
O CrossFit Games 2026 terminou no domingo (26), no SAP Center, em San José, na Califórnia, com dois campeões que chegaram ao título por caminhos opostos. James Sprague venceu a divisão masculina por 27 pontos, no desfecho mais apertado do fim de semana. Aimee Cringle liquidou a divisão feminina antes mesmo de a última prova ser disputada.
A 20ª edição da competição distribuiu 20 provas em cinco dias, começando no The Ranch, em Aromas, o sítio que sediou a edição inaugural de 2007, e terminando na arena. Nas equipes, a CrossFit Whip tirou o título da CrossFit Mayhem na reta final. E o Brasil fechou os Games com o nono lugar de Guilherme Malheiros, que ainda venceu a última prova da competição.
Sprague vence por 27 pontos e faz história
Sprague terminou com 1.318 pontos, contra 1.291 de Dallin Pepper. Jay Crouch ficou em terceiro, com 1.228. A vantagem de 27 pontos equivale a menos de uma posição em duas provas, num sistema em que cada prova vale até 100 pontos.
O título tem um detalhe inédito. Aos 24 anos, Sprague se tornou o primeiro homem a vencer dois CrossFit Games não consecutivos. Ele já havia sido campeão em 2024, perdeu o título para Jayson Hopper em 2025 e voltou ao topo agora. Todos os outros bicampeões da história do masculino, de Rich Froning a Mat Fraser, emendaram os títulos em anos seguidos.
A campanha foi construída na ausência de desastre. Sprague venceu duas provas, a Jump Yoke Pull e a Machine 7200m, e melhorou justamente onde costumava perder pontos: no levantamento terra, puxou 590 libras (cerca de 268 kg) e ficou em segundo. Foi essa nova base de força que sustentou a liderança que ele assumiu no primeiro dia e não devolveu.
“O CrossFit ajudou a salvar minha vida quando eu era um adolescente acima do peso e deprimido”, disse o campeão, em declaração publicada pela BOXROX.
Cringle liquida o feminino antes da última prova

Aimee Cringle fechou com 1.394 pontos, 136 à frente de Emma Lawson (1.258). Lucy Campbell completou o pódio com 1.229. A vantagem era tão grande que o título já estava matematicamente garantido quando a última prova começou.
A britânica, natural da Ilha de Man, venceu cinco provas: a corrida em trilha no The Ranch, o levantamento terra do CrossFit Total, a Grass Track Race, a corrida de 500 metros e a Triple Pig. Terminou entre as dez primeiras em 18 das 20 provas, com colocação média de 5,5.
Cringle é a primeira mulher do Reino Unido a vencer os Games desde Sam Briggs, em 2013. O título também confirma a mudança de era anunciada antes da competição, quando Tia-Clair Toomey, hexacampeã, ficou fora da disputa de 2026.
CrossFit Whip tira o título da Mayhem na reta final
Nas equipes, a CrossFit Whip venceu com 1.055 pontos, contra 1.030 da CrossFit Mayhem, o time de Rich Froning, e 940 da CrossFit Oslo Kriger. A margem de 25 pontos foi ainda menor que a do individual masculino.
A Mayhem liderou a maior parte da competição e chegou ao último dia na frente. Uma sequência ruim nas provas finais, com um 12º lugar em uma das decisivas, abriu a porta para a Whip, que assumiu a ponta e não devolveu.
Malheiros fecha em nono e vence a última prova
Guilherme Malheiros terminou em nono lugar entre os 30 homens, com 904 pontos, e foi o brasileiro mais bem colocado. O encerramento foi simbólico: ele venceu a Fibonacci Final, a prova que fechou a competição masculina, avançando com kettlebells acima da cabeça em passadas longas até a linha de chegada.
Não foi a única vitória dele. Malheiros também levou a prova 9, o 3D Throw, no lado masculino.
Kalyan Souza, o outro brasileiro da divisão individual masculina, terminou fora do top 15. Seu melhor momento veio no terceiro dia, quando fechou a corrida de 500 metros em terceiro, decidindo a posição num sprint na reta final. O Brasil levou 31 atletas a San José, a maior parte deles nas divisões Adaptados, Teens e Masters.
O pódio completo do CrossFit Games 2026
Masculino
| Posição | Atleta | Pontos |
|---|---|---|
| 1 | James Sprague | 1.318 |
| 2 | Dallin Pepper | 1.291 |
| 3 | Jay Crouch | 1.228 |
| 4 | Justin Medeiros | 1.104 |
| 5 | Ricky Garard | 1.100 |
| 6 | Jayson Hopper | 1.059 |
| 7 | Jeffrey Adler | 970 |
| 8 | Roman Khrennikov | 946 |
| 9 | Guilherme Malheiros | 904 |
| 10 | Moritz Fiebig | 898 |
Feminino
| Posição | Atleta | Pontos |
|---|---|---|
| 1 | Aimee Cringle | 1.394 |
| 2 | Emma Lawson | 1.258 |
| 3 | Lucy Campbell | 1.229 |
| 4 | Alex Gazan | 1.041 |
| 5 | Madeline Sturt | 1.026 |
| 6 | Olivia Kerstetter | 992 |
| 7 | Arielle Loewen | 987 |
| 8 | Paige Rodgers | 967 |
| 9 | Elisa Fuliano | 926 |
| 10 | Danielle Brandon | 926 |
Equipes
| Posição | Equipe | Pontos |
|---|---|---|
| 1 | CrossFit Whip | 1.055 |
| 2 | CrossFit Mayhem | 1.030 |
| 3 | CrossFit Oslo Kriger | 940 |
| 4 | Homefront CrossFit PRVN | 785 |
| 5 | Camp Rhino CrossFit | 770 |
Quanto os campeões levam
Sprague e Cringle devem receber cerca de US$ 312 mil cada, aproximadamente R$ 1,58 milhão pela cotação da semana da competição. O valor representa alta de cerca de 12% sobre os US$ 278 mil pagos aos campeões de 2025.
Os números por colocação foram compilados pela publicação especializada The Barbell Spin a partir da estrutura da temporada. A CrossFit divulga a bolsa total, mas não publica tabela oficial detalhada por posição. A conta completa da premiação está aqui: o segundo colocado ganha 80% menos que o campeão, e um terço do pelotão termina os cinco dias sem receber nada.
O que isso ensina sobre alta performance
Os dois títulos de 2026 foram decididos pela mesma coisa: constância, não pico. Cringle fechou com colocação média de 5,5 em 20 provas. Sprague venceu apenas duas provas em 20 e ainda assim liderou de ponta a ponta.
O sistema de pontuação do CrossFit explica o porquê. Vencer uma prova por larga margem rende os mesmos pontos que vencer por um segundo, e um resultado ruim isolado pesa tanto quanto uma vitória compensa. Quem entrega top 10 em quase tudo bate quem alterna vitória e colapso.
A leitura vale muito além do CrossFit. Em qualquer esporte com múltiplas provas ou temporada longa, o atleta que elimina o pior resultado ganha mais do que o que aumenta o melhor. É o ponto fraco, não o forte, que decide o campeonato.
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