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Maratona de Chicago 2026: Kiplimo defende título e Kosgei está de volta

A queniana Brigid Kosgei corre a Maratona de Londres de 2024 com o número de peito com o nome dela

Duas semanas depois de ver o recorde mundial escapar nos últimos dois quilômetros de Berlim, a maratona de elite muda de palco. A 48ª edição da Maratona de Chicago acontece neste domingo, 11 de outubro, com largada e chegada no Grant Park, e leva para o percurso mais plano das grandes provas um pelotão que a própria organização chama de um dos mais fortes da história da corrida.

No masculino, o ugandense Jacob Kiplimo defende o título e chega com uma marca pessoal mais rápida do que o recorde do percurso. No feminino, a etíope Hawi Feysa também volta como campeã, mas divide os holofotes com a queniana Brigid Kosgei, que reaparece na cidade pela primeira vez desde 2019, ano em que fez ali o então recorde mundial.

Horário de Brasília e onde assistir

A largada da elite está marcada para as 7h30 no horário de Chicago. Com o Brasil sem horário de verão e os Estados Unidos ainda no horário de verão, a diferença é de duas horas, e a prova principal sai às 9h30 de Brasília. A programação do domingo, pelo site oficial:

  • Cadeirantes, masculino profissional: 7h20 em Chicago, 9h20 de Brasília.
  • Cadeirantes, feminino profissional: 7h21 em Chicago, 9h21 de Brasília.
  • Handbikes: 7h23 em Chicago, 9h23 de Brasília.
  • Elite masculina e feminina: 7h30 em Chicago, 9h30 de Brasília.
  • Primeira onda de corredores: 7h35 em Chicago, 9h35 de Brasília.

No Brasil, a edição de 2025 foi exibida pela ESPN, com sinal também no Disney+, e a mesma emissora transmitiu Berlim há duas semanas. Até a publicação desta reportagem, a grade da ESPN para o domingo ainda não tinha sido divulgada. As opções de TV e streaming estão no guia onde assistir a Maratona de Chicago 2026 ao vivo no Brasil.

A largada também bate um recorde fora da elite: a organização confirmou mais de 55 mil inscritos, número que nenhuma edição anterior tinha alcançado.

Por que Chicago é palco de recorde

O traçado é um circuito plano que passa por 29 bairros, sem as subidas de Boston ou as pontes de Nova York. O resultado aparece na história: Chicago já recebeu sete recordes mundiais da maratona, três no masculino e quatro no feminino, de Steve Jones em 1984 a Ruth Chepngetich em 2024.

Os dois recordes do percurso são também as duas marcas mais lembradas da prova. No masculino, o queniano Kelvin Kiptum correu 2h00min35s em 2023 e virou recordista mundial. Morreu num acidente de carro em fevereiro de 2024, aos 24 anos, e a marca só caiu em abril deste ano, quando Sabastian Sawe fez 1h59min30s em Londres e se tornou o primeiro homem abaixo de duas horas em prova oficial.

No feminino, o recorde do percurso é o recorde mundial: 2h09min56s de Ruth Chepngetich, em 2024. A queniana foi suspensa por três anos pela Unidade de Integridade do Atletismo (AIU) em outubro de 2025, depois de um exame positivo para hidroclorotiazida, um diurético proibido. A amostra é de março de 2025, cinco meses depois da prova de Chicago, e por isso a marca continua homologada. Foi esse tempo que Tigst Assefa perseguiu em Berlim até o km 40, antes de cruzar a linha em 2h11min04s, como mostra a cobertura da vitória de Adola e do recorde que escapou de Assefa.

Kiplimo defende o título e tem o recorde de Kiptum ao alcance

Kiplimo venceu Chicago no ano passado com 2h02min23s, a segunda marca mais rápida da história da prova. Passou a meia maratona em 1h00min16s, ritmo que projetava um tempo abaixo do recorde de Kiptum, abriu vantagem perto da milha 18 e chegou 91 segundos à frente do queniano Amos Kipruto. “Eu não sabia que estava dentro do ritmo do recorde mundial”, disse depois da prova, à World Athletics.

Em abril, em Londres, o ugandense foi terceiro, com 2h00min28s, atrás de Sawe e do etíope Yomif Kejelcha, ambos abaixo de duas horas. É a terceira marca da história e fica sete segundos abaixo do recorde do percurso de Chicago. “Vencer Chicago foi um momento especial, mas defender o título significa ainda mais”, afirmou Kiplimo no anúncio do pelotão. Medalhista de bronze nos 10.000 m em Tóquio 2020, ele tem 25 anos.

O principal rival é conhecido. Kipruto, campeão de Londres em 2022, foi terceiro em Chicago em 2024 e segundo em 2025. Em abril, terminou em quarto em Londres, com 2h01min39s, a melhor marca da carreira. Na lista de julho, eram seis homens com marca pessoal abaixo de 2h04min. Com a entrada do belga Bashir Abdi, anunciada em 22 de setembro, passaram a ser sete:

AtletaPaísMelhor marca
Jacob KiplimoUganda2h00min28s
Amos KiprutoQuênia2h01min39s
Milkesa MengeshaEtiópia2h03min17s
Tadese TakeleEtiópia2h03min23s
Bashir AbdiBélgica2h03min36s
Daniel MateikoQuênia2h03min44s
Asrar HiyrdenEtiópia2h03min59s

Mengesha venceu Berlim em 2024. Takele ganhou Tóquio em 2025 e repetiu o título em março deste ano. Abdi, de 37 anos, é dono do recorde europeu (2h03min36s, em Roterdã) e foi bronze olímpico em Tóquio e prata em Paris. Na mesma atualização, a organização confirmou a saída do queniano Alex Masai, terceiro colocado em 2025 com 2h04min37s.

A comparação com Berlim ajuda a medir o tamanho do pelotão. Na Alemanha, nenhum homem da largada tinha marca abaixo de 2h03min, e Guye Adola venceu com 2h02min50s. Em Chicago, dois inscritos correram abaixo de 2h02min há menos de seis meses.

Charles Hicks e o recorde americano

A principal aposta da casa é Charles Hicks. Em abril, ele foi sétimo na Maratona de Boston com 2h04min35s, a segunda maratona mais rápida já corrida por um atleta dos Estados Unidos, atrás apenas dos 2h03min45s de Zouhair Talbi na mesma prova. Só que Boston não vale para recorde, por causa do desnível e do traçado de ponto a ponto. O recorde americano oficial continua sendo os 2h04min43s de Conner Mantz, feito justamente em Chicago, no ano passado.

Ou seja: Hicks chega com um tempo mais rápido do que o recorde nacional e vai pela primeira vez a um percurso onde ele pode valer. “A Maratona de Chicago sempre me fascinou. Eu adoro a cidade, a energia, e muitos amigos e parentes meus moram lá”, disse o americano, que estreou na distância em Nova York, no fim de 2025. Clayton Young (2h05min41s em Boston) e Galen Rupp, campeão em Chicago em 2017, completam o grupo americano.

O americano Clayton Young, de regata laranja, corre na Maratona de Chicago de 2023 diante do público atrás da grade
Clayton Young na Maratona de Chicago de 2023. O americano está de novo no pelotão de elite. Foto: Chad Veal (CC BY-SA 4.0)

Kosgei volta à cidade do recorde

Em 13 de outubro de 2019, Brigid Kosgei correu 2h14min04s em Chicago e tirou o recorde mundial de Paula Radcliffe, que durava 16 anos. Foi o segundo título seguido dela na cidade, depois de 2018. A marca já foi superada duas vezes, por Tigst Assefa em Berlim, em 2023, e por Chepngetich, em 2024, mas segue como a melhor da carreira da queniana.

Kosgei chega em boa fase. Em março, venceu a Maratona de Tóquio com 2h14min29s, recorde do percurso e a marca mais rápida dela desde aquele dia em Chicago. Foi a sexta vitória de Kosgei em provas do circuito World Marathon Majors.

A campeã Hawi Feysa sabe que repetir o título vai custar caro. Em 2025, ela venceu com 2h14min56s, correndo a segunda metade mais rápida do que a primeira. “Acho que este ano vai ser ainda mais difícil repetir, mas estou me preparando muito bem”, disse a etíope.

A terceira peça é a queniana Sharon Lokedi, campeã de Nova York em 2022 e bicampeã de Boston, em 2025 e 2026. A melhor marca dela, 2h17min22s, saiu em Boston, um percurso de subidas. Chicago será a primeira grande maratona plana da carreira dela. O pelotão ainda tem as etíopes Sutume Kebede (2h15min55s) e Megertu Alemu (2h16min34s), vice-campeã do ano passado.

A queniana Sharon Lokedi bebe água à frente do grupo de líderes na Maratona de Boston de 2026
Sharon Lokedi (à esquerda) na Maratona de Boston de 2026, que ela venceu pelo segundo ano seguido. Foto: ArnoldReinhold (CC BY 4.0)

O recorde feminino do percurso, porém, parece fora de alcance. Nenhuma inscrita tem marca abaixo de 2h14min, e Assefa, que correu 2h11min04s em Berlim, não está na lista. A disputa realista no feminino é pela vitória e por uma marca na casa de 2h14min.

Uma brasileira na largada

Não há brasileiros no pelotão de elite da corrida a pé. O Brasil estará representado na prova de cadeirantes por Vanessa Cristina de Souza, da classe T54, incluída na lista em setembro. Nascida em São Paulo, ela disputou os Jogos Paralímpicos de Tóquio e de Paris, foi quarta colocada em Chicago em 2021 e tem o recorde brasileiro da maratona em cadeira de rodas, 1h40min27s, feito em Sevilha em 2020. A largada dela é às 9h21 de Brasília.

O que Chicago ensina sobre alta performance

Berlim mostrou que o recorde se decide no fim. Assefa estava dez segundos abaixo do ritmo no km 40 e perdeu mais de um minuto nos últimos 2,2 km. Chicago mostrou o mesmo um ano antes: Kiplimo passou a meia maratona em ritmo de recorde e terminou quase dois minutos acima dele. Feysa, que correu a segunda metade mais rápida do que a primeira, venceu com folga.

A lição vale para os 55 mil inscritos tanto quanto para a elite: quem chega ao km 30 com reserva tem escolha, e quem chega no limite só administra o prejuízo. Para Kiplimo, a pergunta de domingo não é se ele tem perna para os 2h00min35s de Kiptum: os 2h00min28s de Londres respondem isso. A pergunta é se ele vai distribuir o esforço do jeito que não distribuiu em 2025.

Em maratona, ritmo é decisão tomada no km 5 e cobrada no km 38. Vale para Kiplimo, para Hicks diante do recorde americano e para Kosgei, aos 32 anos, diante da própria marca de sete anos atrás.

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Foto de Diogo Moraes
Diogo Moraes

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