George Russell terminou a quinta-feira (24) de treinos livres do GP do Azerbaijão no topo das duas tabelas de tempos. No segundo treino, em Baku, marcou 1min43s347 com pneus macios e ficou 0s552 à frente de Kimi Antonelli, numa dobradinha da Mercedes. Max Verstappen, da Red Bull, foi o terceiro.
A velocidade chega num momento em que o inglês precisa de muito mais do que um bom treino. Russell é o vice-líder do campeonato, 81 pontos atrás do companheiro de equipe, e vai para a classificação desta sexta-feira (25), às 9h de Brasília, com a melhor volta do fim de semana até aqui. No TL3, disputado nesta manhã, Verstappen foi o mais rápido, 0s099 à frente dele.
Russell lidera o TL1 e abre 0s552 no TL2
O primeiro treino, às 5h30 de Brasília, já tinha sido dele. Com pneus macios e o vácuo de outro carro na reta principal, Russell fez 1min45s387, 0s400 mais rápido que Verstappen e 0s404 à frente de Charles Leclerc, da Ferrari.
O segundo treino começou às 16h no horário local, com 30°C. Russell baixou o tempo em duas tentativas com pneus macios, primeiro para 1min43s759 e depois para 1min43s347. Antonelli, que passou o dia tentando recuperar o tempo perdido de manhã, fechou em segundo, com 1min43s899. A classificação do TL2, segundo a Fórmula 1:
| Pos. | Piloto | Equipe | Tempo | Diferença |
|---|---|---|---|---|
| 1º | George Russell | Mercedes | 1min43s347 | líder |
| 2º | Kimi Antonelli | Mercedes | 1min43s899 | +0s552 |
| 3º | Max Verstappen | Red Bull | 1min44s174 | +0s827 |
| 4º | Charles Leclerc | Ferrari | 1min44s473 | +1s126 |
| 5º | Lewis Hamilton | Ferrari | 1min44s665 | +1s318 |
| 6º | Lando Norris | McLaren | 1min44s831 | +1s484 |
| 7º | Pierre Gasly | Alpine | 1min44s843 | +1s496 |
| 8º | Oscar Piastri | McLaren | 1min44s857 | +1s510 |
| 9º | Isack Hadjar | Red Bull | 1min44s868 | +1s521 |
| 10º | Esteban Ocon | Haas | 1min45s290 | +1s943 |
Na simulação de corrida, a vantagem apareceu de novo. Pelo levantamento da revista Autosport, Russell fez média de 1min47s960 numa sequência de seis voltas com pneus médios. Verstappen teve média de 1min48s517 em oito voltas com macios, e Oscar Piastri, da McLaren, de 1min48s597.

A própria Mercedes pede cautela. “Não esperamos que as diferenças da tabela de hoje representem o quadro real de competitividade. Vários concorrentes deixaram tempo na mesa nas voltas com pneus macios”, disse Andrew Shovlin, diretor de engenharia de pista da equipe.
Russell foi na mesma linha. “O nosso ritmo de corrida parece bem parecido com o da McLaren e o da Red Bull. Tenho certeza de que essas diferenças vão diminuir ainda mais na classificação”, afirmou.
Antonelli perde metade do TL1 e troca o motor
O líder do campeonato teve uma quinta-feira difícil. No TL1, com 25 minutos de sessão, parou o carro na curva 7 durante uma volta de saída dos boxes e avisou pelo rádio que havia um problema hidráulico. Saía fumaça da traseira da Mercedes, e os fiscais usaram extintores, que acabaram atingindo também o piloto. O carro foi retirado sob safety car virtual.
Antonelli ainda terminou o TL1 em quinto, com 1min46s265, tempo feito antes, com pneus duros. “Eu queria que eles jogassem um pouco mais, porque infelizmente causei um pequeno incêndio”, brincou depois, segundo o site Crash.net.
Por precaução, a Mercedes trocou a unidade de potência entre as sessões. A equipe instalou um motor usado, que já fazia parte da cota do italiano para a temporada, e por isso não há punição no grid. A troca atrasou a entrada dele no TL2, em que completou 16 voltas.
“Perdemos muitas voltas no TL1, e perder metade do TL2 nunca é o ideal, principalmente num circuito de rua. No geral, sinto que foi uma boa recuperação”, disse Antonelli à Sky Sports.
Para o ex-campeão mundial Jacques Villeneuve, comentarista da emissora britânica, a diferença entre os dois companheiros vai além do problema mecânico. “Onde ele [Russell] faz a diferença é em todos os trechos estreitos, onde o carro precisa ser preciso. Antonelli pilota com mais subesterço e paga um pouco por isso.”
Verstappen quebra a sequência no TL3
O último treino, nesta sexta-feira às 5h30 de Brasília, teve outro dono. Com mais vento em Baku, Max Verstappen fez 1min43s922 nos minutos finais e ficou 0s099 à frente de Russell. Lewis Hamilton, da Ferrari, foi o terceiro, a 0s111, e Antonelli terminou em quarto.
A sessão teve várias escapadas. Russell travou os pneus e quase bateu no muro da curva 7. Verstappen rodou na curva 15 e desabafou no rádio: “Se pelo menos uma vez este carro não pulasse como um canguru, meu Deus!”. Na volta mais rápida, ainda raspou no muro da mesma curva.
O que a velocidade de Russell muda na briga pelo título
Na tabela, a vantagem de Antonelli segue a mesma de quando o campeonato chegou a Baku: 292 pontos contra 211. O italiano venceu oito dos 14 Grandes Prêmios do ano. Russell ganhou dois, na Austrália e na Áustria, e não vence desde 28 de junho, quando largou na pole e venceu no Red Bull Ring.
Baku é a 15ª de 23 etapas. Contando o GP deste sábado, restam nove corridas e uma sprint, a de Singapura, com 233 pontos em jogo. A conta mostra o tamanho do problema de Russell: mesmo que ele vença todas as corridas e a sprint com Antonelli sempre em segundo, tiraria só 64 pontos (sete por GP e um na sprint). Terminaria o ano 17 pontos atrás.
Velocidade sozinha, portanto, não basta. Russell precisa vencer e, ao mesmo tempo, ver Antonelli fora das duas primeiras posições em algumas corridas. Por isso o vazamento hidráulico de quinta-feira chamou atenção: uma quebra dessas em corrida, com Russell vencendo, reduziria a diferença em 25 pontos de uma vez. No melhor cenário para o inglês neste sábado, vitória dele e Antonelli sem pontuar, a diferença cairia para 56.
A classificação desta sexta pesa mais em Baku do que parece. A distância entre a pole e o ponto de freada da curva 1 é de apenas 111 metros, a menor do calendário. No duelo interno em classificações, Antonelli lidera por 8 a 6 e tem seis poles no ano.
O histórico de Russell na pista ajuda. Ele foi terceiro em Baku em 2024 e segundo em 2025, mesmo doente. “O George estava bem doente aqui no ano passado e terminou em segundo”, lembrou Bradley Lord, vice-chefe da Mercedes, ao site The Race. Russell, porém, já avisou que terá uma punição no grid por troca de motor em breve, embora não neste fim de semana.
Depois de Madri, Russell chegou a admitir que não estava na briga. Em Baku, prometeu lutar “enquanto a matemática permitir”, como mostrou a prévia do Atleta Pro sobre a conta do título.

Lindblad bate no castelo e Bearman perde o motor
O TL2 teve uma bandeira vermelha, a única do dia. Com cerca de 20 minutos de sessão, Arvid Lindblad, estreante da Racing Bulls, tocou o muro da curva 9, no trecho do castelo, onde a pista se estreita até 7,6 metros entre as muralhas da cidade velha.
“Acho que literalmente raspei no muro por um milímetro”, disse o britânico. Foi a segunda batida seguida dele num segundo treino livre, depois da de Madri.
Pouco depois da relargada, Oliver Bearman parou a Haas com o motor quebrado. “Meu motor desligou e simplesmente quebrou”, avisou pelo rádio.
O vento pode embaralhar a classificação: a previsão indicava rajadas de até 65 km/h durante a sessão, com chance de chuva fraca.
Horário da classificação e da corrida e onde assistir
O fim de semana foi antecipado em um dia porque o domingo, 27 de setembro, é o Dia da Lembrança no Azerbaijão, data de luto nacional. Baku fica sete horas à frente de Brasília. Os horários:
- Classificação: sexta-feira (25), às 9h de Brasília (16h em Baku)
- Corrida: sábado (26), às 8h de Brasília (15h em Baku), com 51 voltas
Nenhuma das duas sessões passa ao vivo na TV aberta. O GP do Azerbaijão ficou fora da lista de etapas da Globo em 2026, e a transmissão é do SporTV 3, do Globoplay (no plano com canais ao vivo) e do F1 TV, o streaming da própria categoria. A Globo exibe um compacto da corrida à 0h45 da madrugada de domingo, depois do Altas Horas.
As opções de TV paga e streaming estão no guia de onde assistir ao GP do Azerbaijão, e o calendário das etapas que faltam, no guia de onde assistir à F1 2026.
O que a quinta-feira de Russell ensina sobre alta performance
Russell vive uma situação comum no esporte e pouco confortável: ser o mais rápido não garante o resultado que ele quer. A conta do título depende também do que o companheiro fizer, e isso ele não controla. O que está nas mãos dele é extrair o máximo de cada sessão, e foi o que fez na quinta-feira.
Antonelli mostrou o outro lado da mesma situação. Perdeu metade do primeiro treino, viu o carro soltar fumaça, trocou o motor e ainda terminou o dia em segundo, chamando o saldo de “boa recuperação”. Problema mecânico é evento, não sentença. O que decide o fim de semana é a resposta a ele.
Em Baku, pista onde líderes já perderam corridas no fim, os dois chegam à classificação com tarefas opostas. Russell precisa transformar velocidade em pontos. Antonelli precisa impedir que um dia ruim vire um fim de semana ruim.
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