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Jódar entra no top 10 em 287 dias e apaga recorde de Guga Kuerten

Rafael Jódar golpeia um forehand na vitória sobre Alejandro Tabilo no Masters 1000 de Paris

Gustavo Kuerten precisou de um título de Roland Garros para entrar no top 10 do ranking mundial em tempo recorde. Rafael Jódar precisou de uma temporada inteira de regularidade. Nesta segunda-feira (2), o espanhol de 20 anos apareceu pela primeira vez entre os dez melhores do ranking da ATP, apenas 287 dias depois de disputar sua primeira partida no circuito principal, e apagou uma marca que pertencia ao brasileiro desde 1997.

Guga havia levado 490 dias para fazer o mesmo caminho. Jódar encurtou a distância em 203 dias e se tornou, segundo a ATP, o primeiro tenista da história a chegar ao top 10 já na temporada de estreia no circuito. Horas depois, festejou a nova posição do jeito mais simples: vencendo o chileno Alejandro Tabilo por 6/2 e 6/3 na estreia do Masters 1000 de Paris.

287 contra 490: a lista que mudou de dono

A contagem da ATP começa no primeiro dia do torneio em que o jogador estreia no circuito principal e termina na segunda-feira em que ele aparece pela primeira vez no top 10. O relógio de Jódar começou a correr em 19 de janeiro de 2026, no Australian Open, e parou em 2 de novembro. O de Guga foi de 1º de abril de 1996 a 4 de agosto de 1997.

TenistaEstreia no circuitoEstreia no top 10Dias
Rafael Jódar19/01/202602/11/2026287
Gustavo Kuerten01/04/199604/08/1997490
Aaron Krickstein31/01/198313/08/1984560
Carlos Moyá12/06/199527/01/1997595
Boris Becker24/10/198308/07/1985623
Michael Chang24/08/198712/06/1989658

Fonte: ATP. A data de estreia é a do início do torneio.

A diferença entre os dois recordes está na forma. A subida de Guga veio quase toda de uma única quinzena: ele chegou a Roland Garros em 1997 como número 66 do mundo, sem ser cabeça de chave, e derrubou três ex-campeões do torneio, Thomas Muster, Yevgeny Kafelnikov e Sergi Bruguera, este último na final, por 6/3, 6/4 e 6/2. Jódar não teve um torneio mágico. Teve dez meses de resultados acumulados em três superfícies diferentes.

Da Universidade da Virgínia ao top 10 em dez meses

O espanhol nem era profissional um ano atrás. Jódar passou uma temporada no tênis universitário dos Estados Unidos, pela Universidade da Virgínia, classificou-se para o Next Gen ATP Finals de 2025 e virou profissional em dezembro. Começou 2026 como número 168 do mundo e é treinado pelo pai, que também se chama Rafael.

A estreia no circuito principal já anunciou o que vinha pela frente. No Australian Open, depois de passar pelo qualificatório, ele venceu o japonês Rei Sakamoto em cinco sets. Depois somou vitórias em Delray Beach, Acapulco e Miami, onde a campanha até a terceira rodada o colocou no top 100, no fim de março.

A partir daí, a escalada foi rápida. Segundo o TenisBrasil, Jódar chegou ao top 50 em abril e ao top 20 em agosto. Ele é o 21º espanhol a entrar no top 10, de acordo com a ATP, e o quarto estreante no grupo em 2026, depois do cazaque Alexander Bublik, do italiano Flavio Cobolli e do francês Arthur Fils.

Rafael Jódar acerta um backhand de duas mãos na quadra de saibro de Roland Garros em 2026
Jódar em Roland Garros, onde chegou às quartas de final em 2026. Foto: ATP Tour

O saibro fez o ranking, e Sinner assinou embaixo

Foi na terra batida que o espanhol deu o salto. Pelos números da ATP, ele venceu 20 das 24 partidas que disputou no saibro em 2026. Conquistou o primeiro título da carreira em Marrakech e chegou às quartas de final em Madri, em Roma e em Roland Garros.

Madri teve um peso especial. Lá, Jódar conseguiu a primeira vitória sobre um top 10, contra o australiano Alex de Minaur, e eliminou o brasileiro João Fonseca em três sets antes de encarar Jannik Sinner nas quartas. O italiano, então número 1 do mundo, venceu por 6/2 e 7/6 (0), mas saiu tão impressionado que escreveu na lente da câmera de TV: “Que jogador!”.

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Grama, quadra dura e a marca que segue com Becker

O desempenho não ficou preso a uma superfície. Na grama, Jódar chegou à terceira rodada de Wimbledon. Na temporada norte-americana de quadras duras, alcançou a primeira final de ATP 500, em Washington, e a semifinal do Masters 1000 de Montreal.

O resultado mais alto veio em outubro, em Xangai, onde disputou a primeira final de Masters 1000 da carreira e perdeu o título para o compatriota Alejandro Davidovich Fokina. Segundo o TenisBrasil, ele soma 47 vitórias e 19 derrotas na carreira e lidera com folga a corrida para o Next Gen ATP Finals.

Uma marca histórica ficou de fora. A ATP também mede o tempo entre a primeira semana no top 100 e a estreia no top 10, e esse recorde segue com Boris Becker, que precisou de 210 dias em 1985. Jódar, que entrou no top 100 depois de Miami, levou 217.

Ao site da ATP, o espanhol disse que a marca mostra que vem trabalhando “do jeito certo” e lembrou que ainda pode ser “um jogador melhor”.

Estreia como top 10: 6/2 e 6/3 em Paris

A primeira partida como integrante do top 10 durou 1h16. Jódar, nono cabeça de chave em Paris, converteu cinco dos 12 break points que teve contra Tabilo, número 30 do mundo, de acordo com as estatísticas oficiais da ATP. O Tennis Majors contou 24 bolas vencedoras do espanhol.

Foi a quarta vitória seguida sobre o chileno, que havia vencido o primeiro duelo, em Indian Wells, em março. Desde então, Jódar ganhou em Washington, Cincinnati, Basileia e agora Paris, e lidera o confronto direto por 4 a 1. Depois do jogo, disse ter mantido “a mesma mentalidade” do resto do ano.

Rafael Jódar se prepara para devolver uma bola durante o Masters 1000 de Montreal em 2026
Jódar no Masters 1000 de Montreal, onde chegou à semifinal. Foto: National Bank Open

Ruud nesta terça e a última vaga para Turim

O próximo adversário é o norueguês Casper Ruud, 23º do ranking, que venceu o argentino Juan Manuel Cerúndolo por 6/3 e 6/2 em uma hora. Os dois se enfrentam nesta terça-feira (3), não antes das 16h30 de Brasília, segundo o TenisBrasil. O último encontro foi nas quartas de final de Xangai, com vitória de Jódar por 4/6, 6/4 e 6/3.

A partida vale mais do que as oitavas. Paris é o último torneio antes do ATP Finals, que será disputado de 15 a 22 de novembro, em Turim. Com Jannik Sinner fora do restante da temporada, o nono lugar da corrida passou a dar a última vaga. Depois da rodada de segunda, Jódar ocupava exatamente essa posição, com 3.234 pontos, 64 à frente de Alex de Minaur, segundo o Tennis Majors.

Pela mesma conta, o espanhol só terá a classificação garantida, independentemente dos rivais, se chegar à final em Paris. Uma vitória sobre Ruud o levaria a 3.284 pontos, mais do que De Minaur consegue somar com a primeira vitória no torneio. A semana começou com Alexander Zverev estreando como número 1 do mundo e pode terminar com um estreante de 20 anos entre os oito melhores da temporada.

O que isso ensina sobre alta performance

O recorde de Jódar é, antes de tudo, um recorde de consistência. Guga explodiu em duas semanas de Roland Garros; o espanhol subiu degrau por degrau, com campanhas sólidas no saibro, na grama e na quadra dura. Para quem treina, a lição é que o ranking recompensa a regularidade de janeiro a novembro tanto quanto o grande torneio.

Outra lição está no discurso. Depois da estreia em Paris, Jódar insistiu que a mentalidade de novembro é a mesma de janeiro. Manter o processo quando o resultado muda, para cima ou para baixo, é o que separa a fase boa da carreira longa. A derrota na final de Xangai não alterou a rotina: duas semanas depois, ele estava no top 10.

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