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Pogačar de amarelo: a mente fria que está prestes a dominar o Tour de novo

Tadej Pogacar com a camisa amarela do Tour de France em descida de montanha

Seis etapas para Paris. Pogačar de amarelo. Quinto título na mira. Hoje (22) tem a Etapa 17, 174,7 km de Chambéry a Voiron, o último respiro antes das montanhas abrirem o inferno. E olha o detalhe que ninguém te conta: é num dia “tranquilo” como esse que o campeão se separa do resto. Não nas pernas. NA CABEÇA.

E antes que alguém romantize: dois dias atrás, na Etapa 16, quem cruzou primeiro foi Remco Evenepoel. Bateu o Pogačar no fim. Grudou de vez no segundo lugar. Traduzindo: o líder entra na parte mais decisiva do Tour depois de PERDER um duelo direto, com o rival mais confiante do que nunca. E adivinha? Isso não abala o cara. Vem comigo que eu te mostro por quê.

1. CALMA É ARMA

Presta atenção numa coisa: Pogačar sob pressão não explode. Ele silencia. Brinca com jornalista na véspera de etapa decisiva. Não trava. Não se agita. E isso não é frieza de nascença, é anos de trabalho virando serenidade. Sabe por que importa? Porque ansiedade QUEIMA energia. Na montanha, o cara que se desespera, que ataca cedo no impulso, que responde a cada provocação do adversário, torra um combustível que não volta nunca mais. Calma, no ciclismo, é economia de gasolina. É tática. É arma.

A filosofia dele cabe em três palavras: controle, inteligência e não pensar demais. Guarda essa última. Pensar demais no meio da prova trava a decisão. A mente do campeão corta o ruído e age na hora certa. Ponto.

Pogacar de camisa amarela pedala cercado pelo publico em subida do Tour de France
Foto: René Hourdry / Wikimedia Commons (CC0)

2. ELE NÃO TEME PERDER, TEME NÃO DAR O MÁXIMO

Essa aqui muda tudo. Pogačar se incomoda MAIS quando não mostra o melhor dele do que quando perde. Leu certo. O resultado ele não controla 100%. O esforço máximo, controla inteiro. E é nesse esforço que ele ancora a confiança. Sabe o que isso faz? BLINDA. Blinda contra a derrota pontual que destrói a cabeça de nove em cada dez atletas numa corrida de três semanas.

Por isso a Etapa 16 não é ferida. É DADO. Perdeu pro Remco? Beleza, informação anotada. Depois de cada prova, ele revisa, acha o buraco, ajusta o treino. Pra uma cabeça dessas, derrota não é sentença, é combustível pra corrigir. Sacou a diferença?

3. O SEGREDO QUE ELE USA NA CAMA

Pergunta pro Pogačar qual a técnica mental dele e vem essa pérola: ele NÃO fica se motivando no espelho. Mas quando não pega no sono, imagina situações de corrida. Isso, meu amigo, é VISUALIZAÇÃO (uma das ferramentas mais poderosas da psicologia do esporte) e ele faz naturalzão, tipo quem conta carneirinho. Só que em vez de carneiro, é um ataque na subida, uma resposta ao rival, a leitura do momento exato.

E o cérebro não sabe a diferença: ele pré-ativa os mesmos circuitos que vão rodar no dia da prova. Quando a cena real chega, JÁ FOI VIVIDA por dentro. A decisão vira reflexo. E o melhor de tudo? Não custa nada. Não precisa de guru, nem de protocolo caro. Precisa de imaginação e disciplina. Tá ao alcance de QUALQUER atleta que decidir treinar a mente com a mesma raça que treina o corpo.

4. O MOTOR POR BAIXO DO AMARELO

Ó, mentalidade não paira no ar. Ela senta em cima de uma base física absurda. De janeiro até o fim de junho: 578 HORAS em cima da bike. Mais de 200 sessões. Umas 9 a 10 pedaladas por SEMANA. Isso não é só preparo, é o lastro da tal calma. Quem treinou assim não precisa se convencer que tá pronto. ELE SABE.

E tem mais duas camadas. Adaptação ao calor: sessão em cima de sessão de banheira quente e estresse térmico, parece maluquice, mas prepara o corpo pra ferver de julho sem derreter. E nutrição: a própria equipe aponta como um dos motores da fase mais dominante da carreira. Sono, volume, calor e comida. Não é detalhe. É FUNDAÇÃO. É o chão onde a serenidade vira possível.

Camisa amarela protegida pela equipe UAE no pelotao durante subida de montanha no Tour de France
Foto: Hugo LUC / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

DE ONDE VEM ESSE MONSTRO

Nada disso caiu do céu. A fase mais avassaladora do Pogačar vem de três forças: as DERROTAS que ele levou, uma profissionalização cada vez maior, e o foco cirúrgico em nutrição e treino específico. É o roteiro clássico do fora de série: não o talento que nunca cai, mas o talento que transforma CADA queda em ajuste. “Não tenho segredos”, ele repete. E é aí que mora a treta: o sistema é visível, é copiável, é quase óbvio. O que ninguém copia é a consistência de executar todo santo dia.

O QUE VEM ATÉ PARIS

Nada decidido ainda. Pogačar lidera e caça o penta no Tour, mas o Remco chega às montanhas em segundo, EMBALADO pela vitória na Etapa 16, e isso só acaba domingo (26), em Paris. As montanhas decisivas vêm agora, é nelas que a vantagem confirma ou evapora. A favor do líder: histórico, preparo monstro e uma cabeça blindada pros momentos de tensão máxima. Contra: um rival subindo e três semanas de desgaste onde um dia ruim cobra o dobro. Cravar resultado em ciclismo é furada. O que dá pra dizer com honestidade: Pogačar chega NA FRENTE. Mas na frente não é o mesmo que seguro. Segura o coração que a montanha vai falar.

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Perguntas frequentes

Quantos títulos do Tour de France Pogačar busca em 2026?

Ele está atrás do quinto título. Com seis etapas para Paris, lidera a classificação geral e caça o penta.

Qual é a técnica mental que Pogačar usa?

Visualização. Ele não fica se motivando no espelho: quando não pega no sono, imagina situações de corrida, um ataque na subida, uma resposta ao rival. O cérebro pré-ativa os mesmos circuitos que vão rodar no dia da prova, e a decisão vira reflexo.

Pogačar perdeu alguma etapa para Evenepoel no Tour de France 2026?

Sim. Na Etapa 16, Remco Evenepoel cruzou primeiro e bateu Pogačar no fim, grudando de vez no segundo lugar da geral.

Quanto Pogačar treinou antes do Tour de France 2026?

De janeiro até o fim de junho, foram 578 horas em cima da bike e mais de 200 sessões, cerca de 9 a 10 pedaladas por semana. Somam-se a isso a adaptação ao calor e o trabalho de nutrição.

O que é visualização na psicologia do esporte?

É ensaiar mentalmente cenas da competição antes que elas aconteçam. Como o cérebro pré-ativa os mesmos circuitos da prova real, a decisão fica mais rápida no momento decisivo. Não custa nada e depende só de imaginação e disciplina.

Quando termina o Tour de France 2026?

No domingo, dia 26, em Paris. As montanhas decisivas vêm antes disso, e é nelas que a vantagem do líder confirma ou evapora.

Por Nicholas Pasqualetto, Treinador Mental de Atletas.

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