista.
Resolveu. Sobral entrou no chaveamento, passou pelas batalhas e venceu a décima etapa. No caminho, protagonizou contra Gustavinho Radical uma das disputas que mais levantaram a arquibancada no fim de semana.
O pódio PRO do domingo foi de Sobral, Juninho e Gustavinho Radical. Juninho, portanto, subiu ao pódio nos dois dias, com um terceiro lugar no sábado e um segundo no domingo, o melhor aproveitamento individual da rodada dupla entre os pilotos da categoria principal.
Como a conquista caiu no dia 20 de setembro, data da Revolução Farroupilha, a organização entregou ao vencedor um troféu em formato de chimarrão, assinado pela Zanoello.
Os favoritos ficaram de fora dos pódios
A etapa gaúcha foi anunciada com os três primeiros colocados do campeonato no grid: João “Sheriff” Barion, atual campeão, o gaúcho Matheus Sartor, vice-líder da classificação geral, e o curitibano Murilo Sobral, terceiro.

Dos três, só Sobral apareceu nos pódios do fim de semana, e apareceu no lugar mais alto no domingo. Sheriff Barion e Sartor não constam em nenhum dos dois pódios da PRO divulgados pela organização.
Sheriff chegou a aparecer nas batalhas do domingo: uma das fotos oficiais do Top 16 mostra o carro dele lado a lado com o de Lucas Hanazono. Mas o campeão em exercício terminou os dois dias sem troféu na etapa em que Dudu e Sobral se dividiram.
É um recado sobre como o formato de mata-mata funciona no drift. Liderar o campeonato não dá bônus no chaveamento, e uma batalha ruim em tandem elimina no mesmo dia quem passou a temporada inteira somando pontos.
Os pódios das três categorias
O Ultimate Drift divide o grid em três categorias que correm no mesmo fim de semana: a PRO, principal, a MASTER, de pilotos mais experientes, e a ROOKIE, de estreantes.
Etapa 9, sábado 19 de setembro
| Categoria | 1º lugar | 2º lugar | 3º lugar |
|---|---|---|---|
| PRO | Dudu | Lucas Hanazono | Juninho |
| MASTER | Éder Hara | Lúcio Turossi | Márcio Kabeça |
| ROOKIE | Nicolas Pandolfi | Marcelo Horita | Mia Orellana |
Etapa 10, domingo 20 de setembro
| Categoria | 1º lugar | 2º lugar | 3º lugar |
|---|---|---|---|
| PRO | Murilo Sobral | Juninho | Gustavinho Radical |
| MASTER | Lúcio Turossi | Éder Hara | Edinho dos Anjos |
| ROOKIE | Nicolas Pandolfi | Marcelo Horita | Natan Gomes |
Na MASTER, Éder Hara e Lúcio Turossi trocaram de posição de um dia para o outro: primeiro e segundo no sábado, segundo e primeiro no domingo. Na ROOKIE, Nicolas Pandolfi venceu as duas etapas.
A terceira colocação da chilena Mia Orellana na ROOKIE de sábado é um dos registros do fim de semana: ela e a brasileira Valentina Piaz estavam entre as mulheres inscritas na etapa gaúcha.
O que o Velopark entregou fora da pista
O campeonato voltou ao Rio Grande do Sul depois de três anos, segundo a organização, e a bilheteria respondeu. O camarote de sábado esgotou dois dias antes da abertura dos portões.
Além das batalhas, os dois dias tiveram exposição de carros, visitação aos boxes, flash tattoo, lojas de lifestyle e performance e, para marcar o Dia do Gaúcho, costela no fogo de chão e música ao vivo. Os ingressos começavam em R$ 34 na meia-entrada do lote vigente.
A etapa teve transmissão ao vivo pelo canal do Ultimate Drift no YouTube e pela RACER Brasil, e a cobertura do fim de semana também foi ao ar no SBT Sports.
O evento se apoia em patrocínio pesado da indústria automotiva: FuelTech, Perfect Automotive, Valvoline, Mahle, Sky Pneus, Hipper Freios, NGK e Monster Energy estavam entre as marcas presentes.
Para o Velopark, é mais uma modalidade num calendário que já concentra boa parte do automobilismo gaúcho. O autódromo de Nova Santa Rita é a casa da Copa FT BR Sport de Arrancada, onde estão registrados os 29 recordes de arrancada em vigor, recebe o Campeonato Gaúcho de Endurance e sedia em outubro o Armageddon, o maior evento No Prep da América Latina.
Como funciona uma etapa de drift
Para quem chega agora à modalidade, o formato é diferente do automobilismo de cronômetro. No drift não vence quem faz a volta mais rápida: vence quem controla melhor o carro de lado.
O dia começa com o qualify, em que cada piloto corre sozinho e recebe uma nota dos juízes pelo ângulo do carro, pela linha percorrida e pelo estilo. Foi nessa etapa que Sobral marcou os 94,8 pontos de domingo.
A nota do qualify define o chaveamento das batalhas, que são disputadas em tandem, com dois carros na pista ao mesmo tempo, um perseguindo o outro. Cada dupla faz duas passagens, alternando quem lidera e quem persegue, e quem perde está eliminado. Top 32, Top 16, quartas, semifinais e final.
É um mata-mata, e é por isso que a confiabilidade do carro pesa tanto: não existe somatório de pontos para compensar uma quebra. Quem não larga, não pontua.
Se a diferença entre os dois for pequena demais para os juízes decidirem, vem o One More Time, como aconteceu na final de sábado.
O que vem pela frente
Com as etapas 9 e 10 encerradas, o Ultimate Drift deixa o Rio Grande do Sul. O site oficial do campeonato aponta Piracicaba, no interior de São Paulo, como o próximo destino, entre 16 e 18 de outubro.
A organização ainda não divulgou a classificação geral atualizada com os pontos das duas etapas do Velopark. Até a publicação desta reportagem, a tabela no site oficial continuava exibindo o campeonato até a sétima etapa, o que deixa em aberto o efeito da rodada dupla sobre a briga pelo título.
Pelo que os pódios mostram, o fim de semana gaúcho mexeu na disputa. Juninho pontuou nos dois dias, Sobral venceu uma etapa e Sheriff Barion passou em branco.
O que a rodada dupla ensina sobre alta performance
Os dois campeões do fim de semana venceram no mesmo lugar: na oficina, antes de vencer na pista.
Dudu ganhou no sábado porque tinha preparado o carro e a própria cabeça para o cenário que ninguém quer, o de pista molhada. Ele não torceu contra a chuva. Ele já tinha decidido o que fazer se ela caísse.
Sobral ganhou no domingo depois de dois dias seguidos de problema mecânico, um vazamento de óleo e uma quebra de câmbio. Entre a notícia ruim e o Top 32, havia um intervalo e uma equipe. O que decidiu a etapa foi o que aconteceu ali, longe da câmera.
É a diferença entre competir e reagir bem quando o plano quebra. O talento coloca o piloto no Top Qualify. O processo é o que o mantém no chaveamento depois que o câmbio abre.
Para o atleta amador, a tradução é direta. A prova em que tudo dá certo é rara. Quase sempre chove, quase sempre algo quebra, e o resultado costuma ser definido por quem tinha ensaiado o plano B antes de precisar dele.
Quer competir com a cabeça preparada para o dia em que o plano quebra?
Conheça a Atleta Pro Academy e leve a mentalidade e os métodos da alta performance para o seu esporte.






