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Maratona de Chicago: Kipruto vence com 2h01min09s e Feysa é bicampeã

O queniano Amos Kipruto, de regata lilás e manguito laranja, corre na Maratona de Chicago

Amos Kipruto precisou de três tentativas para vencer em Chicago. Terceiro colocado em 2024 e segundo em 2025, o queniano de 34 anos voltou à cidade neste domingo (11) com um objetivo que ele mesmo resumiu sem rodeio, segundo a agência AFP: “Em 2026 era vencer ou morrer”. Venceu. Cruzou a linha no Grant Park em 2h01min09s, melhor marca da carreira e segundo tempo mais rápido da história da prova, atrás apenas do recorde de Kelvin Kiptum.

O favorito ficou para trás. O ugandense Jacob Kiplimo, campeão de 2025, dividiu a liderança com Kipruto até a milha 21, perdeu contato logo depois e terminou em quarto, com 2h04min18s. No feminino, a etíope Hawi Feysa defendeu o título com 2h13min33s, depois de um duelo com Sharon Lokedi decidido na última milha. E a suíça Catherine Debrunner fez o primeiro recorde mundial da história de Chicago na cadeira de rodas.

Seis na meia, dois no km 30 e um na reta final

A 48ª edição largou às 9h30 de Brasília, como mostrava o guia onde assistir a Maratona de Chicago 2026 ao vivo no Brasil, numa manhã ensolarada e fresca, com mais de 54 mil participantes, segundo a organização. A elite masculina saiu no ritmo do recorde do percurso, os 2h00min35s de Kiptum em 2023. Seis homens passaram juntos pela meia maratona em 1h00min21s, parcial que, mantida, projetava 2h00min42s.

No km 25, o grupo já era de quatro. Pouco antes do km 30, Kiplimo acelerou e só Kipruto acompanhou. Os dois passaram juntos pelo km 30 (1h25min28s) e pela milha 21 (1h36min34s para Kipruto, um segundo à frente). Foi ali, segundo o comunicado oficial da prova, depois de várias trocas de liderança, que Kipruto fez o movimento decisivo.

A diferença cresceu rápido. No km 35, Kipruto tinha 12 segundos de vantagem. Na milha 24, eram 1min32s. Entre o km 35 e o km 40, o queniano correu 5 km em 14min33s. O etíope Tadese Takele Bikila, bicampeão de Tóquio e estreante em maratonas nos Estados Unidos, terminou em segundo, com 2h02min56s, e o compatriota Milkesa Mengesha, campeão de Berlim em 2024, completou o pódio com 2h03min46s.

O queniano Amos Kipruto, de braços abertos e sorrindo, rompe a fita de chegada da Maratona de Chicago 2026
Amos Kipruto rompe a fita no Grant Park: 2h01min09s, segunda marca da história da Maratona de Chicago. Foto: Bank of America Chicago Marathon/Kevin Morris

Terceiro, segundo e, enfim, primeiro

A vitória fecha uma sequência que Kipruto fez questão de lembrar depois da prova. “Eu estava pronto porque era o meu terceiro Chicago. Em 2024, fiquei em terceiro. Voltei em 2025 e fiquei em segundo. E hoje, em 2026, eu estava pronto”, disse, no comunicado oficial da organização. “Correr uma maratona é uma questão de mentalidade. Quando a mentalidade está pronta, o corpo acompanha.”

Campeão de Londres em 2022, Kipruto não vencia uma das grandes maratonas do circuito World Marathon Majors desde então. Em abril, em Londres, terminou em quarto com 2h01min39s, na prova em que Sabastian Sawe quebrou a barreira das duas horas. Segundo a agência AFP, ele disse que a preparação para Londres foi o que o fez evoluir no treino.

Os 2h01min09s tiram 30 segundos da marca de Londres e colocam Kipruto empatado com Eliud Kipchoge no quinto lugar da lista histórica, segundo a World Athletics. Kipchoge fez exatamente o mesmo tempo em Berlim, em 2022, quando aquela era a marca do recorde mundial. À frente dos dois estão apenas Sawe (1h59min30s), Yomif Kejelcha (1h59min41s), o próprio Kiplimo (2h00min28s) e Kiptum (2h00min35s). Pela organização, é também o segundo tempo mais rápido já feito em solo americano.

O título vale US$ 100 mil, pela tabela oficial de premiação. Kipruto ficou a 34 segundos de outro bônus: a prova paga US$ 50 mil a quem quebrar o recorde do percurso, e o de Kiptum segue de pé.

Amos Kipruto, de regata lilás e manguito laranja, corre na Maratona de Chicago de 2025, prova em que terminou em segundo lugar
Kipruto na edição de 2025, em que terminou em segundo atrás de Kiplimo. Um ano depois, a ordem se inverteu. Foto: Photoguy1212 / Wikimedia Commons (CC0)

Kiplimo afunda depois do km 35

Kiplimo chegou a Chicago como o homem mais rápido da largada. Os 2h00min28s do terceiro lugar em Londres, em abril, eram sete segundos mais rápidos do que o recorde do percurso, e ele buscava ser o primeiro bicampeão masculino da prova desde Samuel Wanjiru, em 2009 e 2010. A prévia da Maratona de Chicago 2026 apontava a distribuição do esforço como a grande pergunta do domingo para ele.

A prova dele acabou na reta final. Depois de puxar o ataque antes do km 30, o ugandense perdeu ritmo assim que Kipruto passou. Os mesmos 5 km entre o km 35 e o km 40 que o queniano fez em 14min33s custaram 16min32s a Kiplimo. Mengesha e Takele o ultrapassaram, e ele cruzou a linha 3min09s depois do campeão, com 2h04min18s, quase quatro minutos acima da melhor marca pessoal.

É a segunda vez seguida que Chicago cobra de Kiplimo o preço do ritmo inicial. Em 2025, ele passou a meia em 1h00min16s, ritmo que projetava recorde mundial, e venceu com 2h02min23s, quase dois minutos acima da projeção. Desta vez, não houve margem para administrar.

Feysa decide o duelo com Lokedi na última milha

A prova feminina também saiu acelerada. Feysa e a queniana Brigid Kosgei, bicampeã de Chicago em 2018 e 2019, seguiram os coelhos desde a largada, enquanto Sharon Lokedi, campeã de Boston em 2025 e 2026 e estreante em Chicago, poupou energia mais atrás. A estratégia funcionou: no km 20, Lokedi alcançou as duas. O trio passou a meia em 1h06min06s, no ritmo de 2h12min.

No km 30, a disputa já era só entre Feysa e Lokedi. As duas passaram juntas pelo km 35 e pelo km 40, com o mesmo tempo (2h06min43s), e seguiam lado a lado na marca da milha 25,2. A etíope atacou na última milha e abriu 34 segundos até a chegada. Venceu com 2h13min33s, mais de um minuto abaixo do tempo com que tinha vencido em 2025.

“Foi uma batalha muito dura na parte final da prova. Mas por volta do km 35 eu estava bem confiante de que ia vencer, apesar das dificuldades. Significa tudo voltar aqui e vencer de novo”, disse Feysa, no comunicado oficial. Ela é a primeira mulher a defender o título em Chicago desde Ruth Chepngetich, campeã em 2021 e 2022.

A etíope Hawi Feysa, de braços abertos, cruza a linha de chegada da Maratona de Chicago 2026 como bicampeã
Hawi Feysa cruza a chegada em 2h13min33s e defende o título em Chicago. Foto: Bank of America Chicago Marathon/Kevin Morris

O tempo coloca Feysa como a quarta mulher mais rápida da história, segundo a World Athletics. Lokedi, com 2h14min07s na primeira maratona plana da carreira, subiu para oitava. Kosgei, de 32 anos, fechou o pódio com 2h14min55s. Foi a primeira maratona da história com três mulheres abaixo de 2h15min, também segundo a World Athletics.

A queniana Sharon Lokedi corre diante das placas vermelhas da Maratona de Chicago 2026
Sharon Lokedi, segunda colocada com 2h14min07s na estreia em Chicago. Foto: Bank of America Chicago Marathon/Kevin Morris

Debrunner leva o primeiro recorde mundial de Chicago na cadeira de rodas

O recorde do domingo veio da prova de cadeirantes. Catherine Debrunner largou na frente, correu sozinha e terminou em 1h33min16s, 60 segundos abaixo do recorde mundial que ela mesma tinha feito em Berlim, em 2023. A americana Tatyana McFadden e a suíça Manuela Schär chegaram juntas, em 1h42min01s, quase nove minutos depois. Foi o terceiro título de Debrunner em Chicago e, segundo a organização, o primeiro recorde mundial da cadeira de rodas na história da prova.

“Eu não esperava bater o recorde aqui, porque é um percurso bem técnico para nós”, disse a suíça, que duas semanas antes tinha vencido em Berlim. No masculino, o compatriota Marcel Hug venceu pela quinta vez seguida, sétima no total, com 1h21min34s, novo recorde do percurso. Pela tabela oficial, recorde do percurso vale o mesmo bônus de US$ 50 mil que escapou de Kipruto.

Os brasileiros em Chicago

Não havia brasileiros no pelotão de elite da corrida a pé. O melhor resultado do país veio da cadeira de rodas: Vanessa Cristina de Souza terminou em quinto lugar, com 1h47min14s, dois segundos atrás da americana Hannah Dederick. Em 2025, ela tinha sido oitava, com 1h54min02s.

Entre os amadores, a classificação oficial mostra cerca de 1.500 brasileiros com a prova completa. O mais rápido foi José Eraldo Lima, inscrito por Maringá (PR), com 2h20min34s, recorde pessoal segundo o site Contra Relógio. Ele foi o 65º colocado geral e venceu a faixa etária de 45 a 49 anos. Diego Ferrari fez 2h25min53s. No feminino, a melhor brasileira foi Marília Serizawa, com 2h56min39s.

O que Chicago ensina sobre alta performance

Kipruto não chegou ao título por um salto de talento. Chegou por repetição: terceiro, segundo, primeiro, no mesmo percurso, em três anos seguidos. Cada colocação abaixo do topo foi tratada como informação, não como veredito, e a evolução apareceu no relógio antes de aparecer no pódio: 2h04min50s em 2024, 2h03min54s em 2025, 2h01min09s agora. É o tipo de carreira que se constrói com processo e tempo, e não com um pico de três meses.

Kiplimo deixa a lição oposta, e ela não tem nada a ver com falta de capacidade. Ele é dono da terceira maratona mais rápida da história. O que faltou foi gestão: o ataque antes do km 30 gastou a reserva que o km 38 cobrou. Em maratona, como em qualquer esporte de resistência, a vantagem física só vira resultado quando a distribuição do esforço respeita a prova inteira.

Feysa junta as duas coisas. Correu no ritmo de recorde até a meia, aguentou a pressão de uma adversária que guardou energia e só decidiu quando sabia que tinha o que gastar. “Quando a mentalidade está pronta, o corpo acompanha”, disse Kipruto. Em Chicago, os três resultados mostram que a mentalidade inclui saber a hora de esperar.

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Foto de Diogo Moraes
Diogo Moraes

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