Andreas Almgren nunca tinha corrido uma maratona. Neste domingo (1º), o sueco de 31 anos correu a primeira, em Nova York, e venceu em 2:06:01, depois de se soltar na última milha. Segundo a NBC Sports, ele é o primeiro sueco a ganhar a prova e também o primeiro a vencer qualquer major da distância.
A disputa feminina foi decidida ainda mais perto da faixa. A queniana Sheila Chepkirui ganhou em 2:24:36 e conquistou o segundo título em três anos. Atrás dela, a americana Jess McClain tirou o segundo lugar da compatriota de Chepkirui, Hellen Obiri, por 41 centésimos, nas últimas passadas. Os tempos divulgados até aqui ainda são tratados como não oficiais pela NBC.
Almgren se solta na última milha e deixa Crippa a 13 segundos
A prova masculina andou em grupo por muito tempo. Na altura dos 10 km, o pelotão da frente ainda tinha cerca de duas dúzias de corredores, segundo o The New York Times. A seleção veio no fim, até sobrar um trio com Almgren, o italiano Yemaneberhan Crippa e o queniano Benson Kipruto, campeão de 2025.
Kipruto foi o primeiro a ceder. Almgren então abriu no Central Park e cruzou a linha com 13 segundos sobre Crippa, que fez 2:06:14. Kamohelo Mofolo, do Lesoto, ficou com o terceiro lugar em 2:06:26, um segundo à frente de Kipruto.
A chegada foi apertada também atrás do pódio. Os seis primeiros terminaram em um intervalo de 42 segundos. O melhor americano foi Zouhair Talbi, sexto em 2:06:43, enquanto Conner Mantz, recordista americano da maratona, terminou em 11º, com 2:07:27. O tempo do vencedor ficou a 1min03 do recorde do percurso, os 2:04:58 de Tamirat Tola em 2023.

O ex-cientista de dados que treina a si mesmo
O resultado surpreende pela inexperiência na distância, não pelo nível do atleta. Em setembro, em Copenhague, Almgren foi campeão mundial de meia maratona com 58:06, recorde europeu. Em 2025, levou o bronze dos 10.000 m no Mundial.
O caminho até aqui foi pouco comum. Segundo a Runner’s World, ele começou como especialista nos 800 m e trabalhou como analista de risco e cientista de dados até decidir viver só da corrida, em 2024, quando uma fratura por estresse o tirou dos Jogos de Paris. Hoje monta os próprios planos de treino e registra em uma planilha, com dados desde 2012, tempos de tiros, frequência cardíaca e lactato.
Para a estreia, passou de 135 milhas semanais (cerca de 217 km) e fez longões acima de 24 milhas (cerca de 38 km). Também escolheu a prova de propósito. À revista, explicou que preferia uma corrida de disputa a um contrarrelógio em percurso plano, como Valência, porque não saberia que tempo buscar. “Você não sabe de verdade até chegar aos 35 km se vai conseguir ou não”, disse antes da largada. Segundo a mesma reportagem, o objetivo era estar na briga até o Central Park. Foi exatamente onde a corrida se resolveu.
A vitória também mexe com o plano olímpico. De acordo com a Runner’s World, um lugar entre os cinco primeiros em Nova York já daria a Almgren o índice para Los Angeles 2028, embora ele ainda veja os 10.000 m como a melhor prova dele para os Jogos.
Atleta Pro News
O esporte que importa, 3 vezes por semana no seu e-mail
Resultados, bastidores e histórias do esporte, direto na sua caixa de entrada. Grátis.
Ao assinar, você aceita receber os e-mails do Atleta Pro. Dá para sair quando quiser. Política de privacidade.
Chepkirui ataca na Quinta Avenida e só se solta no fim
A corrida feminina perdeu duas candidatas antes da largada: a campeã olímpica Sifan Hassan e a americana Fiona O’Keeffe desistiram três semanas antes, por doença e por uma cirurgia no posterior da coxa, respectivamente. Sem elas, as favoritas eram as quenianas Obiri, campeã de 2023 e 2025 e dona do recorde do percurso, e Chepkirui, vencedora de 2024 e terceira no ano passado.
A menos de cinco milhas do fim, ainda eram sete mulheres no grupo da frente, entre elas Edna Kiplagat, campeã de 2010, aos 46 anos. A definição começou na longa subida da Quinta Avenida, onde Chepkirui, segundo a Runner’s World, fez um movimento forte para tentar se livrar de Obiri. Na entrada do Central Park, na altura da rua 90, a campeã de 2025 ainda estava meio passo atrás.
A separação só veio nos metros finais: a Associated Press aponta os últimos 150 metros, e a Runner’s World, os últimos 200. Chepkirui rompeu a fita em 2:24:36, a 4min45 do recorde de 2:19:51 que Obiri estabeleceu em 2025, e ficou com o prêmio de US$ 100 mil.

McClain tira 7 segundos no fim e encerra o jejum dos EUA
O desfecho mais dramático do dia foi a briga pelo segundo lugar. Na milha 24, McClain estava sete segundos atrás das líderes, de acordo com a Runner’s World. Ela foi buscando a diferença no Central Park, cortando as curvas pela linha mais curta, enquanto Chepkirui e Obiri abriam mais o traçado.
A ultrapassagem veio nas últimas passadas. McClain fez 2:24:42, e Obiri, 2:24:43, com diferença de 41 centésimos, segundo a NBC. Foi o primeiro pódio dos Estados Unidos em Nova York, entre homens e mulheres, desde o terceiro lugar de Shalane Flanagan em 2018.
A americana, quarta colocada nas seletivas olímpicas de 2024 na maratona e nos 10.000 m, leva US$ 85 mil: US$ 60 mil pelo segundo lugar e US$ 25 mil como melhor atleta do país. Kiplagat fechou em quarto, com 2:25:42.

Os resultados da Maratona de Nova York 2026
A lista abaixo traz os tempos publicados pela Runner’s World. A NBC classifica os resultados como não oficiais, e a confirmação cabe à organizadora, a New York Road Runners.
| Pos. | Elite masculina | Tempo | Elite feminina | Tempo |
|---|---|---|---|---|
| 1º | Andreas Almgren (Suécia) | 2:06:01 | Sheila Chepkirui (Quênia) | 2:24:36 |
| 2º | Yemaneberhan Crippa (Itália) | 2:06:14 | Jess McClain (Estados Unidos) | 2:24:42 |
| 3º | Kamohelo Mofolo (Lesoto) | 2:06:26 | Hellen Obiri (Quênia) | 2:24:43 |
| 4º | Benson Kipruto (Quênia) | 2:06:27 | Edna Kiplagat (Quênia) | 2:25:42 |
| 5º | Haftu Strintzos (Austrália) | 2:06:34 | Mercy Chelangat (Quênia) | 2:25:46 |
| 6º | Zouhair Talbi (Estados Unidos) | 2:06:43 | Carrie Ellwood (Estados Unidos) | 2:26:28 |
Hug chega ao oitavo título, e brasileira é sétima na cadeira de rodas
A Suíça venceu as duas provas em cadeira de rodas. Marcel Hug conquistou o oitavo título em Nova York, com 1:28:14, apenas um segundo à frente do americano Daniel Romanchuk. Catherine Debrunner ganhou pela segunda vez, com 1:40:02, mais de oito minutos à frente de Tatyana McFadden. Susannah Scaroni, campeã de 2024 e 2025, foi terceira na primeira prova depois do nascimento do filho, Jonah, em 6 de agosto.
O resultado brasileiro confirmado nas listas da NBC e da Runner’s World veio com Vanessa de Souza, sétima na cadeira de rodas feminina, em 2:00:33.
Nova York, que comemorou 50 anos do percurso pelos cinco distritos e reuniu cerca de 60 mil corredores, encerrou o calendário das majors de 2026, depois de Berlim e Chicago.
O que Nova York ensina sobre alta performance
A estreia de Almgren mostra que escolher o tipo de prova também é parte da preparação. Sem referência de ritmo para 42 km, ele trocou a busca por uma marca pela disputa de posição e só precisou decidir quando o grupo já tinha se reduzido a três. Em vez de assumir um risco de tempo que não conseguia medir, adiou a decisão até ter informação.
Também não foi uma aposta no escuro. Volume alto, longões acima de 38 km e anos de dados registrados deram base à ousadia de um estreante. E o histórico na pista e na meia maratona conta quando uma maratona vira disputa curta, como aconteceu no Central Park.
McClain deixa uma lição aplicável a qualquer corredor: distância percorrida também é estratégia. Numa disputa definida por 41 centésimos, cortar as curvas pela linha mais curta pode valer um lugar no pódio. E sete segundos de atraso na milha 24 não encerraram a prova de quem seguiu correndo atrás de cada um deles.
Quer treinar com a mentalidade e os métodos da alta performance?
Conheça a Atleta Pro Academy e leve a ciência da performance para o seu treino.
Fontes: NBC Sports, Runner’s World: resultados, prova feminina e perfil de Almgren. Tempos sujeitos à confirmação da NYRR.







