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Rafael Negretty: 8% de chance de andar, hoje no octógono do MMA

Este texto é uma adaptação da edição de 2026 de agosto de 12 da Atleta Pro News, a newsletter gratuita que chega três vezes por semana pra quem leva esporte de alto desempenho a sério.

Em abril de 2013, o lutador gaúcho Rafael Negretty fraturou quatro vértebras lombares numa queda de moto em Torres (RS). Os médicos deram 8% de chance de ele voltar a caminhar. Ele não só andou: voltou ao tatame como faixa-preta e hoje compete no MMA profissional. Nesta edição também: Fonseca com chave facilitada em Cincinnati, Daniel 220V bicampeão do ADCC Youth e Djenyfer Arnold dominando o Ironman 70.3 do Rio.

De 8% de chance de andar ao octógono: a trajetória de Rafael Negretty

Rafael Negretty, lutador de jiu-jítsu e MMA
Negretty hoje divide o tempo entre lutar e contar sua história de superação | Foto: Reprodução / Jornal NH

Em abril de 2013, o gaúcho Rafael Negretty caiu de moto em Torres, no Rio Grande do Sul, e fraturou quatro vértebras lombares. O prognóstico médico era duro: apenas 8% de chance de voltar a caminhar. Negretty ficou um mês internado e depois mais um ano imobilizado, sem conseguir dar um passo.

Antes do acidente, ele já era faixa-preta de jiu-jitsu e vivia do esporte. A ligação com o tatame não foi apagada pela lesão. Pelo contrário: foi o que manteve a cabeça orientada quando o corpo não respondia. A recuperação não começou com a meta de voltar a competir. Começou com algo muito menor.

A virada teve um marco preciso: mover o dedão do pé de propósito. Um gesto quase imperceptível para qualquer observador externo, mas que para Negretty representou a prova de que havia caminho. A partir desse sinal mínimo, veio a fisioterapia intensiva, a disciplina de quem já conhecia a rotina de treinos pesados e a paciência de construir cada etapa sem pular nenhuma.

Em 2015, dois anos depois do acidente, Negretty voltou ao tatame como competidor. Disputou um campeonato em Bento Gonçalves (RS), ainda como faixa-preta, diante dos mesmos adversários e do mesmo esporte de antes do hospital. Não era o fim da história: era um novo ponto de partida.

Seis anos depois do acidente, deu um passo que poucos conseguem dentro do jiu-jitsu: estreou no MMA profissional, em Curitiba, pela academia Evolução Thai. “Foi um verdadeiro milagre. Ainda na cama do hospital, coloquei na cabeça que ia me recuperar”, afirmou. O que parecia impossível foi desmontado em etapas, uma de cada vez.

Hoje, Negretty divide o tempo entre as lutas e as histórias que conta em escolas e empresas pelo país. A trajetória dele mostra que o esporte de combate tem uma capacidade de reconstrução que vai muito além dos resultados no tatame ou no octógono. O placar é só uma parte do que acontece quando alguém decide não aceitar um prognóstico.

O que aconteceu no esporte

João Fonseca em quadra no Masters 1000 de Montreal
Fonseca vem de vitória sobre Ruud em Montreal antes de embarcar para Cincinnati | Foto: Reprodução / CNN Brasil

Fonseca tem chave facilitada no Masters 1000 de Cincinnati

João Fonseca já conhece o caminho que vai encontrar no Masters 1000 de Cincinnati, que abre a chave nesta quinta-feira (13). Com as desistências de Jannik Sinner, Carlos Alcaraz, Alexander Bublik e Alejandro Davidovich Fokina, o brasileiro, 27º do mundo, subiu para 23º cabeça de chave do torneio e garantiu um bye direto para a segunda rodada.

Na estreia, ele enfrenta quem avançar do confronto entre o holandês Botic van de Zandschulp e o compatriota Tallon Griekspoor. Como cabeça de chave protegido, Fonseca só cruza com um top 10 a partir das quartas de final. O teste mais pesado pode vir na terceira rodada: um possível reencontro com Casper Ruud, a quem o brasileiro já derrotou em Montreal e em Roland Garros, em maio.

Daniel 220V comemora o título do ADCC Youth em Austin
Daniel 220V comemora o bicampeonato do ADCC Youth, em Austin | Foto: Reprodução / Instagram

Daniel 220V é bicampeão do ADCC Youth sem perder uma luta sequer

Daniel Poncio, o Daniel 220V, de 14 anos, venceu o ADCC Youth World Championship no domingo (9), no Travis County Exposition Center, em Austin, Texas. Na divisão masculina de 13 a 14 anos até 52 kg, o brasileiro finalizou Caio Sainz na decisão e saiu campeão.

É o segundo título consecutivo de Daniel no mundial da base do ADCC, depois do de 2024. Nas duas participações, ele não perdeu uma luta sequer. O apelido descreve o estilo: intensidade alta do primeiro ao último segundo. Daniel entrou no jiu-jitsu aos 5 anos, soma centenas de medalhas de ouro e faz preparação mental na Atleta Pro Academy.

Pódio do Ironman 70.3 Rio de Janeiro 2026
Ognjen Stojanovic venceu a etapa masculina do Ironman 70.3 do Rio | Foto: Reprodução / Bike Magazine

Djenyfer Arnold vence a 10ª edição do Ironman 70.3 do Rio

O Ironman 70.3 do Rio de Janeiro chegou à décima edição no domingo (9) sob calor, umidade alta e vento forte, ao longo dos 1,9 km de natação, 90 km de ciclismo e 21,1 km de corrida.

Entre os homens, o sérvio Ognjen Stojanovic fechou em 3h50min52 e venceu pela primeira vez a etapa depois de dois vices. Enzo Krauss ficou em segundo, com 3h52min46, e o chileno Martin Baeza completou o pódio, com 3h55min53. Na prova feminina, a brasileira Djenyfer Arnold liderou do início ao fim e cruzou a chegada em 4h14min15, também sua primeira vitória na etapa carioca. Pâmella Nascimento de Oliveira e Pietra Meneghini completaram o pódio feminino.

Radar do Esporte

Carro da Cadillac na Fórmula 1 2026
Cadillac estampou a nova pintura do carro que estreou no grid da F1 em 2026 | Foto: Reprodução / Formula1.com

Cadillac aposta US$ 1 bilhão na Fórmula 1

A Cadillac fechou a primeira metade da temporada 2026 como a 11ª equipe da Fórmula 1, projeto no qual a General Motors investe cerca de US$ 1 bilhão entre desenvolvimento e reposicionamento da marca no automobilismo mundial. A equipe corre com motores Ferrari enquanto a GM constrói do zero sua própria unidade de força, a GM Performance Power Units, com quase 300 engenheiros dedicados ao projeto, previsto para entrar em ação a partir de 2030. No grid comercial, a marca já fechou parceria técnica com a Tenneco e patrocínio da destilaria Jim Beam.

O pelotão do WorldTour 2026 virou vitrine de marcas globais

O WorldTour 2026 roda com um mosaico de patrocinadores que pouco tem a ver com bicicleta: navegação marítima (CMA CGM), petroquímica (TotalEnergies e XRG), varejo online (Picnic) e energético (Red Bull) estampam as camisas dos times, segundo o Brújula Bike. Cada equipe é uma vitrine itinerante que passeia marcas por estradas do mundo inteiro, e o orçamento de cada time depende direto desses contratos. Com mais de 15 setores diferentes representados no pelotão, o ciclismo de estrada já é um negócio muito maior do que o esporte em si.

Startup brasileira cria suplemento personalizado com IA e exame de sangue

A Gauss Health, healthtech brasileira, quer acabar com o “chute” na hora de escolher suplemento. O usuário envia exames de sangue recentes, a IA cruza os biomarcadores com hábitos e objetivos, e o sistema devolve um protocolo de dosagem individual, sempre com validação clínica antes de ir para produção. Entre os primeiros usuários está o ex-jogador da seleção brasileira Zé Roberto, hoje símbolo de longevidade esportiva. A startup opera com cerca de R$ 250 mil de investimento dos próprios sócios e tem uma rodada externa prevista para o segundo semestre de 2026.

Insight de Performance

A recuperação de Negretty não começou com a meta de voltar a competir. Começou com mover o dedão do pé de propósito. Na psicologia do esporte aplicada a lesões graves, esse é o princípio das metas em camadas: quebrar um objetivo gigante numa sequência de vitórias pequenas e mensuráveis, que mantêm a motivação viva quando o corpo ainda não responde. Para o atleta amador, o mesmo raciocínio vale fora da fisioterapia. Numa lesão, num platô de treino ou na volta depois de um período parado, trocar a pergunta “quando eu volto ao normal” por “qual é a próxima vitória pequena de hoje” reduz a ansiedade e sustenta a consistência. E é a consistência que de fato constrói performance no longo prazo. Ninguém volta a andar de uma vez só. Volta um dedão por vez.

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