Este texto é uma adaptação da edição de 2026 de agosto de 10 da Atleta Pro News, a newsletter gratuita que chega três vezes por semana pra quem leva esporte de alto desempenho a sério.
Em 1982, uma estudante universitária de 23 anos rastejou pelos últimos metros do Ironman de Kona diante das câmeras da ABC, e aquela cena mudou a história do triatlo para sempre. No fim de semana, João Fonseca esbarrou no atual campeão de Montreal após dois jogos impecáveis, Felipe Fraga converteu a pole em vitória em Santa Cruz do Sul e abriu vantagem na Stock Car, e Felix Gall fechou a Vuelta a Burgos com cinco segundos de margem sobre os rivais. No radar: a Honda testou o motor que pode tirar a Aston Martin do fundo do grid, e a Integralmedica confirmou o maior investimento brasileiro da história do Mr. Olympia.
Julie Moss em Kona: a queda que não foi uma derrota

Em fevereiro de 1982, Julie Moss tinha 23 anos e nenhum plano de virar atleta profissional. Ela se inscreveu no Ironman de Kona como projeto de conclusão de curso na faculdade, convencida de que já seria um feito apenas terminar a prova. O que aconteceu nas horas seguintes transformaria a história do triatlo para sempre.
Moss chegou à etapa final dos 42 quilômetros de corrida, depois de 3,8km de natação e 180km de ciclismo, surpreendentemente na liderança da prova. Nenhuma atleta profissional à sua frente. Só o asfalto quente de Kona e a linha de chegada do outro lado.
A cerca de 3 quilômetros do fim, o corpo parou de obedecer. Gravemente desidratada, Moss cambaleou. Caiu. Tentou se levantar. Caiu de novo. Nos metros finais, rastejou pelo asfalto. A equipe da ABC’s Wide World of Sports estava lá com as câmeras, e o mundo assistiu em tempo real.
Kathleen McCartney a ultrapassou a poucos passos da linha e venceu a prova. Moss cruzou em segundo lugar, rastejando até o fim. Não chegou como campeã. Mas foi a imagem dela, e não a de McCartney, que correu o mundo.
A cena, exibida para milhões de telespectadores nos Estados Unidos, foi o primeiro contato de muita gente com o que era um Ironman. O alcance daquela transmissão ajudou a pavimentar o caminho do triatlo até os Jogos Olímpicos de 2000, em Sydney, onde a modalidade estreou no programa oficial.
Mais de quatro décadas depois, a imagem de Julie Moss segue sendo o motivo pelo qual gente comum se inscreve numa prova dessas. Não para vencer todo mundo, mas para não desistir de si mesma. A queda virou o símbolo mais poderoso da resistência humana no esporte de endurance.
O que aconteceu no esporte

Fonseca cai diante do atual campeão em Montreal
João Fonseca parou nas oitavas de final do Masters 1000 de Montreal no domingo (9), derrotado por Ben Shelton por 6/3 e 7/6(3). O americano, décimo do mundo, é o atual campeão do torneio e o principal nome do IGA Stadium.
Até ali, Fonseca vinha de campanha impecável: bateu Stefanos Tsitsipas e Casper Ruud sem perder um set sequer. Aos 19 anos e na 27ª posição do ranking, o brasileiro demonstrou que já compete de igual para igual com o topo do circuito, mas ainda esbarra nos nomes mais consistentes da temporada.
A eliminação tira Fonseca do torneio antes das quartas, mas não muda o roteiro do calendário: o circuito segue para Cincinnati e depois para o US Open, último Grand Slam do ano, nos Estados Unidos.

Fraga vence e dispara na liderança da Stock Car
Felipe Fraga converteu a pole em vitória na etapa de Santa Cruz do Sul, no domingo (9), Dia dos Pais, e ampliou a vantagem no campeonato. Foi mais uma vez que o piloto da Eurofarma RC largou na frente e não desperdiçou a oportunidade.
Thiago Camilo (Mercado Livre Racing Team) terminou em segundo, e Gaetano Di Mauro, companheiro de Fraga na Eurofarma, fechou o pódio em terceiro. Foi a sétima etapa da temporada, disputada num traçado que não recebia a Stock Car desde 2022.
Com o resultado, Fraga segue isolado na ponta do campeonato. A categoria volta às pistas em 6 de setembro, em Curvelo (MG).

Felix Gall é campeão da Vuelta a Burgos
O austríaco Felix Gall, da Decathlon CMA CGM, venceu a 48ª edição da Vuelta a Burgos, decidida no sábado (8) na etapa rainha com chegada nas Lagunas de Neila. Gall não venceu o último trecho, mas defendeu a camisa de líder e fechou a prova com 5 segundos de vantagem sobre o britânico Oscar Onley.
A etapa final ficou com o italiano Giulio Pellizzari, que atacou no último quilômetro da subida. Giulio Ciccone completou o pódio da classificação geral, a 12 segundos de Gall.
A vitória na Espanha serve de termômetro: Gall usa a boa fase para mirar um resultado forte na Vuelta a España, que começa nas próximas semanas.
Radar do Esporte

Honda prepara salto de potência para a Aston Martin na F1
Antes da pausa de verão da Fórmula 1, a Aston Martin testou no Hungaroring a nova unidade de potência da Honda. A estreia oficial é no GP da Holanda, em 23 de agosto, primeira corrida depois do recesso de verão.
A equipe vive a pior fase da era Honda: Fernando Alonso soma apenas um ponto na temporada, marcado em Mônaco. Com a folga de desenvolvimento que a FIA concede a equipes em dificuldade, a Honda promete até 30 cavalos a mais de potência. A aposta é tirar a Aston Martin do fundo do grid antes de virar a chave para o carro de 2027.
Marca brasileira lidera patrocínio do Mr. Olympia
A Integralmedica é hoje a principal patrocinadora do Mr. Olympia, o maior evento de fisiculturismo do mundo. A marca brasileira investe US$ 2 milhões por edição e renovou o contrato por mais três anos, consolidando uma parceria construída ao longo de cinco anos.
O aporte acompanha o momento do setor: o mercado brasileiro de suplementos cresceu 15% no último ano e deve movimentar R$ 13,8 bilhões até 2030, colocando o Brasil entre os cinco maiores do mundo na categoria. O país também leva hoje a maior delegação de atletas da história do Mr. Olympia.
Track&Field aposta no tênis com experiências próprias
A Track&Field lançou a T&F Tennis Season, iniciativa para se posicionar como marca de performance e estilo de vida dentro do tênis brasileiro. A estreia foi no LA Open, primeiro Challenger 100 disputado no Jockey Club de São Paulo, com pop-up store, personalização de bonés e ativações imersivas assinadas por atletas do circuito.
A aposta reflete um movimento do mercado esportivo nacional: marcas de roupa e calçado deixaram de ser só fornecedoras de material e passaram a construir competições e experiências próprias, disputando um público que só cresce.
Insight de Performance
O que a ciência do esporte chama de fadiga central é exatamente o que travou as pernas de Julie Moss a 3km da chegada em Kona: o cérebro decide primeiro que já chegou ao limite, antes mesmo do corpo estar fisicamente esgotado. É um mecanismo de proteção que existe por boas razões, mas que ativa cedo demais em quem nunca treinou a tolerância ao desconforto.
Para o atleta amador, a lição prática é direta: terminar treinos longos num ritmo desconfortável, sem abandonar, ensina o cérebro a recalibrar onde fica o limite real. Quem já “rastejou” numa prova cruza a próxima linha de chegada com mais calma. Ninguém lembra do seu tempo. Todo mundo lembra se você terminou.
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