ARTIGOS E NOTÍCIAS ATLETA PRO

Armageddon 2026 no Fueltech Velopark: R$ 200 mil, a maior premiação do No Prep

Duzentos e um metros de asfalto sem nenhum tratamento de aderência, dois carros lado a lado e nenhum cronômetro para salvar quem largar mal. É esse o cardápio que o Autódromo FuelTech Velopark, em Nova Santa Rita (RS), vai servir nos dias 30 e 31 de outubro, quando receber a 16ª edição do Armageddon, o maior evento de arrancada No Prep da América Latina.

A organização anuncia R$ 200 mil em prêmios, o maior valor já colocado em disputa na história do evento, e vende a edição como a festa dos 10 anos do projeto que tirou os rachas da rua e levou a cultura das listas para dentro do autódromo. Os inscritos vêm de três países: Brasil, Argentina e Paraguai.

Armageddon 2026: data, local e o que está em jogo

O Armageddon 2026 acontece na sexta-feira 30 e no sábado 31 de outubro, no Autódromo FuelTech Velopark, em Nova Santa Rita, na região metropolitana de Porto Alegre. É a 16ª edição do evento e a quinta vez que ele desembarca no traçado gaúcho.

EventoArmageddon 2026, 16ª edição
Data30 e 31 de outubro de 2026 (sexta e sábado)
LocalAutódromo FuelTech Velopark, Rodovia Tabaí Canoas, 448, Nova Santa Rita (RS)
PremiaçãoR$ 200 mil, segundo a organização
FormatoNo Prep, 201 metros, mata-mata direto
PaísesBrasil, Argentina e Paraguai
IngressosSympla, válidos para os dois dias
OrganizaçãoListas Brasil e Lista Área 43

R$ 200 mil: o salto que mudou o esporte

O número é o principal argumento da edição. Em 2021, quando o Armageddon reuniu 128 carros no Speedway Music Park, em Balneário Camboriú, a bolsa total era de R$ 50 mil, com R$ 40 mil para o campeão. Nas edições mais recentes o valor chegou a R$ 160 mil. Agora são R$ 200 mil, pagos em dinheiro.

Isso importa mais do que parece. Arrancada é um esporte que consome peça cara e vida útil de motor a cada passada. Uma bolsa que quadruplicou em cinco anos é o que sustenta equipe viajando de outro estado, e o que explica em partes a chegada de argentinos e paraguaios ao grid.

O que é o No Prep e por que ele não perdoa

No Prep quer dizer, literalmente, sem preparação. Na arrancada tradicional, a pista recebe composto de tração e uma camada de borracha queimada de propósito, para que o pneu praticamente cole no chão. No Armageddon nada disso acontece: o asfalto fica cru, sujo e escorregadio, e muda a cada bateria conforme o dia avança.

Chevrolet Camaro amarelo de arrancada alinhado na pista sem preparo durante o Armageddon
Sem composto de tração no asfalto, o acerto do carro decide mais que a potência. Foto: FuelTech/Divulgação

O resultado é que potência bruta deixa de ser garantia. Não adianta ter 4 mil cavalos se, ao soltar o carro, tudo vira fumaça e o pneu roda parado. Vence quem consegue colocar mais força no chão sem perder tração, e é aí que o gerenciamento eletrônico do motor decide a corrida. Os sistemas de injeção da FuelTech, que dão nome ao autódromo e estão na maioria dos carros do grid, permitem ao preparador definir quanta potência chega à roda em cada fração de segundo.

Não há tempo cronometrado valendo nada. Vale quem cruza primeiro. Quem quiser entender o formato em detalhe encontra o passo a passo no guia do Armageddon e do No Prep e no guia completo da corrida de arrancada.

Fábio Wisniewski volta ao Velopark como campeão

O atual campeão do Armageddon é gaúcho e vai jogar em casa. Fábio Luiz Wisniewski, de Santa Cruz do Sul, venceu a 15ª edição em Londrina, no dia 21 de junho deste ano, ao volante do Opala Blue Shark, o seis cilindros turbo azul que virou um dos carros mais reconhecíveis da modalidade no país.

Foi o segundo título dele: o primeiro veio em 2022, justamente no Velopark. E a trajetória recente explica por que ele chega marcado. Wisniewski terminou em terceiro na 13ª edição, disputada no Velopark em junho de 2025, foi vice na 14ª, também no Velopark, em novembro de 2025, e enfim levou o troféu em Londrina.

A 15ª edição dá a dimensão do tamanho que o evento alcançou: a cronometragem oficial registrou 143 pilotos, 24 categorias e 628 puxadas ao longo do fim de semana.

O Velopark virou a casa do Armageddon

Nenhum autódromo recebeu o Armageddon mais vezes. O Velopark sediou a 7ª edição em 2022, a 10ª em 2023, a 13ª em junho de 2025, a 14ª em novembro de 2025 e agora a 16ª.

Largada noturna de arrancada No Prep com o público acompanhando de perto no Armageddon
O público colado na área de largada é parte da identidade do Armageddon. Foto: FuelTech/Divulgação

A passagem de junho de 2025 entrou para a história do evento por dois motivos. Foi a edição de maior público, com mais de 10 mil pessoas no autódromo, e teve o primeiro campeão estrangeiro: o argentino Alejandro Lucas, o “El Pajaro”, que venceu com um VW Gol 16v turbo com tração integral, deixando para trás o brasileiro Daniel Czarnobai na final.

O mesmo traçado é a sede da Copa FT BR Sport de Arrancada, o principal campeonato cronometrado da modalidade no país, que teve 32 recordes batidos em uma única etapa no início de agosto e volta à pista de 11 a 13 de setembro. Os dois eventos convivem, mas jogam jogos diferentes: a Copa FT premia o tempo, o Armageddon premia quem passa na frente.

As listas: o mapa do No Prep brasileiro é desenhado por DDD

Para entender quem corre no Armageddon é preciso entender as listas. O nome oficial da competição é “Desafio Entre Listas”, e a lista é a unidade básica do esporte: um grupo regional que reúne os carros mais rápidos de uma área e é identificado pelo DDD dela.

A Área 43 é a de Londrina e região, e é ela que assina a organização desta edição. Pela própria descrição do grupo, é a única lista tetracampeã do Armageddon. O atual campeão, Fábio Wisniewski, defende as cores da Área 55. Área 41, Área 48, Área 49 e Área 51 estão entre as outras que costumam levar carros ao grid, e algumas fretam excursão inteira, com transporte, hospedagem e ingresso, para acompanhar os pilotos da região.

Esse desenho explica por que o Armageddon cresceu tão rápido. Ele não é um campeonato que precisa recrutar competidor: ele é o encontro anual de comunidades que já existiam, já se conheciam e já se provocavam.

Da rua para o autódromo, e do autódromo para o streaming

O Armageddon nasceu em Londrina, em 2018, com uma motivação prática: tirar da rua os rachas ilegais e levar aqueles carros para uma pista fechada, com regra e socorro médico. Começou com encontros informais, virou a Área 43 e, depois, o evento que ocupa autódromos como Interlagos e o Velopark. A organização conta a edição de outubro como a comemoração dos 10 anos do projeto, incluindo os anos anteriores ao primeiro Armageddon.

O crescimento saltou do nicho para o público geral quando a transmissão gratuita no YouTube começou a bater recordes de audiência na modalidade e, principalmente, quando o documentário “Armageddon: Os Carros Mais Rápidos do Brasil” chegou ao Prime Video. Foi o que levou a cultura do No Prep brasileiro para quem nunca tinha pisado num autódromo.

Ingressos e como um piloto entra na chave

Os ingressos estão à venda no Sympla e valem para os dois dias de evento, com parcelamento em até 12 vezes. Crianças de até 12 anos não pagam, desde que acompanhadas dos pais ou responsáveis. A organização proíbe a entrada com bebidas em todos os setores, libera cooler vazio e faz upgrade de setor apenas na portaria, no dia.

Para competir, não existe inscrição aberta. A vaga se conquista dentro das listas regionais, os grupos identificados pelo DDD de cada região, e a inscrição é feita só com os administradores de cada lista. É esse filtro que monta o chaveamento final.

Em caso de chuva o cronograma pode mudar. A organização orienta acompanhar os perfis @listasbrasiloficial e @area43alista para as informações oficiais.

O que o No Prep ensina sobre alta performance

Uma passada de Armageddon dura pouco mais de quatro segundos. Não existe volta seguinte, não existe recuperação no meio da prova, não existe estratégia de corrida longa. O que acontece nesses quatro segundos é apenas a leitura de tudo o que foi decidido antes: pressão de pneu, regulagem de suspensão, transferência de peso e o mapa de entrega de potência.

É a definição mais crua de execução. Em uma pista que muda a cada hora, o atleta que vence não é o que tem o maior número no dinamômetro, e sim o que lê a condição do dia e ajusta a entrega ao que o chão aguenta. Quem entrega força demais cedo demais perde a corrida na largada. Quem entrega de menos entrega a vaga.

A lição vale fora do asfalto. Prova curta expõe preparação, não improviso. E o resultado, quando o tempo de reação é medido em milésimos, já estava decidido antes da luz verde.

Perguntas frequentes sobre o Armageddon 2026

Quando e onde acontece o Armageddon 2026?

Nos dias 30 e 31 de outubro de 2026, no Autódromo FuelTech Velopark, em Nova Santa Rita (RS).

Qual é a premiação do Armageddon 2026?

A organização anuncia R$ 200 mil em dinheiro, o maior valor da história do evento.

Quem é o atual campeão do Armageddon?

Fábio Wisniewski, de Santa Cruz do Sul (RS), com o Opala Blue Shark. Ele venceu a 15ª edição em Londrina, em junho de 2026, e é bicampeão.

O que é No Prep na arrancada?

É a corrida disputada em pista sem nenhum tratamento de aderência. Sem composto de tração e sem camada de borracha, o pneu patina com facilidade e o acerto do carro pesa mais que a potência.

Como faço para competir no Armageddon?

A vaga é conquistada dentro das listas regionais, identificadas pelo DDD de cada região. A inscrição é feita apenas com os administradores de cada lista.

Quatro segundos não perdoam falta de preparo. E o seu treino?

Conheça a Atleta Pro Academy e leve a ciência da performance para o seu treino.

Conhecer a Atleta Pro Academy

Foto de Diogo Moraes
Diogo Moraes

Compartilhe:

Facebook
Twitter
Pinterest
LinkedIn

Quer receber conteúdos como esse direto no seu e-mail?

Clique no botão abaixo e inscreva-se na Newsletter do Atleta.

Atleta Pro News

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados:

Rafael Negretty: 8% de chance de andar, hoje no octógono do MMA

Faixa-preta de jiu-jitsu e lutador de MMA, Rafael Negretty ouviu dos médicos que tinha 8% de chance de voltar a andar depois de fraturar 4 vértebras lombares em 2013. Esta edição conta a trajetória de superação do gaúcho de Torres (RS), mais Fonseca em Cincinnati, Daniel 220V bicampeão do ADCC Youth e Djenyfer Arnold vencendo o Ironman 70.3 do Rio.

Leia agora »