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Final do US Open 2026: Shelton tenta encerrar jejum de 23 anos dos EUA

Ben Shelton cerra o punho durante a semifinal contra Frances Tiafoe no US Open 2026

Andy Roddick levantou o troféu do US Open em 2003. Desde então, nenhum homem dos Estados Unidos venceu um torneio de Grand Slam. Neste domingo (13), às 15h de Brasília, Ben Shelton entra no Arthur Ashe com a chance de encerrar essa fila, contra o alemão Alexander Zverev.

Shelton, de 23 anos, é o que restou de uma campanha americana que chegou forte à segunda semana e foi ficando pelo caminho. Antes dele, o torneio decide o título feminino neste sábado (12), às 17h, entre Aryna Sabalenka e Elena Rybakina, numa final sem americanas.

Ben Shelton cerra o punho durante a semifinal contra Frances Tiafoe no US Open 2026

Seis americanos nas quartas, o maior número desde 2002

A campanha dos donos da casa chamou atenção antes mesmo das semifinais. Seis tenistas dos Estados Unidos chegaram às quartas de final: Coco Gauff, Jessica Pegula e Emma Navarro no feminino, e Ben Shelton, Frances Tiafoe e Alex Michelsen no masculino. É o maior número desde 2002, quando oito americanos alcançaram essa fase.

Pela forma da chave, dois desses jogos foram entre americanos. Pegula, 3ª cabeça de chave, perdeu o primeiro set para Navarro e virou por 3/6, 6/4 e 6/3. Tiafoe precisou de 4h38 para passar por Michelsen, de 22 anos: perdeu os dois primeiros sets, estava atrás por 3 a 0 no quinto e fechou no super tie-break, por 5/7, 3/6, 7/5, 6/3 e 7/6 (10-6).

“Ele me deu alguns presentes, umas duplas faltas ali. Mas aí fui encontrando meu ritmo aos poucos”, disse Tiafoe depois do jogo.

Gauff também passou de virada. Contra a russa Mirra Andreeva, a 4ª cabeça de chave perdeu o primeiro set por 6/2, salvou dois match points no tie-break do segundo e venceu por 2/6, 7/6 e 6/2.

Shelton teve a noite mais longa. Nas quartas, eliminou o atual campeão, Carlos Alcaraz, por 6/7, 6/1, 6/3, 1/6 e 7/6 (10-7), num jogo de 4h28 que terminou às 3h33 da manhã, o horário mais tarde já registrado em Nova York.

As americanas param nas semifinais

O lado feminino não passou da quinta-feira (10). Pegula voltou a esbarrar em Sabalenka, que já a tinha derrotado na final de 2024 e na semifinal de 2025. Desta vez, a bielorrussa venceu por 7/5 e 6/2 e chegou a 19 vitórias seguidas no US Open, sequência que vem desde a derrota para Gauff na final de 2023.

Na outra semifinal, Gauff abriu 6/3 sobre Rybakina, mas a cazaque virou por 3/6, 6/4 e 6/4 e garantiu a primeira final dela em Nova York. Com isso, a decisão deste sábado ficou sem americanas.

Shelton x Tiafoe: a semifinal que garantiu um americano na final

Do lado masculino, a chave colocou Shelton, 8º cabeça de chave, e Tiafoe, 11º, frente a frente na semifinal desta sexta-feira (11). Qualquer resultado garantia um americano na decisão pela primeira vez desde Taylor Fritz, vice em 2024.

Tiafoe venceu o primeiro set por 6/4. Depois, o saque de Shelton decidiu o jogo: foram 20 aces e 47 bolas vencedoras em 3h17 de partida. Os sets seguintes terminaram 6/3, 6/3 e 7/5. Só um game do terceiro set durou 15 minutos, com sete iguais.

“Eu queria estar numa final de Grand Slam. Obviamente era um jogo grande. O Ben jogou bem hoje. Sacou muito bem, o que tornou tudo muito difícil para mim”, disse Tiafoe.

Shelton agora lidera o confronto com o compatriota por 4 a 1. Na quadra, depois da vitória, falou com a torcida: “Vou precisar de vocês no domingo. Vou com tudo e vou deixar tudo em quadra.”

Frances Tiafoe grita em quadra no Arthur Ashe durante o US Open 2026

O que a final representa para o tênis americano

O domingo tem mais de um recorde em jogo. Aos 23 anos, Shelton é o americano mais jovem numa final masculina do US Open desde o próprio Roddick, que tinha 21 em 2003. É também o primeiro homem negro dos Estados Unidos numa final do torneio desde Arthur Ashe, em 1972, e o primeiro numa final de Grand Slam desde MaliVai Washington, em Wimbledon 1996.

O jejum de títulos é o número que mais pesa. Desde a vitória de Roddick, só dois homens dos Estados Unidos chegaram a uma final de Grand Slam: o próprio Roddick, em outras quatro decisões, e Fritz, em 2024. Nenhum dos dois venceu.

Na temporada, Shelton chega com 100% de aproveitamento em finais: ganhou as quatro que disputou, em Dallas, Munique, Stuttgart e Montreal. Mas esta é a primeira decisão de Grand Slam da carreira dele.

Zverev, o adversário que nunca perdeu para Shelton

Do outro lado da rede está o tenista mais regular dos Grand Slams de 2026. Zverev foi campeão de Roland Garros, perdeu a final de Wimbledon para Jannik Sinner e agora disputa a terceira final seguida de Grand Slam. Na semifinal, venceu o russo Karen Khachanov por 6/3, 7/6 e 7/6.

O retrospecto é todo dele: 5 a 0 contra Shelton, com a vitória mais recente no ATP Finals de 2025, em sets diretos. Este é o primeiro encontro dos dois em Grand Slam.

“Ben é simplesmente um cara grande e forte. Saque enorme, golpes de fundo enormes”, disse o alemão, que brincou com o clima da final: “Espero conseguir não realizar o sonho americano no domingo.”

Shelton respondeu ao retrospecto sem rodeio: “Eu não tive sucesso contra ele no passado, mas isso não me assusta.”

Em finais de Grand Slam, Zverev tem uma vitória e quatro derrotas. Uma delas foi no próprio US Open, em 2020.

Alexander Zverev sorri para a torcida depois de vencer a semifinal do US Open 2026

Finais do US Open 2026: datas e horários

Final feminina: Aryna Sabalenka x Elena Rybakina

  • Data: sábado, 12 de setembro
  • Horário: 17h de Brasília (16h em Nova York)
  • Contexto: Sabalenka busca o terceiro título seguido, o que ninguém consegue desde Serena Williams (2012 a 2014). Rybakina, que assume o número 1 do mundo na segunda-feira (14), tenta o primeiro US Open.

Final masculina: Alexander Zverev x Ben Shelton

O que a campanha americana ensina sobre alta performance

Os americanos que chegaram longe em Nova York têm algo em comum: quase todos estiveram perdendo antes de vencer. Tiafoe perdeu dois sets e estava atrás por 3 a 0 no quinto. Gauff enfrentou dois match points. Pegula e Shelton perderam o primeiro set nos jogos que os levaram adiante. Em nenhum desses casos o placar parcial virou justificativa para desistir do jogo.

A resposta de Shelton sobre o 0 a 5 contra Zverev vai na mesma linha. Retrospecto registra o que aconteceu, não decide o que vai acontecer. As cinco derrotas foram eventos, e o americano entra no domingo tratando a final como um jogo novo, não como a sexta repetição de um resultado.

O jejum de 23 anos, por outro lado, mostra o limite do talento sozinho. Os Estados Unidos seguiram formando tenistas de primeira linha durante todo esse período, e o título não veio. Chegar a uma final é consequência de processo, e ganhá-la depende de sustentar esse processo por mais sete sets bem jogados. É isso que Shelton tem de fazer no domingo.

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Perguntas frequentes

Quando é a final masculina do US Open 2026?

No domingo, 13 de setembro, às 15h de Brasília, entre Alexander Zverev e Ben Shelton, no Arthur Ashe Stadium.

Quando um americano ganhou o US Open pela última vez?

No masculino, Andy Roddick, em 2003, o último título de Grand Slam de um homem dos Estados Unidos. No feminino, Coco Gauff, em 2023.

Quantos americanos chegaram às quartas do US Open 2026?

Seis: Coco Gauff, Jessica Pegula, Emma Navarro, Ben Shelton, Frances Tiafoe e Alex Michelsen. É o maior número desde 2002.

Foto de Diogo Moraes
Diogo Moraes

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