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Russell larga do fim do grid em Singapura, que estreia a sprint

George Russell acena ao lado de Kimi Antonelli e Lewis Hamilton depois da classificação do GP da China de Fórmula 1 de 2026

George Russell venceu o GP de Singapura de 2025 largando na pole. Neste domingo (11), volta a Marina Bay para largar do fim do grid. A Mercedes precisou trocar componentes da unidade de potência depois da quebra no GP do Bahrein, disputado em Sepang, e o inglês estourou a cota de peças da temporada.

A punição chega num fim de semana que já seria diferente de todos os anteriores em Singapura. A etapa, 17ª das 23 do campeonato, tem a primeira corrida sprint da história do circuito, calor acima de 31 °C, com alerta oficial da FIA, e o ar da cidade na faixa insalubre por causa da fumaça de incêndios florestais na Indonésia. Kimi Antonelli chega como líder, com 84 pontos de vantagem sobre o próprio Russell.

Horários de Brasília e onde assistir

Singapura está 11 horas à frente de Brasília. A corrida principal começa às 20h no horário local, sob a luz dos refletores, o que joga a largada para as 9h da manhã de domingo no Brasil. O fim de semana começou nesta sexta, às 5h30, com o único treino livre da etapa.

SessãoDiaHorário de BrasíliaOnde assistir
Treino livresexta (9)5h30sportv3, Globoplay e F1 TV Pro
Classificação da sprintsexta (9)9h30sportv3, Globoplay e F1 TV Pro
Corrida sprintsábado (10)6hsportv3, Globoplay e F1 TV Pro
Classificação do GPsábado (10)10hsportv3, Globoplay e F1 TV Pro
GP de Singapuradomingo (11)9hGlobo, sportv3, Globoplay e F1 TV Pro

A Globo mostra só a corrida de domingo, na TV aberta, com narração de Everaldo Marques e comentários de Luciano Burti e Mariana Becker. O sportv3 transmite todas as sessões, e o Globoplay exibe o sinal do canal nos planos que o incluem. O passo a passo para assistir está no guia de onde assistir ao GP de Singapura 2026.

A primeira sprint de Marina Bay

Singapura recebe a Fórmula 1 desde 2008 e nunca tinha tido sprint. É a sexta e última da temporada. A corrida curta tem 21 voltas, cerca de 100 km, e distribui pontos do primeiro ao oitavo colocado, com 8 para o vencedor. Somando a sprint e a corrida de 62 voltas, há 33 pontos em jogo para cada piloto no fim de semana.

O formato encurta a preparação. As equipes têm um único treino livre para acertar o carro antes da classificação da sprint, no mesmo dia. E a sprint de sábado larga às 17h locais, ainda com sol, enquanto a classificação e a corrida principal acontecem à noite. A mudança de luz e de temperatura altera as condições da pista de uma sessão para a outra.

Uma estatística da temporada aumenta o suspense. Segundo a Fórmula 1, nenhum fim de semana com sprint em 2026 teve o mesmo vencedor nas duas corridas. O último piloto a ganhar a sprint e o GP no mesmo fim de semana foi Lando Norris, em Interlagos, em 2025.

A Mercedes de Kimi Antonelli acelera à noite no circuito de rua de Marina Bay, em Singapura, soltando faíscas no asfalto
Antonelli em Marina Bay no treino livre de 2025: no ano passado, o italiano largou em quarto e terminou em quinto. Foto: Liauzh (CC BY-SA 4.0)

A Pirelli levou os três compostos mais macios da gama: C3 (duro), C4 (médio) e C5 (macio). O traçado tem 4,927 km e 19 curvas, e o recorde da volta é de Lewis Hamilton, 1min33s808, cravado em 2025 com a Ferrari. Nas últimas seis corridas em Singapura, o safety car entrou na pista em quatro, segundo a Fórmula 1.

Russell: da pole de 2025 ao fim do grid

O problema começou em Sepang, no domingo passado. Russell era terceiro quando o motor falhou a seis voltas do fim. A Mercedes já previa uma troca de unidade de potência com punição antes do fim do ano, mas não em Singapura, um dos circuitos mais difíceis para ultrapassar no calendário. Sem componentes com pouca quilometragem no estoque, o time não teve escolha.

Pelo regulamento, o primeiro excesso na cota de um componente custa dez posições no grid, e cada um dos seguintes, mais cinco. Acima de 15 posições, o piloto larga do fim do pelotão. A punição vale só para a corrida de domingo. Na sprint, Russell larga de onde se classificar nesta sexta.

“Isso é especialmente frustrante pelo jeito que ele pilotou no último fim de semana e pelo resultado pelo qual ele merecia estar brigando”, disse Toto Wolff, chefe da Mercedes, em comunicado. O próprio Russell lamentou o lugar. “Se desse para escolher onde pagar a punição na temporada, esta pista estaria provavelmente em penúltimo na lista, depois de Mônaco”, disse. Mesmo assim, prometeu: “Ataque total, e tentar curtir o fim de semana. Singapura é um lugar que eu adoro, e vou tentar abrir caminho pelo pelotão.”

A Mercedes ainda dividiu os dois carros. Antonelli corre com o pacote aerodinâmico estreado em Sepang, que deveria render cerca de três décimos por volta, mas, na avaliação de Wolff depois da classificação, fez o time perder mais ou menos o mesmo. Russell volta à especificação anterior, a mesma com que fez a pole e venceu em Baku, no fim de setembro. A comparação direta deve mostrar qual caminho o time segue nas últimas seis corridas. “Não estou em nenhuma briga neste fim de semana, nem no campeonato, para falar a verdade, então é o lugar certo para fazer isso”, resumiu Russell.

Antonelli não fecha o título em Singapura

Antonelli, de 20 anos, soma 320 pontos, contra 236 de Russell e 214 de Hamilton, terceiro colocado. Tem oito vitórias em 16 corridas: China, Japão, Miami, Canadá, Mônaco, Bélgica, Itália e Madri. O segundo lugar em Sepang, atrás de Max Verstappen, ampliou a vantagem de 66 para 84 pontos, como o portal mostrou no relato da vitória de Verstappen em Sepang.

A conta do título ainda não fecha neste domingo. Cada piloto tem 183 pontos em disputa até o fim do ano: 8 da sprint e 175 das sete corridas restantes. Mesmo que Antonelli vença a sprint e o GP e Russell não marque nada, a vantagem chegaria a 117 pontos, menos que os 150 ainda em jogo nas seis etapas seguintes. A primeira chance real de decisão é o GP dos Estados Unidos, em 25 de outubro.

Com o companheiro largando do fundo, o domingo é a oportunidade de abrir ainda mais. O risco é o contrário: Singapura castiga erro com muro, e Antonelli tem histórico recente de fim de semana ruim, como o de Baku, quando bateu na primeira parte da classificação, largou em 16º e terminou em quinto. A corrida que fez Russell reduzir a diferença está contada em Russell vence em Baku e corta a vantagem de Antonelli.

Verstappen tenta a vitória que nunca teve

O adversário mais perigoso pode não ser da Mercedes. Verstappen venceu em Sepang a primeira corrida do ano e deu à unidade de potência da Red Bull, feita em parceria com a Ford, a primeira vitória. Em Baku, tinha ficado a um décimo de Russell.

Singapura é uma lacuna no currículo do tetracampeão: ele nunca venceu em Marina Bay, apesar de vários segundos lugares, o último deles em 2025, 5s4 atrás de Russell. O maior vencedor da prova é Sebastian Vettel, com cinco vitórias.

Calor acima de 31 °C e ar insalubre

A FIA declarou alerta de calor para a sprint e para a corrida, depois que o serviço meteorológico oficial previu índice de calor acima de 31 °C. É a quarta vez em 2026, depois de Áustria, Monza e Sepang. Com o alerta, as equipes precisam instalar o sistema de resfriamento do piloto, e o peso mínimo do carro sobe 5 kg na corrida para compensar o equipamento. Quem não usar o colete refrigerado carrega 0,5 kg de lastro no cockpit.

A Mercedes decidiu não ter colete. A FIA ofereceu às equipes uma verba extra de US$ 50 mil para desenvolver um sistema que durasse a corrida inteira, e o time achou pouco. “Não acreditamos que esse valor fosse suficiente para desenvolvermos uma solução robusta o bastante para durar a corrida inteira”, explicou Bradley Lord, vice-chefe da equipe. Segundo ele, Antonelli e Russell concordaram. Em Singapura, um piloto pode perder até 3 kg de suor numa corrida.

Prédios residenciais encobertos por fumaça cinza em Tanjong Rhu, em Singapura, durante a névoa causada por incêndios na Indonésia em 2026
Fumaça sobre Tanjong Rhu, em Singapura, em 14 de setembro de 2026, quando o índice de poluição entrou na faixa insalubre. Foto: Robert Sim (CC BY-SA 4.0)

O outro problema vem de fora. A fumaça de incêndios em Sumatra e em Kalimantan, na Indonésia, cobre Singapura há semanas. Na terça-feira (6), o PSI de 24 horas, índice oficial de qualidade do ar da cidade, marcava 133 na região central e passava de 100 nas cinco regiões medidas pela agência ambiental. A faixa de 101 a 200 é classificada como insalubre.

A FIA garante que a corrida não está ameaçada. “Os níveis de qualidade do ar estão sendo monitorados pelas autoridades locais, e há medidas de contingência adequadas”, disse um porta-voz da entidade à Reuters, na quinta-feira (8). Se a situação piorar, as restrições devem atingir primeiro os shows e as atividades ao ar livre para o público, não a pista. Há precedente: em 2019, a prova foi disputada normalmente com o ar na mesma faixa.

A previsão de chuva entre sexta e domingo pode ajudar a dissipar a fumaça e também misturar as estratégias. Os pilotos minimizam o assunto. “Não sinto que esteja tão extremo ainda”, disse Valtteri Bottas, que chegou a Singapura de bicicleta, depois de pedalar 419 km desde Sepang.

Bortoleto busca o fim do jejum

Gabriel Bortoleto chega a Singapura em 14º no campeonato, com 10 pontos, três a mais que o companheiro Nico Hülkenberg. O brasileiro não termina entre os dez primeiros desde o GP da Bélgica, em 19 de julho, e vem de um 18º lugar em Sepang, depois de tocar em Carlos Sainz e levar punição de 10 segundos. A Audi estreia em Marina Bay uma pintura especial para a corrida.

“As últimas corridas não nos trouxeram os resultados que queríamos, mas ainda houve pontos positivos a serem aproveitados”, disse Bortoleto. “Nosso objetivo é levar o que aprendemos para Singapura e ter um fim de semana sólido. Estou pronto para esse desafio.”

O que Singapura ensina sobre alta performance

Russell tem dois caminhos para encarar o domingo. Pode tratar a punição como injustiça, já que a quebra não foi culpa dele, ou pode tratar o fim do grid como ponto de partida. Escolheu o segundo em público: ataque total e prazer de correr num circuito de que gosta. A falha do motor está fora do controle dele. A resposta a ela, não.

Antonelli vive o dilema oposto, o de quem tem vantagem a administrar. Num circuito de muros, com calor extremo e pouco treino, o erro custa mais do que a ousadia rende. Campeonato longo se ganha com regularidade, e a etapa em que o principal rival larga em último é justamente aquela em que um abandono pesaria mais.

E o fim de semana inteiro testa preparação. Uma sessão de treino, sprint de dia e corrida de noite, 31 °C, ar pesado e até 3 kg perdidos em suor: em Singapura, chega inteiro ao fim quem fez o trabalho antes de chegar.

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Foto de Diogo Moraes
Diogo Moraes

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